27/03/2014

Um voto nulo. Pela regeneração de ANOVA-IRMANDADE NACIONALISTA como o projeto da esquerda galega para o século XXI. A esquerda galega entre Quatro Mundos

Antom Fente Parada.

 

0.- Introdução

Finalmente, como é bem sabido, a militância de Anova decidiu em referendo apostar por integrar-se na candidatura estatal de Izquierda Unida por unha estreita margem de onze votos e a pesar do apoio do porta-voz nacional Xosé Manuel Beiras e das principais caras visíveis de Anova: Martiño Noriega, Antón Sánchez... Assim, liquidou-se a aposta pela Frente Ampla, que reiteradamente defendemos boa parte de Anova1, já que fora sancionada pela I AN de Anova-Irmandade Nacionalista e mais pela Coordenadora Nacional, máximo órgão interassemblear, nos passados meses de setembro e dezembro.

Na I AN de Anova, celebrada em 2013, aprovamos coletivamente como entendiamos a FRENTE AMPLA, algo que dificilmente pode conjugar-se com o resultado do referendo, pois plasmar-se-á na integração antes do que coligação de Anova em IU, enquanto outros atores semelha que sim vão conformar algo semelhante à frente ampla no Estado espanhol sendo em parte a expressão política do movimento 15-m (Compromís, Equo, Chunta, Podemos...) e com forças soberanistas e movimentos da esquerda estatal:
Anova considera que a proposta de frente ampla deve manter-se para outros âmbitos de atuação com o mesmo caráter com o que o fizemos no passado julho2: nacionalismo e à esquerda, com caráter não excluinte. A concreção da unidade de ação para distintos âmbitos não é apenas desejável que alargue o abano de colaboradores, mas também que poda resultar da configuração de alianças com atores distintos para diferentes âmbitos.

Igualmente, a CN eleita pela I AN aprovara por unanimidade em 14 de setembro apresentar-se às vindouras eleições de maio com um acordo que recolhia o seguinte:
a.- Fazer um chamado a todas as forças políticas galegas nacionalistas e da esquerda ruturista para dialogar e conformar um acordo de unidade de ação eleitoral para as eleições europeias sob a fórmula duma frente ampla não excluinte.
b.- Fazer um chamado às organizações políticas, e também às plataformas e organizações cívicas das outras nações, para que baixo o princípio do máximo respeito à auto-organização de cada uma das nações, constituam o seu sujeito político plural disposto a partilhar com nós numa coligação eleitoral, a luta pela fim do regime, a rutura democrática e a democracia real.

Aliás, fieis aos nossos princípios de democracia participativa e real a CN acordou, em 18 de janeiro e sem votos em contra, que fosse a militância a que tivesse a última palavra: tanto para a conformação do programa eleitoral de Anova, aprovado em Conferência Nacional o passado 2 de fevereiro – e que veremos como se respeita e integra na candidatura de IU onde o posto número 5 de Anova foi aprovado em Madrid–; quanto para a eleição em referendo das alianças, onde existiam três opções: não apresentar-se (como fizeram depois as CUP para evitar uma fratura interna, ou seja pelas suas condições subjetivas), apostar pela frente ampla até o final (o que requereria um posterior referendo para aprovar a aliança concreta resultante que hoje sabemos seria possível com atores da esquerda das nações sem estado e da esquerda espanhola –Chunta, Equo, Compromís e provavelmente Podemos e Partido X–), ou a opção mais conservadora de todas: integrar-se na candidatura da esquerda federal espanhola com a suposta certeza de termos “blindado” um parlamentar em Bruxelas. Esta última opção saiu triunfante, em boa medida pelo apoio do nosso porta-voz nacional mediante carta dirigida à militância dois dias antes do referendo.

O resultado do refendo produziu a saída de 10 pessoas da Permanente, entre elas o responsável de relações políticas, cujo trabalho foi desautorizado, e conhecendo-se logo que, nesses paradoxos que tem a nova cultura política da impostura, o peso das negociações com IU e Miguel Reneses – o representante mais genuíno da burocracia do PCE que controla IU– fora levado pelo próprio porta-voz nacional e, principalmente, pelo novo Coordenador da Permanente de Anova: Martiño Noriega. Desconhecemos quem ou que órgão colegiado o facultou para tal efeito, desde logo não foi o máximo órgão interassemblear e direção política de Anova: a CN. Além dalguma baixa que já se produziu, alguma de bons amigos, o resultado ajustado do referendo afundou na fratura de Anova e mesmo se ouviram vozes desde a FPG que qualificavam aos que apostaram pela opção da frente ampla como elementos “direitosos” que deveriam ir-se para o BNG ou para CxG3.

A isto engade-se que, embora os demissionários conseguissem finalmente aprovar que os candidatos ou candidatas de Anova se escolham em referendo (na CN do 8 de março); que na imprensa e por parte dos máximos referentes de Anova se apostasse por Lidia Senra como candidata, opção saudada por Espaço Ecossocialista e Esquerda Unida que também celebraram a decisão de Anova como uma reedição da marca eleitoral AGE, a pesar de que Equo não estará presente. Nem que dizer tem que Lídia é uma excelente candidata, embora não concorde nas formas da sua escolha nem em que até poucas horas antes de rematar o prazo (para postular-se como candidato qualquer militante de Anova) continuara sem conhecer-se o acordo exato com IU, quando o acordo da CN incluía a sua publicitação como um ponto essencial (sem votos em contra e com apenas 2 abstenções).
O acordo remetido à militância o dia 21 de março é, ao meu juízo, uma tentativa pouco sucedida de apresentar uma “candidatura galega”:
a.- Quando a CN do dia 8 decidiu apostar por um referendo para a escolha das e dos candidatos era de conhecimento geral que existiram negociações prévias ao referendo tanto na Galiza como em Madrid. No entanto, na CN, a direção política de Anova, não se informou de que ainda não existia nenhum acordo nem esta facultou em nenhum momento a nenhuma pessoa para, no nome da organização, desenvolver essas negociações. Portanto, na integração de Anova na candidatura de IU incumpriu-se algo tão elementar estatutariamente como que a CN é o máximo órgão interassemblear de Anova, junto à Comissão Ética e de Garantias, e a direção política da nossa organização. Se se incumpre algo tão básico como as regras comuns de que nos dotamos em assembleia nacional o corpo militante de Anova-Irmandade Nacionalista (e há segmentos que o levam fazendo desde a constituinte) está organização está ao borde da rutura e os seus princípios ético-políticos apodrecidos. 
 
b.- O acordo está assinado pela parte de Anova pelo companheiro Martiño Noriega Sánchez, em data tão serôdia como o 21 de março, e por Rubén Pérez como representante de Esquerda Unida. Esta tentativa de apresentar uma “candidatura galega”, para ocultar a integração numa listagem duma força estatal, óbvia que as negociações se estabeleceram previamente à data do acordo em Madrid, que o posto reservado a Anova (o número 5) foi aprovado por IU e não por EU quem deveria assinar o acordo com Anova como acontece com outros parceiros (ICV). Precisamente, a insistência de IU Aragón de gerir a incorporação da Chunta foi a que levou a esta a rachar a sua integração na candidatura de IU e a sua coligação com Equo e Compromís (frente à que semelha podem incorporar-se atores como Podemos ou o Partido X).
c.- Reconhece-se expressamente que Anova se integra – não é uma coligação- na candidatura de IU tal e como reflete o primeiro ponto do “acordo”: «Anova concorrerá no quinto posto da lista que Izquierda Unida Federal e outras formacións están a configurar», algo que subverte algo tão elementar como a soberania de Anova. Também é um bocado triste comprovar o trato que recebe a Galiza. Se ICV e Catalunya têm reservado o segundo posto a Anova não se lhe outorga senão o quinto. 
 
d.- A “candidatura galega” é insustentável porque a única candidatura é a de IU tal e como estabelece a legislação vigente (artigos 221 e 222 da LO 5/1985 do regime eleitoral): a candidatura ao parlamento europeu é única (a de IU) com independência de que na Galiza se apresente uma papeleta em que se incluam apenas alguns nomes dessa listagem.
e.- A “candidatura galega” conterá nomes de mulheres e homens propostos por Esquerda Unida, Anova e Espaço Ecossocialista, embora estes últimos não aparecem recolhidos no acordo remetido à militância, o que reforça o caráter de simulacro da “candidatura galega”.
f.- Acorda-se expressamente que a deputada ou o deputado de Anova integrar-se-á no Grupo parlamentar de Esquerda Unitária Europeia-Esquerda Verde Nórdica. Embora concorde no fundo com está adscrição trata-se, outra volta, de pejar a soberania das decisões de Anova e dum ponto acordado previamente em Madrid que se recolhe no simulacro galego4.

1.- A FRENTE AMPLA necessária que não foi... ou sim

Reiteramos, mais uma vez, que a frente ampla deve entender-se no ronsel histórico do frente único propugnado por Nin e no espírito das frentes populares do período de entre-guerras. Deve inserir-se na urgente necessidade da esquerda de superar a confusão entre unidade de ação (necessária) e unidade orgânica (impossível e empobrecedora das olhadas plurais que tudo processo transformador e de quebra democrática exige). 

Uma frente ampla que entendemos deve procurar-se e que, em nenhum caso, pode apresentar-se baixo o torna-chuvas dum partido central na constituição do regime do 78 (o PCE, partido-guia da frente federal espanhola IU), o que não quer dizer que não se deva fazer um esforço por integrar essa expressão da esquerda, assim como na Galiza não se pode prescindir da organização com um tecido social mais sólido: o BNG.

A FA para fortalecer uma alternativa pela esquerda, que iluda o eleitorado e conecte com as demandas exprimidas pelo movimento 15-m e outras expressões de indignação social, que deve converter-se em rebelião cívica transcendendo a sua liquidez. Apenas assim a quebra democrática no cenário estatal e europeu é possível, pois apenas desde a acumulação plural e em igualdade de condições se pode gerar um polo na esquerda que ponha freio à abstenção e à apatia de grande parte da cidadania que apenas beneficia os partidos dinásticos da II Restauração: PP, PSOE e UPyD, forças todas elas que partilham a ortodoxia ultraliberal em economia política.

Como demonstraram as experiência de América do Sul, uma esquerda incapaz de conjugar novas fórmulas e fechada nos seus debates internos foi a que permitiu a existência duma geração perdida e de década de retrocessos sociais e de hegemonia ultraliberal – e ainda de ditaduras militares-. A primeira reação viu da mão do EZLN e o movimento sapatista e uma década depois da mão do PSUV e Hugo Chávez em Venezuela. A experiência ensina-nos como uma sociedade civil fragmentada e instalada no medo, atomizada e com uma auto-organização muito febril é incapaz de fazer frente a uns poderes plutocráticos tremendamente hierárquicos, disciplinantes e organizados. A isto, engade-se que a esquerda europeia está desnortada na batalha das ideias (ainda na formação dos seus militantes), fundamentada na impostura e no individualismo (inoculado pela fase atual do modo de produção capitalista num grau extremo) e com fórmulas organizativas que tendem a uma liquidez que não favorece o mais urgente nesta altura histórica: a unidade de ação. 
 
A não concorrência das CUP, as especificidades do caso catalão que conduziram a ERC a concorrer em solitário, a pequena coligação Bildu-BNG que dificilmente obterá parlamentar nem contribuirá a frenar a imparável implosão do BNG, e a subversão na praxe da retórica da frente ampla desenvolvida por Anova ao integrar-se em IU; apresentam os sintomas mórbidos do pior da tradição da esquerda para que nasça o novo. Afinal, apenas gera ilusão – especialmente num eleitorado urbano e moço e na classe meia-alta – a coligação Equo-Compromís-Podemos-Partido X- Chunta Aragonesista, se bem ainda está no ar. Seja como for, o que se constata é que não se deram as condições, por irresponsabilidade das cúpulas dos partidos da esquerda, para deter a abstenção, esganar a maioria absoluta dos partidos dinásticos (sustentada não o esqueçamos pelo grosso da classe trabalhadora dos povos do Estado espanhol) e frenar a perda de fé da democracia da que se alimentam os monstros, neste tempo que Gramsci definia como o interregno entre o velho e o novo, o caos sistémico. Como nas postrimerias da bélle époque é tempo da burguesia enquanto a esquerda é incapaz de recompor-se. 
 
A irresponsabilidade das esquerdas do Estado espanhol alimenta a continuidade das políticas ultraliberais, alimenta a atomização social e, já que logo, reduz os mecanismos necessários para a retroalimentação da esquerda política e social e, em definitiva, a contestação social ainda muito minoritária e após a labareda efémera do 15-m debilitada. A cidadania segue sem olhar uma alternativa real e clara, o que perpetua a hegemonia dos partidos dinásticos e a política económica ao serviço do capitalismo oligopólico de amiguetes políticos5.

Todavia, a não existência em Eurolândia de soluções em apenas um estado ditamina que para mover os marcos seja necessária uma praxe real de frente ampla que, no entanto, tão pouco podemos pretender que seja única – dada a questão nacional dos diferentes povos com ou sem estado–, mas devemos ter em mente diferentes frentes amplas interligadas num mesmo combate que se coordenam e interatuam na praxe a diferentes níveis. 
 
A ausência de unidade (de ação) na diversidade (organizativa, ideológica e de horizontes estratégicos) conduz a que as esquerdas sejam incapazes de erguer uma alternativa que permita acumular forças através da praxe num duplo âmbito, que ao retroalimentar-se senta as condições subjetivas necessárias (a massa social necessária e a ação por volta dum programa de mínimos comuns e realistas) para a quebra democrática: como poder eleitoral e como poder social em ação.

Como poder eleitoral para acelerar a chegada de assembleias constituintes nos povos trabalhadores do Estado espanhol para a redação de novos marcos jurídicos socialistas e republicanos que apostem pela democracia radical, em que se insere o direito a decidir. Esta é a tradução programática final da única quebra democrática real. Como poder social, que alimente com propostas e praxe audaz às organizações políticas nas diferentes lutas setoriais, reconfigurando as relações realmente existentes de poder além das instituições e criando espaços para o mutualismo (assembleias de desempregados, cooperativas, centros sociais de massas...) e gerando, quando as condições estejam maduras uma maioria social para uma greve geral indefinida que permita passar à ofensiva a toda a classe trabalhadora.

De por parte, a decisão de Anova, em nossa opinião, não é apenas socialmente irresponsável, mas organicamente suicida já que os diferentes espaços e tempos necessários para que a sociedade civil erga um novo bloco histórico, exigem uma coordenação em pé de igualdade para não repetir os erros do pós-franquismo quando a correlação de forças longe de permitir uma rutura democrática sentou as bases para a Constituição de 1978 detendo toda transformação de calado e atafegando asinha a primavera enxergada pelos povos do Estado espanhol no tardofranquismo. Um cenário com certas concomitância no observado na Primavera árabe e que sublinha a incapacidade das classes meias – hoje dominantes nas direções políticas das esquerdas- para artelharem fórmulas sucedidas de rutura democrática6.

Anova caiu no erro de calibrar mal a dialética entre o desejável e o realmente existente, apostando por fazer duma marca eleitoral AGE uma fórmula fixa, ainda quando nem Equo está nessa formulação nem se verificou a incapacidade de artelhar uma frente ampla como Compromís, Equo, Chunta, Podemos e outros autores demonstram7. Assim, as certezas curtopracistas do eleitoral antepõem-se as necessidades políticas reais de transformação num beco sem saída, infelizmente também na análise de Xosé Manuel Beiras quem, no entanto, foi o único em fazer um exercício notável no plano ideológico de justificação da escolha de Anova, embora não podamos concordar em deslindar ou ainda priorizar a questão de classe da questão nacional ou viceversa. Nem partilho a teoria dos dois mundos no nacionalismo galega em que a UPG fechou a organização de massas da esquerda galega mais representativa nas últimas décadas, o BNG, nem a teoria dos quatro mundos que estão conformando as cúpulas da esquerda galega delapidando um capital político de décadas numa irresponsabilidade manifesta.

2.- Anova e o nacionalismo: a necessidade duma ferramenta independentista e socialista para a emancipação social e nacional do povo trabalhador galego

Cabe, pois, perguntar-nos pelo futuro imediato de Anova e sobre que podemos achegar as mulheres e homens que seguimos considerando que devemos ter a audácia de apostar pela frente ampla e clarificar duma vez se Anova quer ser uma ferramenta válida para isso ou apenas deseja enquistar-se em conformar uma sorte de ICV galega.

2.1.- A esquerda galega entre quatro mundos

Para podermos formular a metáfora dos quatro mundos no nacionalismo galego fazemos um pequeno percurso sobre a teoria original dos dois mundos, a teoria dos dois mundos no nacionalismo galego formulada por Xosé Manuel Beiras e, como curiosidade, a teoria dos três mundos de Mao Zedong. Se o leitor já conhece estas formulações clássicas pode prescindir dessas alinhas.

2.1.1- A teoria dos dois mundos na socialdemocracia alemã

Em 1871 Wilhem Liebknecht expunha por vez primeira, num discurso intitulado “Zu Schutz und Trutz” a tese dos dois mundos mutuamente excluintes. Precisamente a Crítica do Programa de Gotha de Karl Marx incide em três concessões que a minoria marxista teve com a maioria lasellana para conseguir unificar a socialdemocracia na SPD em 1875: o operismo, o estatismo e o seu escasso internacionalismo.

Era operista, que é aqui o pertinente para entender a teoria dos dois mundos, porque todas as classes eram consideradas reacionárias agás a classe trabalhadora o que excluia participar do mundo burguês e, já que logo, das suas instituições. Isto chocava com o exposto por Marx, por exemplo no Manifesto Comunista, onde se prestava atenção aos «estamentos médios» como necessários para que o proletariado pudesse desenvolver a sua revolução precisamente por uma proletarização destes estamentos, algo bem certo também na época atual.

No Congresso de Erfurt (1891) impõe-se a linha marxista sobre a lassalliana, mas nem o próprio Engels concorda muito com o programa – Marx já tinha morto em 1883– . A longo prazo constitui um erro estratégico de nefastas consequências para a esquerda, se bem também atingiu logros importantes como erguer um contra-poder do movimento operário numa sociedade civil hostil, retroalimentando o seu tecido social com o poder político local conquistado nas urnas. De fato, a SPD asinha atingiu um terço do eleitorado do III Reich erguendo-se como o principal partido do Reichstag8.

2.1.2- Da teoria dos dois mundos no nacionalismo galego ao nacionalismo galego entre quatro mundos
Xosé Manuel Beiras enunciou numa série de artigos que foram aparecendo no extinto jornal Galicia Hoxe, na sua etapa de porta-voz nacional do Encontro Irmandinho e como principal vozeiro da oposição interna ao centro político do BNG (conformado pela UPG, que controlava tanto a burocracia do bloque, quando o seu principal sindicato – a CIG-), a sua particular Doutrina dos dous mundos no nacionalismo galego. Artigos que merecem a pena ser lidos e dá a impressão que pouco assumidos ainda dentro do universo Anova.

Beiras afirma que «a actividade política do BNG deu en escorar máis a cada pouco cara o costado dunha prática institucional autonomista e análoga á usual nos partidos convencionais, nunha deriva que o arredaba do roteiro marcado polo seu proxecto xenuino e da cidadanía máis ilusionadamente identificada con il». E o hodierno porta-voz nacional de Anova engade:
un rol determinante a executoria do núcleo dirixente da UPG. En parte, coido eu, pola sua leitura pesimista do escenário político tanto intra coma extra-nacional -traducindo un comprensíbel "pesimismo da razón" nun improcedente "pesimismo da vontade"- e en parte, coido eu tamén, pola índole ideolóxico-política desa formación -unha deriva dos constructos M-L da que existen abondas mostras en diferentes contextos na historia do pasado século, na que a perda de referentes e o esluimento dos idearios matriciais confínannos na sua peculiar concepción dos aparellos de poder e o seu control, nunha sucesiva suplantación da clase revolucionaria polo seu partido, e diste pola sua cúpula. O primeiro factor conduciuna a unha estratexia defensiva de "terra queimada" e encastelamento nas cidadelas do territorio nacionalista, coa auto-proclamación como baluarte senlleiro do "patriotismo" dentro da frente e máis a conseguinte avaliación pexorativa do resto dos seus segmentos. O segundo impelíuna a tentar controlar o aparato orgaizativo da frente para acadar así o control da sua presencia e actuación na política institucional.
Assim pois, o centro do partido (tendência reforçada após Ámio quando tanto pela direita como pela esquerda o BNG sofre cisões) excluía qualquer relação com o campo não nacionalista isolando-se numa sociedade que era maioritariamente não nacionalista, quando não militantemente oposta ao nacionalismo e à esquerda. Assim, o anovador desenho frentista do BNG de 1982 convertia-se numa sucessão de círculos concêntricos com a organização m-l no centro como partido-guia e as restantes asas da frente patriótica como companheiros de viagem. 
 
Isto, cumpre explicitá-lo, já existia no BNG de 1982, ao menos essa era a vontade da UPG, e isso mesmo se deteta desde o começo em Anova por parte da FPG ou em AGE por parte de Esquerda Unida. As consequências disto rematarão em todos os casos por ser as mesmas:
De xeito que a estadea do ideoloxema dos "dous mundos” fixo outravolta reaparición. E nunha versión máis insidiosa e corrosiva, pois que operaba no interior do recinto da propria frente, corroía os vencellos da confianza recíproca indispensábel para manter a coesión entre os diversos sectores ideolóxicos, esmendrellaba o "proxecto común" e esgazaba o corpo militante en dous segmentos xerarquizados: o núcleo "patriótico" e "obreirista" constituído na sua cabeza, e o resto, progresivamente considerado e tratado como "fofo", inconsistente e só valedeiro para recibir, acatar e executar as direitrices e consignas transmitidas por un aparato verticalizado que a cabeza controlaba virtualmente en exclusiva. A supresión do dereito dos militantes de base a participaren direitamente, con voz e voto, nas asembleas nacionais da frente, púxolle o ramo ao proceso de de-construción do deseño fundacional do BNG baseado na democracia horizontal participativa -ou sexa, no principio da "fraternidade".

Aliás, não é difícil ver que se bem o BNG se manteve na sua particular versão dos dois mundos, em Anova foi-se perfilando por sua vez a sua própria teoria dos dois mundos. A asa direita cindida em Ámio, CxG, optou no plano ideológico por linha reformista de esquerda, mas manteve o velho dogma dos dois mundos: o mundo nacionalista e o mundo espanholista. Desde o começo, Anova, sem renunciar a aglutinar na unidade de ação a todo o nacionalismo, apostou por rachar com essa baliza pela conjuntura histórica ainda afirmando-se como
independentista. Porém disto falaremos noutra alinha.

2.1.3- A teoria dos três mundos e o quarto mundo
 
A teoria dos três mundos foi enunciada por Mao na RPCH. Em fevereiro de 1974 Mao expõe que:
Ao meu juízo, os EUA e a União Soviética constituem o primeiro mundo; forças intermédias como o Japão, Europa e Candá integram o segundo mundo, e nós formamos parte do terceiro. O terceiro mundo compreende uma grande população. Toda Ásia, exceto o Japão, pertence ao terceiro mundo; África inteira pertence também a este, e igualmente América Latina.

Como se pode observar esta teoria nada tem a ver com a doutrina dos dois mundos da SPD. Em 1921 Lenine afirmava «existem dois mundos: o velho, o capitalismo... e o novo mundo em ascenso...». Em 1919, Estaline afirma que «o mundo dividiu-se resoluta e irremediavelmente em dois campos: o campo do imperialismo e o campo do socialismo». Mao assenta a sua teoria em que, segundo ele, Lenine e Estaline nunca consideraram que não existissem outras contradições fundamentais no mundo e que fora impossível outra classificação das forças políticas mundiais. 9.

Já que logo, para o nosso propósito mencionamos apenas como anedota esta teoria, especialmente para os mais jovens que desconhecem em que consistem estas posições. Outras classificações denominavam Primeiro Mundo ao campo capitalista, Segundo Mundo ao campo do socialismo realmente existente, Terceiro Mundo aos estados pobres do campo capitalista e, por último, começou a circular posteriormente (na década de setenta) a etiqueta de Quarto Mundo referida aos contingentes pobres que residiam no Primeiro Mundo.

2.1.4.- A teoria dos quatro mundos no nacionalismo galego atual

Desde o começo em Anova a coligação técnica eleitoral ao parlamento galego foi entendida de dois jeitos: como meio para a acumulação de forças e como concreção da Frente Ampla não excluinte que Anova sempre defendeu, ou como fim em sim própria. A aliança com EU como uma fórmula fixa, embora ampliável. Esta segunda conceção foi a que, desde um princípio foi amparada pela FPG através da Posição Soto10, que marcou o horizonte estratégico da formação. A FPG tentou primeiro integrar-se no BNG sem sucesso em 1994 e nessa mesma década a já referida posição traduziu-se numa proposta de frente ampla que incluíra todo o espetro da esquerda do PSOE com presença na Galiza o que, começou, junto com Esquerda Unida em Cangas do Morraço (ACE).

No entanto, este novo estatismo – inverso ao existente no BNG– foi ganhando adetos, no que Beiras advertia como o perigo de morrer de êxito, pelos bons resultados colheitados nas eleições nacionais de 2012 e à FPG uniram-se outros setores de Anova, destacando-se a assembleia de Teu e referentes como Martiño Noriega ou o deputado Antón Sánchez (embora as concomitâncias com a FPG desta sensibilidade rematassem aí). Apresentaram-se como minoria na I AN e com um sistema de listagens abertas de voto limitado atingiram uma sobrerrepresentação na direção política (Coordenadora Nacional). Aliás, o giro estratégico camuflou-se por trás da luta contra um suposto “aparato” que sequestrava Anova, confundindo não apenas burocracia com aparato, mas também recorrendo a uma retórica que temos analisado noutro local como, quando menos, falta de rigor11.

Na I AN as duas tendências chegaram a uma solução intermédia na tese política nas alinhas sobre a Frente Ampla e AGE se bem era uma disputa fechada em falso. O referendo das europeias, com a adesão de Beiras dois dias antes do referendo em que por onze votos se impus a integração na candidatura de IU12, afiançou este giro estratégico propugnado pelo manifesto “Nós queremos AGE”13, se bem já era conhecido que um dos parceiros daquela coligação Equo não partilharia essa candidatura.

Porém, há uma sensível diferença entre a posição de Beiras e a do manifesto. A pesar de que na praxe a integração leva caminho de converter AGE numa fórmula fixa o porta-voz nacional segue-a apresentando como algo conjuntural perante a impossibilidade de artelhar uma frente ampla para o ensaio de quebra democrática, se bem a evolução das diferentes forças políticas aponta para a existência dalgo semelhante a isso na coligação Equo, Compromís, Chunta, Podemos, Partido X... e outras formações que recolheram o discurso do 15-m. Dizia Beiras:
A miña conclusión é que, infortunadamente, o escenario das europeas como 'ensaio xeral' dunha creba democrática co rexime español actual xa é ilusorio. Portanto, o enfoque cara unha alternativa de grande coalición rupturista con ese rexime carece de sentido. Compre sustituir ese enfoque polo do escenario europeu: o combate por unha Europa dos povos, dos cidadáns, e social (ou sexa, anti-troika). Ou sexa, Galiza como nación (suxeito político soberano) en Europa, navegándomos na corrente (que tende a ser maré) das esquerdas rupturistas europeas que nos recoñezan como povo/suxeito político de noso. O ámbito estatal só manten unha vistualidade: a derivada de ser 'a fortiori' unha 'circunscrición única' para as candidaturas ao Parlamento europeu que concurran nese ámbito. Doulle primacía ao factor 'esquerda rupturista' sobre o factor 'custión nacional', pero, ollo: mesmamente porque non albisco outra dinámica que non sexa a da esquerda rupturista para avanzarmos na emancipación nacional dun povo, como é o noso, que non ten hoxendía unha potencia endóxena de ofensiva cara a independencia análoga/comparábel á de Catalunya ou Euskalherría. Eis o eixo direicional da miña persoal aposta. A única condición indispensábel para unha alianza nese espazo e nesa direición é que os aliados (eleitorais) asuman e respeiten na prática a nosa condición de suxeito polìtico e que esa nosa índole resulte amostrada no escenario eleitoral. E o único vieiro que, dentro da circunscrición única estatal, me semella transitábel 'hic et nunc', ou sexa, eiquí e nestes intres, é o dunha coalición cunha IU que nos sirva para nos inserir no movemento das esquerdas europeas (dende Siryza a Linke, dende o Bloco de Esquerda e o PCP ao Front de Gauche) nas condicións xa eiqui reiteradas. Para iso non me serve a ALE-EFA (partido europeu e GP no Parlamento da UE dos que son membros o BNG, EA, ERC), porque o seu único denominador común é a custión nacional de cada quen, en absoluto teñen en común un ideario de esquerda e inda menos anti-troika.

Podemos então assinalar várias questões ao respeito:

a.- O cenário de “ensaio geral” duma quebra democrática apenas se vê arretrasado pela irresponsabilidade das direções das esquerdas e seguirá sendo ilusório enquanto a sociedade civil mais consciente não obrigue a compreender aos dirigentes das forças políticas a necessidade do que Andreu Nin denominava como frente único.
O exemplo de Podemos, Equo, Compromís et alii constata que era possível erguer uma alternativa eleitoral que gerara ilusão e detenha a abstenção na esquerda. A ausência duma alternativa assim, ou a ausência de Anova nessa alternativa, é duplamente grave: duma parte porque alimentará a sobrerrepresentação com que nestes momentos contam os partidos dinásticos e impede visualizar em amplas capas intermédias da cidadania visualizar uma alternativa clara aos partidos do regime da II Restauração bourbónica. Doutro lado, de finalmente conformar-se algo análogo ao proposto por Anova o fato de não ter-se incorporado Anova deixará a questão nacional num segundo plano e evitou a possibilidade de incorporar a outras forças do campo soberanista das nações sem estado a essa coligação eleitoral que se teria erguido em igualdade de condições como produto de termos claro a diferença entre a unidade de ação e a unidade orgânica. 
 
b.- Não faz sentido tão-pouco antepor agora o plano europeu do Estatal, como se a formulação da frente ampla não foram duas dimensões totalmente interligadas. De fato, no seu momento os defensores, até o final, da frente ampla defendemos a importância de concorrer nestas eleições, antes de mais, para termos uma caixa de ressonância da questão nacional e social galegas em Europa e para tecer alianças a nível europeu para transcender o marco europeu ultraliberal14.

c.- É absolutamente indecente assinalar qualquer paralelismo entre a listagem de IU e a Frente Popular do 36, porque apenas a frente ampla não excluinte pode (e apenas em certa medida) apresentar-se como algo análogo. E é também inexato fazer qualquer correlato com a decisão do PG de integrar-se na Frente Popular já que naquela altura fazia-se sobre um programa que incluia a conquista do Estatuto de Autonomia e, desta volta, a poucos dias de fechar o prazo para candidatar-se, nem a direção política de Anova nem muito menos a sua militância conhecia nada do acordo de integração na candidatura de IU nem até onde o programa aprovado em Conferência Nacional será respeitado, quando existe uma única candidatura estatal e, já que logo, um único programa para a concorrência eleitoral.

d.- E, por último, é tão insustentável este “giro estratégico” para uma ICV à galega através de AGE quanto a teoria dos dois mundos da UPG. É uma volta às teses de Otto Bauer e uma renúncia ao horizonte estratégico original de Anova, quando não é reeditar a divisão das Irmandades da Fala entre os que apostavam pela auto-organização, que remataria na gestação do PG em 1931, e os que preferiam a participação em forças políticas não nacionalistas, como a ORGA.
Porque nem num caso nem outro se entende que a relação entre a questão nacional e a questão social é dialética e inseparável. Muito mais ainda quando o grosso do soberanismo galego foi e é «esquerda ruturista», embora setores da FPG pretendam disfarçar o liquidacionismo como uma questão de confronto interna entre a esquerda e a direita revionista procedente do BNG, como se isso for um pecado original. Novamente, a nossa proposta punha o acento em garantir o direito a decidir a partir da construção duma frente ampla de âmbito de estatal que se artelhasse preferencialmente, em primeira instância, desde as nações sem estado próprio15.

Em resumo, transcender a doutrina dos dois mundos no nacionalismo galego não pode significar renunciar à frente ampla e substituir esta por uma fórmula fixa que, dada a situação do BNG, põe em perigo tudo o tecido contra-insitucional erguido durante décadas pelo nacionalismo galego e, finalmente, acentua a urgência da esquerda galega de voltar a sua ação ao reforço da sua implantação e de construir tecido social, fim ao que se deve orientar toda prática institucional. Afinal, ao imobilismo dos “dois mundos” do nacionalismo-espanholismo defendido pelo BNG, engade-se outra fórmula estática, igualmente perigosa para conquistar o horizonte estratégico e defendida por uma boa parte de Anova, e, por último, a perda de contingentes e da hegemonia entre a sociedade civil. O nosso quarto mundo, em fim, é a aposta irrenunciável pela unidade de ação desde a diversidade organizativa que apenas pode enxergar-se através duma frente ampla não excluinte no eleitoral a que, dada a irresponsabilidade das direções políticas do campo nacionalista, devem obrigar a formular as bases bases, a começar pela fraternal unidade de ação das mesmas. Assim, foi como na França se construi na década de 30 a Frente Popular que superou às direções dos partidos e à arroutada doutrina do social-fascismo defendida pelo Comitern.


2.2.- A Anova precisa como ferramenta de longue durée para o nacionalismo galego: frente ampla não excluinte, democracia interna e militância única

Na atualidade uma boa parte da militância de Anova não concorda com o “giro estratégico” dado pela organização e continua insistindo no horizonte estratégico original de Anova para a emancipação social e nacional da Galiza através da estratégia da Frente Ampla não excluinte que deve, antes de mais, favorecer a unidade de ação da esquerda galega.

A II Assembleia Nacional de Anova será, com certeza, provavelmente o ponto de inflexão definitivo para o que quer ser Anova-Irmandade Nacionalista: ou bem parte duma ICV à galega que faça da “marca eleitoral” AGE um fórmula fixa; ou bem um ferramenta de longa durée para o nacionalismo galego, um projeto de emancipação social e nacional para o século XXI onde:

a.- se mantenha a lealdade aos princípios originários de Anova e do denominado Novo Proxecto Común: socialismo democrático e soberanismo com o horizonte estratégico da emancipação social e nacional do povo galego, onde a questão de classe e a questão nacional interatuam dialecticamente na sociedade sem que poda primar um fator sobre o outro, porque seria fazer unha abstração anticientífica das contradições existentes no seio do povo trabalhador galego.

b.- se aposte decididamente pela militância única e exclusiva em Anova, pondo fim a um modelo de frente encoberta que apenas contribuiu para a eroo da fraternidade e para acentuar os interesses contrapostos dos diferentes aparatos partidários que operam à margem de Anova.

c.- se defina que o eleitoral seja apenas um ponto mais para dar cobertura à ação social .

d.- se clarifique a relação entre a soberania local das assembleias no seu âmbito e a soberania nacional da organização reforçando o emprego de referendos e regulando os supostos onde obrigatoriamente estes devam ser convocados, sem menoscabo de que podam celebrar-se para outros assuntos.

e.- Se recupere o projeto de frente ampla como estratégia para acumular forças e abrir processos constituintes na Galiza, no Estado e em Eurolândia. Os alvos da frente ampla devem ser: 1.- abrir processos constituintes fundamentados na democracia radical (incluindo o “direito a decidir”) e numa economia política ao serviço da maioria social; 2.- ter capacidade para determinar as políticas dos diferentes governos conformando um novo bloco histórico que reverta a hegemonia ultraliberal , 3.- promover políticas ativas de fraternidade entre os povos trabalhadores para tecer redes de luta internacionais, 4.-construir na sociedade civil redes de apoio mútuo como piar duma nova ordem social futura (fraternal). 
 
Todo o referido apenas poderá conquistar-se desde o respeito pelos acordos coletivos dos que nos dotamos e desde a observância dos princípios ético-políticos dos que nos dotamos. A subversão dos acordos e o não respeito das teses, do marco estatutário e dos acordos estabelecidos coletivamente, moeda comum durante a curta vida de Anova, tornam impossível que este poda ser um projeto comum e uma ferramenta de longue durée para o nacionalismo galego do século XXI. Estabelece mais uma vez uma divisão –cada passo mais clara– entre um núcleo estatista que, como uma aristocracia da militância, moldeia o pensamento coletivo de Anova e apresenta como único caminho possível o sofisma da AGE ampliável, como se esta for a única (ou ainda a mais desejável) formulação da frente ampla; e o resto de Anova que «não entende» porque precisa de mais tempo para poder assimilar as formulações dos que “pensam”16. Em definitiva, uma vanguarda e contingentes “fofos” que a acompanham e devem entender ou assimilar sem mais uma via liquidacionista do projeto originário de Anova, do horizonte estratégico histórico do nacionalismo galego moderno e ainda da auto-organização do povo trabalhador galego como conditio sine qua non para atingir a sua emancipação social e nacional. Repetir o erro de aguardar cartas outorgadas desde o Estado situa-nos no adro de repetir os erros e a derrota da esquerda ruturista e não resignada durante a conformação da II Restauração bourbónica. Apresentar IU como parceiro para a ruptura democrática e como elemento para a emergência duma nova cultura política e, por dizê-lo suavemente, obviar trinta anos de lições e experiências no conjunto do Estado espanhol e é situar a Anova ao borde da sua ruptura ou o que é pior: da sua metamorfose num projeto nas antípodas do horizonte para o que foi concebida e, já que logo, impossibilitando-a como ferramenta válida para a transformação e a emancipação social e nacional do povo trabalhador galego.

 
Galiza, 23 de março de 2014.



1Ricardo García Caneda e Antom Fente Parada (2014): “Que se joga a esquerda nas eleições europeias?” em À revolta entre a mocidade:

2Refere-se à Assembleia Constituinte de Anova-Irmandade Nacionalista celebrada o 14 de julho de 2012.

3Abalo, Mariano (2014): “Hay sectores que abandonaron el BNG, pero siguen atrapados en esa filosofía” em Faro de Vigo (28/02/2014): http://www.farodevigo.es/portada-o-morrazo/2014/02/28/hay-sectores-abandonaron-bng-siguen/975894.html O artigo produziu alguma resposta pública como a de Francisco Trigo “Carta a Mariano (o outro)” em Galicia Confidencial: http://www.galiciaconfidencial.com/nova/17985.html
 
4Por simulacro entenda-se a relação de dependência que estabelece Deleuze, como um sistema em que o diferente se relaciona com o diferente por meio da própria diferença. Se bem em rigor aqui não há nenhum sistema e apenas uma relação de dependência clara como a que Varoufakis sublinha quando afirma em O minotauro global que Alemanha e o resto de estados excedentários se converteram no simulacro do Minotauro global. Assim, por enquanto o Minotauro criava demanda para o resto do mundo – e é esta e não as empresas individuais as que geram emprego como no pseudodiscurso económico dos emprendedores– o seu simulacro deixava ao resto de Europa sem ela acentuando as relações de dependência. Essa mesma subordinação, e não uma relação entre iguais, é a que podemos assinalar para a integração de Anova na candidatura de IU, um simulacro em todas as suas dimensões que suplanta a aposta pela frente ampla.

5Domènech, Antoni (2012): “Un capitalismo oligopólico de amiguetes” em La Comunidad El País: http://lacomunidad.elpais.com/la-abadia-de-theleme/2012/6/18/las-castas-rectoras-del-parasitario-y-depredatorio-modelo-de
 
Fente Parada, Antom (2012): “A porta giratória no Estado espanhol” em À revolta entre a mocidade: http://revoltairmandinha.blogspot.com.es/2012/05/porta-giratoria-no-estado-espanhol.html
 
6Fente Parada, Antom (2011): “A primavera dos povos” em Altermundo: http://www.altermundo.org/a-primavera-dos-povos/
 
7Beiras Torrado, Xosé Manuel (2014): “Opinión e posición de X. M. Beiras para o referendum de Anova sobre eleicións europeas 2014” em Anova-Irmandade Nacionalista: http://www.anova-galiza.org/images/II.%20REFERENDUM%20ANOVA%20EL.%20EUROPEAS%20POSICIN%20XMB.pdf
 
8Para uma maior informação veja-se Domènech, Antoni (2004), El eclipse de la fraternidad. Una revisión republicana de la tradición socialista, Barcelona: Crítica, pp. 141 e ss.

9Todas as citações desta alinha estão tiradas de La Teoría del Presidente Mao sobre los tres mundos constituye una gran contribución al marxismo-leninismo”, disponível em file:///C:/Users/Ant%C3%B3n/Desktop/Leituras%20pendentes/Artigos%20marxismo%20e%20socialismo/Renmin%20Ribao%20-%20La%20Teor%C3%ADa%20del%20Presidente%20Mao%20sobre%20los%20Tres%20Mundos%20constituye%20una%20gran%20contribuci%C3%B3n%20al%20marxismo-leninismo%20(1977).pdf 
 
10Veja-se a “Posición Luís Soto” disponível no site da FPG: http://frentepopular.gl/?p=2004
 
11Fente Parada, Antom (2013): “Quê nova cultura política para qual nova esquerda” em À Revolta entre a mocidade: http://revoltairmandinha.blogspot.com.es/2013/12/que-nova-cultura-politica-para-qual.html
 
12“OPINIÓN E POSICIÓN DE X.M.BEIRAS PARA O REFERENDUM DE ANOVA SOBRE ELEICIÓNS EUROPEAS 2014” em Anova-Irmandade Nacionalista:


13“#NósQueremosAGE. Manifesto de apoio á opción 1 no referendo de Anova-IN para as europeas” em Anova-Irmandade Nacionalista: http://anova-galiza.org/images/I.%20NosQueremosAGE.pdf
 
14Ricardo García Caneda e Antom Fente Parada (2014): “Que se joga a esquerda nas eleições europeias?” em À revolta entre a mocidade:

15Novamente é Nin quem, como no caso do frente único, tem dentro da esquerda do Estado espanhol as achegas mais lúcidas sobre marxismo e questão nacional:
Nin, Andreu (1935), “Marxismo e questão nacional” em Marxist.org:
http://www.marxists.org/portugues/nin/1935/mes/marxismo.htm (especialmente a sua última epígrafe “O Proletário e a Questão nacional”).
Nin, Andreu (1935), “Els moviments d'emancipació nacional” em marxist.org:

16Beiras Torrado, Xosé Manuel (2014), “Asumo a crítica pero os meus argumentos non foron rebatidos” em La Voz de Galicia, 23-3-2014: http://www.lavozdegalicia.es/noticia/galicia/2014/03/23/xose-manuel-beiras-asumo-critica-os-meus-argumentos-non-foron-rebatidos/0003_201403G23P16993.htm
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