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08/07/2013

A questão de Kosovo, um caminho desde a esquerda sérvia

Dragan Plavšic. Artigo tirado de Sin Permiso (aqui) e traduzido por À revolta entre a mocidadeDragan Plavšic é mebro de Marks 21 em Sérvia e é co-editor, com Andreja  Živkovic, de A tradição socialista nos Balcãs e a Federação balcânica 1871-1915 (Londres 2003) .



Com os seus pés atrapados no varro húmido do Kosovo Polje [1] e a sua cabeça perdida em espessa-a nevoeiro de Bruxelas, o governo tem estado na tormentosa busca da alma sobre a questão central da nossa vida política - que fazer com Kosovo?

A fonte de todo este tormento não é, por suposto, difícil de localizar. Atrepado no seu desespero para entrar na UE - a estratégia central para "resolver" a crise da dívida de Sérvia - nossa classe dirigente tem estado chorando lágrimas de nacionalista auto-compaixão sobre a necessidade de chegar a um acordo sobre Kosovo que não vai gostar, a mudança do pertence à UE. Efectivamente  desde faz algum tempo, Washington e Bruxelas têm estado esperando pacientemente a construir a pressão para que Sérvia entre na UE, e em consequência, que Belgrado ceda no Kosovo.

O último episódio desta saga demonstra, uma vez mais, que a questão do Kosovo hoje em dia não é, nem nunca foi, só o papel da Sérvia no Kosovo; é, e sempre foi, junto do papel de Ocidente  liderado pelo EE.UU., no Kosovo, os Balcãs e Europa do Leste no seu conjunto.

Se há uma nova maneira de avançar na questão do Kosovo portanto encontra-se, temos que dar resposta as chaves, estreitamente vinculadas entre si, às feições desta questão que são mais responsáveis pelo atual estado, inçado de conflitos em todos os assuntos: o imperialismo liderado por Estados Unidos e o nacionalismo sérvio.

O acordo atingido a tal reconhecimento mútuo em Bruxelas faz, no entanto, o contrário. Afiança-se a ideia de que o caminho a seguir no Kosovo se pode encontrar baixo os máximos responsáveis pela grave situação que nos encontramos hoje, em local de se debilitar. Como resultado, o acordo não oferece nenhuma das respostas que deveríamos estar a procurar. É mais, as suas propostas são fundamentalmente erróneas em várias feições fundamentais.

Contra o Acordo de Bruxelas

Em primeiro lugar, a garantia da OTAN tem supostamente disposto que assegurará que as forças albanesas do Kosovo não despregar-se-ão na autonomia sérvia no norte, em local de debilitar a ideia de que o imperialismo liderado por Estados Unidos - o mesmo imperialismo que devastou a Jugoslávia na guerra do 1999 e agora dirige o Kosovo como neocolónia - segue tendo um papel importante que desempenhar na província. Fundamentalmente, esta garantia produziu-se a petição expressa da Sérvia. O abraço da Sérvia da OTAN (e as suas forças do Kosovo, KFOR) tem-se estado gestando desde faz algum tempo, mas o atual governo deu um passo mais. Em setembro do ano passado, o vice-presidente primeiro do Governo e ministro de Defesa, Aleksandar Vujic, declarou que Sérvia "valoriza muito a contribuição da OTAN e a KFOR da criação de um ambiente de paz no Kosovo". [2] E em dezembro, quando se reuniu com EE.UU. o secretário de Defesa, Leon Panetta, informou-se de que Vujic "pediu que as tropas da KFOR da OTAN não devem retirar do território do Kosovo e Metohija". [3]

O acordo de Bruxelas consolida ainda mais o imperialismo no Kosovo mediante a formalização de apoio expresso da Sérvia à presença da OTAN no Kosovo e assinalando o aumento da cumplicidade da Sérvia com o imperialismo liderado por Estados Unidos.

Em segundo local, a autonomia especial negociada pelos sérvios no norte - em base aos chefes da polícia sérvia, os juízes e a "proteção" da OTAN- afianza mais que debilita a ideia da divisão territorial por motivos étnicos e alimenta assim a esperança nacionalista sérvia de que se não se pode conseguir que Kosovo volte, poder-se-ia um dia ser capaz de conseguir pôr as mãos no norte. No final de fevereiro, o primeiro-ministro Ivica Dacic repetiu uma vez mais uma visão que durante muito tempo tem estado repetindo, que "segue achando que [a partição] é a melhor e única solução", e acrescentou, revelador, que o Governo "não me vai deixar falar já seja sobre a partição ou separação por mais tempo ". [4] no contexto atual dos relacionamentos antagónicas entre Belgrado e Pristina, está claro que a nossa classe dominante estará tentada de ver a autonomia sérvia no norte como uma forma de divisão que, em um clima mais favorável geopolíticamente, poderia abrir a porta à partição em toda a regra - o que provavelmente conduzirá a ainda mais derramamento de sangue e uma maior intervenção imperialista.

Em terceiro lugar, a autonomia sérvia no norte vai consolidar e não debilitar a hostilidade entre as duas nações. O status especial desta autonomia - em essência, um semi-estado dentro de um semi-Estado - é seguro que será uma fonte de antagonismo competitivo entre Belgrado e Pristina nos próximos anos. Para irritação mútua, Pristina procurará, com o tempo, estabelecer a sua soberania indiscutible sobre a autonomia, enquanto Belgrado opor-se-á a isto e procurar o seu local para consolidar a sua posição ali. Em ambos casos, as classes dominantes tratarão de mobilizar o apoio popular às suas respetivas pretensões e uma vez mais enfrentar nação contra nação. Quanto aos sérvios do Kosovo, a sua situação só se agrava e não se alivia por ser o objeto de toda esta rivalidade explosiva.

Finalmente, com a mútua promessa que Belgrado e Pristina fizeram de não bloquear as aplicações da cada um para unir à UE, este acordo consolida em local de debilitar a ideia de que a solução aos nossos problemas económicos profundos recai nos Estados em crises neoliberais capitalistas da Europa Ocidental. Dacic é um sérvio e Hashim Thaçi, o primeiro-ministro do Kosovo, é um albanês, mas, como representantes das suas classes dominantes, estes dois "irmãos inimigos" [5] estão mais de acordo do que estão dispostos a admitir - isto é, a neo-liberal política de privatização do mercado livre, que terá as mesmas consequências sociais desastrosas para nós que já teve e está a ter, para muitos estados na UE, sobretudo para os trabalhadores gregos.

Por todas estas razões, há que opor a este acordo. Não proporciona um caminho a seguir no Kosovo, pelo contrário, só se alimenta um fogo que os reunidos ao redor dele simplesmente não podem extinguir.

O tempo para pensar de novo e atuar com valentia no Kosovo -em uma forma que a nossa classe dominante é incapaz de contemplar - portanto, leva já muito atraso. É necessário uma mudança fundamental da política na Sérvia, e só a esquerda podemos o proporcionar. Os principais objetivos desta nova política não só devem ser para fechar a brecha entre os sérvios e os albaneses do Kosovo que as nossas classes dominantes e as suas supervisores imperialistas não puderam, senão também para demonstrar a Washington e Bruxelas que podemos encontrar as nossas próprias respostas aos nossos próprios problemas - sem a sua 'ajuda'. Por tanto, o repto para a esquerda é considerável: podemos encontrar uma maneira concreta de abordar ambas questiones chaves, estreitamente vinculadas entre si, sobre a questão do Kosovo hoje em dia -o papel do imperialismo ocidental liderado por Estados Unidos e o do nacionalismo sérvio - que nos levaram à atual atolladeiro? Para responder a esta pergunta, devemos primeiro olhar por que estamos nesta situação.

O imperialismo liderado por Estados Unidos: o caminho a Kosovo

Desde 1989, quando o Império Russo e o Pacto de Varsóvia começou a se derrubar, o líder de Occidente, Estados Unidos, seguiu, por médio da OTAN e a UE, uma política imperialista de expansão e integração na Europa do Leste. Após mais de 40 anos da Guerra Fria, 1989 foi uma oportunidade histórica para absorver o Leste à OTAN mediante o aproveitamento da debilidade da Rússia para rodeá-la com países da OTAN. Depois, para consolidar e reforçar esta vantagem, o Leste foi absorvido pela UE, dando aos conglomerados multinacionais gigantes do acesso direto aos mercados do oeste e longas de trabalho ocultos por trás do Talón de Ferro.

Tendo-se sacudido as correntes de um império, portanto, Europa do Leste ficou atrapada nas correntes de outro. Para que isto fosse possível não foi uma simples questão de "pressão de Occidente". Efetivamente, como o marxista húngaro, GM Tamás, observou, as classes dominantes da Europa do Leste, por temor a Rússia, foram "voluntariamente" a unir à OTAN e a UE em um processo ideológico, económico, político e militar de "auto-colonização". [

No entanto, tinha uma ameaça potencialmente grave para a transição de um império a outro. Esta foi a guerra na Jugoslávia. Como Ivo H. Daalder, assessor de segurança nacional do presidente Clinton, explicou mais tarde, "Enquanto a guerra ia-se enconando, resultava impossível aproveitar as oportunidades criadas pela queda do comunismo, a unificação da Alemanha, e a dissolução de ambos impérios: o soviético na Europa oriental e a União Soviética ela mesma "[7] USA, o líder de Ocidente tinha que demonstrar que a OTAN, e só a OTAN, poderiam levar a guerra ao seu fim, selando a sua autoridade militar nos Balcãs  o falhanço aqui poderia ter socado fatalmente a sua política de expansão e a integração no seu conjunto, fazendo com que os estados "voluntários" no Leste de questionassem a credibilidade do poder liderado por Estados Unidos.

Como resultado, a guerra na Jugoslávia se enredou em uma geoestrategia imperial bem mais ampla. Ao seu devido tempo, após o Acordo de Dayton de 1995, Kosovo converteu-se, por um tempo, o ponto de focagem central da política de Ocidente da expansão imperialista e a integração na Europa do Leste. E no Kosovo, o imperialismo liderado por Estados Unidos foi a encontrar um povo mais que disposto a se submeter diretamente ao "auto-colonização", no que se converteu na expressão mais extrema de um processo mais amplo em marcha em toda a Europa do Leste. Após a guerra de 1999, os albaneses do Kosovo trocaram o domínio sérvio pelo governo neo-colonial encabeçada por Estados Unidos, já seja administrado pela OTAN, a UNMIK e EULEX; fizeram-no "voluntariamente? devido à Sérvia de Milosevic.

Por uma política balcánica de amizade com Kosovo

Desde a ocupação do Kosovo em 1912, quando se encontrou o "berço sagrado da nação" povoada de não sérvios, Sérvia seguiu uma política nacionalista de inimizade para os albaneses do Kosovo, com consequências desastrosas.

Antes da Segunda Guerra Mundial, aos albaneses do Kosovo negou-se-lhes o autogoverno, negou-se-lhes a educação em albanês, e a resistência dos Kaçaks (um dos primeiros UCK) foi aplastada sem piedade. Para ajustar as cifras de população, Kosovo foi assentada com milhares de colonos sérvios; para "fazer espaço" para eles, foi confiscada a terra aos albaneses do Kosovo, e se chegou a um acordo para que Turquia "tomasse" 40.000 famílias do Kosovo. O grau de opressão era tal que muitos albaneses do Kosovo consideram a ocupação fascista como "libertação" da dominação sérvia. Inclusive após 1945, as instituições do Kosovo foram dominadas pelos sérvios, cujo domínio da minoria foi imposto pelo terror de UDBA de Rankovic. [8] Uma vez mais, para ajustar as cifras de população, alentou-se aos albaneses do Kosovo a identificar-se como Turcos e, em 1966, com o acordo de Estambul , uns 100.000 emigrava a Turquia.

A queda de Rankovic e as manifestações em todo o Kosovo em 1968 trouxeram uma acalma temporal da opressão  Kosovo ganhou a autonomia real, e a albanizaçao das suas instituições começaram a bom ritmo. Mas a trégua durou pouco, terminou de maneira concluinte pela ascensão de Milosevic ao poder. A sua direção de classe dirigente decidida a "recuperar" Kosovo para a Sérvia baseou-se em uma campanha abertamente racista de mobilização popular contra os albaneses do Kosovo com o fim de privar da autonomia que ganhava na Constituição jugoslava de 1974. Como resultado, os albaneses do Kosovo se converteram, uma vez mais, nos cidadãos de segunda classe na Sérvia.

Esta política da inimizade tem "triunfado" - da única maneira que podia fazer: fez-se aos albano-kosovares inimigos da Sérvia e portanto potenciais aliados de qualquer poder externo disposto e capaz de ir na sua ajuda. A guerra de 1999 foi a expressão mais calamitosa do "sucesso" desta política.

A guerra de 1999 foi devastadora, mas era uma oportunidade ocidental liderada por Estados Unidos que tomou com as duas mãos com a certeza de que a política de hostilidade da Sérvia daria aos albano-kosovares poucas razões imediatas para pensar criticamente sobre o apoio imperialista que recebiam. Pelo contrário, os albaneses do Kosovo lançaram-se com entusiasmo aos braços de Washington por uma razão imediata e urgente - o desejo desesperado por libertar-se da opresión da Sérvia de Milosevic. Como a marxista polaco-alemã, Rosa Luxemburgo, teve por muito tempo observado da questão nacional nos Balcãs  "As massas não participam nas reflexões complexas e remotas ... aceitam o primeiro e o melhor método que se corresponde com os seus interesses imediatos, embora este método é a diplomacia vil [de uma grande potência] ". [9]

A guerra de 1999 deveria ter demonstrado para além de qualquer dúvida razoável que a política de hostilidade para os albaneses do Kosovo da Sérvia foi um falhanço catastrófico, dando como resultado o estabelecimento do poder imperialista no Kosovo e a a cada vez maior hostilidade entre as nossas duas nações. Cegada pelo dogma nacionalista, no entanto, a nossa classe dirigente persegue ainda essa política, como adita a uma droga autodestrutiva da que não pode prescindir. Mas se o terrível ciclo da catástrofe do Kosovo é alguma vez rompido, a política que ajudou a dar a luz a este ciclo tem que ser recusada.

Em mudança, em local da política de inimizade da Sérvia, a esquerda em Sérvia deveria advogar por uma política muito diferente, uma política balcânica de amizade com os albaneses do Kosovo. Qual deve ser o eixo central desta nova política e por que deve nos permitir evitar as catástrofes do passado?

Defender o direito do Kosovo à livre determinação

Uma característica central da política de hostilidade da Sérvia foi, e segue sendo, a negação do direito do Kosovo à autodeterminação, isto é, o seu direito a formar um estado independente. Pelo contrário, um elemento central de uma política dos Balcãs da amizade deve ser defender o direito do Kosovo à livre determinação, o direito a formar um Estado independente, na contramão da negação dogmática deste direito pela nossa classe dirigente.

Dada a profundidade à que a hostilidade entre as duas nações se afundou, esta defesa é a única maneira atual de começar a fechar a brecha que existe entre nós, demonstrando, com a clareza nítida, que há gente na Sérvia que se comprometem a opor ao nacionalismo da sua própria classe dominante e à amizade com aqueles que têm estado durante tanto tempo tratados como os nossos inimigos de sangue. Trata-se, em definitiva, uma condição prévia indispensável para a amizade. Esta política dos Balcãs da amizade teria uma série de vantagens concretas tanto para os sérvios e os albaneses do Kosovo.

Em primeiro lugar, devemos reconhecer que a nossa classe dirigente usou, uma e outra vez, e utiliza a questão do Kosovo para desviar o descontentamento económico e político do seu dominação para um descontentamento nacionalista com os albaneses do Kosovo. Efetivamente, quem pode negar que uma das razões Milosevic fosse capaz de subir ao poder e aferrar-se a ele durante tanto tempo era a sua exploração do mito do Kosovo para justificar um regime que era opressivo, e não só aos albaneses, senão para nós também? Kosovo não foi só a opressão dos albaneses do Kosovo senão que também se trata da nossa opressão em casa. Ao expor a forma em que esta arma nacionalista foi utilizada pela classe dominante, a esquerda estará em condições de debilitar a capacidade de Belgrado para oprimir a todos nós.

Esta política também faria mais que qualquer outro ato para diminuir o sentimento nacionalista albanês anti-sérvio. Porque o seu nacionalismo está estreitamente vinculado ao nosso: quanto mais os nossos nacionalistas ameaçam o Kosovo, mais os seus nacionalistas ameaçam-nos a mudança. Mas se os albaneses do Kosovo não teriam nada que temer de uma Sérvia que seguisse uma política balcânica da amizade, um maior espaço político estaria despejado para os albaneses que estão mais abertos a nós e os nossos interesses comuns. Por outra parte, a difícil situação dos sérvios do Kosovo relaxou-se, não só no norte senão em todo o Kosovo. De facto, o 40% dos sérvios do Kosovo não vivem na autonomia no norte.


Com tudo, portanto, esta política se compromete a reduzir o poder de atração do nacionalismo na Sérvia e Kosovo. Como resultado, teria maior espaço para ambos, sérvios e albaneses do Kosovo, para se centrar em abordar as consequências sociais nefastas do capitalismo neoliberal destrutivo que nossas duas classes dirigentes estão decididas a nos impor, dando a esquerda, aqui e no Kosovo, mais possibilidades de conseguir uma audiência. Sérvios e  albaneses do Kosovo têm um interesse comum em ir juntos na contramão dos seus governos neoliberales e isto só pode se fazer efetivo se não estamos distraídos e divididos pelos nossos próprios nacionalismos.

Por último, esta é a única política que promete fechar a brecha étnica entre sérvios e albaneses do Kosovo, através da qual entrou Ocidente liderado por EE.UU e que agora procura determinar os assuntos balcânicos  Os albaneses do Kosovo têm fé nos EE.UU. porque temem Sérvia. Uma política dos Balcãs de amizade que eliminasse este temor sacudir-se-ia essa fé. Como resultado, teria maior espaço político para os albaneses que querem arrojar o estatus neo-colonial do Kosovo, isto é, que querem que Kosovo será governado por eles e não para eles. Isto teria envolvimentos mais amplas, positivas para os Balcãs  sobretudo em Bósnia.

Esta política dos Balcãs de amizade é então a única resposta racional à política de hostilidade da Sérvia. No entanto, apesar de que senta as bases para abordar a questão do imperialismo nos Balcãs com a promessa de levar aos sérvios e os albaneses do Kosovo juntos e dar a Washington e Bruxelas menos espaço para dividir e nos governar, temos que ir para além.

Isto é importante. Sérvia é um poder local nos Balcãs  mas o imperialismo liderado por Estados Unidos é global, com o poder para impor a sua vontade brutal não só nos Balcãs e Europa do Leste, senão também no Iraque, Afeganistão e outros locais. A esquerda sérvia também tem que estar armada com uma proposta concreta da melhor maneira de desafiar o imperialismo estadounidense no Kosovo hoje.

Pelo reconhecimento do Kosovo com uma condição

O nosso governo prometeu não reconhecer nunca a declaração de independência do Kosovo de 2008. [10] O imperialismo encabeçado por Estados Unidos, pelo contrário, está a tratar de conduzir Sérvia passo a passo para o reconhecimento. No entanto, estas não são as únicas duas alternativas.

Certamente, ao defender o direito do Kosovo à livre autodeterminação sustentamos, como questão de princípio, que Kosovo tem direito a ser independente e a ser reconhecido como tal. Isto significa que a esquerda deve recusar a rotunda negativa do governo no fazer. Mas seria um erro concluir que achamos que o Kosovo deve ser reconhecida agora. O reconhecimento é um ato político e o momento político o é também; quando acontece e em que condições é fundamental.

Portanto, dizemos que o governo deve lhe dizer a Washington e Bruxelas que está disposto a reconhecer a independência do Kosovo se, e só se, se cumpre uma condição essencial.

Dado o papel central e fundamental da OTAN na execução da política imperialista de Ocidente liderada por Estados Unidos de expansão e a integração na Europa do Leste, não só no Kosovo, dizemos que o governo deve lhes dizer a Washington e Bruxelas que vai reconhecer a Kosovo tão cedo como estejam de acordo que Sérvia e Kosovo serão zonas livres da OTAN, isto é, livre de tropas da OTAN, bases da OTAN como Camp Bondsteel, e livre de ser membros da OTAN no futuro. [11]

No improvável caso de que Washington e Bruxelas estivessem de acordo nesta condição a mudança do reconhecimento do Kosovo por Sérvia, estabelecer-se-ia a seguir um precedente importante na história recente do avanço para o Leste,  aparentemente incesante da OTAN. Enviar-se-ia um poderoso sinal, sobretudo para Bósnia, de que há uma alternativa ao processo aparentemente imparável do "auto-colonização", não só militar, senão, por extensão, de outras áreas também. No caso mais provável, no entanto, que Washington e Bruxelas se negasse, os albaneses kosovares veriam que a verdadeira independência já não seria bloqueada por Sérvia, senão pelo imperialismo liderado por Estados Unidos, o que poderia envalentoná-los a se sacudir os seus amos neocoloniais e os seus cúmplices locais, e tomar o poder nas suas próprias mãos. Por outra parte, tal negativa demonstraria claramente que o objetivo primordial do imperialismo liderado por Estados Unidos é a extensão do seu próprio poder em vez dos interesses dos albaneses do Kosovo que afirmaram defender.

De qualquer maneira, esta condição da exclusão da OTAN propõe a questão da descolonização completa do Kosovo, incluída a retirada da burocracia neo-colonial corrupta que é EULEX. Deste modo abre-se a porta, por fim, à libertação do Kosovo - pelos próprios albaneses do Kosovo.

Por suposto, nem por um momento achamos que o nosso governo jamais se prepare para tomar este curso de ação e para que se desenvolva esta corrente de acontecimentos. Esse não é o nosso propósito aqui. O nosso objetivo é proporcionar à esquerda sérvia uma posição coerente sobre Kosovo que seja anti-imperialista e anti-nacionalista. O argumento de que Sérvia deve reconhecer a Kosovo condicionalmente funde estes dois princípios políticos abstratos em uma única posição política concreta, e portanto dá à nossa esquerda um novo caminho a seguir no Kosovo pode argumentar a favor e agitar com confiança.

Para uma Federação Balcânica

A política dos Balcãs de amizade com Kosovo que temos estado argumentando é, no entanto, só um peldaño. Senta as bases para uma política mais ampla dos Balcanes de confiança mútua nos nossos vizinhos, em local de uma política nacionalista estreita de dependência competitiva em um ou outro imperialismo, com a cada estado rivalizando pelo apoio de uma potência estrangeira na contramão dos seus vizinhos. A tragédia da nossa história foi a incapacidade repetida de conseguir esta perspetiva os Balcãs na nossa política.

Mas isto não é uma tragédia acidental. As nossas classes dominantes sempre foram demasiado estreitas de olhas e demasiado egoístas - em resumem, nacionalista - para pensar e atuar pelo bem comum, e sempre sê-lo-ão. A esquerda precisa, por tanto, pôr a sua convicção na única classe que tem o potencial de ver através das fronteiras que nos dividem atualmente - a classe operária dos Balcãs  Mas se a classe operária dos Balcãs está sempre em potencial disposta para cumprir, a esquerda balcânica deve ser tão astuta na luta contra o nacionalismo como nossas classes dominantes o estão no fomento dele. Isto só se pode fazer, não com consignas abstratas, senão com políticas concretas que nos assinalam uma e outra vez na direção da meta que temos que atingir se queremos pôr fim ao ciclo sangrento da nossa história - a criação de uma federação balcânica que porá fim às lutas nacionais e salvar-nos-á das tentações auto-destrutivas do imperialismo.



Notas:
[1] "Campo de Kosovo", donde teve lugar a batalha de Kosovo de 1389, quando as forças sérvias chefiadas foram derrotadas pelos otomanos. Esta batalha tem um papel central na mitologia sérvia nacionalista.
[2] “La KFOR debería quedarse, pero no entrenar las fuerzas de Kosovo”, www.b92.net, 21.09.2012
[3] «Un diputado insta a continuar el despliegue de la OTAN en Kosovo”, www.b92.net, 07/12/2012
[4] «Un diputado cree que la partición es" la mejor solución "para Kosovo, www.b92.net, 28.02.2013
[5] Uma expressão de Karl Marx em O capital utiliza para descrever os capitalistas: irmãos da família capitalista que são hostis a competir entre sí próprios no mercado.
[6] GM Tamás, 'Palabras de Budapest', New Left Review de marzo-abril 2013
[7] Ivo H. Daalder, “Cómo llegar a Dayton”, Washington, DC 2000, p.187
[8] os notórios serviços de segurança de Jugoslávia, UDBA. Ele foi apartado do poder por Tito no ano 1966.
[9] Rosa Luxemburgo, "La socialdemocracia y las luchas nacionales en Turquía" (1896) en Dragan Plavšic y Andreja Živkovic (eds), La tradición socialista balcánica y la Federación de los Balcanes desde 1871 hasta 1915, Londres 2003, p.44
[10] Mais recentemente, 'Presidente: Kosovo nunca se convertirá en el estado', www.b92.net, 03/05/2013
 [11] Uma versão deste argumento assinalou-se por primeira vez em 'Situacija na Kosovu: nacionalizam samo Jaca imperijalizam na Balkanu!' [A situação de Kosovo: o nacionalismo apenas fortalece o imperialismo nos Balcãs] em nosso site, www.marks21.info, 1.8 . 2011.

20/04/2011

A asombrosa dexeneración política e intelectual dos Verdes alemáns. Jutta Ditfurth axusta contas co partido que contribuíu a fundar

Vicente Romano. Artigo tirado de eiquí e traducido por nós para o galego. A banda deseñada que ilustra a reseña de Vicente Romano sobre o libro  de Jutta Ditfurth tradúcese así: "--- Tedes un grande apartamento que debedes quentar, un Volvo na porta, destruídes os Alpes durante as vosas ferias de esquí e apestades a atmosfera con todas as vosas viaxes en avión. De feito, que facedes polo medio ambiente? --- Votamos polos Verdes".  A banda é de Klaus Stuttmann.

http://www.tlaxcala-int.org/upload/gal_3475.jpg.

Obras son amores: Jutta Ditfurth, unha das fundadoras con maior autoridade intelectual e moral dos Verdes alemáns, axusta contas coa asombrosa dexeneración política e intelectual dun partido que non tivo máis remedio que abandonar. O recoñecido xermanista español Vicente Romano reseña este libro importante, tamén pola súa penetración analítica nas raíces socio-culturais da estupefaciente deriva duns outrora "ecopacifistas" que agora se sitúan expressis verbis á dereita da vella socialdemocracia alemá ("a esquerda do centro").

Os Verdes, cuxo título orixinal é Krieg, Atom, Armut. Was sie reden, was sie tun: Die Grünen (Guerra, enerxía atómica, pobreza. O que din, o que fan: Os Verdes, Berlín 2011, 288 pp.) é o segundo libro que Jutta Ditfurth lle dedica a este partido. A súa apresentación tivo lugar o 20 de febreiro deste ano en Berlín. Se no primeiro analizaba o proceso de dereitización dos Verdes, o abandono dos seus ideais iniciais, a súa aspiración a ser a alternativa, etc., neste documenta exhaustivamente a actuación política dos Verdes ante a guerra, a enerxía nuclear, a pobreza, a economía de mercado e o capitalismo. Pon de manifesto a disparidade existente entre o que din e o que fan.

Esta excelente análise, realizado por unha persoa que coñece o tema de primeira man, resulta esclarecedora non só para coñecer a pretendida alternativa dos Verdes alemáns. Tamén se pode aprender deles agora que se anuncia un partido semellante en España, publicitado de momento co nome de Equo.

En Alemaña, Os Verdes gozaron e gozan de relativos éxitos electorais que os levaron a gobernar en coalición co SPD (socialdemocracia), o CDU (dereita) ou o FDP (liberais) tanto a nivel federal como rexional. Na actualidade as enquisas danlles 16% de intención de voto a nivel federal, porcentaxe que superan con fartura nalgúns dos Länder. Moitos electores e electoras abrigan aínda a esperanza de que Os Verdes son un partido de esquerda, a alternativa progresista á dominante onda neoconservadora.

Claro que o que as enquisas non recollen é a porcentaxe de electores reais, senón tan só o dos dispostos a votar. Con todo o dos que non votan é o sector maior, un 36%. Por iso é polo que as enquisas non reflictan o criterio da sociedade no seu conxunto senón a suposta decisión dos que queren votar.

Certo, nos seus inicios, antes de converterse en partido político ao uso e exercer o goberno, Os Verdes opúñanse ao monopolio da violencia estatal, á guerra, participaban nas manifestacións contra as centrais nucleares, defendían a obxección militar, etc. Pero os seus electores non podían imaxinarse que Os Verdes abandonasen axiña que os seus principios,   e se convertesen nun partido como os demais, adaptándose perfectamente ao sistema vixente. A suposta afouteza dos Verdes, di Jutta Ditfurth, parece transformarse no seu oposto en canto chegan ao goberno.

Porén, malia que se converteron nun partido como os demais, si se dan máis habilidade para apresentarse como algo que non son. En realidade están tan encadeados aos intereses do capital e á conservación do poder como o resto de partidos burgueses. Non é de estrañar, por tanto, que os seus medios de comunicación flirteen cos Verdes, que até certo punto sentan fascinados por eles. A aburrida burguesía sente seducida polo feito case romántico de que un "Joschka" Fischer, antigo taxista e radical verde chegue a Ministro de Asuntos Exteriores. De que Otto Schily, outrora avogado de terroristas e deputado verde se converta en Ministro de Seguridade co SPD e de que Jürgen Trittin, no seu día membro da liga Comunista, exerza de Ministro de Medio.

Pero, co seu apoio ás medidas restritivas do Estado social, encarnadas sobre todo na Axenda 2010 e a Hartz IV, Os Verdes perderon a conexión coas súas bases. En lugar dunha revolución democrática, Alemaña participou activamente nunha primeira guerra tras a súa experiencia nazi. Coa ministra verde de Sanidade, Andrea Fischer, empeorou sensibelmente a asistencia sanitaria en Alemaña. Ao perder as eleccións federais en 2005 pasou a traballar cun bo soldo para a industria farmacéutica (Bayer). Cos Verdes no Goberno desapareceu na práctica o dereito de asilo, preparouse o camiño para o Estado policíaco, reducíronse as pensións, limitouse o acceso dos obreiros e inmigrantes á Universidade, etc. A "revolución", afirma Jutta Ditfurth, traduciuse no desmantelamento do Estado social, e no empobrecimiento de miles e miles de persoas. O prometido "Neubeginn" (Novo comezo) deveu na redución de impostos para o capital e os ricos. As enardecedoras ideas da coalición roxiverde terminaron nos bombardeos e destrución de Iugoslavia, na libre circulación de capitais e na exportación de armas.

Non hai que romper a cabeza para adiviñar o que farán os verdes cando cheguen ao Goberno. Tan só hai que observar o que fixeron cando participaron nel. Non hai que estrañarse, pois, que os medios da burguesía os traten tan ben, lles outorguen tanto espazo e lles estexan tan agradecidos. Os Verdes dominan como ninguén a arte da traizón. Ningún outro partido alemán sabe debilitar e dividir como eles a resistencia.

Vexamos algúns exemplos.

Transporte de residuos e centrais nucleares

Os capítulos 3 e 4 están dedicados á relación dos Verdes co transporte dos residuos tóxicos e as centrais nucleares. Neles a autora documenta a evolución desde a oposición radical na década dos 70 até a aprobación na Axenda 2010. Así, cando e onde estiveron ou están no goberno federal ou rexional manifestáronse en contra ou a favor do transporte e defenderon ou rexeitaron as manifestacións antinucleares. Nisto mostran unha actitude semellante á do Partido Comunista Alemán, que considera boas as centrais nucleares se están en mans do pobo e son nefastas nas do capitalismo. Coma se a radioactividade puidese discernir por si soa entre ambos os sistemas.

 Fronte á xustificación de que a enerxía nuclear resulta máis barata Jutta Ditfurth lembra que entre 2000 e 2008 o catro principais consorcios da enerxía eléctrica, E.0n, RWE, EnBW e Vattenfall Europa, gañaron 82.400 millóns de euros netos sen que por iso diminuísen os prezos para o consumidor. Máis aínda, a esa cantidade inxente de beneficios privados hai que engadir os 203.400 millóns de euros recibidos polo Estado, isto é, dos petos da consumidores vía impostos. Porque, como dicía F. Engels no Antidühring , o Estado actúa como "capitalista global ideal".

Verdes e socialdemócratas apuntan hoxe, hipocritamente, á dereita do CDU e FDP no canto de a si mesmos. Pero ante a catástrofe de Xapón, até a mesma Angela Merkel deu un paso atrás e parou, durante tres meses, a produción das 7 centrais nucleares máis vellas. A presión do forte movemento ecolóxico e antinuclear alemán e a inminencia das eleccións así o aconsellan.

Os Verdes e a guerra

No seu día, Os Verdes tamén eran contrarios á participación do exército alemán nos conflitos internacionais. Pero, unha vez no poder, o Goberno roxiverde (1998-2005) aprobou a intervención de Alemaña na guerra contra Iugoslavia. A partir de entón, Os Verdes convertéronse nun partido guerreiro procapitalista. Os "Realos", como así se denominaban, sabían moi ben que xamais poderían chegar ao goberno se non aceptaban o capitalismo e a OTAN.

Hai alguén, pregúntase Jutta Ditfurth, que ouvise dicir que Os Verdes, a quen tanto lles gusta falar de "moral" en política, foron corresponsábeis da destrución de Iugoslavia e do estabelecemento do estado mafioso de Cosova? A coalición roxiverde contribuíu para pór a H. Thaci, por nome de guerra "Serpe", como xefe de goberno en Kósovo. Un amigo de J. Fischer, Tom Koening, é o responsábel de organizar a administración civil. Após o seu descrédito en Cosova, Fischer nomeouno responsábel de dereitos humanos no Ministerio de Asuntos Exteriores, para pasar logo a encargado especial da ONU en Afganistán. Este individuo preside desde 2009 o Comité Parlamentario de Dereitos Humanos e Axuda Humanitaria. En xaneiro de 2011 este "verde" votou a favor de prolongar o envío de tropas a Afganistán. T. Koening prometeu colocar os dereitos humanos no centro da política alemá.. En suma, que cando Os Verdes colocan no centro a cuestión dos dereitos humanos hai que entendelo como unha ameaza aos mesmos, conclúe Jutta Ditfurth.

Aos Verdes gostan de  defender militarmente os dereitos humanos. O Goberno roxiverde enviou tropas a Afganistán, ao Golfo Pérsico, ao Corno de África, ao Mediterráneo. Cun orzamento de 1.700 millóns de euros e 10.000 soldados, Alemaña é hoxe o segundo provedor de tropas despois dos EUA, con destacamentos estacionados desde Afganistán aos Balcáns.

A militarización dos dereitos humanos e da axuda humanitaria forma parte da política roxiverde. Serviu de propaganda para salvar aos corvos mariños empapados de petróleo na Guerra do Golfo (1990-1991). E na guerra de Iugoslavia foi útil para compensar os crimes de Auschwitz e a de Afganistán para liberar ás mulleres afgás. Que sarcasmo!

Na fracción verde ninguén pide xa a saída da OTAN, Na axenda dos Verdes non figura a disolución deste pacto agresivo, senón a súa extensión cara ao Leste, isto é, a inclusión de Rusia e os estados da antiga Unión Soviética. O Atlántico Norte abarca agora desde Vancouver a Vladivostok.

Os voceiros desta orde social xustifican as súas accións bélicas en aras da democracia, da igualdade, do humanitarismo, etc. Pero os dereitos humanos inclúen tamén a igualdade social. E esta, afirma Jutta Ditfurth, só pode lograrse coa supresión da explotación e do beneficio privado, isto é, a eliminación da orde económica capitalista global. E ningún verde está disposto a pagar ese prezo, posto que, como bos burgueses, hai tempo que tamén eles se benefician deste sistema.

Os Verdes e o capital

Pero a pedra de toque da alternativa progresista dos Verdes está na súa relación co capital. A autora documenta esta relación no capítulo 8 (pp. 210-255).

Na década de 1980, moitos verdes eran partidarios da igualdade. Recoñecían que esta é a base da seguridade, a liberdade e a felicidade dos seres humanos. Opúñanse ao capitalismo. Aínda non o edulcoraban como "economía social de mercado" e esixían a autodeterminación de todos. No entanto, os sete anos de goberno roxiverde agudizaron as desigualdades de clases na sociedade alemá. Onde queira que gobernaron, Os Verdes aceleraron o proceso de segmentación social e mental. Certo, hai verdes con poucos ingresos. Pero os seus representantes políticos pertencen ao sector acomodado que pode permitirse unha alimentación sa, clasifica o seu lixo,  envía aos seus fillos a colexios privados e  vive en zonas residenciais tranquilas e pracenteiras. Hoxe son os portavoces do sector de altos rendementos, das autodenominadas elites, académicos, etc. E iso, aínda que moitos deles se achen inmersos nun proceso de proletarización.

A coalición roxiverde incrementou sensibelmente o número de pobres. Socialdemócratas e Verdes organizaron a pobreza da vellez para millóns de persoas [denunciada sem tapullos no seu dia por Óskar Lafontaine e Die Linke ("A Esquerda"); N. do blogger]. A súa política socioeconómica supuxo un atentado esconta o xa debilitado Estado social. O conglomerado de leis estabelecido pola Axenda 2010, Hartz I, II, III e IV encarna o conxunto de reformas do sistema social e do mercado de traballo alemáns. Desde 1945 Alemaña non vivira semellante agresión contra os parados e os perceptores de axudas. Este cúmulo de reformas vese incrementado aínda máis co actual Goberno presidido por Angela Merkel. A pretendida modernización introducida pola Axenda 2010 e disposicións  complementares supuxo o desmantelamento do Estado social. E ese é o modelo que se quere impor ao resto de estados europeos.

Non custa moito pescudar quen é o beneficiario destas reformas. Non pode ser outro que o capital. Quen, se non, se lucra coa redución dos custos adicionais, o abaratamento do despedimento, a prolongación da idade laboral, os recortes nas prestacións e axudas sociais, a precariedade do emprego, o crecemento enorme do exercito de reserva (Marx), etc.? O resultado desta "modernización" é o empobrecimiento da inmensa maioría da poboación. Así,  70% dos alemáns posúe tan só  9% da riqueza total do país, mentres que o 10% dos máis ricos goza do 60% de 6,6 billóns de euros. Os ricos son cada vez máis ricos, mentres que 11,5 millóns de persoas viven ameazadas pola pobreza. Esta afecta xa a 20% dos nenos e as súas familias.

En Alemaña prolifera o último invento do capitalismo, o que se denomina co termo de Leiharbeit, isto é traballo a préstamo, en réxime de cesión. Consiste na creación dunha serie de empresas que non producen nada. Dedícanse a recoller os traballadores e traballadoras en paro, desatendidos mesmo polos sindicatos por estar fóra dos convenios, carentes de toda protección social. Logo préstanllos ou ceden ás empresas que necesitan man de obra en réxime de cesión. Estes traballadores e traballadoras cobran a metade que os demais e traballan 48-50 horas semanais no canto das 38-40 que marcan os convenios. As diferenzas salariais enriquecen aos prestamistas e ás empresas que os empregan. En Alemaña hai xa varios millóns de traballadores "prestados", os novos escravos. Así é como a economía alemá é máis produtiva e competitiva. Este negocio da "competitividade" lévano a cabo en España as ETT (Empresas de Traballo Temporal), contrátalas e subcontratas de todo tipo.

Así, mentres uns se empobrecen, outros sectores da clase media temen caer na pobreza. E este medo faios agresivos fronte aos parados e inmigrantes, os novos estigmatizados sociais. Pois, facendo honra á popular imaxe alemá do ciclista, isto é, da persoa que se dobrega ante os de arriba e patea aos de abaixo, o súbdito verde tamén prefire pisar ao de abaixo antes que erguerse e camiñar en solidariedade con el.

Para que destruíron Os Verdes sectores considerábeis do Estado social, pregúntase a Jutta Ditfurth? Para reforzar as vantaxes do capital alemán na súa competitividade cos demais capitais, responde para favorecer a súa capacidade exportadora e incrementar os seus beneficios.

Si, en Alemaña Os Verdes contribuíron a ensanchar o laño entre unha minoría de ricos e a inmensa maioría de pobres. Un partido disposto a gobernar custe o que custe, xa sexa co SPD, co CDU e ás veces co FDP, ten que estar tamén disposto a manter a lei e a orde, isto é, a protexer a riqueza.

A crise económica mundial só desapareceu para o capital, que se beneficiou de todas as reformas do Estado social. Ninguén frea o capital que somete ao país e ao mundo. Porque o capitalismo non atravesa ningunha crise, o capitalismo é a crise.

Adaptación

Os Verdes non cambiaron en nada as estruturas dominantes, senón que se enxertaron nelas e modernizáronas, endurecéronas e militarizáronas. Velaquí algúns exemplos desta adaptación.

Renate Künast e os Verdes de Berlín, unha das seccións máis á esquerda nos anos80, está hoxe disposta a entrar en coalición co SPD e o CDU. Andrea Fischer, antiga trotskista e ministra de Sanidade declarou publicamente que os seus inimigos son os médicos, non a industria farmacéutica. Por iso é polo que de 2006 a 2009 traballase como directora de sección na Axencia Pleon e de lobby para a Bayer e outras empresas.

Pero Joschka Fischer, o antigo Ministro de Asuntos Exteriores, supéraos a todos. Entre os seus postos ben remunerados figuran o de conselleiro político do consorcio de enerxía nuclear RWE, que leva a OMV Gas e Electricidade (Viena) e a RWE Suply & Trading (gasoduto). J. Fischer embólsase por este traballo un soldo de seis díxitos. RWE págallo duns ingresos netos de 48.000 euros. Non é estraño que Fischer aprobase en 2003, en nome dos Verdes, o fomento da enerxía nuclear. Nin tampouco que recibise tantos parabéns dos medios de comunicación como o New York Times, a Bildzeitung ou a Frankfurter Allgemeine Zeitung polas súas actuacións a favor da OTAN. Tamén é membro fundador do European Council of Foreign Relations, entre cuxos principios destaca o de reforzar Europa como potencia mundial, ou o de utilizar a forza militar para deter os xenocidios e evitar as catástrofes humanitarias en Europa e no mundo. J. Fischer é así mesmo conselleiro de BMW e de Siemens. En xullo de 2010, o grupo de comercio e turismo do consorcio REWE fixo pública a colaboración de Fischer na sección de alimentos ecolóxicos.

Pero, claro, Os Verdes e os ecoloxistas non teñen por que ser a mesma cousa, aínda que haxa xente que así o crea. Se  a ecoloxía forme parte do patrimonio da esquerda (M. Sancristán), en Alemaña tamén existe unha raíz popular e de dereita. Orixinariamente, ecoloxía de esquerdas significaba tamén ir á raíz das condicións de vida e traballo dos seres humanos. Pero en ningunha industria química meteron o seu nariz Os Verdes. A pobreza e o desemprego masivos atemorizan aos que gozan dun bo posto de traballo fixo, resulta fácil imaxinar que medo, que terror sentirán cando os millóns de marxinados e excluídos articulen a súa indignación. Entón veremos como se defenden con uñas e dentes os privilexios e a propiedade.

A onda neoconservadora


Desde a disolución da Unión Soviética e a reunificación alemá entrou en acción unha onda neoconservadora que penetra todos os ámbitos sociais e mentais. É o que se denomina cos conceptos de globalización  económica e pensamento único. Os éxitos máis destacados deste rodete foron a guerra de Iugoslavia e a destrución do Estado social, co concomitante de maior enriquecemento dos potentados. Os Verdes, igual que os socialdemócratas, constitúen unha parte persoal, ideolóxica e política deste rollback neoconservador.

Para Jutta Ditfurth, o terríbel é que nesta burguesía acomodada crece o pensamento elitista, dereitista, islamófobo. Esparce nela un sentido autoritario da xustiza. En suma, a burguesía corrómpese de xeito claro. Hai tempo que lle é indiferente o que pase coas vítimas da política económica. Mentres manteña os seus privilexios e a súa propiedade non lle preocupan as condicións creadas polo consumo de bens chineses, a morte dos nenos africanos, os inmigrantes que se afogan no Mediterráneo ou que malviven tras os aramados dos campos de internamento. As súas actitudes envelenan a sociedade. A través de campañas, apoiadas polos seus medios de comunicación, esta burguesía agresiva difunde a súa mensaxe brutal: abandonade toda esperanza (Dante), sodes inútiles, a culpa da vosa situación é vosa. Para que serven a solidariedade, a democracia participativa, a responsabilidade social? Se a moral burguesa foi sempre etérea, inestable, hoxe desapareceu por completo.

A desigualdade social pervirte a quen a practica e se identifíca con ela. Desinhíbense, tiran a carauta. E caen precisamente no ambiente onde se sitúan hoxe os Verdes, no "centro", "á esquerda do centro". Non importa até onde se estenda a súa direitización. Os Verdes son hoxe un motor moi especial da onda neoconservadora, conclúe Jutta Ditfurth.

04/04/2011

Entrevista a Noam Chomsky: Líbia e as crises que se avizinham

Avram Noam Chomsky. Artigo tirado de aqui e verquido por nós para o galego-português.

http://www.rsumen.cl/images/stories/noamchomsky.jpg
O filólogo e ativista político Noam Chomsky.

1. Quais são as razões que movem os EUA nos relacionamentos internacionais, no sentido mais amplo? Isto é, quais são as razões dominantes e os temas que se podem detetar quase sempre nas opções das políticas dos EUA, em qualquer local do mundo? Quais são as razões mais concretas, embora também dominantes, e os temas das políticas dos EUA em Oriente Próximo e o mundo árabe? E, por último, quais acha você que são os objetivos mais imediatos da política dos EUA na situação atual em Líbia?

Uma maneira útil de abordar a questão é perguntar-se quais NÃO são as razões dos EUA. Podemos averiguá-las de diferentes maneiras. Uma delas é ler a literatura profissional sobre relacionamentos internacionais: com bastante frequência, o seu relato da política é o que a política não é, um tema interessante que não vou desenvolver aqui.

Outro método, muito relevante neste caso, é escutar aos líderes e comentaristas políticos. Suponhamos que se diz que as razões da ação militar foram humanitárias. Em si mesma, esta afirmação não contém informação: praticamente todos os recursos à força se justificam nesses termos, inclusive o fazem os piores monstros, que podem, com total irreleváncia, chegar a convencer da verdade do que estão a dizer. Hitler, por exemplo, pôde achar que estava a apoderar-se de partes de Checoslováquia para pôr fim aos conflitos étnicos e levar ao seu povo os benefícios de uma civilização avançada, e pôde achar também que a sua invasão da Polónia ia pôr fim ao "terror selvagem" dos polacos. Os fascistas japoneses que arrasaram a China provavelmente achavam que esta  sua desinteressada iniciativa estava destinada a criar um "paraíso terrenal" e proteger à doente população dos "bandidos chineses". Inclusive Obama pode ter achado o que disse no seu discurso presidencial o 28 de março sobre as razões humanitárias para a sua intervenção em Líbia. E outro tanto pode dizer dos comentaristas.

Podemo-las submeter, no entanto, a uma prova muito simples, para determinar se as nobres intenções podem ser tomadas em sério: chamam os autores à intervenção humanitária e a "responsabilidade de proteger" às vítimas dos seus próprios crimes ou às dos seus clientes? Tomemos, por exemplo, a Obama: convocou a uma zona de exclusão aérea durante a assassina e destruidora invasão israelita, respaldada por Estados Unidos, de Líbano, em 2006, sem nenhum pretexto crível? Talvez, não explicou com orgulho durante a sua campanha presidencial que ele patrocinava uma resolução do Senado de apoio à invasão, na que se pedia o castigo do Irão e Síria pela impedir? Fim da discussão. De facto, praticamente toda a literatura da intervenção humanitária e o direito a proteger, escrita ou falada, desaparece depois desta prova singela e adequada.

Pelo contrário, das razões REAIS pouco se fala, e um tem que escudrinhar os arquivos documentais e históricos para as descobrir, seja o Estado que seja.

Quais são então as razões dos EUA? A um nível muito geral, a evidência parece-me que demonstra que não mudaram muito desde os estudos de planejamento de alto nível iniciados durante a Segunda Guerra Mundial. Os planificadores em tempo de guerra davam por sentado que os EUA sairiam da guerra em uma posição de domínio abrumador, e instaram ao estabelecimento de uma Grande Zona em que os EUA mantivessem um "poder inquestionàvel" com "supremacia militar e económica", que garantisse ao mesmo tempo a "limitação de qualquer exercício da soberania" por parte de outros Estados, que pudesse interferir com os seus desígnios globais. A Grande Zona devia incluir o Hemisfério Ocidental, o Longínquo Oriente, o Império britânico (que incluía as reservas de energia de Oriente Próximo) e a parte de Eurásia que fosse seja possível, ao menos o seu centro industrial e comercial no oeste do continente europeu. Está muito claro, baseando-se em registos documentais que "o presidente Roosevelt tinha por objetivo a hegemonia dos Estados Unidos no mundo da pós-guerra", para citar a precisa valoração do respeitável historiador britânico Geoffrey Warner. E, mais importante, os minuciosos planos de tempo de guerra levaram-se à prática pouco depois, como podemos ler nos documentos desclassificados dos anos seguintes, e como podemos observar na prática. As circunstâncias mudaram, por suposto, e as táticas ajustaram-se em consequência, mas os princípios básicos são bastante estáveis, até o presente.

Com respeito a Oriente Próximo -"a região de maior importância estratégica do mundo", em palavras do presidente Eisenhower- a principal preocupação foi e segue sendo as suas incomparáveis reservas energéticas. O controlo destas daria o "controlo substancial do mundo", como viu muito cedo o influente assessor liberal A.A. Berle. Estas preocupações costumam ocupar um local prominente nos assuntos relativos a esta região.

No Iraque, por exemplo, quando as dimensões da derrota dos Estados Unidos, já não podiam ocultar-se, a retórica foi deslocada por um honesto anúncio dos objetivos da política. Em novembro de 2007, a Casa Branca emitiu uma declaração de princípios na que fazia questão de que o Iraque devia conceder às forças militares dos EUA  o acesso por tempo indefinido, e também em que se devia dar preferência aos investidores estadounidenses. Dois meses mais tarde, o presidente informou ao Congresso que ia passar por alto qualquer legislação que pudesse limitar o estacionamento permanente das forças armadas dos EUA no Iraque ou "o controlo por parte dos Estados Unidos dos recursos petrolíferos do Iraque", exigências que abandonou pouco depois ante a resistência iraquiana, ao igual que teve que abandonar os objetivos anteriores.

Conquanto o controlo do petróleo não é o único fator na política de Oriente Próximo, oferece em mudança algumas diretrizes bastante acertadas, dantes como agora. Em um país rico em petróleo, a um ditador de confiança garante-se-lhe uma liberdade de ação quase total. Nas últimas semanas, por exemplo, não teve reação alguma quando a ditadura de Arábia Saudita utilizou a força em massa para esmagar qualquer signo de protesto. Outro tanto no Kuwait, onde umas pequenas manifestações foram esganadas imediatamente. E em Bahrein, quando as forças armadas dirigidas por Arábia Saudita intervieram para proteger ao monarca da minoria sunita das demandas de reformas por parte da população chií reprimida. As forças governamentais não só desmantelaram o acampamento da Praça da Pérola -a Praça Tahrir de Bahrein- senão que chegaram a demoler a estátua da Pérola que é o símbolo de Bahrein e da que se tinham apropriado os manifestantes. Bahrein é um caso particularmente sensível, já que alberga a Sexta Frota dos EUA a força militar mais poderosa, com muito, da região, e também porque o Leste de Arábia Saudita, na porta da o lado, é também em grande parte chií e tem as maiores reservas petroleiras do reino. Por um curioso acidente da geografia e a história, a maior concentração de hidrocarburos do mundo rodeia parte-a norte do Golfo, em regiões de maioria chií. A possibilidade de uma aliança tácita chií foi o pesadelo dos planificadores desde faz muito tempo.

Nos estados que carecem de grandes reservas de hidrocarburos, as táticas variam, embora pelo geral se ajustam sempre ao mesmo esquema regular quando um dos nossos ditadores tem problemas: apoiá-lo o maior tempo possível e, quando resulta impossível, fazer pública declaração de amor à democracia e os direitos humanos, tratando ao mesmo tempo de salvar a maior parte do regime que seja possível.

O palco é aburridamente familiar: Marcos, Duvalier, Chun, Ceasescu, Mobutu, Suharto e muitos outros. E hoje, Tunísia e Egipto. Síria é um osso duro de *roer e não há uma alternativa clara à ditadura que apoie os objetivos de EUA. Iemen é um lamazal em que a intervenção direta provavelmente criaria problemas ainda maiores a Washington. De modo que aí a violência estatal só produz declarações piedosas.

Líbia é um caso diferente. Líbia é rica em petróleo, e embora os EUA e o Reino Unido proporcionaram com frequência um apoio otável ao seu cruel ditador, até agora, este não é de confiança. Prefeririam um cliente mais *obediente. Ademais, o vasto território de Líbia está pouco explorado, e os especialistas da indústria petroleira acham que pode ter abundantes recursos petrolíferos sem explodir, que um governo mais previsível poderia abrir à exploração ocidental.

Quando começou um levantamento não violento, Gadafi esganou-nos violentamente e explodiu uma  rebelião que libertou Bengazi, a segunda cidade maior do país, e parecia a ponto de asediar a fortaleza de Gadafi no oeste. As suas forças, no entanto, mudaram o curso do conflito e chegaram muito perto de Bengazi. Um massacre era provável, e como o assessor de Obama para Oriente Próximo, DennisRoss, assinalou "todo mundo culpar-nos-ia por isso". Isso seria inaceitável, ao igual que uma vitória militar que potenciasse o poder e a independência de Gadafi. Ante esta tesitura, os EUA uniram-se às Nações Unidas na resolução 1973, que estabelece uma zona de exclusão aérea a cargo da França, o Reino Unido, e os EUA, em que este país poderia ter um papel secundário.

Não se fez nenhum esforço para limitar a ação à criação de uma zona de exclusão aérea ou sequer a manter no mandato mais amplo da resolução 1973.

O triunvirato interpretou imediatamente a resolução como uma autorização para a sua participação direta do lado dos rebeldes. Impôs-se pela força um alto o fogo às forças de Gadafi, mas não aos rebeldes. Pelo contrário, deu-se-lhes apoio militar à medida que avançavam para o oeste, e em seguida fizeram-se com as principais fontes de produção de petróleo de Líbia, e estiveram prontos para seguir adiante.

O flagrante desprezo da resolução 1973 das Nações Unidas cedo começou a causar-lhe dificuldades à imprensa, já que era demasiado grave ignorá-lo. No New York Times, por exemplo, Karim Fahim e David Kirkpatrick (o 29 de março) perguntavam-se "como poderiam justificar os aliados os seus ataques aéreos contra as forças do coronel Gadafi em torno de [o seu centro tribal de] Sirte se, como parece ser o caso, goza de amplo apoio na cidade e não representa uma ameaça para os civis". Outra dificuldade técnica é que a resolução 1973 do Conselho de Segurança exige um embargo de armas que se aplique a todo o território de Líbia, o que significa que qualquer contribua externo de armas à oposição teria que ser encoberto (mas, de outro modo, não problemático).

Há quem argumenta que o petróleo não pode ser uma razão, porque as companhias ocidentais já desfrutavam de acesso ao botim baixo Gadafi. Este razoamento ignora as preocupações dos EUA. O mesmo poderia ter-se dito do Iraque baixo Saddam, ou do Irão ou Cuba durante muitos anos, e ainda hoje em dia. O que Washington pretende é o que Bush anunciou: controlo ou, pelo menos, clientes de confiança. Documentos internos estadounidenses e britânicos sublinham que "o vírus do nacionalismo" é o seu maior temor, não só no Oriente Próximo senão em todas partes. Regimes nacionalistas que pudessem levar a cabo ilegítimos exercícios de soberania, violando os princípios da Grande Zona. E que pudessem tratar de dirigir os recursos a cobrir as necessidades populares, como Nasser ameaçava ocasionalmente com fazer.

Vale a pena assinalar que as três potências imperialistas tradicionais -França, Reino Unido, EUA- estão quase isoladas na realização destas operações. Os dois principais estados da região, Turquia e Egipto, provavelmente poderiam ter imposto uma zona de exclusão aérea, mas só oferecem um morno apoio à campanha militar do triunvirato. As ditaduras do Golfo estariam felizes de ver desaparecer ao errático ditador líbio, mas apesar de estar sobrecarregadas de hardware militar de último modelo (servido generosamente polos EUA  e Reino Unido para reciclar os petrodólares e assegurar a sua obediência), só se atrevem a oferecer uma participação simbólica (Qatar.)

Conquanto apoiam a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU (UNSC), os países africanos -aparte de Ruanda, aliado dos EUA- opõem-se em geral à forma em que aquela foi interpretada, a toda a pressa, pelo triunvirato, e em alguns casos esta oposição é muito firme. Para conhecer as políticas da cada um dos estados africanos se veja o artigo do queniano Charles Onyango-Obbo (http://allafrica.com/stories/201103280142.html).

Para além da região há pouco apoio. Ao igual que Rússia e China, Brasil se absteve de em a votação da ONU da resolução 1973, instando em altero para um completo alto o fogo e ao diálogo. Índia também se absteve na resolução, se baseando em que as medidas propostas podem "agravar uma situação já difícil para o povo de Líbia", e também pediu medidas políticas e não o uso da força. Inclusive Alemanha absteve-se. Itália também se mostrou reácia, em parte quiçá porque é muito dependente dos contratos petroleiros com Gadafi. Ademais, podemos recordar o genocídio que levou a cabo Itália no este de Líbia, a zona agora libertada, depois da primeira Guerra Mundial, do que talvez conservem algumas lembranças .


2. Pode alguém contrário às intervenções, que ademais crê na autodeterminação das nações e as pessoas, apoiar uma intervenção já seja realizada pela ONU ou individualmente por alguns países?

Há dois casos a considerar: (1) uma intervenção autorizada pela ONU, e (2), uma intervenção sem autorização da ONU. A não ser que achemos que os Estados são sagrados na forma que se estabeleceram no mundo moderno (pelo geral mediante uma violência extrema), e que estão dotados de direitos que anulam todas as considerações imagináveis, então a resposta é a mesma em ambos casos: sim, ao menos em princípio. E não vejo motivo para discutir esta crença, pelo que a vou deixar de lado.

Relativo ao primeiro caso, a Carta (das Nações Unidas) e as resoluções posteriores outorgam ao Conselho de Segurança uma considerável latitude para a intervenção, e esta se levou a cabo, por exemplo, no caso da África do Sul. Isto, por suposto, não implica que todas as decisões do Conselho de Segurança devam ter a aprovação de "alguém contrário às intervenções, que ademais crê na autodeterminação das nações e as pessoas"; outras considerações entram em jogo em casos específicos, mas, uma vez mais, a não ser que outorguemos aos Estados contemporâneos um estatus de entidades praticamente sagradas, o princípio é o mesmo.

Quanto ao segundo caso -o que se propõe com respeito à interpretação que faz o triunvirato da resolução 1973, junto a outros muitos exemplos- a resposta é outra vez afirmativa, ao menos em princípio, a não ser que tomemos o sistema estatal global como algo inviolável na forma estabelecida na Carta das Nações Unidas e outros tratados.

Sempre há, por suposto, um ónus da prova muito pesada que é preciso suportar para justificar a intervenção pela força, ou qualquer outro uso da força. O ónus é especialmente alto na segunda hipótese, em casos de violação da Carta, ao menos para os Estados que professam o respeito da lei. Devemos ter em conta, no entanto, que a potência hegemónica mundial recusa esta postura, e se autoexclui das Cartas das Nações Unidas e da OEA, junto a outros tratados internacionais. Ao aceitar a jurisdição do Corte Internacional de Justiça, quando esta se estabeleceu (conforme à iniciativa dos EUA) em 1946, Washington excluiu-se dos cargos de violação dos tratados internacionais, e posteriormente ratificou o Convénio para a Prevenção e a Repressão do Genocídio, de 1948. com reservas similares. Todas elas confirmadas pelos tribunais internacionais, já que os seus procedimentos requerem a aceitação da jurisdição. De maneira mais geral, a prática dos EUA é introduzir reservas cruciais aos tratados internacionais que ratifica, eximindo-se na prática dos mesmos.

É suportável o ónus da prova? Não tem muito sentido discutir isto de maneira abstrata, mas há alguns casos reais que poderiam nos ajudar. No período posterior à Segunda Guerra Mundial, há dois casos de recurso à força que, embora não podem considerar-se como intervençoes humanitárias, poderiam ser legitimamente compatíveis: a invasão por parte da Índia do Paquistão Oriental, em 1971, e a invasão vietnamita de Camboja, em dezembro de 1978; em ambos casos, para pôr fim a atrocidades em massa. Estes exemplos, no entanto, não entram no canon ocidental de intervenção humanitária, já que sofrem da falácia da instituição errónea: não os levaram a cabo os ocidentais. É mais, os EUA opôs-se a eles encarniçadamente, no momento álgido das atrocidades, e depois castigou severamente os "malfeitores" que terminaram com as matanças da atual Bangladesh e da Camboja de Pol-Pot. Vietname não só foi duramente condenado, senão também castigado com uma invasão chinesa apoiada por Estados Unidos, e com o apoio militar e diplomático britânico-estadounidense aos jemeres vermelhos camboianos nos seus ataques desde as suas bases de Tailândia.

Conquanto o ónus da prova pode-se suportar em ambos casos, não é fácil pensar em outros. No atual caso de intervenção pelo triunvirato de potências imperiais que estão a violar nestes momentos a resolução 1973 das Nações Unidas de 1973, o ónus é muito pesado, dado o seu horrível historial. No entanto, seria demasiado forte sustentar que nunca se pode suportar, em princípio. A menos, por suposto, que consideramos os estados-nação na sua forma atual como essencialmente sagrados. A prevenção de um massacre provável em Bengazi não é pouca coisa, com independência do que um pense sobre as razões.

3. Pode uma pessoa interessada em que os dissidentes de um país não sejam massacrados na sua busca da autodeterminação, se opor legitimamente a uma intervenção que tem por objeto, sejam quais sejam as suas razões, evitar uma massacre?

Ainda aceitando, por pura hipótese, que a intenção é genuína, que cumpre o critério simples que mencionei ao princípio, não vejo como responder a este nível de abstração: depende das circunstâncias. Poderíamos opor à intervenção poderia opor-se, por exemplo, se esta é provável que conduza a um massacre muito pior. Suponhamos, por exemplo, que os líderes dos EUA ., real e honestamente, tivesse a intenção de evitar um massacre em Hungria em 1956 e bombardeasse Moscovo. Ou que o Kremlin, genuína e honestamente, tivesse a intenção de evitar um massacre em El Salvador, na década de 1980, mediante o bombardeio dos EUA. Tendo em conta as consequências previsíveis, todos estaríamos de acordo em que essas ações "inconcebíveis" poderia ser legitimamente contestadas.

4. Muitos vêem uma analogia entre a intervenção em Cosova, de 1999, e a atual intervenção em Líbia. Pode explicar as principais similitudes, em primeiro lugar, e também as principais diferenças, em segundo termo?

De facto, muitas pessoas percebem esta analogia, o que é uma homenagem ao incrível poder dos sistemas de propaganda ocidentais. Dá a casualidade de que contamos com excelente documentação dos antecedentes da intervenção em Cosova, que inclui duas detalhadas recopilaçoes do Departamento de Estado, extensos relatórios sobre o terreno dos observadores "ocidentais" da Missão de Verificação do Kosovo, fontes da OTAN e a ONU, uma comissão de investigação britânica e muitos mais elementos. Os relatórios e estudos coincidem estreitamente nos factos.

Em resumo, podemos dizer que não se tinha produzido nenhuma mudança substancial sobre o terreno nos meses prévios ao bombardeio. Tanto as forças sérvias como a guerrilha do ELK cometiam atrocidades "as desta última força, de maior gravidade, em ataques desde a vizinha Albânia" durante o período em questão, ao menos de acordo às mais altas autoridades britânicas (Grã-Bretanha foi o membro mais agressivo da aliança). As grandes atrocidades em Cosova não foram a causa dos bombardeios da OTAN sobre Sérvia, senão a sua consequência, uma consequência totalmente previsível. O comandante em chefe da OTAN, o general estadounidense Wesley Clark, informava à Casa Branca semanas dantes dos bombardeios de que estes provocariam uma resposta brutal pelas forças sérvias sobre o terreno, e, ao começo do bombardeio, disse à imprensa que esta resposta era "previsível".

Os primeiros refugiados cosovares registados pela ONU produzem-se em datas muito posteriores ao começo dos bombardeios. Com uma só exceção, a acusação de Milosevic, durante os bombardeios, baseada em grande parte em relatórios de inteligência anglo-estadounidenses, limitou-se aos crimes cometidos após o bombardeio, e sabemos que não podia ser tomada em sério pelos líderes dos Estados Unidos e Reino Unido, que nesse mesmo momento estavam a apoiar ativamente crimes ainda piores. Ademais, tinha boas razões para achar que uma solução diplomática estava ao alcance; efetivamente, a resolução da ONU imposta após 78 dias de bombardeio foi mais bem um compromisso entre a posição sérvia e a da OTAN ao começo.

Tudo isto, inclusive estas impecáveis fontes ocidentais, o trato com verdadeiro detalhe no meu livro A New Generation Draws the Line. Novas informações que corroboram todo isso apareceram desde então. Por exemplo, Diana Johnstone informa de uma carta ao chanceler alemã, Angela Merkel, o 26 de outubro de 2007, que lhe envia Dietmar Hartwig, ex-chefe da missão européia em Cosova dantes de que fosse retirado o 20 de março com o anúncio do bombardeio, que estava em uma posição muito boa para saber o que estava a acontecer. Este escreve:
Não há um só relatório apresentado no período compreendido entre finais de novembro de 1998 e a evacuação em vésperas da guerra que mencione que os sérvios cometeram delitos graves ou sistémicos contra os albaneses, nem também não teve um só caso que se refira a incidentes ou delitos de genocídio ou assimiláveis a este. Pelo contrário, nos meus relatórios registei em repetidas ocasiões que, tendo em conta os ataques do ELK a cada vez mais frequentes contra o Governo sérvio, se demonstrou que a aplicação da lei por parte deste foi feita com uma notável moderação e disciplina. O objetivo claro e citado com frequência pelo Governo sérvio consistiu em observar rigorosamente o acordo Milosevic-Holbrooke [de outubro de 1998] para não dar nenhuma desculpa à comunidade internacional para intervir. (...) Teve enormes "diferenças de percepção" entre o que as missões no Kosovo têm estado informando aos seus respetivos governos e capitais, e o que estes filtraram posteriormente aos meios de comunicação e ao público. Esta discrepância só pode ser vista como um elemento de preparação em longo prazo para a guerra contra Iugoslávia. Até o momento em que abandonei  Cosova, nunca ocorria o que os meios de comunicação e, ainda mais, os políticos afirmavam sem cessar. Em consequência, até o 20 de março 1999 não tinha nenhuma razão para a intervenção militar, o que faz ilegítimas as medidas adotadas posteriormente pela comunidade internacional. O comportamento coletivo dos Estados membros dantes e após o estourido da guerra dá pé a sérias preocupações, porque a verdade foi liquidada e a UE perdeu fiabilidade.
A história não é física cuántica, e sempre há uma ampla margem para a dúvida. Mas é raro que as conclusões tenham um respaldo tão firme como neste caso. De um modo muito revelador, é totalmente irrelevante. A doutrina que prevalece é que a OTAN interveio para deter a limpeza étnica, embora os partidários dos bombardeios que toleram ao menos uma piscadela aos abundantes elementos fácticos qualificam o seu apoio ao dizer que os bombardeios eram necessários para deter as possíveis atrocidades: devemos atuar ainda produzindo atrocidades a larga escala para deter as que poder-se-iam produzir se não bombardeássemos. E há justificativas ainda mais impactantes.

As razões desta prática unanimidade e paixão são bastante claras. O bombardeio produziu-se em uma virtual orgia de autoglorificação e pavor por parte das potências, que poderia ter impressionado a Kim il-Sung. Analisei-o em outro local, e não deveríamos permitir que siga no esquecimento este notável momento da história intelectual. Após este espetáculo, o desvincule tinha que ser simplesmente glorioso. A nobre intervenção em Cosova proporcionou este desvincule, e esta ficção deve ser zelosamente mantida.

Voltando à pergunta, há uma analogia entre as representações autocompracentes de Cosova e Líbia: ambas intervenções estão animadas por nobres intenções, segundo a versão novelada. O inaceitável mundo real sugere em mudança analogias bastante diferentes.

5. Do mesmo modo, muita gente vê uma analogia entre a atual intervenção no Iraque e a intervenção em curso em Líbia. Neste caso, pode explicar as similitudes e as diferenças?

Não vejo as analogias significativas aqui também não, exceto que duas dos Estados participantes são os mesmos. No caso do Iraque, as metas são as que ao final acabaram por reconhecer. No caso de Líbia, é provável que o objetivo seja similar, ao menos em uma feição: a esperança de que um regime cliente fiável apoie os objetivos ocidentais e proporcione aos investidores ocidentais um acesso privilegiado à riqueza petroleira rica de Líbia, que, como assinalei, pode ir bem mais lá do que se conhece atualmente.

6. Que espera você, nas próximas semanas, que aconteça em Líbia e, nesse contexto, quais acha você que deveriam ser os objetivos de um movimento, nos Estados Unidos, contra a intervenção e a guerra com respeito às políticas dos EUA?

Por suposto, é incerto, mas as perspetivas prováveis "hoje, 29 de março" são ou bem uma partição de Líbia em uma região oriental, rica em petróleo e dependente em grande parte das potências ocidentais imperiais, e uma região ocidental pobre baixo o controlo de um tirano brutal de limitadas capacidades; ou bem uma vitória das forças respaldadas por Occidente. Em qualquer caso, o que o triunvirato provavelmente espera é um regime menos problemático e mais dependente em local do atual. O desvincule provável é o que se descreve com bastante exatidão, acho que pelo diário árabe com sede em Londres Al-Quds Al-Arabi, no seu número do 28 de março. Conquanto reconhece-se a incerteza da predição, prevê que a intervenção pode deixar em Líbia "dois estados, um para os rebeldes no Leste, rico em petróleo; e um, pobre, em mãos de Gadafi no oeste (...) Uma vez assegurados os campos de petróleo, podemos encontrar-nos/encontrá-nos ante a um novo emirato petroleiro em Líbia, um país escassamente habitado, protegido por Occidente e muito similar aos estados-emirato do Golfo Pérsico". Ou bem, a rebelião apoiada por Occidente poderia continuar até o final para eliminar o irritante ditador.

Os que se preocupam pela paz, a justiça, a liberdade e a democracia deve tratar de encontrar maneiras de prestar apoio e assistência aos libios que tratam de forjar o seu próprio futuro, livre das limitações impostas pelas potências estrangeiras. Podemos ter esperanças sobre a direção a seguir, mas o futuro deve estar nas suas mãos.

25/01/2011

Autodeterminación dos pobos? Quen é o suxeito?

Immanuel Wallerstein. Artigo tirado de aquí e traducido por nós. Orixinalmente apareceu no xornal La Jornada de México (aquí).

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Un dos mantras guías do século XX foi a autodeterminación dos pobos, das nacións. Esta foi unha crenza que todo o mundo aceptou en teoría. Pero na práctica foi un asunto moi espiñento, moi pouco claro. A dificultade chave está en determinar quen era o suxeito, o pobo, a nación que debería ter a potestade de determinar o seu propio destino. Nunca houbo acordo con respecto a este ponto. No caso das colonias, a cuestión era relativamente simple. Pero no caso dun Estado xa recoñecido como Estado soberano, a opinión estivo moi dividida; foi común que a división fose violenta. O asunto está nos titulares do momento a causa do referendo en Sudán do Sur, onde "o pobo" está a votar se desexa permanecer como parte dun Estado chamado Sudán ou se vai constituír un novo Estado separado de Sudán.

En todos os estados, sen excepción, hai xente no poder estatal que argumenta o que se chegou a coñecer como a posición "jacobina". Afirman que todos os cidadáns dese Estado constitúen unha nación, unha que xa determinou o seu destino. Falamos de nacións-Estado coma se o principio jacobino fose unha realidade e non só unha aspiración política. Os jacobinos din que o Estado deber ser reforzado ou fortalecido negándose a recoñecer o dereito, a lexitimidade dun grupo intermedio (como lle din) que se ergue entre o Estado e os cidadáns. Todos os dereitos van ao individuo; ningún dereito vai aos grupos.

Ao mesmo tempo, en todos os estados, de novo sen excepción, hai outros -con frecuencia chamados "minorías"- que cuestionan esta idea. Din que a posición jacobina esconde o interese dalgún grupo "dominante" que mantén os seus privilexios a expensas de todos aqueles que pertencen a grupos diferentes ao grupo dominante. As minorías (que con frecuencia, pero non sempre, conforman de feito a maioría numérica da poboación), argumentan que, a menos que se recoñezan os dereitos dos grupos, estáselles negando unha participación equitativa no Estado.

Que "dereitos" senten estas minorías que se lles negan? Algunhas veces dereitos lingüísticos, o dereito a emprender asuntos de medios, educativos e legais nunha linguaxe que non sexa a linguaxe "oficial". Algunhas veces, trátase de dereitos relixiosos, o dereito a practicar abertamente unha relixión que non sexa a recoñecida oficialmente, e a levar a cabo os seus asuntos civís baixo as leis relixiosas que son parte da súa propia relixión. En ocasións trátase de dereitos agrarios, os dereitos dos grupos que detentan terras conforme ás normas tradicionais que son diferentes das normas actuais postas en efecto polo Estado.

Hai dúas estratexias para garantir os dereitos dos grupos minoritarios. Unha é buscar unha autonomía recoñecida oficialmente en varias esferas da vida social e legal. A segunda, se o grupo ocupa zonas xeográficas relativamente compactas, é buscar a secesión, é dicir, a creación dun novo Estado. Para moitos grupos, estas son as alternativas entre as que poderían moverse. Non conseguindo a autonomía, poderían buscar a secesión. Ou unha vez derrotadas política ou militarmente as súas aspiracións á secesión, poderían conformarse coa autonomía.

Os kurdos en Turquía e aqueles que están en Iraq, buscando a secesión, parecen agora dispostos a conformarse coa autonomía. Así tamén parece ser o caso dos francófonos en Quebec. A xente de Sudán do Sur está a moverse na dirección contraria, como fixeron os cosovares en Serbia.

O punto crucial non sempre é unha cuestión meramente interna nun Estado en particular. Para ser un Estado soberano, un debe ser recoñecido por outros estados soberanos como unha entidade lexítima. Hoxe, a República Turca do Norte de Chipre é recoñecida unicamente por outro Estado. Non pode por tanto unirse a organizacións internacionais, aínda cando de facto continúe controlando o seu territorio.

Cando Cosova proclamou a súa independencia recoñeceuno só menos da metade dos membros de Nacións Unidas. Temos que preguntarnos entón por que, e por cales estados. Houbo algúns estados de Europa pero tamén doutros lados (son notábeis os casos de China e Rusia) que temían o precedente. Dixeron que, se os cosovares podían declarar unilateralmente a súa independencia, grupos similares nos seus países poderían tomar isto como un precedente. Con todo Estados Unidos e certos estados de Europa occidental pensaron que a independencia cosovar de Serbia servía aos seus intereses xeopolíticos e alentaron aos cosovares a proclamar a súa independencia, a cal recoñeceron de inmediato, e á cal lle concederon asistencia política e material.

Cando Biafra tentou separarse de Nixeria hai varias décadas, case todos os estados africanos apoiaron os esforzos do goberno nixeriano para suprimir a rebelión militarmente. O principal argumento para facer isto é que a secesión de Biafra sentaría un terrible precedente en África, onde case todas as fronteiras estatais foron constituídas arbitrariamente polos poderes coloniais, e de feito atravesando as liñas étnicas. Os estados africanos querían conservar as súas fronteiras existentes, sen importar o artificiais que parezan, como única garantía da súa orde colectiva.

Agora, parece que o referendo en Sudán do Sur producirá un voto abafador en favor da secesión. E é case unha certeza que os estados africanos que non recoñeceron a Biafra, ademais de China que non recoñeceu Cosova, recoñecerán o novo Estado que se está creando. De feito, incluso o Estado do cal se está separando está disposto a recoñecer ao novo Estado.

Por que? A resposta é simple. Hai razóns xeopolíticas para facelo. China está interesada nas futuras relacións co novo Estado, que será un grande exportador de cru. O interese de comprar petróleo parece cobrar prioridade sobre a preocupación acerca dos precedentes que terían os grupos secesionistas en China. Sudán parece disposto a recoñecer ao novo Estado porque Estados Unidos prometeu cambios específicos nas súas propias políticas vis-a-vis se Sudán permite que a secesión proceda pacíficamente. Os estados africanos ven atafegados polo acordo de facto entre os dous lados desta controversia. Ademais, moitos deles simpatizan cos grupos de Sudán do Sur, que son os pobos nilóticos, que enfrontan a un goberno dominado polos pobos árabes.

No século XXI a opción jacobina está en retirada na maioría dos países. A cuestión real é a autonomía versus a secesión das así chamadas minorías. É unha mellor que a outra? Non hai unha resposta xeral á devandita cuestión. Cada caso é diferente en dúas formas. A demografía e a historia reais de cada Estado son diferentes e por tanto o que loxicamente é o mellor e o máis xusto é diferente. En calquera caso, un novo Estado que resulta dunha secesión de inmediato descubrirá "minorías" dentro das súas fronteiras. E o debate non termina nunca.

Pero hai unha segunda consideración. A cuestión de autonomía contra a secesión ten consecuencias xeopolíticas. E estas son cruciais en termos das loitas que están en proceso dentro do sistema-mundo como un todo. Todos os partidos buscan, máis ben cinicamente, o seu propio interese como estados. A súa actuación pode ser bastante oposta dunha situación a outra. Isto é así porque aos poderes externos impórtalles primordialmente o impacto xeopolítico da decisión. Pero é o papel destes poderes externos o que con frecuencia é decisivo.