05/06/2013

Istambul: Retirada da polícia não para protestos

Notícia tirada do portal Esquerda.net (aqui).

Depois de dois dias de forte repressão policial no centro da cidade e das críticas contra o primeiro-ministro Erdogan, o Governo recuou e mandou sair os batalhões da Praça Taksim. A noite foi de festa para a população que ocupou a Praça, mas os confrontos continuaram noutros locais. 48 cidades manifestaram-se contra o Governo conservador este fim de semana.
Sempre sob uma nuvem de gás lacrimogéneo, a polícia tentou impedir que milhares de pessoas atravessassem a ponte do Bósforo em direção à Praça Taksim. Foto Occupy Gezi/Facebook
Segundo a Amnistia Internacional, a violência policial em várias cidades fez dois mortos e mais de mil feridos nos últimos dias. Fonte da Ordem dos Médicos da Turquia disse que só em Ancara se registaram pelo menos 414 feridos, 15 dos quais em estado grave. Os confrontos que se iniciaram por causa de um protesto contra a destruição do Parque Gezi, junto à Praça Taksim, transformaram-se num dos maiores movimentos de revolta contra o Governo de Taryiip Erdogan, no poder há mais de 10 anos.
No sábado, muitas dezenas de milhares de pessoas encheram completamente toda aquela área do centro de Istambul. Há um mês, o Governo proibiu a realização da manifestação do 1º de Maio naquela praça, mas agora é a praça que mobiliza a oposição às leis conservadoras do Governo, como a que recentemente foi apresentada para restringir a venda e consumo de bebidas alcoólicas. O centro da cidade ficou sob uma nuvem de gás lacrimogéneo, lançado por polícias mas também por helicópteros. Segundo relatos da imprensa internacional. muitos estabelecimentos e hotéis abriram as suas portas para os manifestantes conseguirem água e abrigo, mas em alguns casos a polícia disparou também latas de gás para dentro dos edifícios, bem como para as estações de metro.  
O anúncio da retirada da polícia foi recebido em festa na Praça, mas os confrontos alastraram a outros bairros de Istambul, tendo os mais graves ocorrido em Besiktas. Também a capital Ancara testemunhou a violência da repressão policial contra os manifestantes. Estudantes portugueses em Istambul confirmaram à RTP que o acesso às redes sociais como o Facebook ou o twitter esteve bloqueado e que apenas os canais de televisão internacionais passavam as imagens dos protestos em direto na televisão. O silêncio nos media terá sido um dos motivos para que a revolta dos manifestantes se virasse para os carros de exteriores das televisões.
Para além de encher as ruas durante o dia de sábado, o protesto continuou à noite para quem ficou em casa: enquanto cá fora a polícia perseguia manifestantes, muitos habitantes de Istambul vieram bater tachos e panelas à janela, apagando e acendendo as luzes de casa, criando um efeito espetacular, visível em toda a cidade. Durante a noite, centenas de manifestantes limparam a praça Taksim, palco dos mais violentos confrontos dos últimos dias, recolhendo milhares de latas de gás lacrimogéneo lançadas pela polícia.
"Esta violência excessiva mostra uma vez mais a intolerância deste Governo com a dissidência", disse ao Guardian Emma Sinclair-Webb, da Human Rights Watch, concluindo que a situação dos direitos humanos atingiu "novos mínimos" este fim de semana. Já no domingo, a polícia voltou a responder lançando gás lacrimogéneo sobre os manifestantes que se dirigiam para o gabinete do primeiro-ministro em Ancara.
Por seu lado, o governante acusa a oposição de estar por detrás dos protestos e promete não recuar no projeto de transformação da praça Taksim nem nas restantes leis que ameaçam as liberdades individuais. "Sé é para organizar manifestações, então quando eles juntarem 20 pessoas, eu vou juntar 200 mil. Onde eles juntarem 100 mil, eu mobilizarei um milhão de membros do meu partido", afirmou Tayyip Erdogan após as manifestações em 48 cidades turcas. Quase mil pessoas foram presas, de acordo com os dados do Ministério do Interior turco. 

Postar um comentário