revolta irmandinha
30/05/2012
A doutrina do shock [documentário em castelhano]
22/04/2012
No Afeganistão, os EUA à beira do adeus
05/01/2012
Os conflitos máis violentos de 2011
| Soldado ugandés na fronte norte de Mogadiscio, Somalia. Setembro 2011. Foto: HERNÁN ZIN |
A violencia no século XXI pasa por aqueles territorios onde os gobernos apenas exercen o seu poder e grupos terroristas, insurxentes ou simplemente delituosos campan ás súas anchas. Enfrontamentos armados de lóxica difusa, sen frontes, onde a peor parte lévana os civís.
Nas próximas entradas repasaremos un a un este dez conflitos, a súa evolución ao longo do 2011 e as súas perspectivas para 2012.
Algúns dos cales narramos desde o terreo nestas páxinas como Somalia, Afganistán ou Sudán, e outros de novo cuño, provocados polas lexítimas ansias de liberdade e democracia, como Iemen, Libia ou Siria.
Unha lista de dez guerras que, en número de mortos, encabeza México con 12.539 asasinatos relacionados coas drogas en 2011. Un aumento do 6,3% con respecto a 2010.
Logo vén Afganistán. E despois Iraq. Aínda que a prensa xa case non lles dedique titulares, o certo é que 4.063 civís morreron o pasado ano na nación do Tigris e o Éufrates, que empeza o 2012 con apenas 200 soldados de EUA no seu territorio (os encargados de velar pola seguridade da embaixada, na chamada Zona Verde de Bagdad).
Paquistán e Colombia pechan esta listaxe ao que debemos sumar unha vintena de conflitos de longa duración se queremos realizar unha radiografía máis exhaustiva da violencia no noso mundo.
Entre estes últimos, que non superaron o milleiro de mortos en 2011, o máis antigo é o de Corea do Norte e do Sur, seguido polas loitas internas en Birmania, e logo a resposta á ocupación de Palestina.
20/12/2011
Os Estados Unidos contra todos
23/09/2011
O imperialismo, fase atual do capitalismo
A visita de Obama permitiu conhecer de perto as duas caras do mesmo do rosto da potência imperial. A fisionomia pode ser grosseira, como a do seu antecessor, Bush, ou ter a cara simpática de Obama, mas a politica continua sendo a mesma: imperial, belicista, agressiva.
Porque os EUA não são apenas um país rico. São a cabeça do sistema imperialista mundial. Um sistema que teve sua origem no sistema colonial, aquele que, desde a Europa, submeteu os países dos outros continentes, os explorou, os oprimiu – usando trabalho escravo da África –, dividiu-os entre si e constituiu um sistema internacional de poder que passou a controlar o mundo, sob hegemonia inglesa.
A decadência inglesa abriu campo para uma disputa de sucessão entre duas potências emergentes – a Alemanha e os EUA -, que as duas guerras mundiais resolveram a favor deste último. Ao mesmo tempo, as formas de dominação foram mudando. Da ocupação direta, que considerava que as colônias faziam parte dos territórios do país colonizador, foi se passando a formas de dominação que conviviam com a independência politica dos países dominados, mas submetidos a forte controle econômico, tecnológico e militar. Foi se passando do sistema colonial ao sistema imperialista, que tem nos EUA sua cabeça fundamental. Fundem-se no poder norteamericano o poder econômico, político, tecnológico, militar e ideológico.
O imperialismo e os monopólios são a consequência natural da concorrência capital no mercado, em que os mais fortes se tornam cada vez mais fortes, os poderosos cada vez mais poderosos. A concentração de renda e de poder é um resultado obrigatório das condições da concorrência, em que o Estado tem um papel estratégico, seja de favorecer os grandes grupos econômicos, seja de promover os interesses das grandes potências nos conflitos internacionais.
Os EUA passaram a defender os interesses do bloco capitalista em escala mundial, mediante sua força militar, sua capacidade de ação politica, de exportação global dos valores das suas formas de vida – o “modo de vida norteamericano”. Defendeu a esse bloco durante a Guerra Fria – do término da Segunda Guerra Mundial até o fim da URSS (de 1945 a 1991) – contra os “riscos do comunismo”. Terminado esse período, passaram a buscar inimigos que justificassem a manutenção e a contínua militarização da sua economia e dos conflitos. Encontraram no “terrorismo” esse novo inimigo. As guerras do Afeganistão, do Iraque e agora da Líbia, expressam a forma concreta que essa luta adquire – contra países árabes, portadores de recursos energéticos que os países ocidentais não dispõem ou dispõem de forma insuficiente.
Por que governantes de partidos distintos, com estilos diferentes, acabam defendendo os mesmos interesses: respeitando antes de tudo o poder dos bancos, da indústria bélica, mantendo as guerras iniciadas e começando outras? Porque, para além daquelas diferenças, se mentem o mesmo papel imperialista dos EUA? Porque é um Estado que tira sua legitimidade, sua força, dessa função de líder do bloco das potências capitalistas no mundo.
As guerras sempre foram parte integrante na afirmação da superioridade imperialista. Aproveitando-se da sua superioridade no plano militar, tratam de resolver os conflitos pela força, impõem-se a seus aliados valendo-se dessa superioridade militar. Assim os EUA se tornaram a potência mais bélica da história da humanidade, não apenas pelo seu poderio militar, mas também pela quantidade de invasões, agressões, desembarques, participações em golpes militares.
Mesmo com a economia em recessão, os EUA mantem sua capacidade de intervenção militar, de forma direta ou através de aliados, em quase todas as regiões do mundo, de que a Líbia agora é a confirmação. A luta pela democracia no mundo passa pela ruptura do mundo unipolar e a passagem a um mundo multipolar, em que o maior numero de vozes possíveis sejam ouvidas para decidir os destinos da humanidade, até aqui concentrados nas mãos do maior império e o mais agressivo que a história conheceu.
15/09/2011
Tariq Ali: ''EUA e seus aliados europeus estão presos em um pântano''
'Um soberano é aquele que decide em caso de exceção,' escreveu Carl Schmitt em tempos diferentes, quase há um século, quando os impérios e exércitos europeus dominavam a maioria dos continentes e os EUA desfrutavam de um sol isolacionista. O que o teórico conservador queria dizer com 'exceção' era um estado de emergência, necessário devido a cataclismos econômicos ou políticos, que requeriam a suspensão da Constituição, repressão interna e guerra no estrangeiro.
Um década depois dos atentados do 11 de setembro, os EUA e os seus aliados europeus estão presos num pântano. Os eventos daquele ano foram usados como um pretexto para refazer o mundo e punir os que não obedecessem. Hoje, enquanto a maioria dos cidadão euro-americanos vagueia por um deserto moral, infelizes com as guerras, propagandeadas como algo diferente do que realmente são: uma estratégia imperial abrangente, o General Petraeus (atualmente a comandar a CIA) diz-nos: “Temos de reconhecer também que não que vamos ganhar esta guerra. Penso que continuaremos a lutar. É um pouco como o Iraque, na verdade... Sim, tem havido enormes progressos no Iraque. Mas ainda existem ataques horríveis, e temos de continuar vigilantes. Temos de ficar depois de acontecerem. Este é o tipo de luta em que estamos para o resto das nossas vidas e provavelmente das vidas dos nossos filhos.” Assim fala a voz do poder soberano, determinando que, neste caso, a exceção é a regra.
Embora não concorde com a sua resposta, o filósofo alemão Jürgen Habermas colocou uma questão importante: 'Será que o universalismo que nós atribuímos aos direitos humanos apenas esconde um instrumento sutil e enganador da dominação ocidental?' 'Sutil' poderia ser apagado. As experiências nos territórios ocupados falam por si próprias. Dez anos de guerra contínua no Afeganistão, um impasse sangrento e brutal com um regime marionete e corrupto cujo presidente e sua família enchem os bolsos com ganhos duvidosos e um exército EUA/OTAN incapaz de derrotar os insurgentes.
Agora, estes atacam à vontade, assassinando o irmão corrupto de Karzai, acabando com os seus principais colaboradores e atingindo pessoal-chave da inteligência da OTAN via terrorismo suicida ou derrubando helicópteros. Entretanto, nos bastidores, sessões prolongadas de negociações entre os EUA e os neo-taliban têm ocorrido desde há vários anos. O objetivo revela desespero. A OTAN e Karzai estão desesperados por recrutar os taliban para um novo governo nacional.
Políticos conservadores e liberais euro-americanos que formam a estrutura das elites governantes e declaram acreditar em moderação, tolerância e fazer guerras para impor os mesmos valores nos Estados re-colonizados ainda estão cegos pela sua situação e não conseguem ver o que está escrito na parede. Não obstante a sua piedosa renúncia à violência terrorista, não têm problemas em defender a tortura, as prisões ilegais, o assassínio de indivíduos, estados de exceção ilegítimos para que possam prender qualquer um indefinidamente e sem julgamento. Entretanto, os bons cidadãos da Euro-América que se opõem às guerras feitas pelos seus governos evitam olhar para os mortos, feridos e órfãos do Iraque e do Afeganistão, da Líbia e do Paquistão... a lista continua a crescer.
A guerra – jus beli – é agora um instrumento legítimo conquanto seja usado com a aprovação dos EUA e de preferência usado pelas suas tropas. Hoje em dia, é apresentada como uma necessidade “humanitária”: um lado está ocupado a cometer crimes, o lado moralmente superior está simplesmente a administrar a punição necessária; e nega-se a soberania ao Estado a derrotar. A sua substituição é cautelosamente policiada tanto através de bases militares como através de uma combinação de ONGs e dinheiro. Esta colonização ou dominação do século XXI é auxiliada pelas redes midiáticas globais, um pilar essencial para conduzir operações políticas e militares.
Comecemos pela segurança interna nos EUA. Contrariamente ao que muitos liberais imaginavam em novembro de 2008, a degradação da cultura política americana continua rapidamente. Em vez de inverter a tendência, o advogado-presidente e a sua equipa aceleraram o processo. Houve mais deportações de imigrantes do que no mandato de Bush; poucos prisioneiros detidos sem julgamento foram libertados de Guantánamo, uma instituição que o advogado-presidente prometeu encerrar; o Patriot Act e o seu conteúdo sobre o que constitui um amigo ou inimigo foi renovado, começou uma nova guerra na Líbia sem a aprovação do Congresso, utilizando como desculpa o fato de os bombardeios sobre um Estado soberano não constituírem um ato hostil; os denunciadores estão a ser vigorosamente perseguidos e por aí adiante – a lista cresce a cada dia que passa.
A política e o poder apagam tudo o resto. Os liberais que ainda acreditam que a administração Bush transcendeu a lei enquanto que os Democratas são exemplo de conduta estão cegos pelo tribalismo político. Tirando a retórica de Obama, pouco divide esta administração da sua predecessora. Ignorem, por um momento, o poder dos políticos e dos propangadistas para impor os seus tabus e preconceitos sobre a sociedade americana em geral, um poder muitas vezes usado agressiva e vindicativamente para calar a oposição em qualquer lado – Bradley Manning, Thomas Drake (libertado após uma grande indignação dos média liberais), Julian Assange, Stephen Kim, que estão a ser tratados como criminosos, inimigos públicos, sabem melhor do que ninguém.
Nada mostra melhor esta degradação do que o assassinato de Osama Bin Laden em Abbotabad. Poderia ter sido capturado e levado a tribunal, mas essa nunca foi a intenção. O humor liberal foi espelhado pelos cântico ouvidos em Nova Iorque: U-S-A. U-S-A. Obama apanhou Osama. Obama apanhou Osama. Não podes derrotar-nos (aplausos). Não podes derrotar-nos. Linchem o Bin-Laden. Linchem o Bin Laden.
Isto foi repetido numa linguagem mais diplomática pelos líderes da Europa, parceiros júniores na família imperial das nações, incapaz de auto-determinação. Vênias e hipocrisia tornaram-se o cunho da cultura política.
Vejamos o exemplo da Líbia, o último caso da 'intervenção humanitária'. A intervenção EUA-OTAN na Líbia, com a cobertura do Conselho de Segurança das Nações Unidas, é parte de um resposta orquestrada para demonstrar apoio a um movimento contra um ditador em particular e assim terminar as rebeliões árabes, colocando-as sob controle ocidental, confiscando a sua impetuosidade e espontaneidade e tentando restaurar o status quo ante. Como é agora evidente, os britânicos e os franceses gabam-se do seu sucesso e que controlarão as reservas de petróleo líbias como pagamento de seis meses de campanha de bombardeamentos.
Entretanto, os aliados de Obama no mundo árabe prometeram trabalhar arduamente para implementar a democracia.
Os sauditas entraram no Bahrein, onde a população está a ser tiranizada e onde estão a acontecer prisões em larga escala. Isto não está a ser muito divulgado pela Al-Jazeera. Pergunto-me porquê? A estação parece ter sido posta na ordem e em sintonia com a política dos seus fundadores. Tudo isto com o apoio dos EUA. O déspota no Iêmen, odiado pela maioria do seu povo, continua a matá-los todos os dias através de controle remoto a partir da sua base saudita. Nem mesmo um embargo de armas, quando mais uma “zona de exclusão aérea” lhe é imposta.
A Líbia é mais um caso da vigilância seletiva pelos norte-americanos e pelos seus cães de ataque no Ocidente. O fato de os Verdes alemães, que estão entre os mais ardentes defensores europeus do neoliberalismo e da guerra, quererem fazer parte desta companhia revela mais sobre a sua própria evolução do que os méritos ou deméritos da intervenção.
As fronteiras do esquálido protetorado que o Oeste vai criar estão a ser decididas em Washington. Mesmo aqueles líbios que, em desespero, apoiaram o jatos da OTAN, poderão – como o seu equivalente iraquiano – arrepender-se.
Tudo isto desencadeará uma terceira fase a qualquer altura: uma crescente raiva nacionalista que chegará à Arábia Saudita e aí, sem dúvida, Washington fará tudo o que for necessário para manter a família real saudita no poder. Perder a Arábia Saudita significa perder todos os Estados do Golfo. O assalto à Líbia, fortemente ajudado pela imbecilidade de Khadafi em todas as frentes, foi desenhado para retirar a iniciativa das ruas, parecendo ser uma defesa dos direitos civis. Os bahreinianos, os egípcios, os tunisinos, os sauditas e os iemenitas não serão convencidos, e mesmo na Euro-America mais estão a opor-se a esta última aventura do que a apoiá-la. As lutas não estão terminadas.
O poeta alemão de século XIX Theodor Däubler, escreveu:
“O inimigo é a nossa questão encarnada
Ele perseguir-nos-á, e nós persegui-lo-emos com o mesmo propósito.”
O problema desta visão, hoje em dia, é que esta categoria de inimigo, determinada pelas necessidades políticas dos EUA, muda demasiadas vezes. Ontem Saddam e Khadafi eram amigos, regularmente ajudados pelas agências ocidentais de informações para lidar com os seus próprios inimigos. O último tornou-se amigo quando o primeiro se tornou inimigo. E assim continua a desordem mundial. O assassinato de Osama Bin Laden foi aplaudido pelos líderes Europeus como algo que faria do mundo um lugar mais seguro. Digam isso às fadas.
13/09/2011
A China se beneficiou do 11-S?
Washington segue imerso nas custosas guerras do Afeganistão (desde outubro de 2001) e do Iraque (desde março de 2003), ambas desatadas no marco da guerra global contra o terrorismo anunciada pelo ex-presidente Bush no momento seguinte ao 11-S. Tais guerras, não obstante, com vitórias duvidosas, permitiram aos EUA satisfazer também objetivos estratégicos importantes (a guerra do Iraque nada teve a ver com o 11-S por mais que esse fosse um dos principais argumentos oficiais para conseguir a aceitação da população estadunidense), reafirmando sua hegemonia global, que segue sendo indiscutível no plano militar, por mais que tenha minguado na ordem econômica. O enorme gasto em defesa (segundo o SIPRI o dos EUA em 2009 foi seis vezes maior que o da China) contribuiu para aumentar o déficit orçamentário e a dívida nacional, e não conseguiu mitigar novos desafios como o próprio ressurgimento do Irã como ator regional de peso.
No plano político-ideológico, os excessos que acompanharam a cruzada contra o terrorismo, com sua sequela de gravíssimas violações dos direitos humanos, não acabam de se dissipar, inclusive aós o relevo democrata na Casa Branca. O Presidente Obama, com uma linguagem bem diferente de seu antecessor, desencantou muitos por sua inconsequência em ações como o fechamento da prisão de Guantánamo, mas ele não derivou em um maior atrativo para a China, por mais que afirme impulsionar uma nova ordem política e econômica internacional de perfil incerto e em qualquer caso não antagônico com as tendências globalizadoras promovidas por Washington.
Na China, o corrido nos EUA serviu para chamar a atenção internacional sobre a gravidade do desafio que encara em Xinjiang, região autônoma onde a nacionalidade uigur multiplicou de modo constante suas ações violentas para contestar a política de Pequim, que relaciona o secessionismo uigur com a rede al-Qaeda. Mas se diria que não encontrou complacência especial, aumentando as críticas a sua política em matéria de direitos humanos, alertando sobre a extensão do qualificativo "terrorista" a simples manifestações de dissidência.
Em um contexto mais geral, o 11-S acelerou o processo em virtude do qual se abre passo a um cenário de coexistência global de diferentes centros de poder econômico. Essa evolução era previsível de modo igual, se bem que poderia se dar em um ritmo diferente. Por outro lado, provavelmente a crise financeira iniciada em 2008 assegure um protagonismo de maior alcance ao dedutível do 11-S. Os investimentos diretos chineses no exterior subiram em 2010 para 68 bilhões de dólares, superando pela primeira vez o Japão e o Reino Unido.
Dez anos depois, a China apresenta um perfil mais incisivo em sua política exterior e, muito especialmente, multiplicou sua presença e influência no sudeste asiático e no entorno regional imediato, eclipsando tanto a presença do Japão como dos EUA, ambos em uma retirada dificilmente evitável pese as promessas de Hillary Clinton de "voltar" à região se servindo para isso das tensões no mar da China meridional. Neste sentido, pode se dizer que a China aproveitou o desvio de atenção de Washington, mas também deveu ajustar sua política em relação com áreas-chave (como Ásia Central) onde os EUA, em virtude da guerra contra o terrorismo, elevou a uma presença de grande valor estratégico e que facilitava o cerco à China. É o caso da Ásia Central, região-chave não só pela energia, mas também pelo comércio ou a segurança, ansiando a China diversificar os riscos com corredores que lhe una com a Europa, sua principal sócia comercial.
O poder suave da China e suas capacidades militares e estratégicas também progrediram após o 11-S, mas não até o ponto de supor um desafio iminente para os EUA, especialmente no segundo, apesar deste seguir muito de perto sua evolução. Em qualquer caso, faria mal Pequim em sobre-estimar o debilitamento do Ocidente. É de supor que essa será uma das principais conclusões do atuar de sua diplomacia na Líbia.
A guerra contra o terrorismo brindou a Washington um argumento de difícil contestação e grande utilidade para conter a China, principal preocupação estratégica da Administração estadunidense então e agora. Mas os fatos vieram demonstrar que as enormes capacidades potenciais da China são muito difíceis de conter operando no exterior sobre aqueles fenômenos ou espaços que poderão dificultar seu processo. No final das contas, sua capacidade de resistência é equivalente ou superior, dadas suas dimensões territoriais ou demográficas e a intensidade e pluralidade de suas relações externas.
É sabido que a única forma verdadeiramente eficaz de impedir a consolidação da China como superpotência do século XXI consiste em quebrar seu processo interno, incidindo em sua desmembração territorial ou em sua soberania ou estabilidade política (em um país cujo PIB per capita ocupa a posição 105 em nível global e em 92 em desenvolvimento humano), ambos aspectos, apesar de tudo, de difícil execução, ao menos no momento.
11/06/2011
O valentão mais perigoso do mundo
Immanuel Walleresten aponta novos sinais do declínio dos Estados Unidos, e lamenta: Obama é poderoso apenas para fazer o mal
07/04/2011
A guerra como farsa, numa vila afegã
27/10/2010
Gorbachev: "a única soluçom no Afeganistám é a retirada"
O ex-presidente da URSS, Mijail Gorbachov. EFE ARCHIVO
Envelhecido, mas com a eleqüência de sempre, o ex-líder soviético, Mijail Gorbachev, assegura esta quarta-feira numha entrevista que é impossível que a NATO ganhe no Afeganistám. Por isso, recomenda ao presidente dos EUA, Barack Obama, que cumpra a sua palavra de retirar as tropas.
Num bate-papo com a BBC británica, Gorbachev insistiu: "é impossível ganhar a guerra do Afeganistám. Obama tem a razom ao retirar as tropas. Nom importa o difícil que resulte".
En una conversación con la BBC británica, Gorbachov insistió: "Es imposible ganar la guerra de Afganistán. Obama tiene la razón al retirar las tropas. No importa lo difícil que le resulte". Porém a sua visom tem umha leitura dupla. Gorbachev assegura que os EUA tenhem um problema no Afeganistám hoje porque enquanto "estavam de acordo com que nós chegaramos a um acordo baseado em que o Afeganistám devia ser um país neutral, democrático e ter boas relaçons com os seus vizinhos, eles treinavam os militantes que hoje estám sementando o caos".
Assim, que dalgumha maneira, Gorbachev culpa a Washington da situaçom actual. Um problema para o que a única soluçom é a retirada:" qual é que é a alternativa?, outro Vietname?, enviar meio milhom de tropas? Isso nom funcionará".
Putin e a democracia
Gorbachev nom se cortou um pelo em falar da Rússia de hoje e acusa a Vladimir Putin de seguir manejando os fios do país. Aliás, recalca que os russos perdêrom a liberdade que ganhárom com ele. "Estou muito preocupado. Estamos a metade de caminho entre um regimem totalitário e a liberdade. Há gente ainda que tem medo à democracia e preferiria um regimem totalitário. Porém há muitas cousas que mudar. Por exemplo, a gente nom pode ainda elegir os seus representantes locais".
Sobre Putin, Gorbachev acredita que fixo de todo "para acabar com a democracia e seguir no poder". Embora o ex-presidente vê certos gestos que indicam mais independência de Dmitri Medvédev. Isto nom é necessariamente bom, di Gorbachev: "umha divisom entre ambos apenas pode ser mao".