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07/06/2012

Rio+20: Economia Verde ou Economia Solidária?

Ignacio Ramonet. Artigo tirado de Outras Palavras (aqui).  Tradução: Antonio Martins.  Ignacio Ramonet é editor do Le Monde Diplomatique, edição espanhola, e presidente da Associação Memória das Lutas (www.medelu.org).

 



O Brasil acolherá no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, chamada também “Rio+20” porque se reunirá duas décadas depois da primeira grande Cúpula da Terra, de 1992. Participarão mais de 80 chefes de Estado. As discussões estarão centradas em torno de dois temas principais: 1) uma “economia verde” no contesto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza; e 2) o marco institucional para o desenvolvimento sustentável. Em paralelo ao evento oficial, também se reunirá a Cúpula dos Povos, que congrega movimentos sociais e ambientalistas do mundo.

As questões ambientais e os desafios da mudança climática continuam constituindo grandes urgências da agenda internacional [1]. Mas esta ralidade é ocultada, na Europa e em outras partes do mundo, pela gravidade da crise econômica e financeira. É normal.

A eurozona atravessa um de seus momentos mais difíceis, em razão do fracasso clamoroso das políticas de “austeridade radical”. A recessão instalou-se em várias economias, com desemprego em alta e tensões financeiras dramáticas. A Espanha, em particular, vive os momentos mais preocupantes desde 2008, quando Lehman Brothers. Tornou-se, após a Grécia, o “elo frágil” do euro. Os capitais fugem em massa. O “prêmio de risco” (margem extra que os credores exigem, para continuar emprestando ao país) atingiu os níveis mais elevados desde da criação da moeda única, e ameaça obrigar Madri a requerer (como a Grécia, Irlanda e Portugal) ajuda externa. Ampliam-se os temores sobre a saúde do sistema bancário, em especial, após a escandalosa quebra-nacionalização do Bankia, quarto grupo financeiro do país em volume de ativos.

O pessimismo espraia-se na Europa. O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman jogou lenha na fogueira no mês passado, quando avisou [2] ser “muito possível” que a Grécia abandone e euro no decorrer de junho… Uma saída de Atenas da moeda única europeia teria como consequência imediata a fuga de capitais de outros países ameaçados (Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, Bélgica) e uma corrida maciça dos depositantes contra os bancos, para sacar seus depósitos. Segundo Krugman, não é impossível que, para evitá-la, países como a Espanha e a Itália decretem – como a Argentina em 2001 – um corralito [3], limitação forçada do volume de dinheiro que os depositantes podem retirar de suas próprias contas.

O euro resistirá? Entrará em colapso? Estas questões preocupam, em todo o mundo, milhões de cidadãos, que seguem com grande expectativa o calendário eleitoral europeu. Em 10 e 17 de junho, haverá eleições legislativas na França; em 17 de junho, eleições para o Parlamento e para formar um novo governo na Grécia. E a Cúpula de Bruxelas, em 28 e 29 de junho, decidirá por fim se a União Europeia segue a rota alemã de austeridade até a morte ou se opta pela via francesa de crescimento e recuperação. É uma dilema vital.

Apesar de dramáticas, estas questões não devem ocultar que, em escala planetária, há outros dilemas, não menos decisivos. O primeiro deles é o desastre climático que estará em pauta no Rio de janeiro. Vale lembrar que, em 2010, o desastre climático foi a causa de 90% das catástrofes naturais, que causaram a morte de cerca de 300 mil pessoas, e perdas econômicas superiores a 250 bilhões de reais.

Outra contradição: na Europa, os cidadãos reclamam, com razão, mais crescimento para sair da crise. Mas no Rio, os movimentos sociais e ambientalistas advertirão que o crescimento – se não é sustentável – significa maior devastação do meio-ambiente e maior risco de esgotamento dos limitados recursos do planeta.

Os dirigentes mundiais, assim como milhares de representantes de governos empresas privadas, ONGs, movimentos sociais e outros grupos da sociedade civil irão se reunir, no Rio, precisamente para definir uma agenda global que garanta a proteção sustentável do ambiente – e também para reduzir a pobreza e promover a igualdade social. O debate central se dará entre o conceito de “economia verde”, defendido pelos porta-vozes do neoliberalismo, e o de “economia solidária”, sustentada por movimentos para os quais não haverá preservação ambiental sem a superação do modelo atual de “desenvolvimento predatório”, baseado na acumulação privada de riquezas.

Os países ricos vão ao Rio para difundir, como proposta principal, a da “economia verde”. É um conceito-cilada, que se limita, na maioria das vezes, a designar uma simples camuflagem verde da economia pura e dura de sempre. Um “esverdeamento”, em suma, do capitalismo especulativo. Tais países desejam que a Conferência Rio+20 lhes outorgue um mandato das Nações Unidas para começar a definir, em escala planetária, uma série de indicadores para avaliar economicamente as diferentes funções da natureza, e criar deste modo as bases para um mercado mundial de serviços ambientais.

Esta “economia verde” deseja não apenas a mercantilização dos aspectos materiais da natureza, mas a própria transformação em mercadoria dos processos e funções naturais. Em outras palavras, a “economia verde” busca, como afirma o ativista boliviano Pablo Solón, mercantilizar não apenas a madeira e as florestas, mas também a capacidade de absorção de dióxido de carbono destas mesmas matas [4].

O objetivo central é criar, para as aplicações privadas, um mercado da água, do meio-ambiente, dos oceanos, da biodiversidade etc. Atribuindo preço a cada elemento da natureza, com objetivo de garantir lucros para os investidores. De tal modo que a “economia verde”, ao invés de criar produtos reais, organizará um novo mercado imaterial de bônus e instrumentos financeiros que serão negociados através dos bancos. O mesmo sistema bancário que provocou a crise financeira de 2008, e que recebeu trilhões de reais dos governos, disporia agora, da Mãe Natureza para continuar especulando e realizando grandes lucros.

Frente a estas posições, e em paralelo à Conferência da ONU, a sociedade civil organiza no Rio a Cúpula dos Povos. Neste fórum, serão apresentadas alternativas em defesa dos “bens comuns da humanidade”. Produzidos pela natureza ou por grupos humanos, em escala local, nacional ou global, estes bens devem ser propriedade coletiva. Entre eles, estão o ar e a atmosfera; a água, aquíferos, rios, oceanos e lagos; as terras comunais ou ancestrais; as sementes, a biodiversidade, os parques naturais; a linguagem, a paisagem, a memória, o conhecimento, a internet, os produtos distribuídos com licença livre, a informação genética etc. A água doce começa a ser vista como o bem comum por excelência, e as lutas contra sua privatização – em vários países – têm alcançado êxitos notáveis.

Outra ideia preconizada pela Cúpula dos Povos preconiza é a de uma transição gradual da civilização antropocêntrica a uma “civilização biocêntrica”, centrada na vida, o que implica o reconhecimento dos direitos da Natureza e a redefinição do bem-viver e da prosperidade – de modo que não dependam do crescimento econômico infinito.

Também defende-se a soberania alimentar. Cada comunidade deve poder controlar os alimentos que produz e consome, aproximando consumidores e produtores, defendendo uma agricultura camponesa e proibindo a especulação financeira com alimentos.

Por fim, a Cúpula dos Povos reclama um vasto programa de “consumo responsável”, que inclua uma nova ética do cuidado e do compartir; uma preocupação contra a obsolescência programada dos produtos; uma preferência pelos bens produzidos pela economia social e solidária, baseada no trabalho e não no capital; e um rechaço do consumo de produtos realizados às custas do trabalho escravo [5].

A Conferência Rio+20 oferece, portanto, a ocasião aos movimentos sociais de reafirmar, em escala internacional, sua luta por uma justiça ambiental, em oposição ao modelo de desenvolvimento especulativo. E seu repúdio às tentativas de “esverdear” o capitalis mo. Segundo estes movimentos, a “economia verde” não é a solução para a crise ambiental e alimentar atual. Trata-se, ao contrário, de uma “falsa solução”, que poderia agravar o problema da mercantilização da vida [6]. Em suma, um novo disfarce do sistema. E os cidadãos estão cada vez mais fartos de disfarces. E do sistema.



[1] Ler, de Ignacio Ramonet, “Urgencias climáticas”, Le Monde Diplomatique, edição espanhola, janeiro de 2012

[2] The New York Times, 13/5/2012

[3] Corralito é palavra que surgiu durante a crise econômica argentina de 2001, quando, diante da avalanche de clientes nos bancos, para retirar suas economias, o ministro Domingo Cavallo decidiu que cada titular de conta só poderia sacar, no máximo, 250 pesos por semana.

[4] Pablo Solón, “Qué pasa en la negociación para Rio+20” 4/4/2012.

[5] Ler a “Declaração da Assembleia de Movimentos Sociais”, Porto Alegre, 28/1/2012.

08/11/2011

Foro de Foros – Galiza 2012

Galiza acollerá o Foro dos Foros en setembro de 2012. WSF Future from WSF experiences. Foro de Foros_Galiza 2012 | Forum of Fora_Galicia 2012


O Consello Internacional do FSM reunido en París en maio de 2011 acordou asignar a principal responsabilidade no desenvolvemento do proceso previo á vindeira cita mundial ás candidaturas alí presentadas para acoller o FSM en 2013. Como achega a este deseño de carácter cooperativo a Rede Mundial polos Dereitos Colectivos dos Pobos asumíu nesa reunión a celebración en Galiza dun Foro Social Mundial de carácter temático para reflexionar sobre a metodoloxía e o futuro deste proceso en base á experiencia dos principais foros organizados desde 2001.

A proposta de impulsar desde esta Rede de pobos e nacións sen estado unha candidatura galega para a celebración do FSM xurdira da preocupación por extender, renovar e fortalecer o proceso altermundialista no contexto da actual crise sistémica na que Europa xoga un papel relevante. As conversas iniciais en Dakar serviron para elaborar unha primeira argumentación sobre a oportunidade de traer a forza emancipadora do FSM ao norte xeopolítico, cando os povos europeos están a padecer con forza os efectos devastadores da crise. A vontade por sumar esforzos e opinións a estes obxectivos levou a xuntarmos en Santiago no mes de Maio con representantes doutras redes mundiais. Analizando conxuntamente as perspectivas do FSM coincidiamos na necesidade de propiciar: a súa renovación metodolóxica; a profundización do seu pensamento; a mellora da súa capacidade de comunicación; e a súa revitalización, coa incorporación de novos actores sociais e temáticos, novas áreas ou novas xeracións… para mellor articular tanto a resposta á crise de civilización como a capacidade de disputa e impacto político do proceso, mantendo as súas características. Por iso, os promotores da candidatura galega entendemos que a idea suxerida nese encontro de xuntar nun foro mundial co respaldo do Consello Internacional os organizadores dos máis importantes foros ata agora celebrados pode ser unha achega crucial para os retos estratéxicos do FSM. A celebración en Europa pode contribuír tamén á dinamización e confluencia dun movemento social que comeza a amosar vitalidade tras unha etapa de debilidade e/ou desorientación.

Este documento pretende recoller unhas primeiras liñas definitorias dos obxectivos, actores, metodoloxía e necesidades que sirvan de base para agrupar as vontades e capacidades organizativas, sociais e políticas precisas para desenvolver este foro de foros como unha positiva contribución ao proceso de construción dun FSM renovado. Presentámolo desde a Rede Mundial polos Dereitos Colectivos dos Pobos como unha primeira proposta, aberta ás suxerencias de todos os que consideramos socios imprescindibles do proxecto. Un anexo disponible en www.galizasempre.org/wsf recolle o dossier sobre a realidade e capacidades sociais, organizativas e loxísticas de Galiza e un documento resumen das nosas argumentacións favorabeis a impulsar a presenza do FSM en Europa como fundamento da candidatura galega.

1 de xullo de 2011

Datas de celebración:

Venres 14 a martes 18 de setembro de 2012

Obxectivos Xerais:
Avaliar e repensar o proceso do FSM á luz dos cambios sociais e políticos
acaecidos desde o seu inicio en 2001.
Avanzar liñas metodoloxicas e estratéxicas para a renovación, expansión e fortalecemento do proceso do FSM.

Específicos:
Xuntar organizadores de todos os FSM celebrados entre 2001 e 2011
Revisar metodoloxías utilizadas ata agora
Propiciar debates e reflexións sobre a influencia no futuro do FSM das
modificación producidas en diferentes factores económicos, sociais e políticos de carácter mundial.
Promover dinámicas locais para fomentar a participación e dinamizar nos
meses previos os equipos organizadores de foros anteriores
Establecer / consolidar / profundizar alianzas entre redes e actores internacionais


Metodoloxía:
Respecto á Carta de Principios do FSM
Actividades autoxestionadas;
Eventos _actividades centralizadas promovidas desde a organización (mesas redondas; debates; obradoiros; paneis; mobilización; programación cultural…);
Espazos de diálogo
Creación dunha páxina web e uso de TIC como instrumentos informativos e de intercambio de ideas e propostas.
Dinamizar específicamente participación de xente desde Galiza, Catalunya, Pais Basco, Portugal,…

Contidos:

Trátase dun foro para falar do foro e os distintos contidos deben ter en conta este enfoque. Abrirase unha Consulta desde o Comité organizador entre Comisións do CI e organizadores de FSMs anteriores para concretar os temas que definirán os eixos principais dos debates, orientando as propostas das actividades autoxestionadas.

Como avance, sinálanse algúns aspectos que os promotores consideramos necesario incorporar ao proceso de debate para reflexionar sobre a sua incidencia no FSM:
Impacto político e capacidade de intervención e disputa do proceso. O FSM como encontro e proceso. A súa capacidade de comunicación e xeración de propostas. A súa relación cos movementos sociais.
A transparencia e financiación dos FSM
Novos actores e movementos sociais. Novas áreas xeográficas, novas xeracións. Novas formas de mobilización… Redes sociais e espazos públicos; Dereitos colectivos, movementos indíxenistas e pobos sen estado;
A crise de civilización. Modelo económico e límites ao desenvolvemento. Cambios na relación entre relixións e poderes públicos.
A crise da lexitimidade dos estados: o non recoñecemento da súa diversidade nacional; o esmorecemento do estado social e as políticas públicas. A devaluación da centralidade dos dereitos humans.
Os cambios xeopolíticos na escena mundial. Sures e Nortes. Novas causas de guerras e conflictos. A crise no sistema de institucións internacionais
Mobilización e Programación cultural


Listado aberto de asistentes clave / ponentes a asegurar con antelación:

Organizadores de FSMs 2001-2011: Porto Alegre; Munbai; Caracas; Mali; Karachi; Nairobi; Belem do Pará; Dakar. Organizadores dos grandes foros rexionais e temáticos mundiais: Rio+20 (2012); FS Magreb; Panamazónico; Mesopotámico; Europeo; das Américas; FS Estados Unidos; FM Educación; FM da Auga; FM da Inmigración; Violencia e Narcotráfico; Soberanía e Seguridade Alimentaria; Campamentos da Juventude,…

Definición estrutura organizativa
Comité internacional
Secretaría: CIEMEN, FGS
Rede Dereitos Colectivos: Kurdish Network,…
Comisións CI: Metodoloxía, Estratexia, Expansión,…;
Representantes Foros 2001-2011
Comité posible WSF 2013 Maghreb-Mahsrek


Comité local galego:
FGS, CIG e Sindicato Labrego (organizacións galegas da rede pobos) +
Organizacións do Foro Social Galego +
Organizacións de Portugal


Calendario

Datas por confirmar definitivamente. Proceso FSM Foro Galiza 2011

Setembro Constitución Comité local galego

20 a 25 de setembro. Forum Social Mesopotámico msf.web.tr.

26,27 Reunión intercomisións

CI FSM. Amed / Diyarbakir Comité organizador internacional:

Presentación e discusión documento preliminar entre Rede e Comisións CI

30 out a 4 de novembro G20 Cannes

Novembro CI Dhaca. Bangla Desh Presentación no CI. Lanzamento convocatoria 2012

Xaneiro Porto Alegre sobre Rio +20 Reunión Comité Org. Internacional?

17 de marzo CI FSM Amed/Diyarbakir Reunión Comité Org. Internacional?

Xuño Rio +20

CI no Magreb?

14 a 18 de Setembro Foro de Foros_Galiza

2012 WSF Future from WSF experiences

Foro Mundial temático en Galicia

Novembro Sobre Palestina, en Brasil

2013 WSF Magreb?

01/04/2011

FSM: o Sur no Norte, o Norte no Sur

Manoel Santos. Artigo tirado de aqui.


“O noso Norte é o Sur”. Con este lema iniciaba o 24 de xullo de 2005 as súas transmisións a canle Telesur –hogano participada por Arxentina, Bolivia, Cuba, Ecuador, Nicaragua, Uruguai e Venezuela–, que pretendía, e pretende, servir de contrapeso en América latina ás grandes canles internacionais de noticias, como CNN, Fox e Univisión, e a poderosísimos grupos, como Cisceros, Prisa, Televisa e Clarín

En moitos dos países do subcontinente estas corporacións paparon historicamente até o 98 por cento das audiencias, de xeito que, como dixo Eduardo Galeano na presentación da dita canle, “os latinoamericanos foron obrigados durante 513 anos a mirarse a si mesmos cos ollos de outros”.

O lema de Telesur é ben significativo, por canto delata a toma de conciencia de moitos pobos latinoamericanos ao respecto do dominio e explotación do Norte xeopolítico, do centro do sistema-mundo. Unha toma de conciencia que, non sendo nova, ten adquirido maior relevancia nas dúas últimas décadas, que coinciden coa aplicación unilateral e salvaxe do capitalismo no planeta, o que chamamos neoliberalismo.

Deste xeito, dende finais da década de 1990, e con especial incidencia en América latina, prodúcense dous feitos que non poden ser unha simple coincidencia. Por unha banda o xurdir dunha conciencia global contra o neoliberalismo, a xerada polos movementos antiglobalización dende o levantamento zapatista en Chiapas en 1994; ao que seguiron as grandes mobilizacións contra as institucións financeiras internacionais (IFI) –OMC, FMI, Banco Mundial–, contra os lobbies de países ricos –G7, G8, G20– e contra as transnacionais; e paralelamente o nacemento do (FSM) en Porto Alegre en 2001.

Pola outra banda, o acceso ao poder en moitos países de forzas políticas –as mais das veces apoiadas por fortes movementos sociais, como aconteceu co Pacto de Unidade que apoiou ao MAS en Bolivia ou o MST en Brasil– que deciden rachar coa secular submisión dos gobernos do Sur a respecto dos do Norte e que mesmo liquidan as pesadas cargas impostas polas IFI e os seus plans –ou chantaxes– de , como fixeron Ecuador, Venezuela, Brasil e Arxentina.

Os dous procesos á xunta produciron entre outras cousas o desprestixio máis absoluto das IFI e tamén a entrada destas en crise. Os escándalos de corrupción agromaron entón no Banco Mundial e o FMI entrou nunha carencia “de liquidez” sen precedentes. Os seus ingresos baixaron de 3.190 millóns de dólares en 2005 a só 635 millóns en 2009, de xeito que no cumio do G20 de abril de 2009 en , os “líderes” mundiais decidían rescatalo cuadriplicando a súa capacidade financeira a un billón de dólares.

O FSM e a inversión polar

Malia que a hexemonía ultraliberal non foi nin moito menos derrotada polos movementos antiglobalización, ou altermundistas, estes lograron en só unha década discutir o seu dominio, o que non é pouco. O Sur xeopolítico reivindícase coma nunca antes na historia. Aínda que o , esa xigantesca rede de redes que está a mudar aos poucos o ambiente ideolóxico do planeta, é moito máis que o FSM, a asemblea dos cidadáns da terra que se celebra centralizada cada dous anos mais que ten innumerábeis apéndices en foros rexionais e temáticos case que todos os días; este serve dalgún xeito como catalizador, como aglutinador das experiencias alternativas que van xurdindo no seo do activismo, como xerador dun discurso global antihexemónico e, xa que logo, é un fabuloso termómetro do estado dos movementos e tamén da súa antítese, o ultracapitalismo.
 La Jornada
No que vén de se celebrar en () entre o 6 e 11 de febreiro, coa presenza de case 80.000 activistas de 132 países e moitas nacións sen Estado, que teñen o seu propio espazo no FSM, revelouse coma en ningún outro como a procura dese outro mundo posíbel, ou deses outros mundos posíbeis, segue a avanzar e nos permite ser cando menos semi-optimistas, como escribía estes días o sociólogo estadounidense Immanuel Wallerstein no xornal mexicano , todo un referente para o movemento de movementos.

Certo é que o ultraliberalismo se está a manifestar na súa forma máis agresiva nestes tempos de multicrise, mais existen bastantes indicadores, e o FSM é un deles, que manifestan que o (des)equilibrio Norte-Sur en termos de hexemonía, quer política, quer social e mesmo económica, está a mudar aos poucos. Como afirmou Xosé Manuel Beiras en Dakar, estase a producir, como aconteceu xa unha vintena de veces nos últimos cinco millóns de anos no planeta coa inversión do campo magnético terrestre, unha virada na hexemonía mundial: “cada vez máis, o Norte é o Sur e o Sur é o Norte”, dixo. Varios son os sinais que confirman esta tendencia.

Así, mentres os mandatarios do Norte gobernan agoniados polos seus déficits públicos, as súas débedas, o seu desprestixio e un descontento social crecente, tan só paliado polo silencio informativo –as folgas seguen en Grecia, a indignación medra en Islandia, a emigración volve sacudir Irlanda, etc.–, no Sur os gobernantes de esquerda van cada vez máis da man dos movementos sociais. Boa mostra disto foi a presenza en Dakar do presidente de Bolivia, Evo Morales, que foi convidado a falar no acto inaugural, do ex presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e doutros mandatarios africanos. O de Lula é ben significativo porque, malia que deixou a presidencia cun grao de popularidade e lexitimidade a nivel nacional e internacional sen precedentes, escolleu a órbita do FSM para súa reaparición a nivel mundial logo de ser sucedido por Dilma Rousseff. Non reapareceu na ONU, nin en Davos nin achegado ás xuntanzas do G20. Foi en África e no FSM. Aló embaixo son conscientes da importancia deste tipo de movementos para a emancipación dos seus países e as súas xentes. E as xentes están con eles.

Se esta inversión do campo hexemónico mundial é patente a nivel político tamén o é a nivel social. Mentres no Norte se produce unha agresiva recesión ou total perda de moitísimas conquistas sociais adquiridas no último século; en moitos países do Sur, co indiscutíbel liderado dos latinoamericanos, avánzase coma nunca antes na historia na liberación social. Algúns dotáronse de leis e mesmo de constitucións extremadamente progresistas. Tal é o caso das Constitucións de Bolivia e Ecuador. E en todos os casos as estatísticas de progreso social son abraiantes. O propio Lula gabábase disto en Dakar: “A partir de 2003 Brasil afastouse do neoliberalismo e emprendeu un novo modelo de desenvolvemento que permitiu redistribuír moita renda. Tiramos do limiar da pobreza a 28 millóns de persoas e inserimos a 35 millóns na clase media na meirande mobilización social da nosa historia”.
A isto hai que engadir a saúde da mobilización social. Atenuada e mesmo desactivada absolutamente no Norte, onde os movementos sociais son case residuais e os foron absorbidos polas estruturas de poder, no Sur as organizacións sociais –e tamén sindicais– medran acotío.

África, á que por terceira vez chegaba o FSM para precisamente apoiar os seus movementos, é unha extraordinaria mostra disto. O día 6 de febreiro, nunha abraiante marcha inaugural de 70.000 persoas, mesturáronse as cores de decenas de movementos feministas co verde da Vía Campesina, os berros dos sen voz –sen vivenda, sen terra, sen traballo…– coas reclamacións dos pescadores artesanais, os colectivos defensores dos migrantes, as loitas contra o acaparamento de terras e os transxénicos, as campañas anti-débeda, os defensores do comercio informal, as propostas ecoloxistas… África en movemento. Un movemento extraordinariamente vivo que celebrou os procesos revolucionarios que se estaban a producir no Norte de África, pero no Sur do planeta. Dende América latina a África e tamén en moitas partes de Asia os movementos sociais gozan cada día de mellor saúde e camiñan cara a conquista duns dereitos que no Norte parecían endémicos.

O Sur ao rescate

Que os procesos políticos, sociais e mesmo de liberación económica vaian a máis no Sur e estean en crise no Norte non é unha simple sensación. De feito, o campo preferido polo FMI para os seus axustamentos estruturais tamén mudou en vertical, de xeito que moitos países europeos están agora á mercede das esixencias destas mafias mundiais de prestamistas que son as IFI. Se a partir da crise do petróleo de 1973 e a posterior crise da débeda o FMI e o Banco Mundial obrigaron a moitos países do Sur, para seren rescatados, a aplicar agresivas medidas liberalizadoras que sumiron as súas poboacións na débeda e na miseria, agora é o corazón do sistema o damnificado, o que ten que ceder, endebedarse e vender soberanía a custa dos dereitos sociais.

O Consello Internacional (CI) do FSM reuniuse en Dakar os días 12 e 13 de febreiro para facer balance e tamén para pór sobre a mesa a posibilidade de celebrar o evento de 2013 no Norte. Unha nova xuntanza en maio, en París, se cadra serve para tomar a decisión definitiva. “En solidariedade coas medidas de axustamento que están a sufrir as súas xentes”, díxome Cândido Gryzbowski, director do Ibase brasileiro e unha das máis influentes voces do CI. Se cadra un movemento como o que rodea o FSM, xurdido no Sur hai 10 anos, podería servir para cando menos reactivar os narcotizados e sobre todo atomizados movementos sociais do Norte. A terra xira, mais sobre outro eixo.

20/02/2011

Amedine, o pintor (Dakar FSM)

Xosé Manuel Beiras Torrado. Artigo tirado de aquí.
http://www.eternoretorno.com/wp-content/uploads/2009/02/dostoievski-pintura.jpg
Sentaramos Manu e mais eu nun telderete pra tomarmos unhas cervexas cando se nos achegou. Na illa de Gorée, frente por frente do porto de Dakar, a vinte minutos escasos de travesía, inda menos ca de Vigo a Moaña. Viñamos de visitar a "casa dos escravos", onde ao longo de trescentos anos amoreaban ás vítimas da "trata" mentres agardaban a seren embarcadas cara América. Un sinistro edificio pintado en ocre bermellizo e azul grisallento, cun curro dianteiro do que arrincan duas esqueiras en pedra volcánica que levan ao andar superior, todo o recinto cercado por un outomuro só franqueábel por unha estreita porta frontal e coa estrema traseira contra o mar, tamén choída sobre o coído da beira. A pranta tarrea da casa era a destinada a armacenar os escravos como sardiñas en salgadoiros, separados os homes das mulleres e as nais dos fillos, en sórdidos cubículos sen entrada ningunha de luz nen ár sequer, distribuídos a delambas bandas dun estreito corredor que desemboca cara trás na porta chamada "da viaxe sen retorno". Nos dous costados laterais do curro, as "celas de castigo", por millor dicir suplicio, dos que inda así tentaban revirarse. Hoxe o conxunto é museu, lugar de pelerinaxe dos descendentes dos outrora escravos e de visita dos dos outrora negreiros. Inda que se cadra o "outrora" está de sobro en ámbolos dous casos. Visita punxente e revoltante para algúns de nós. Manoel e máis eu dubidaramos antes de facérmola, e inda mesmo diante da porta eu ficara entalado, presa dun temor supersticioso, e dixéralle "entra ti, eu non podo", mais acabara por entrar eu tamén. Nesas situacións compre arrepoñerse ún e defrontar ás pantasmas do pasado. Xa dentro, fiquei longos minutos en pé descontra a parede interior da cerca, enviso e silandeiro, coa gorxa contraída, un proído nos ollos e un pelouro de xeo dentro do peito. Lembreime, non sei por qué, da casa dos mortos de Dostoievsky. Logo fixemos xuntos a visita sen darmos fala ningún dos dous en todo o tempo. 

Sairamos conmovidos, co corazón premido por unha tristura difusa coma brétema mareira. A poucos pasos, un grande baobab de fuste groso coma un pear romano, pétrea cortiza engurrada e luída coma o mármore, erguía espidas as polas coma un labirinto de candieiros rebirichados, só algunhas follas novas no bico dalgún dos brelos. "É caducifolio -espricoume o Manu, que é biólogo inda que non exerce- e, cando deita a follaxe, as ponlas semellan raiceiras ergueitas boca arriba no ár: por iso os indíxenas din que é unha árbore que os deuses chantaron na terra do revés". Encamiñaramonos logo cara o outarelo que ergue o lombo no treito norde desa pequena illa areosa e alongada, coroado por un vello forte inda en pé. Mais non chegaramos ao cabo do traxecto. Nas calexas do vilar que compría atravesarmos, enxamios de mociños e raparigas arremuiñabanse arredor dos visitantes ofrecendo os máis diversos obxetos e chirimboladas. Eu debecía por estar só e acougar. Mercámoslles uns colares feitos con pedriñas de cores vivas e codias de coco pintadas, e demos volta. No meu caso, millor direi que fuxin.

Retornaramos cara o embarcadoiro por onde chegaramos, un peirao en espigón afuciñado no mar dende un areal bordeado pola banda de terra por casoupas, choupanas, casetos, alpendres e algunha que outra edificación indefiníbel albergando tascas, baretos, chiringos e rústicas loxas e bazares. E sentaramos como dixen pra tomarmos unhas cervexas nun telderete sobre a area, cando se nos achegou. Un home novo, magro, fasquía aínda de rapaz, sorriso plácido, ollada limpa e faiscante. Camiñaba sobre duas muletas de pau, botando adiante as duas pernas xuntas en movemento pendular e sostendo un embrullo apreixado baixo o brazo contra o peito. Detívose a carón de nós. Coidamos que había ser un vendedor de tántos, mais de primeiras non nos ofreceu nada. Perguntounos de onde eramos, logo a que viñeramos. Ao dicírmoslle que galegos quixo saber onde estaba ese país e cal era esa língua que nos sentira falar. Ao mentármoslle o foro social mundial amostrouse interesado e informado. Encetamos un palique que ía durar un bó cacho. Axiña nos decatamos que tiña unha cultura non común e que falaba con critério e moito siso. Debullaba con moita intelixencia temas tratados no foro malia non ter participado, e analisaba con aguda intuición os problemas sociais e culturais que ían saíndo na conversa. Non era un colonizado. Pola contra: dexergaba o mundo co prisma da sua propria identidade cultural, e facíao de xeito natural e espontáneo, sen indicio ningún de pose doutrinaria nen intención polémica. Era a súa cosmovisión o que transparecía no seu falar. Eu estaba fascinado, máis fascinado a cada pouco a medida que o diálogo progresaba. Estaba a participar inesperadamente na esperiéncia dunha exemplificación viva de exercizo do que Sousa Santos ten definido como epistemoloxía do sul fronte á razón perguiceira do norte, protagonizado por un mozo africano do común. Nun intre dado espetoume, "Vostede é profesor, non si?" -e riuse do meu pasmo cando asentín.
Só á volta dun bó anaco de tempo a parolarmos botouse a falar de sí mesmo Amadine -que así dixo chamarse o mozo. Era pintor e vendía as suas obras aos visitantes. Tolleito do carrelo e das pernas, até os dezanove anos non se sostiña de pé, andaba a rastas. Contounos que fora daquela cando un actor francés, que viñera rodar un filme na illa, fixérase cárrego dil e levárao a Paris pra facelo operar. Repetíranse varias intervencións consecutivas espaciadas durante un tempo en ocasións sucesivas. No interin, déralle a oportunidade de facer cursos de belas artes. Agora tiña vintenove anos, estaba casado e tiña tres fillos. "Casei desque puiden sosterme de pé", díxonos cunha risada de rillote pillabán. "Inda teño dificuldades, cómpreme levar posta esta faixa pra apreixar o carrelo" -e amostrábanola con toda naturalidade. "Mais o importante é vivir, e agora podo dicir que vivo. As eivas do pasado non se esquencen, mais compre ceibarse dos pesares, non ser escravo dos regrets. Vós sentístesvos culpábeis na casa dos escravos de aquela historia atroz. Mais eu penso que compre perdoar, inanque non esquecermos. Iso non." 

Daquela Amedine desembrullou o rolo de pinturas en papel que trouxera baixo o brazo. O Manoel interesouse por levarlle algunha a Kidist, a meniña etiope adoptada por il e a sua compañeira. "Teño cadros en tea expostos no restorán de aló ao fondo" -dixo Amedine. Podiamos ir e de paso xantarmos ali. Dito e feito. Nos lenzos que tiña expostos, a pintura do Amedine era un tanto inxénua, ao xeito "naïf", mais con oficio e forza expresiva. Algúns eran mesmo expresionistas, nas claves simbólicas da sua cultura específica ou mesmo do imaxinario común a tódolos povos africáns, nomeadamente os da África negra. É curioso, e siñificativo, que o sentido de pertenza das xentes africanas, cando menos dende a divisoria do Sáhara para abaixo no mapa, maniféstase combinadamente a dous níveis identitarios estremos: o de cadanseu povo ou comunidade étnica e cultural, e logo o continental africán. Lóxico ao cabo, poisque para iles os estados, resultantes das demarcacións territoriais tracexadas polas metróples coloniais, son simples estaribeis político-administrativos que non enxendran sentido de pertenza comunitaria ningunha. Nunha das teas, Amedine pintara un rosto compunxido co feitío do mapa continental: o pranto de África. O Manu escolleu unha tea moi linda de sinxela composición, que Amedine descravou do bastidor e enrolou para millor transportala. "Póusea con coidado no fondo da mala", advertíulle. Seguro que lle había encantar a Kidist, a meniña dos luminosos ollos negros e engaioladora ollada penetrante que fita sen descaro. 

Xantamos cadanseu peixe á grella semellante a unha pequena robaliza recén pescada, fresquísimo e celmoso. Unha delicia. Despedímonos de Amedine e fómonos embarcar de volta inda con día. Facía vento de popa. Fomos sentar nos bancos de proa, millor ca encerrármonos na camareta. Néstas dime Manoel: "Velaí tes ao Boaventura". Sentado de costas a nós dous bancos máis adiante, un home con chaqueta escura e chapeu agarrado pola aba cunha man por mor do vento, alí ía o Sousa Santos latricando cun meniño limpabotas. Agardamos ao atraque pra abordármolo. "Vimos de ter unha leición prática de epistemoloxía do sul e socioloxía das ausencias" -díxenlle con humor despois de saudármonos os tres. Botouse a rir. "Oia, Beiras -espetoume cun sorriso cúmplice- pódeme crér que aló onda nós inda non queren saber nada diso tudo na academia?. Convídanme apenas a falar os movementos, mais inda ningunha universidade...". E volveu botar unha risada. Foi coller un taxi e ofreceuse a levarnos. "Imos camiñar; o noso hotel está moi perto" -e botámonos a andar polo borde da calzada coma funambulistas en terra, procurándomos o equilibrio entre o tránsito inorde de veículos e as beiras ocupadas por toda caste de telderetes, obxetos e xentes. Os negreiros de arestora non se deixaban ver.

17/02/2011

Boaventura de Sousa Santos no Foro Social Mundial de Dakar (2011)

Intervençom do sociólogo e poeta  português do FSM. "Temos que ter acesso à comunicaçom da Wikileaks antes de ser tratada polos grandes jornais mundiais". Boaventura de Sousa Santos, trata a necessidade de produzir muitos Cairos ao mesmo tempo, criando protestos insurgentes simultáneos por toda a parte. Fala, entom, de revoluçom, e do desafio da relaçom entre partidos, movimentos, e cidadaos nom organizados.

15/02/2011

Declaración da Asemblea dos Movementos Sociais

 
http://www.tlaxcala-int.org/upload/gal_2797.jpg
 
Nós, reunidos e reunidas na Asemblea de Movementos Sociais, realizada en Dakar durante o Foro Social Mundial 2011, afirmamos a achega fundamental de África e dos seus pobos na construción da civilización humana. Xuntos, os pobos de todos os continentes, libramos loitas onde nos opomos con grande enerxía á dominación do capital, que se agacha detrás da promesa de progreso económico do capitalismo e da aparente estabilidade política. A descolonización dos pobos oprimidos é un gran reto para os movementos sociais do mundo enteiro.

Afirmamos o noso apoio e solidariedade activa aos pobos de Tunisia e Exipto e do mundo árabe que se erguen hoxe para reivindicar unha real democracia e construír poder popular. Coas súas loitas, mostran o camiño a outro mundo, libre da opresión e da explotación.

Reafirmamos con forza o noso apoio aos pobos de Costa do Marfil, de África e de todo o mundo na súa loita por unha democracia soberana e participativa. Defendemos o dereito á autodeterminación e os dereitos colectivos de todos os pobos do mundo.

No proceso do FSM, a Asemblea de Movementos Sociais é o espazo onde nos reunimos desde a nosa diversidade para xuntos e xuntas construír axendas e loitas comúns contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e todo tipo de discriminación.

En Dakar celebramos os 10 anos do primeiro FSM, realizado en 2001 en Porto Alegre, Brasil. Neste período construímos unha historia e un traballo común que permitiu algúns avances, particularmente en América Latina onde logramos frear alianzas neoliberais e concretar alternativas para un desenvolvemento socialmente xusto e respectuoso coa Nai Terra.

Nestes 10 anos vimos tamén a eclosión dunha crise sistémica, expresada na crise alimentar, ambiental, financeira e económica, que resultou no aumento das migracións e desprazamentos forzados, da explotación, do endebedamento e das desigualdades sociais.

Denunciamos o rol dos axentes do sistema (bancos, transnacionais, conglomerados mediáticos, institucións internacionais, etc.), que, en procura do máximo lucro, manteñen con diversos rostros a súa política intervencionista a través de guerras, ocupacións militares, supostas misións de axuda humanitaria, creación de bases militares, saqueo dos recursos naturais, a explotación dos pobos, e manipulación ideolóxica. Denunciamos tamén a cooptación que estes axentes exercen a través de financiamentos de sectores sociais do seu interese e as súas prácticas asistencialistas que xeran dependencia.

O capitalismo destrúe a vida cotiá da xente. Pero cada día agroman múltiples loitas pola xustiza social, para eliminar os efectos que deixou o colonialismo e para que todos e todas teñamos unha digna calidade de vida. Afirmamos que os pobos non debemos seguir a pagar por esta crise sistémica e que non hai saída á crise dentro do sistema capitalista!

Reafirmando a necesidade de construír unha estratexia común de loita contra o capitalismo, nós, movementos sociais:

Loitamos contra as transnacionais porque sosteñen o sistema capitalista, privatizan a vida, os servizos públicos, e os bens comúns, como a auga, o aire, a terra, as sementes e os recursos minerais. As transnacionais promoven as guerras a través da contratación de empresas militares privadas e mercenarios, e da produción de armamentos, reproducen prácticas extractivistas insustentábeis para a vida, acaparan as nosas terras e desenvolven alimentos transxénicos que nos quitan aos pobos o dereito á alimentación e eliminan a biodiversidade.

Esiximos a soberanía dos pobos na definición do noso modo de vida. Esiximos políticas que protexan as producións locais que dignifiquen as prácticas no campo e conserven os valores ancestrais da vida. Denunciamos os tratados neoliberais de libre comercio e esiximos a libre circulación de seres humanos.

Seguimos a nos mobilizar pola cancelación incondicional da débeda pública de todos os países do Sur. Denunciamos igualmente, nos países do Norte, a utilización da débeda pública para impor aos pobos políticas inxustas e antisociais.

Mobilicémonos masivamente durante as xuntanzas do G8 e G20 para dicir non ás políticas que nos tratan como mercadorías!

Loitamos pola xustiza climática e a soberanía alimentar. O arrequecemento global é resultado do sistema capitalista de produción, distribución e consumo. As transnacionais, as institucións financeiras internacionais e gobernos ao seu servizo non queren reducir as súas emisións de gases de efecto invernadoiro. Denunciamos o “capitalismo verde” e rexeitamos as falsas solucións á crise climática como os agrocombustíbeis, os transxénicos e os mecanismos de mercado de carbono, como os REDD, que ilusionan a poboacións empobrecidas co progreso, mentres privatizan e mercantilizan os bosques e territorios onde viviron milleiros de anos.

Defendemos a soberanía alimentaria e o acordo alcanzado no Cume dos Pobos Contra a Mudanza Climática e polos Dereitos da Nai Terra, realizada en Cochabamba, onde verdadeiras alternativas á crise climática foron construídas con movementos e organizacións sociais e populares de todo o mundo.

Mobilicémonos todas e todos, especialmente o continente africano, durante a COP-17 en Durban, Sudáfrica, e a Río+20, en 2012, para reafirmar os dereitos dos pobos e da Nai Terra e frear o ilexítimo acordo de Cancún.

Defendemos a agricultura labrega que é unha solución real á crise alimentar e climática e significa tamén acceso á terra para a xente que a vive e a a traballa. Por iso chamamos a unha gran mobilización para frear o acaparamento de terras e apoiar as loitas campesiñas locais.

Loitamos contra a violencia cara á muller que é exercida con regularidade nos territorios ocupados militarmente, pero tamén contra a violencia que sofren as mulleres cando son criminalizadas por participar activamente nas loitas sociais. Loitamos contra a violencia doméstica e sexual que é exercida sobre elas cando son consideradas como obxectos ou mercadorías, cando a soberanía sobre os seus corpos e a súa espiritualidade non é recoñecida. Loitamos contra o tráfico de mulleres, nenas e nenos.

Defendemos a diversidade sexual, o dereito a autodeterminación de xénero, e loitamos contra a homofobia e a violencia sexista.

Mobilicémonos todos e todas, unidos e unidas, en todas as partes do mundo contra a violencia cara á muller.

Loitamos pola paz e contra a guerra, o colonialismo, as ocupacións e a militarización dos nosos territorios. As potencias imperialistas utilizan as bases militares para fomentar conflitos, controlar e saquear os recursos naturais, e promover iniciativas antidemocráticas como fixeron co golpe de estado en Honduras e coa ocupación militar en Haití. Promoven guerras e conflitos como fan en Afganistán, Iraq, a República Democrática do Congo e en outros paises.

Intensifiquemos a loita contra a represión dos pobos e a criminalización da protesta e fortalezamos ferramentas de solidariedade entre os pobos como o movemento global de boicot, desinvestimentos e sancións cara a Israel. A nosa loita diríxese tamén contra a OTAN e pola eliminación de todas as armas nucleares.

Cada unha destas loitas implica unha batalla de ideas, na que non poderemos avanzar sen democratizar a comunicación. Afirmamos que é posíbel construír unha integración doutro tipo, a partir do pobo e para os pobos e coa participación fundamental dos mozos e mozas, das mulleres, dos labregos e das labregas e dos pobos orixinarios.

A asemblea de movementos sociais convoca a forzas e actores populares de todos os países a desenvolver dúas accións de mobilización, coordinadas a nivel mundial, para contribuír á emancipación e autodeterminación dos nosos pobos e para reforzar a loita contra o capitalismo.

Inspirados nas loitas do pobo de Tunisia e Exipto, chamamos a que o 20 de marzo sexa un día mundial de solidariedade co levantamento do pobo árabe e africano que nas súas conquistas contribúen ás loitas de todos os pobos: a resistencia do pobo palestino e saharaui, as mobilizacións europeas, asiáticas e africanas contra a débeda e o axustamento estrutural e todos os procesos de cambio que se constrúen en América Latina.

Convocamos igualmente a un día de acción global contra o capitalismo o 12 de outubro onde, de todos os xeitos posíbeis, rexeitaremos ese sistema que esnaquiza todo ao seu paso.

Movementos sociais de todo o mundo, avancemos cara á unidade a nivel mundial para derrotar ao sistema capitalista!!

Venceremos!!!

10/02/2011

FSM: soberanía política… para cambiar o mundo

Manoel Santos. Tirado de aqui.

A asemblea da Rede polos Dereitos Colectivos dos Pobos no FSM, na que participou a delegación galega, asume a loita pola da soberanía política como camiño para defender tamén os dereitos da nai Terra, por considerar estes un tema vital para a humanidade e a emancipación dos pobos. A rede terá presenza nas principais mobilizacións globais dos vindeiros meses, dende o día da dignidade indíxena do 12 de outubro ao cumio da mudanza climática de Durban (Sudáfrica), en novembro.
                                                                                                                                                                                                                                       Dakar, 10/02/2011.

Asemblea Mundial dos Habitantes, da Rede polos Dereitos Colectivos dos Pobos, da liberdade de expresión, de loitas contra a militarización e pola descolonización, plan de acción de loitas cara a COP 17 e Río+20, dos dereitos do home, das mulleres, da soberanía alimentar, sobre o G8/G20, por un Foro Social permanente, pola libre circulación e unha enchente de temáticas máis.

Os días 10 e 11 celébranse na Universidade de Dakar até 38 asembleas temáticas que confluirán o último día na asemblea de asembleas, para así definir unha axenda mundial de propostas e accións. Nos dous días posteriores celebrarase o Consello Internacional del FSM.

Todas as asembleas remataron un chisco antes do previsto para unirse ás 12 da mañá a unha manifestación en apoio ao pobo saharaui, que sufriu durante o desenvolvemento do FSM o acoso e boicot dunha ampla delegación marroquí chegada a Dakar co financiamento do goberno dese país, algo que o Consello Internacional cualificou de inaceptábel e vergoñento.

Galiza, dos dereitos comúns ás loitas polo planeta

A delegación galega participou pola mañá na II Asemblea dos Dereitos Colectivos do Pobos (Pnet) e pola tarde na do eixo 12, que inicia un proceso cara a definición dun plan de acción de loitas que teñan como referencia en primeiro lugar a COP 17 sobre a mudanza climática en Durban (Sudáfrica), a celebrar a finais do vindeiro novembro, e despois Río+20 –que será en xuño de 2012–, dúas décadas despois do Cumio de Río de 1992, amais doutras. Nesta última asemblea participaron organizacións como o GRAP, A Vía Campesina, Xubileo Sur, Attac Francia, a CUT, a Confederación francesa democrática do traballo e os pobos indíxenas da Amazonía, entre outras moitas.

A idea de crear unha Pnet naceu no FSM de Belém, en 2009, e se concretou meses despois na asemblea constituinte en Girona (Catalunya), na que se aprobou un documento cunha declaración fundacional, uns textos complementarios en relación á identidade e os obxectivos da rede e outros sobre a estrutura organizativa e a axenda 2010-2011.

A de Dakar foi xa que logo a segunda asemblea, cuxo primeiro punto aprobou a decisión de legalizar a rede como asociación internacional, proceso que será facilitado polo grupo fundador da rede. En principio poden ser membros da rede persoas xurídicas –organizacións–, de carácter político, sindical, social ou cultural sen ánimo de lucro, mais non organismos gobernamentais ou axencias públicas. A estas tamén se engadiron organizacións de pobos orixinarios ou indíxenas, de xeito que a rede asume tamén como lexítimo o ordenamento social e xurídico dos pobos orixinarios, e polo tanto a diversidade xurídica do planeta, que moitas veces non coincide co modelo xurídico europeo. Unha importante decisión política.

Entre as finalidades está, loxicamente, a articulación de movementos e organizacións de todo o mundo que actúan para o recoñecemento, a promoción e a posta en marcha dos seus dereitos, entre eles o dereito á autodeterminación e a democracia, á conservación das súas culturas, territorios e linguas, e traballará activamente no proceso do FSM. De feito neste foro de Dakar a rede xa solicitou, a través da CAOI (Coordinadora Andina de Organizacións Indíxenas), a súa inclusión como membro do Consello Internacional do FSM. A loita polo recoñecemento destes dereitos elevarase tamén a institucións e organismos internacionais, especialmente a Nacións Unidas. E apoiaranse os procesos de descolonización dos pobos oprimidos polas civilizacións dominantes, participando nos seus procesos de liberación.

A rede reunirase na súa terceira asemblea en setembro de 2011, no segundo Foro Social Mesopotámico, que se vai celebrar en Amed –en turco Diyarbakir–, no Kurdistán baixo dominación turca.

Por último, o artellamento da rede coas loitas pola xustiza ambiental considérase un tema central e para iso se vai elaborar unha axenda, por canto as amenazas contra a natureza afectan en primeiro lugar aos desherdados do planeta e aos pobos e comunidades que, por riba, non teñen capacidade de decisión por carecer de estados propios. Un camiño de traballo, amais do cumio da mudanza climática en Durban, pode ser dar apoio en xaneiro 2012 en Porto Alegre, a un posíbel Foro Social temático sobre xustiza ambiental que prepare accións e propostas coordinadas de cara a Río+20. Dos dereitos indivuais, sáltase aos dereitos colectivos e de aquí aos dereitos da natureza, da nai terra, asumíndose a declaración de Cochabamba sobre a xustiza climática de abril de 2010, en contraposición ás ineficaces e insuficientes propostas de Copenhagen primeiro, Cancún despois e probabelmente do próximo cumio de Durban.

A delegación galega, asemade, interviu para incidir na necesidade de loitar quer polos dereitos lingüísticos dos nosos pobos quer polos dereitos políticos, pois dificilmente se poderá loitar polos dereitos individuais ou polos dereitos da nai terra se carecemos de espazos de decisión efectivos como pobos.

A aprobación da declaración final do espazo polos dereitos dos pobos no FSM, en cuxa redacción participou Xosé Manuel Beiras, e que tamén se encargou da súa lectura pública, pechou a asemblea, solidarizánse ademais co proceso de normalización democrática da esquerda abertzale vasca e co referendo popular sobre a independencia de Catalunya que terá lugar en Barcelona o vindeiro 10 de abril.

Xabier Macías: “A dimensión colectiva dá sentido e especificidade á existencia da humanidade”

Manoel Santos. Tirado de aqui.

O director da Fundación Galiza Sempre e presidente do Centre Maurits Coppieters (CMC) –fundación adscrita ao grupo parlamentar europeo Os Verdes-Alianza Libre Europea– defendeu en Dakar a necesidade de soberanía para o pobo galego e outras nacións sen Estado.
Dakar, 8/02/2011.
A meirande parte das actividades galegas en Dakar xiran ao redor do eixe 12 do programa do FSM, que procura paradigmas alternativos á crise de civilización, por medio da descolonización e socialización do poder, especialmente nas relacións entre Estado-Mercado-Sociedade; os dereitos colectivos dos pobos, a desmercantilización da vida e do “desenvolvemento”, e a emerxencia de subxectividades e epistemoloxías alternativas ao racismo, ao eurocentrismo, ao patriarcado, ao antropocentrismo…

Dúas son as liñas principais do dito eixo. Por unha banda as discusións sobre o futuro e as estratexias a seguir por un FSM que xa cumpriu unha década; e pola outra o papel dos dereitos colectivos na construción dun outro mundo posíbel, que xa tomara protagonismo no FSM de Belém en 2009. Pois iso, novos paradigmas e novas visións.

Nesta última liña de traballo aconteceu a actividade “os conflitos do mundo dende a perspectiva dos dereitos colectivos dos pobos”, que en forma de mesa redonda e con moi boa e moi diversa asistencia contou coa participación de Carles Riera, do Ciemen catalán; Soraya Sough, representando o pobo Amazigh; Mehmet Yuksel, do Kurdistán; Domingo Hernández, de Guatemala; Rafael Reig, do País Valenciá e Xabier Macías, da Galiza.

Macías explicou os obxectivos da delegación galega neste espazo: “explicar e difundir a nosa realidade e coñecer outros pobos, culturas e reivindicacións, para traballar en rede por un outro mundo posíbel”.
Segundo Macías a presenza galega e doutras nacións sen Estado no FSM, que xa vén de lonxe, pretende pular polos nosos dereitos nacionais, pois a dimensión colectiva dá sentido e especificidade á existencia dsa humanidade. Mais, aclarou, “non o facemos por localismo ou falta de sentido global, e moito menos por chauvinismo, senón coa intención de pór as bases dun mundo alternativo para combatir as prácticas imperialistas sobre pobos negados”. “As nosas reivindicacións son totalmente compatíbeis coa idea dunha cidadanía planetaria, mais queremos ter a nosa capacidade de decisión, como teñen os demais”, apuntou, para desfacer certos “clixés” errados que envolven á mantenta os movementos nacionalistas das nacións sen Estado.

Para Macías, o combate pola soberanía popular ten dous importantes sentidos, a defensa dos dereitos colectivos (linguas, culturas, soberanía) e a loita decidida pola democracia e a participación popular.

Para rematar, o presidente do CMC quixo explicar aos pobos africanos, moi interesados no tema, que dende a ollada da Rede polos Dereitos Colectivos dos Pobos queren tamén amosar unha realidade diferente da que hogano representa a Unión Europea (UE). “Os movementos nacionais do CMC queren unha nova Europa, construída de abaixo arriba a partir das súas comunidades nacionais. Combatemos o imperialismo europeo porque os nosos pobos sofren dentro de Europa a negación de dereitos lingüísticos, culturais e nacionais. Rexeitamos o camiño neoliberal emprendido pola UE, que debería e podería ser un exemplo de redistribución da riqueza, conquista de dereitos sociais, un contraforte da hexemonía estadounidense, etc.”, para concluír preguntando: “Por que Malta e non Catalunya? Por que Chipre e non Escocia? Por que poden estar na UE estes Estados e non nacións con maior peso cultural, demográfico e histórico ás que constantemente se lle negan os seus dereitos?”

A Fundación Galiza Sempre trouxo a Dakar uns folletos que rezan, en galego e francés: “Galiza, Nation sans Etat, avec voix au FSM”. Abofé que si, Galiza con voz propia na cerna do movemento de movementos, ese que está a construír un outro mundo posíbel, no que caibamos todos e todas.

Cómpre artellar alianzas de pobos contra a crise da civilización e pola radicalización da democracia

Manoel Santos. Artigo tirado de aqui.

A tenda da Rede Mundial polos Dereitos Colectivos dos Pobos desenvolve as súas actividades a carón do reitorado da Universidade Cheik Anta Dioup. Hoxe practicamente se encheu para escoitar os moitos e diversos pobos que contribúen, dende as súas realidades nacionais, á preservación da paz, da cultura e da democracia no planeta.

 
Coordinada por Xosé Manuel Beiras, representante galego e membro do Consello Internacional do FSM, este tipo de palestras tratan de “poñer os dereitos colectivos dos pobos na cerna da axenda altermundista”, como afirma Carles Riera, director do CIEMEN catalán e tamén membro do CI do FSM, “porque a nosa convicción é que non é posíbel o outro mundo que queremos construír sen as propostas radicalmente democráticas que propoñen os pobos sen Estado, que inclúen a defensa dos territorios, das culturas, das linguas, sumándose deste xeito á axenda global polos dereitos humanos, pola democracia e polo ambiente”.
O galego Camilo Nogueira, tamén presente, entende os dereitos colectivos dos pobos como os de todos os pobos. “Nestas xornadas en Dakar facemos fincapé nos dereitos das nacións sen Estado –tanto europeas como as tradicionais dos pobos indíxenas sometidos, etc.– mais tamén nos dos pobos do mundo enteiro, dereitos ligados á democracia, á procura dun sistema económico non dominado polas grandes corporacións e as grandes potencias. A experiencia de escoitar aos pobos indíxenas de latinoamérica ou ao kusdistán é enormemente enriquecedora. E necesaria. Ao cabo, temos un proxecto común, unha encomenda global para reconciliar a natureza coa sociedade, cos dereitos dos pobos… ”. Camilo pensa que en Dakar confírmase que este movemento aberto en Porto Alegre hai 11 anos vai na boa dirección. “Despois en cada país, en cada Estado, en cada continente e en cada nación hai que avanzar na procura desta democracia global, individual e colectiva que todos desexamos”. En todo caso “Galiza está moi presente nesta batalla”, afirma Camilo Nogueira.

A diversidade e as diferentes pero coordinadas olladas son as principais características deste espazo común. Así, Beiras convidou a falar a Yann Choucq, do Comité Bretón pola Democracia e os Dereitos do Home; a Katu Arkonada, representando á esquerda abertzale vasca –cuxo proceso é moi seguido aquí–; a David Minoves, da Fundación Irla (Esquerra Republicana de Catalunya); a Rania Madi, representando a Palestina; a Tomás Huanacu, boliviano vicecoordinador da CAOI (Coordinadora Andina de Organizacións Indíxenas); a Roberto Espinoza, o peruano que coordina toda a rede indíxena no FSM; a John Cliff, do parlamento de Cornualles; e a Emine Ayna, deputada do partido Kurdo no parlamento turco

Entre o público tamén estaban Moema Miranda, directora do Ibase brasileiro e fundadora do Foro Social Mundial e Oriol Junqueras, eurodeputado de Esquerra Republicana de Catalunya que será substituído este decembro pola galega Ana Miranda, do BNG, e que acude ao seu primeiro FSM. Oriol ve nos foros unha chea de pobos e xentes que “está claro que non teñen voz, e que se reúnen aquí para paliar probabelmente déficits das institucións, mais non sei se estas metodoloxías son o mellor camiño”.

As cinco claves do Beiras

Beiras resumiu o intenso debate con cinco cuestións básicas que para el é necesario que estean perfectamente claras. En primeiro lugar fixo alusión aos territorios e os pobos: “O territorio non pode ser suxeito de dereitos, senón os pobos e cidadáns que os compoñen. En tratando de resolver problemas pola vía do territorio érrase completamente, coma no caso das autonomías –do café para todos– do Estado español”.

Xosé Manuel Beiras criticou que tanto a Constitución española como o seu desenvolvemento non permitiran nin permitan o recoñecemento do carácter plurinacional do Estado español, aceptando que os pobos vasco, galego e catalán sexan titulares da súa soberanía política.

En segundo lugar, dende o punto de vista das normas existentes a nivel internacional, como a ONU, nestas palestras demostrouse que os dereitos colectivos están perfectamente recoñecidos, como na Declaración dos Dereitos dos Pobos Autóctonos da ONU. “A negativa a recoñecer estes dereitos polos Estados e supraestados como a UE é ilegal, vai contra as constitucións”, dixo Beiras, así “a resistencia está xa que logo lexitimada. A defensa propia está recoñecida por todos os códigos penais do mundo”, facendo alusión ás loitas de saharauis, palestinos, kurdas, etc.

O terceiro apuntamento fai referencia “á necesidade dunha fronte común dos pobos sen Estado. Esta Rede Mundial dos Dereitos Colectivos dos Pobos é un lugar de encontro moi necesario”.

En cuarto lugar, para o presidente da Fundación Galiza Sempre a noción de crise civilizaroria achegada polas nacións indíxenas americanas é clave para explicar o que está a acontecer no planeta. “Non é só unha crise sistémica e política, ou unha crise social e climática, é o modelo de civilización o que resume e explica a situación actual”.

Finalmente, para Beiras as loitas locais concretas e localizadas son as que fan avanzar os procesos emancipatorios a nivel global, mais só a coordinación destas loitas, as alianzas, pode conseguir efectos globais. E puxo como exemplo a Galiza: “no meu país hai un goberno autónomo e nestes intres goberna, por moi pouco, unha dereita case fascista que entre outras cousas está a desenvolver un proceso de analfabetización do idioma propio da nosa nación. Este é só un exemplo do que acontece hogano en toda Europa. Cremos que as alianzas fortes con outros pobos poden axudarnos a combatir estas aberracións”.

Beiras defende no Foro Social Mundial o direito à resistência em defesa própria

Artigo tirado de aqui.
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A frase é de Xosé Manuel Beiras, um dos representantes da Galiza no debate do FSM em Dakar sobre os povos sem Estado. O economista galego denunciou a soluçom do "café para todos" no caso do Estado espanhol, criticou a Constituiçom espanhola que nom reconhece o povo galego como titular da sua soberania política e recordou que a ONU reconhece os direitos colectivos. "A negativa a reconhecer estes direitos polos Estados e supraestados como a UE é ilegal, vai contra as instituiçons", apontou, polo que "a resistência está já que logo legitimada. A defesa própria está reconhecida por todos os códigos penais do mundo"

Rematou fazendo apelo "à necessidade dumha fronte comum dos povos sem Estado". À hora de explicar o caso galego ao público de Dakar explicou que "nom meu país há um governo autónomo e nestes momentos governa, por mui pouco, umha direita quase fascista que entre outras cousas está a desenvolver um processo de analfabetizaçom do idioma próprio da nossa naçom".

Por sua parte Camilo Nogueira recordou que "nestas jornadas em Dakar fazemos fincapé nos direitos das naçons sem Estado, mas também dos povos do mundo inteiro, direitos ligados à democracia, à procura dum sistema económico nom dominado polas grandes corporaçons e as grandes potências". Assegurando que "a Galiza está mui presente nesta batalha".

07/02/2011

Attac Galiza no Foro social mundial (FSM) de Dakar

ATTAC Galiza. Artigo tirado de aqui.
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O ex-eurodeputado do BNG, Camilo Nogueira, e o membro da fundación Galiza Sempre, Xavier Macías, no FSM de Dakar.

Os movementos sociais e cidadáns de todos os continentes reúnense durante seis días na capital senegalesa co fin de unir as súas forzas, pór ao dìa as súas proposicións e construír xuntos as mobilizacións para outros mundos.


Este FSM ten lugar en plena crise social, continuación da crise financeira, da "salvaciòn” das finanzas polos Estados e despois a imposiciòn dos plans de austeridade : os-as cidadáns pagan a crise ao prezo màs alto, mentres as finanzas continùan a súa prosperidade. A crise social, ecolóxica, alimentaria, xéopolitica, todas elas interrelacionadas, son o pano de fondo deste foro, que quere pór ao descuberto a crise sistémica do capitalismo e unha crise de civilización, como os organizadores do foro  viñeron subliñando a través dos temas propostos para debate.

Pero este FSM tamèn vén marcado co reforzo dos movementos sociais e das súas converxencias, sobre todo no Sur, posibilitando así as vías para futuras estratexias. Isto adquire moita màs importancia en África, continente que pagou un  tributo moito maior coas políticas impérialistas, coloniais e neoliberais. Unha xornada enteira estarà dedicada especialmente para con África e, como preludio do Foro, as caravanes cruzaràn África Oeste buscando o encontro coas poboacións antes de reunirse en Dakar. O FSM virá marcado evidentemente polas loitas sociais pola democracia e a xustiza en Tunes, en Exipto, en Alxeria e na rexión Mediterránea no seu conxunto. A vitoria do pobo tunisiano no reclamo da súa liberdade  reforzará a determinación de todos os movementos sociais.

Este FSM serà igualmente ocasión para abrir o movemento altermondialista ás novas loitas, como aquelas que teñen como obxectivo o facerse co destino das terras, e sobre todo contra a extracción acelerada dos recursos naturais, dos bens comúns, o desprezo dos pobos e dos écosistemas. Permitirá por tanto profundar o diálogo con movementos que estiveran moi presentes no  último Foro social mundial de Belém, 2009 : pobos indíxenas de Latinoamérica e doutros lugares que constrúen vías alternativas fronte a un desenvolvemento depredador dos recursos naturais, loitas para a xustiza climática, movemento para a recuperación dos bens comúns, reflexións sobre o "bo vivir".

Attac Galiza e os Attac do mundo estaràn representados en Dakar formando parte dunha delegación con centos de persoas. Organizarán seminarios e asembleas sobre as alternativas contra o dominio da finanza global, sobre a xustiza climática, a soberanía alimentaria, o acceso á auga, as migracións, a transición ecolóxica, a preparación do cume da Terra en Rio en 2012.  E serà en Dakar que os Attacs lanzaremos unha dinámica mundial de mobilización fronte ao G8 e ao G20, para maio e novembro próximo.
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O cidadán Lula reaparece no Foro Social Mundial

Manoel Santos. Tirado de aqui.

Liberado das cargas e mordazas da presidencia, Lula foi moi crítico co G20, ao que acusou de non ter a máis mínima sensibilidade coa fame e a pobreza no mundo.
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Non decepcionou un chisco. A visita de Luiz Inacio Lula da Silva a Senegal durante a celebración do onceavo Foro Social Mundial só se pode entender como o seu radical aliñamento coa opción altermundista para un outro mundo posíbel. Sendo se cadra o mandatario que abandona o seu cargo coa cota de popularidade máis alta da historia, e non só a nivel brasileiro, Lula podería escoller para a súa reaparición a nivel internacional calquera lugar, a ONU, Davos ou calquera dos foros dos poderosos, mais escolleu África e o Foro Social Mundial.

Así, o ex presidente, que estivo acompañado pola directora xeral da Unesco, Irina Bokova, representacións do Comité Organizador do FSM de Dakar e da Unión Africa, do director do Foro Mundial das Alternativas, Samir Amin e do presidente de Senegal, Abdulaye Wade, fixo un discurso con reminiscencias de estadista pero extremadamente antineoliberal, amosándose moi crítico coas potencias occidentais. Entre o público e en primeira liña, os grandes gurús do FSM, dende Cândido Gryzbowski ao portugués Boaventura de Sousa Santos ou Oded Grajew, varios ministros senegaleses e brasileiros –a representación brasileira neste FSM é impresionante en número– e un Emir Sader que mesmo fixo a tradución consecutiva da súa intervención ao francés.

Lula, despois de saudar a todos os habitantes da terra e aos activistas do FSM afirmou en primeira instancia que o soño dun outro mundo posíbel non o imos abandonar nunca. Asemade, fixo moitas referencias a África. “Brasil ten a segunda comunidade negra do mundo despois de Nixeria, con 80 millóns de afrodescendentes. Traio a palabra franca dun admirador deste berce da humanidade”, afirmou. Apelou aos países africanos a construír as súas sociedades sen inxerencias estranxeiras, procurando a democracia, a soberanía e a cooperación entre estados. “África ten un futuro extraordinario, un futuro que está a chegar hoxe pero que debe ser acelerado”, dixo. Tamén lembrou a súa estadía no Senegal en 2005, cando visitou a illa de Goré, onde se amoreaban os escravos para as Américas e que arrepía de só vela, e pediu perdón pola escravitude a todos os africanos e africanas.
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Seguidamente, e xa desprendido do seu rol de presidente, certificou o fracaso absoluto do Consenso de Wáshington: “os países ricos sempre nos viron como unha periferia pobre e dominábel, pero hoxe somos a parte fundamental para sacar á humanidade da súa crise, desa crise que agromou pola anarquía dos mercados e a irresponsabilidade de moitos gobernantes que non souberon regular”, afirmou.

“A pobreza e a exclusión non son inherentes ao ser humano e moito menos inevitábeis”, seguiu. “Non é admisíbel que millóns de homes e de mulleres fosen vistos como un estorbo por non estar inseridos na produción e no mercado, que é o que aconteceu aquí, en África, porque eses homes e mulleres son vitais para construír as nosas sociedades”, e continuou “a historia está enchida de dogmas falsos e mentiras, como o da necesidade dos Estados mínimos. O mercado non é panacea ningunha”.

Aínda así, insistiu en que para rematar co neoliberalismo non podemos caer en nacionalismos primitivos, conservadores e autoritarios, como a política dos Estados Unidos e a Unión Europea cos migrantes. E lembrou a moitos líderes das revolucións africanas e as súas tradicións humanistas.

Despois puxo o logrado en Brasil como un exemplo a seguir por África. “A partir de 2003 Brasil afastouse do neoliberalismo e emprendeu un novo modelo de desenvolvemento que permitiu redistribuír moita renda. Tiramos do limiar da pobreza a 28 millóns de persoas e inserimos a 35 millóns na clase media na meirande mobilización social da nosa historia”, dixo con orgullo, e afirmou que hogano a democracia no Brasil é máis participativa que nunca. Tamén puxo como exemplo para África os seus programas en agricultura e se amosou alarmado porque na sabana, que ocupa 25 países de África, só se cultive o 2% da terra. De feito, Lula pensa que unha nova revolución agrícola, con outros parámetros –non precisou se falaba de agroindustria, dunha nova revolución verde ou de que modelo en cuestión–, é o que sacaría a África da pobreza e ademais serviría ao mundo para obter alimentos para todos. “África pode ser o celeiro da humanidade”, remataba.

Finalmente arremeteu contra as organizacións financeiras internacionais e o G20. “É inexplicábel que a fame non estea nos obxectivos de loita de moitos dos que gobernan, como se a fame fose invisíbel. O FMI e o Banco Mundial impuxeron e impoñen plans de axustamento estrutural que imposibilitan o desenvolvemento dos países pobres. Mais que axuda, África o que precisa son oportunidades para redistribuír e construír”

Sen esquecer acusar e rexeitar o feito de que unha puñada de grandes potencias dominen a seguridade mundial -ou a inseguridade- Lula apostou tamén pola promoción dunha cultura de Paz para eliminar a desigualdade e o desemprego, resistindo ás intolerancias étnicas, relixiosas, culturais e ideolóxicas.

Tampouco esqueceu as revoltas do Norte de África e acusou ás “grandes potencias” de seren febles e cínicas nas súas políticas exteriores, afirmando que a solución á crise de Oriente Medio require novas políticas, entre elas a creación inmediata dun Estado palestino que poida convivir en paz co Israel.

Porén, a mais pechada ovación conseguiuna Lula cando rematou de ler o discurso e falou cara a cara co público. Logo de pedir ao FSM que dedique 2011 ao obxectivo de axudar ao desenvolvemento da agricultura en África lembrou que el estivo no G20 e que Dilma Roussef vai seguir aló, mais “non pensen que no G20 teñen sensibilidade coa fame e a pobreza. Nós só fomos chamados a este G20 cando as grandes potencias entraron en crise e nos necesitaban”, e seguiu “a Organización Mundial do Comercio (OMC) non cumpriu en 2008 co acordo de Doha porque o goberno dos Estados Unidos non quixo, porque tiñan eleccións. Estas situacións inadmisíbeis non podemos evitalas nós… ese é o voso traballo, o dos activistas políticos que debedes estar os 365 días do ano a procurar un outro mundo posíbel”. E o estadista mudou en altermundista.

África organiza, Senegal acolle

Manoel Santos. Tirado de aqui.
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Crónica e imagens de Manoel Santos 7/2/2011
O FSM de Dakar comezou o día 6 de febreiro cunha longa marcha dende a grande mesquita até a Universidade Cheik Anta Dioup. O día 7, totalmente dedicado a África e á diáspora africana espera a intervención do ex-presidente Lula ás 12:30.

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A radiación solar senegalesa e os 30 graos de temperatura fixeron que a colorida marcha de apertura, caracterizada pola presenza de moitísimos colectivos africanos, parecera ser dunha ducia de quilómetros, malia que só foron catro. Ao remate houbo intervencións de moitos colectivos continentais, amais do presidente de Bolivia Evo Morales e de Gilberto Carvalho, o ministro da Secretaría Xeral da Presidencia do Brasil, cuxo goberno quere demostrar así que segue a ter moi en conta o proceso dos altermundistas.

Evo Morales celebrou as revoltas nos países árabes, enmarcándoas nunha loita dos pobos contra o neoliberalismo e un capitalismo que agoniza. Pola súa banda, Carvalho apuntou que “A crise nos levou a fugir do caminho imposto pelo FMI e outros órgãos, que levou à recessão e miséria”.

Na marcha inaugural destacou a presenza da delegación do Sáhara, que o goberno marroquí quixo contrarrestar pagando a máis de 400 persoas o seu viaxe ao FSM. Deste xeito, a organización viuse na obriga de establecer unha dupla corda de seguridade ao redor dos saharauis, diante dun espectáculo patético da delegación de Marrocos.

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Mais o verdadeiramente salientábel da Marcha foi a presenza física de multitude de organizacións sociais de toda África, especialmente do Oeste, dende Malí a Burkina Fasso, Gambia, Nixeria, etc, e a presenza no corazón das forzas sociais do Magreb, cuxos procesos de rebelión marcan moitos dos debates do FSM. Aí se concentraron dende colectivos que loitan contra o expolio de minerais, até grandes organizacións de desherdados, sen vivenda, sen terras, mesmo sen Estado, tamén colectivos que traballan con microcréditos, ou en diversos campos da economía social e solidaria, outros que loitan polo recoñecemento xurídico dos mercaderes ambulantes, ou pola igualdade de xénero, contra a explotación infantil ou contra os transxénicos e un sen fin de organizacións que andan na procura dun outro mundo posíbel. Deste xeito, o FSM non parece organizado por un só país, Senegal, senón por un inmenso colectivos de pobos que se definen a si mesmo como a nación africana: “África organiza, Senegal acolle”, berraban os manifestantes.

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A presenza de organizacións europeas é tamén moi relevante. O Comité pola Anulación da Débeda do Terceiro Mundo (CADTM), por exemplo, trouxo case 400 delegados, encabezados por Eric Toussaint e Olivier Boufond. Asímesmo a delegación brasileira é tamén importantísima, incluíndo a xente do grupo de Impulso do proceso do FSM (GRAP), con xente como Oded Grajew, Chico Whitaker ou Cândido Gryzibowski, que viron nacer o FSM hai once anos en Porto Alegre.

Tamén é moi salientábel o esforzo da prensa alternativa, con moitos medios locais, como Flammme d’Afrique, os medios compartillados do Fórum, como A Ciranda, e tamén IPS, a Carta Maior, e até 40 persoas da rede Indymedia.

Segundo día

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O día 7, dedicado a África, comezou co clásico caos do Fórum, que carece aínda de programa impreso, polo que a universidade é un ir e vir de xentes moi diversas na procura de información nos paneis estáticos que por agora constitúen a solución da organización.

No primeiro turno destaca a actividade do eixo 12, da Rede polos Dereitos Colectivos dos Pobos, na que participa a Fundación Galiza Sempre, que contará cunha palestra con representantes da Frente Polisaria, os tuareg de Malí, o Movemento de refuxiados Mauritanos no Senegal, o pobo Libou e un xurista de Casamança, rexión independentista do sur do Senegal

Neste mesmo eixo terá tamén as súas actividades o antedito GRAP. Logo dunha década de FSM cómpre repensalo dende a crítica dos ideiais do crecemento e do progreso argallando novos xeitos de expansión e de procura de alternativas efectivas á crise civilizatoria. Amais, está en discusión tamén a sede do vindeiro FSM, en 2013. A postulación de Porto Alegre, que para iso montou unha tenda nos espazos da Universidade, non parece contar co apoio do GRAP. Cândido Gryzbowski, o director do Ibase, por exemplo, apoia con levar por vez primeira o FSM a Europa, “en solidariedade cos efectos nocivos da crise nas poboacións e contra os plans de axuste do FMI”. Todo está aberto aínda, mais malia as xa usuais dificultades organizativas do FSM, que conta aquí con máis de 45.000 delegados duns 130 países –sen contar as nacións sen estado–, intúese un grande foro africano.

Ás 12:30 de hoxe espérase a reaparición pública internacional do ex presidente Lula, que falará sobre África na xeopolítica mundial co presidente do Senegal, moi preto da Universidade. Para aló imos.

Un outro mundo é posíbel.
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