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21/01/2014

Como Hamburgo vai tirar carros das ruas

Artigo tirado de Outras Palavras (aqui). Negrito correspondente ao original.

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Na segunda maior cidade alemã, ciclovias e transporte coletivo substituirão automóveis progressivamente, em vinte anos. Rede Verde integrará todos os parques públicos


A chamada Rede Verde (Grünes Netz) deve ser construída nos próximos 15 a 20 anos e as vias para pedestres e bicicletas ligarão todos os parques, reservas, playgrounds, jardins comunitários e cemitérios dos sete distritos do município, que correspondem a 40% da área total de Hamburgo. Aumentando o número de ciclovias e vias para pedestres e diminuindo o acesso dos carros, espera-se que a utilização de automóveis seja reduzida substancialmente.

Atualmente, Hamburgo é considerada uma das melhores cidades para se viver no mundo, mas um de seus pontos fracos é o transporte: seus oito milhões de residentes têm como principal meio de locomoção os veículos particulares.

“Outras cidades têm anéis verdes, mas a Rede Verde de Hamburgo será única, cobrindo da área de periferia ao centro da cidade. Em 15 a 20 anos será possível explorar a cidade exclusivamente de bicicleta e a pé”, colocou AngelikaFritsch, porta-voz do departamento de planejamento urbano e meio ambiente de Hamburgo, ao jornal The Guardian.

“Para garantir que o plano integre toda a cidade, uma equipe trabalhará com uma pessoa de cada um dos sete distritos da região metropolitana. Unir esses espaços garantirá que todos os residentes poderão desfrutar de acesso à natureza e de um passeio sustentável”, afirma o plano.

Além disso, ainda mais áreas verdes serão acrescentadas, aumentando para sete mil hectares esses locais na cidade e imediações, que, além de servirem de vias para os pedestres e ciclistas, permitirão a realização de outras atividades de lazer, e serão utilizados até mesmo para conectar habitats de animais silvestres, permitindo que eles cruzem o município sem o risco de serem atropelados.

“[A Rede Verde] oferecerá oportunidades às pessoas de caminhar, nadar, fazer esportes aquáticos, desfrutar de piqueniques e restaurantes, vivenciar e observar a natureza e a vida selvagem bem no meio da cidade. Isso reduz anecessidade de pegar o carro para passeios de fim de semana fora da cidade”, observou Fritsch.

Dados do Escritório Climático do Norte da Alemanha do Instituto para Pesquisas Costeiras afirmam que, nos últimos 60 anos, a temperatura média do município aumentou em 1,2ºC para uma média de 9ºC. Nesse mesmo período, o nível do mar em Hamburgo aumentou 20 centímetros, e prevê-se que aumentará outros 30 centímetros até 2100.

Por isso, além de contribuir para aumentar a qualidade de vida da população, o plano visa ajudar no combate às mudanças climáticas – reduzindo as emissões do setor de transporte – e diminuir o risco de enchentes, que aumentou com a elevação do nível do mar.

Felizmente, a cidade não é a única a adotar essa estratégia; Copenhagen, capital da Dinamarca, também tem projetos para desenvolver um planejamento urbano mais sustentável e que combata as mudanças climáticas.

Uma das ações do município dinamarquês, por exemplo, será desenvolver ruas levemente convexas, para que a precipitação não se acumule nas vias e escorra para o meio-fio, onde será coletada. Um dos efeitos das mudanças climáticas em Copenhagen será o aumento no número e intensidade de chuvas e tempestades.

A ideia é que o plano de adaptação climática da cidade, que recentemente ganhou o prêmio Index Design Award, fique pronto até 2033. Atualmente, o município já é conhecido por ter um dos sistemas cicloviários mais abrangentes do mundo.

“Essas medidas contribuirão para uma maior qualidade de vida em Copenhagen. Temos que considerar o que constituirá uma cidade de sucesso no futuro”, comentou Morten Jastrup, analista do Sustainia, um centro de pesquisa da capital dinamarquesa.

09/01/2014

Alemanha: centro de Hamburgo ocupado pela polícia

Tirado do portal Esquerda.net (aqui). O negrito é de nosso.

Autoridades decretam "zona de perigo" (Gefahrengebiet) em três bairros centrais da cidade, onde vivem mais de cem mil pessoas. Enquanto durar este estado de exceção, a polícia tem o direito de revistar e pedir a identificação a qualquer pessoa sem justificar a suspeita

Manifestação de dia 21 foi a origem do conflito. Foto de Rasande Tyskar
 
O centro de Hamburgo está sob total controlo policial desde sábado, dia em que foi decretado que três bairros são "zona de perigo" (Gefahrengebiet). Sob este estado de exceção, a polícia pode revistar e pedir a identificação a qualquer pessoa sem ter de justificar o motivo da suspeita.

O decreto de emergência foi justificado por alegados ataques a esquadras de polícia, que teriam provocados ferimentos em agentes.

A lei que criou esta emergência foi aprovada em 2005, mas normalmente esta só durava umas poucas horas durante alguma situação concreta, como um jogo de futebol ou uma manifestação.

Desta vez, porém, o Gefahrengebiet já está em vigor desde sábado e não se se sabe durante quanto tempo irá permanecer. O decreto atinge os bairros de St. Pauli, Altona e Sternschanze, onde moram mais de cem mil pessoas.

Conflito começou em 21 de dezembro

A grande tensão que existe na cidade tem origem nos confrontos entre polícias e manifestantes que se seguiram à manifestação de 21 dezembro, contra o despejo do centro cultural Rote Flora. Os organizadores da manifestação denunciaram o ataque da polícia de choque, que usou cassetetes, gás pimenta e canhões de água contra os manifestantes, provocando ferimentos em muitos deles. A polícia, por seu lado, diz que 16 agentes foram hospitalizados devido ao que classificaram como "os piores distúrbios em anos".

A polícia já expulsou da zona quase 100 pessoas, prendeu 45 e apreendeu paus, material pirotécnico e máscaras negras. A polícia afirma que os responsáveis pelos ataques a esquadras são militantes da "esquerda radical" e ofereceu uma recompensa de 10.000 euros a quem possa contribuir com alguma pista que leve aos autores.

Mas há quem ponha em causa a versão policial. O advogado do centro cultural Rote Flore, Andreas Beuth, ouvido pelo Público.es, nega mesmo que tenha ocorrido um ataque em 28 de dezembro: "Em nenhum momento se lançaram pedras ou garrafas contra a esquadra", afirma, garantindo que se trata de falsas acusações.

Polícia sem controlo

Os social-democratas do SPD, com maioria no Parlamento regional e a presidência da câmara da cidade, junto com os democratas-cristãos da CDU, têm sido os impulsionadores da medida.

o Die Linke (A Esquerda) critica o estado de exceção: "Achamos que esta medida é legalmente problemática porque só a polícia pode decidir sobre o seu estabelecimento e duração, e está a fazê-lo sem controlo de ninguém", declarou a porta-voz Christiane Schneider. Para os Verdes, não ajuda a acalmar a situação que "todos os residentes da cidade estejam a ser colocados sob suspeita geral e que tenham restringida a sua liberdade de movimento".