18/06/2013

Esquerda catalã finalmente unida na homenagem a Andreu Nin

Notícia tirada do Esquerda.net (aqui).

76 anos depois do sequestro do dirigente revolucionário do POUM, que viria a ser torturado e assassinado pelos estalinistas durante a Guerra Civil espanhola, a esquerda catalã uniu-se pela primeira vez numa homenagem prestada no parlamento da Catalunha.
76 anos e um dia depois do seu sequestro nas Ramblas de Barcelona, a que se seguiu uma campanha de calúnias ao seu nome, a esquerda catalã conseguiu juntar-se para homenagear Andreu Nin.
A iniciativa partiu da Fundação Andreu Nin, a partir da sugestão de um deputado da IC-EUiA e teve na assistência alguns veteranos da Guerra Civil espanhola integrados no Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), que se opunha à linha soviética e aos Processos de Moscovo. Depois da execução de Nin, atribuída a agentes enviados por Estaline, o partido foi alvo de uma campanha de calúnias, associando-o à colaboração com os nazis. Desde então, a história do POUM e da repressão que sofreu às mãos do Governo Republicano mantiveram-se como feridas abertas para a esquerda na Catalunha.
A sessão desta segunda-feira marca um virar de página na relação da esquerda com Nin. A presidente do Parlamento destacou a figura do dirigente político como homem de Governo - Andreu Nin foi responsável pela pasta da Justiça por alguns meses em 1936, tendo nomeado a única juíza que existiu na Catalunha até 1975. Segundo o publico.es, Oriol Amorós, da Esquerda Republicana Catalã, sublinhou a sua "defesa da autodeterminação dos povos de forma radicalmente marxista como o caminho mais justo para alcançar a liberdade nacional" e Quim Arrufat, da Candidatura de Unidade Popular,  também elogiou esse "vínculo indissolúvel entre emancipação social e nacional".
Da parte dos partidos herdeiros dos responsáveis pela repressão ao POUM, falou Joan Herrera, da IC-EUiA, que junta comunistas, ecossocialistas e o antigo PSUC, para além de outras correntes. "O debate entre guerra e revolução foi mal resolvido por excesso de intransigência", afirmou Herrera, admitindo que Andreu Nin foi "vítima da longa mão do estalinismo, mas também do PC e do PSUC da época". Foram palavras bem recebidas pelos organizadores da iniciativa, ao contrário das da porta-voz do PSC, Maurici Lucena, que não tocou em nenhum dos pontos difíceis que a memória de Nin levanta, preferindo elogiar a sua tradução de "Crime e Castigo" do russo para o catalão
Esta primeira homenagem a Nin numa instituição nacional, como lembrou o historiador Pelai Pagès, contou também com a presença de representantes de partidos extraparlamentares e das centrais sindicais UGT, CCOO e CGT. "A esquerda assina a paz consigo mesma unica e exclusivamente em torno destes atos. As discrepâncias programáticas continuam. Não sei se vale de muito que se ponham de acordo em elogiar Andreu Nin 76 anos depois da sua morte, se isso não servir para atualizar o seu pensamento e recuperar o muito que dele se aproveita para as abordagens revolucionárias de hoje", declarou ao publico.es Andy Durgan, colaborador do realizador Ken Loach no argumento do filme "Terra e Liberdade", que acompanha as milícias do POUM na Guerra Civil e a repressão estalinista que se seguiu
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