Mostrando postagens com marcador Alejandro Nadal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alejandro Nadal. Mostrar todas as postagens

11/02/2014

Os tiburóns de Wall Street

Artigo de Alejandro Nadal tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por nós.

 

Na súa tentativa por mitigar os efectos da crise financeira mundial, a Reserva Federal adoptou unha postura de flexibilización monetaria desde 2008. Mantivo taxas de xuro próximas a cero e abriu un programa de compras de títulos do Tesouro estadunidense para inxectar liquidez ao sistema bancario e permitir o fluxo de crédito á economía. A realidade é que a inxección de liquidez mantivo vivo o sistema de pagos interbancario, mais eses recursos nunca atoparon o camiño do crédito aos consumidores e empresas. En troques si serviron para apontoar unha maior actividade especulativa dos bancos e outros axentes financeiros.

A política de manter a taxa de interese de referencia en niveis próximos a cero tivo como propósito inflar os prezos dos activos financeiros e xerar un espellismo de benestar da economía de Estados Unidos. A lóxica da Fed baixo a presidencia de Ben Bernanke era sinxela. Ao manter unha política de taxas de xuro próximas a cero, o banco central buscou orientar aos inversionistas cara a espazos máis rendíbeis, en especial cara aos títulos financeiros que se cotizan na bolsa de valores. Ese movemento provocaría un aumento nos prezos deses activos financeiros e accións. Á súa vez, ese incremento de prezos xeraría un efecto riqueza (ou polo menos a impresión dun efecto riqueza) nos participantes do mercado de valores. O aumento nos prezos de accións e outros títulos daría maior confianza aos empresarios e o investimento aumentaría. Ademais, ese efecto riqueza induciría un incremento no gasto dos consumidores porque aínda os que non posúen títulos financeiros percibirían aos aumentos do índice de cotizacións en bolsa como sinal de que os bos tempos están a regresar. A demanda agregada veríase estimulada, o investimento seguiríalle e a recesión ficaría atrás.

Porén, a postura da Reserva Federal ten un grande problema: consiste en fomentar a especulación e non o investimento na economía real. Para comprobar o anterior hai moitos exemplos, un dos máis interesantes é o das transaccións de alta velocidade. Esta modalidade do mercado financeiro leva a cabo de maneira automática por computadoras que compran e venden títulos ou divisas, cobrando unha moi pequena comisión en cada transacción. Como o volume de operacións é xigantesco, as ganancias son enormes.

No mercado financeiro mundial, mais en especial entre Nova York e Londres, unha boa computadora e un programa adecuado poden darlle a un especulador unha milésima de segundo de dianteira fronte ao resto da manada. Esa vantaxe pode ser suficiente para xerar unha marxe duns cuantos centavos, mais se a operación se realiza millóns de veces ao día, as ganancias alcanzarán as decenas de millóns. Por iso, non sorprende que do total de transaccións en Wall Street hoxe en día, ao redor de 60 por cento constitúen operacións de alta frecuencia ou alta velocidade. Até certo punto todo isto é normal, pois a especulación é a actividade principal nun casino, e niso converteuse desde fai moito o sistema financeiro mundial.

O problema adicional é que as transaccións de alta frecuencia son un poderoso elemento desestabilizador. Cando uns milisegundos de vantaxe representan centos de millóns de dólares de ganancias, a carreira gáñase con sistemas automáticos de grande velocidade. Por iso, hoxe as empresas máis rechamantes en Wall Street producen algoritmos que permiten identificar oportunidades especulativas a maior velocidade. Porén, eses algoritmos tamén son capaces de conducir un mercado financeiro nun voo en picada cando a especulación ordena vender activos nunha estampida. As computadoras e os seus programadores son tan racionais como calquera especulador de carne e óso: cando hai lume, a carreira cara á porta de saída é o máis racional. Porén, tamén é o máis catastrófico.

En 2010 realizáronse cuantiosos investimentos en infraestrutura para transaccións financeiras: trátase de poderosos servidores que procesan ditas operacións e os cables de fibra óptica que constitúen a rede mundial do sistema financeiro. Estamos a falar de dous mil millóns de dólares, sen contar o novo cable transatlántico que conecta Nova York e Londres e que reduciu nunhas cantas centésimas de segundo o lapso entre a recepción ou envío dunha orde de compravenda.

Porén, as quenllas demostraron ter certo gusto por morder os cables de fibra óptica. Estes depredadores chegaron a arrincar pedazos de cable, provocando danos cuxa reparación é moi custosa. Por suposto, aos operadores en Wall Street o que máis preocupa é o freo que isto impón nas operacións cotiás de alta velocidade. Din algúns biólogos mariños que quizais as quenllas son sensíbeis ás vibracións nestes cables porque se parecen ás dunha presa en dificultades. Se esa teoría é correcta, as quenllas si que saben recoñecer aos seus pares en Wall Street.

30/12/2013

Reforma económica e socialismo na China

Alejandro Nadal, membro do conselho editorial de SinPermiso. Artigo publicado originariamente em La Jornada (27-11-2013) tirado por nós de SinPermiso (aqui), desde onde foi traduzido por À revolta entre a mocidade.


O terceiro pleno do XVIII congresso do Partido Comunista chinês será recordado sempre pela nova onda de reformas económicas que aprovou. Esta nova série de reformas é comparável às que introduziu o partido em 1979 baixo a autoridade do então primeiro secretário Deng Xiaoping. Aquelas transformações abriram as portas do espaço económico chinês ao investimento estrangeiro orientada para o mercado internacional. As reformas desta sessão plenária têm objetivos diferentes.

As reformas de 1979 estabeleceram uma mistura de regulação através de planos quinquenais e do mercado que procurava chegar a algo que poderia se descrever como "socialismo de mercado". As reformas concentraram-se em transformações nas empresas do Estado, mudanças na operação das finanças, os impostos, a determinação de preços e o comércio exterior. Para as empresas públicas introduziram-se mudanças em matéria de retenção de utilidades, bónus de desempenho económico e excedentes por acima das quotas afixadas nos planos quinquenais. A partir de 1984-86 a transferência de utilidades foi substituída com impostos sobre os ganhos e muitas empresas públicas puderam começar a vender os seus excedentes (sobre as quotas dos planos quinquenais) no mercado livre. Entre 1987-92 introduziu-se um novo sistema de contratos de responsabilidade e em 1993 outorgou-se às empresas públicas uma maior categoria de autonomia. A cultura de desempenho económico foi interiorizada a todo o longo da hierarquia das empresas públicas e o emprego de orçamentos internos generalizou-se.

Outro grupo de reformas permitiu o investimento estrangeiro direta (IED) em múltiplos ramos da indústria. Mas a IED esteve orientada primordialmente para o mercado externo e só uma fração da produção se pôde dirigir para o mercado doméstico. As zonas económicas exclusivas converteram-se em um local de intercâmbio de tecnologia por mão de obra barata. Neste gigantesco esquema de divisão internacional de trabalho China conseguiu adquirir uma enorme base exportadora em muito pouco tempo, enquanto as corporações ocidentais (em especial, estadunidenses) forneceram-se de uma enorme dotação de mão de obra barata e assim puderam escapar das restrições que vinham experimentando nas suas próprias economias. A desindustrialização em boa parte dos Estados Unidos e algo da Europa é consequência deste processo.

Hoje as mudanças que se vêem no horizonte são bem mais profundas. Trata-se de abrir o mercado doméstico ao investimento estrangeiro. Isto implica uma transformação radical na economia que se vem em cima a grande velocidade. China e a União Europeia estão em negociações sobre um possível acordo bilateral de investimentos. As reformas também seriam uma resposta de Pequim ao acordo-transpacífico que promove os Estados Unidos.

Aqui neste Pequim gelado todos sabem que a primeira onda de reformas esteve relacionada com as mudanças que não era difícil levar a cabo e para os quais não tinha demasiada oposição. Hoje as reformas dirigidas a abrir o mercado doméstico serão mais difíceis de instrumentar. As empresas públicas que operam na economia chinesa terão que enfrentar a concorrência de empresas estrangeiras e das suas subsidiarias. Aqui é onde as coisas pôr-se-ão complicadas: terá ajustes e ramos inteiros desaparecerão. Na China há muitas indústrias crepusculares que estão sentadas em barreiras artificiais que lhes brindam proteção, mas tão cedo entre a concorrência derrubar-se-ão como casoupas de três paus. Também é provável que o comité de reformas no PCCh promova a privatização de várias indústrias e até obras de infraestrutura.

O outro grande setor que será impactado pelas reformas é o financeiro. O saneamento dos bancos é uma tarefa urgente para enfrentar a mudança estrutural que levar-se-á a cabo. Ademais, a liberalização da conta de capital é indispensável se Beijing quer projetar o renminbi como moeda de reserva a escala global. Nos últimos anos Pequim multiplicou os seus acordos de swaps de divisas com numerosos países, sinal inequívoca de que a hierarquia está consciente da transformação que se está a operar na economia mundial. Todo isso requer de uma reforma financeira mais profunda como parte da desregulamentação do sistema financeiro que agora se anuncia com maior força. Mas o capital financeiro pode converter em um dragão que nem sequer China consiga controlar.

Se a primeira onda de reformas ofereceu às companhias trasnacionais mão de obra barata em oferta quase ilimitada, a segunda onda promete entregar ademais um mercado gigantesco
. Deng Xiaoping, um dos principais arquitetos das reformas económicas na China, afirmou em uma ocasião que a pobreza não é o socialismo. A hierarquia do Partido Comunista chinês deverá vigiar que a via capitalista baixo o neoliberalismo não termine por devorar o que fique do caminho chinês para o socialismo.

18/11/2013

Cando perdura a crise na Eurozona

Alejandro Nadal. Artigo tirado de Sin Permiso (aqui) e traduzido por À Revolta entre a mocidade.

 

Nos últimos meses instalouse unha sensación peculiar sobre a crise en Europa. A pesar dos terríbeis niveis de desemprego, do esborralle na demanda agregada e de taxas de crecemento anémicas nos países da eurozona, agora predomina a impresión de que entrou nunha fase de recuperación. Tal parecería que o neoliberalismo merece salvarse: as súas receitas fronte á crise tiveron bo resultado.

Por todos lados aparecen "sinais" de que o peor da crise pasou. O indicador máis socorrido é a redución do superávit primario (gasto público sen contar as cargas financeiras) en case todos os países membros da zona euro. No caso de Grecia e Italia até se ten unha proxección para 2014 dun superávit primario equivalente a 2.35 por cento do PIB.

Outro resultado que é exhibido como proba da recuperación é o da estabilidade dos mercados financeiros. Dise que esta é o principal resultado da decisión do BCE de intervir na compra de bonos no mercado secundario desde 2011. Pero o indicador que se considera máis robusto é o do crecemento. Segundo os prognósticos da Comisión Europea os países da eurozona mostrarán un crecemento agregado de 1.1 por cento en 2014 (despois de caer 0.4 por cento en 2013).

O corolario deste conxunto de "bos" resultados é que as receitas impostas pola troika (Bruxelas, o FMI e o Banco Central Europeo). É dicir, a austeridade e a condicionalidade si funcionan, como di Ollie Rehn, comisionado europeo de asuntos económicos e monetarios.

É certo que a crise na eurozona terminou? A resposta é negativa. O regreso a taxas de crecemento anémicas non pode interpretarse como recuperación. Eses niveis de actividade denotan unha grande fraxilidade e non deben disfrazar a delicada situación na que se atopan os bancos europeos. Un crecemento de 1.1 por cento non permitirá reverter a catástrofe social que hoxe sofre a eurozona.

En 2014 o desemprego permanecerá en 12.2 por cento. En Grecia e España a desocupación alcanza 27.5 e 26 por cento, respectivamente, mentres que en Portugal e Italia ese indicador pasa 16 e 12.5 por cento, respectivamente. A magnitude do desastre apréciase mellor ao considerar o desemprego entre os mozos: en Grecia, España e Italia alcanza 58, 56 e 41 por cento, respectivamente.

E que hai dos indicadores sobre débeda? Todos os países que aplicaron as receitas de austeridade fiscal experimentaron un aumento espectacular na súa débeda como proporción do PIB. É dicir, os países que lograron reducir o seu déficit primario sufriron o incremento deste coeficiente débeda/PIB. Ou sexa que a austeridade fiscal e a condicionalidade serviron para agravar o problema da débeda pública na eurozona. O mellor exemplo é Grecia, que tiña un coeficiente débeda/PIB de 120 por cento ao iniciarse a crise e hoxe ese coeficiente pasa 170 por cento. O saldo de todo isto é claro: para poder pagar esa débeda os países da periferia terían que xerar un altísimo superávit primario durante as próximas dúas décadas. Iso significa deixar atrás os seus investimentos en materia de saúde, educación, vivenda e infraestrutura. En síntese, a débeda é impágabel.

Como interpretar todo isto? As políticas de austeridade aplicáronse nun contexto de grande desendebedamento do sector privado e das familias. A única maneira de manter niveis adecuados de actividade sería mantendo un forte superávit na balanza comercial. O problema é que o resto do mundo non pode funcionarlle a Europa como unha especie de demanda agregada substituta porque a economía mundial tamén se atopa nunha situación de grande fraxilidade.

A arquitectura da unión monetaria, marcada polas dogmas do neoliberalismo, contén vicios de orixe que deberán ser emendados para que sobreviva a eurozona. A eurozona non poderá sobrevivir sen cambios significativos na arquitectura dos acordos que conduciron á unión monetaria.

Entre as reformas máis urxentes atópase a introdución dun euro-tesouraría que permitise reconectar a política fiscal coa política monetaria. Isto permitiría financiar o investimento público de maneira estable, quitarlle o poder que hoxe teñen as axencias calificadoras e proporcionar un estímulo ás economías máis necesitadas da eurozona para comezar a saír do marasmo no que se atopan. Este tipo de reformas deberían ir acompañadas dun forte impulso ás políticas de redistribución do ingreso para xerar maior estabilidade na demanda agregada.

Quizais o cambio máis importante é reverter a tendencia a expropiarlle aos pobos de Europa a capacidade de decidir sobre o futuro das súas economías. Hoxe vemos unha situación en que as facultades soberanas dos gobernos europeos en materia económica están concentradas en organismos que non responden o acordo das maiorías nun proceso democrático ou electoral.

12/05/2013

Desigualdade, tecnoloxía e fame de mais-valor

Alejandro Nadal. Artigo tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por À revolta entre a mocidade.





Un dos factores determinantes da actual crise é a desigualdade económica que creceu no mundo no últimas catro décadas. O estancamento nos salarios conduciu ao endebedamento insustentábel dos fogares para manter o nivel de consumo. Así e con burbullas especulativas sostívose a demanda agregada e o proceso de acumulación de capital. Porén esa modalidade de crecemento económico acompañouse dunha inestabilidade crecente nas principais economías capitalistas.

En vista do anterior, unha pregunta chave concerne as causas dese aumento da desigualdade. No medio académico convencional pretendeuse atopar no cambio tecnolóxico a causa desta desigualdade crecente. Esta explicación di que as innovacións introducidas nas últimas décadas substituíron o traballo pouco cualificado con máquinas. Isto tivo un duplo efecto. Desvalorizou o traballo pouco cualificado e reduciu as oportunidades de emprego deses traballadores na escala inferior de remuneracións. Por outra banda, incrementouse a recompensa daqueles traballadores de maior cualificación. Así, como os traballadores menos cualificados non poden adquirir a capacidade técnica de maneira rápida e, ademais, hai menos oportunidades de emprego nos niveis superiores da escala, o cambio tecnolóxico transformou a escala de salarios e promoveu a desigualdade nos últimos decenios.

Esta narrativa séntalle ben á ideoloxía neoliberal. A desigualdade sería un efecto colateral ou accidental das transformacións na base produtiva das sociedades. Non sería a política económica perversa a que está na orixe do problema, senón un proceso natural de cambio técnico. Noutras palabras, estamos fronte a unha explicación politicamente neutra, moi lonxe de temas escabrosos como a ofensiva en contra dos sindicatos que dominou a política social e económica desde hai décadas.

Esta explicación sobre as orixes da desigualdade atópase en moitas investigacións, tanto do mundo académico, como de organizacións promotoras do neoliberalismo. Por exemplo, a OCDE realizou unha investigación na que se conclúe que o "progreso" tecnolóxico trouxo maiores recompensas para os traballadores máis cualificados que para os menos preparados. Segundo a OCDE o proceso de innovacións afectou a estrutura dos salarios entre os traballadores. Ou para dicilo doutro xeito, a principal conclusión da OCDE é que o cambio técnico afectou a desigualdade entre traballadores.

O tema da distribución funcional do ingreso, é dicir, entre traballadores e capitalistas, é tocado só tanxencialmente neste tipo de estudos. Iso é realmente sorprendente se se considera que a participación dos salarios no ingreso nacional sufriu unha redución significativa nas últimas décadas. Pero ese tema está cargado de implicacións políticas e para os economistas neoclásicos é mellor deixalo de lado.

Recorrer á tecnoloxía para explicar a desigualdade ao interior da clase traballadora permite eludir o tema do impacto da política macroeconómica sobre a distribución do ingreso. Así se evita falar sobre como a prioridade da "estabilidade de prezos" (loita contra a inflación) traduciuse nunha postura de contracción fiscal e estancamento.

Quizais o elemento de política macroeconómica que máis impacto tivo sobre a mala distribución do ingreso é o da política de ingresos. A represión salarial foi unha peza chave para conter a demanda agregada e frear así o que o capital financeiro considera a ameaza da inflación. Con todo, os estudos como o da OCDE non conteñen unha discusión seria sobre este tema. Non debe sorprendernos: para a OCDE ou o Banco Mundial a política macroeconómica e os seus instrumentos non debe estar nunca a debate. Isto permite relegar a un segundo plano a análise da distribución do ingreso entre a clase capitalista e os traballadores.

Os estudos que atopan no cambio técnico a principal explicación da desigualdade adoecen de moitos defectos. Na súa versión máis extrema (como nos traballos de Daron Acemoglu, preténdese atopar un proceso de cambio técnico dirixido. Hai décadas foi abandonada a pretensión de explicar o cambio técnico a través de variacións nos prezos relativos por falta de bases teóricas. Hoxe volve renacer ese proxecto, esquecendo as vellas críticas, para explicar a desigualdade como resultado dun proxecto politicamente neutral.

Se a tecnoloxía está relacionada coa historia da desigualdade, debemos entón volver a mirada cara a Marx. O capitalismo está marcado por unha tendencia constante a aumentar a produtividade. É a fame de plusvalía o que impulsa ao capitalismo a estar a innovar constantemente. E iso non só ten un impacto sobre a desigualdade e a distribución funcional do ingreso. Tamén ten profundas consecuencias macroeconómicas que están na raíz da actual crise global.

31/05/2012

O ideario ultraliberal na era da supercharía

Alejandro Nadal. Artigo tirado de SinPermiso (aquí).



A crise en Europa atravesou varias etapas e agora chegou a fase da discusión política. É a fase que máis temen o establishment, o sistema bancario e as grandes corporacións e centros de poder. Nótase na imprensa internacional de negocios. Esta é a etapa máis importante porque nela ábrese a controversia política e os pobos comezan a deliberar sobre o seu futuro. Recuperan a palabra, a conciencia histórica e pensan o seu destino. Ao poder estabelecido repúgnalle este momento democrático e buscará distorsionarlo e corrompelo de mil maneiras.

Cando a crise comezou co colapso inmobiliario en Estados Unidos, a economía europea foi a primeira en sufrir a aguillada. A bursatilización de activos tóxicos estadounidenses fora o medio de contaxio no sistema bancario e financeiro europeo. O primeiro síntoma foi o colapso dos bancos BNP Paribas (setembro 2007) e Northern Rock (nacionalizado en febreiro 2008). O conxelamento no mercado de diñeiro interbancario fixo o demais: a correa de transmisión conduciu a unha caída no investimento e a demanda final. A corrosión no sector financeiro foi seguida dun freo na actividade da economía real (non financeira).

A segunda fase da crise arrinca coa caída no nivel de actividade e a redución nos ingresos tributarios. Ao mesmo tempo, a coordinación no seo do G-20 levou a un aumento no gasto público para estimular a economía e mitigar o efecto da caída na demanda agregada. A contracción nos ingresos tributarios e a expansión no gasto público combináronse para incrementar fortemente o déficit fiscal. E como a arquitectura da unión monetaria impide ao Banco central europeo (BCE) financiar aos gobernos da zona euro, non quedou máis remedio que acudir aos mercados financeiros, en cuxas augas as quenllas están cebadas. Por iso esta segunda etapa da crise preséntase para moitos como unha crise de endebedamento dos gobernos. Pero esa non é a súa verdadeira natureza.

A evolución da crise non é lineal. As diversas caras da crise coexisten: a nacionalización de Bankia no Estado español confirma que o sistema bancario en Europa está danado e terá que seguir en coidados intensivos. A primeira fase da crise non pasou en balde, e a austeridade non só non arranxa nada senón que agrava as cousas. A restrición fiscal xa conduciu á recesión e agora vén a mobilización política para evitar que os danos magoen á poboación europea.

Moito se escribiu sobre o triste estado da teoría económica convencional. Non puido prever a crise porque é esencialmente un discurso ideolóxico e para facer a apología do réxime ultraliberal o que menos se quería era falar da inestabilidade intrínseca do capitalismo. Confrontada co fenómeno do desemprego esa mesma teoría estándar sempre insistiu en que a culpa a tiñan os sindicatos e calquera forma de protección laboral. É o mito da rixidez de prezos que segue sendo a arma predilecta de propaganda política ultraliberal. Por iso, pasada a primeira sorpresa os portavoces do poder ultraliberal recuperaron a iniciativa e relanzaron o seu discurso en contra do gasto público e a favor das reformas estruturais. O ultraliberalismo recoñeceu rápido a oportunidade para unha nova guerra contra o estado de benestar. O contrasinal nesta nova ofensiva é a palabra austeridade.

Os economistas saben desde hai moito tempo que aplicar un réxime de austeridade nunha contracción económica é a mellor receita para afundir unha economía nunha depresión. Porén aquí non importa que o diagnóstico sexa equivocado e que a menciña da austeridade estexa contraindicado. Os poderes na Unión Europea, no BCE e no Fondo monetario internacional (FMI) só pensan en rescatar o programa ultraliberal. O castigo contra os pobos dos estados grego, español, portugués e italiano mostra claramente a natureza podrecida do seu proxecto. Aos poderes estabelecidos non lles interesa a democracia, nin os cidadáns da Unión Europea. O pobo é material gastábeñ porque o único que conta neste momento é salvar o proxecto ultraliberal.

De face ás eleccións do 17 de xuño, Alexis Tsipras, dirixente da formación de esquerda radical Syriza, ten razón ao sinalar que o fundamento de Europa é a democracia e a solidariedade, non un pacto organizado ao redor das dogmas da austeridade fiscal e a estabilidade de prezos. Non hai que equivocarse, esta é a crise dun modelo económico baseado na especulación e a explotación, non a crise do estado de benestar. A lucidez dos pobos acabará coa andrómena ultraliberal. A moeda única debe ter outro fundamento e, en todo caso, non se vai a salvar coa dogma da austeridade ultraliberal e a destrución do estado de benestar en Europa. En América e en Europa, unha nova economía debe construírse sobre as ruínas do proxecto ultraliberal.


09/05/2012

Europa: austeridade, recesión e crise bancaria.

Alejandro Nadal. Artigo tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por Revolta Irmandiña.



España afúndese de novo na recesión. É o último golpe á economía europea no que promete ser unha longa cadea de malas noticias. A crise nunca se foi.

O anuncio sobre a recaída do PIB fíxoo o Instituto Nacional de Estatística: a economía española contraeuse 0.3 por cento durante o primeiro trimestre deste ano (ver detalles en www.ine.es). No último trimestre do 2011 o retroceso tamén foi de 0.3 por cento: a economía española entrou xa oficialmente na súa segunda recesión en tan só vinte e catro meses.

En 2008 a economía española comezou a súa primeira contracción: a evolución do PIB pasou dunha taxa de crecemento anualizada de 2.8 por cento a unha taxa de -4.8 por cento a mediados de 2009. Por un momento algúns pensaron que a crise tocara fondo. En xullo dese ano o PIB comezou a saír da fochanca e creceu a unha taxa de 1 por cento a mediados do 2011. Aí reiniciou a declinación até chegar a esta segunda recaída: é a recesión en forma de W. E os prognósticos non son bos para os próximos dous anos: para 2012 e 2013 prevense contraccións de 1.5 por cento e 0.5 por cento respectivamente.

Decididamente algo anda moi mal con esta crise. Alguén dixo que quizais a súa gravidade foi subestimada, ou quizais a resposta de política económica foi equivocada. Creo que son ambas as cousas. Porén o único xogo que se practica en Europa é a austeridade. Como a aritmética non mente, mañá o panorama será máis escuro.

O desemprego en España case alcanza o 25 por cento. É o nivel máis elevado en dezaoito anos e coloca a máis de 5.6 millóns de persoas no paro. En catro das rexións autónomas o nivel de desemprego é superior a 30 por cento, e a nivel nacional o paro en menores de vinte e cinco anos é 52 por cento. Iso non parece preocupar ao goberno do señor Rajoy. O seu severo plan de austeridade certamente vai agravar esta triste paisaxe no mercado laboral.

O seu cerebro non dá para entender que iso traerá aparelladas outras dificultades macroeconómicas nun feroz círculo vicioso.

A primeira consecuencia da nova recesión será unha caída na recadación. Iso fará máis difícil alcanzar as metas de redución do déficit que xa se tiveron que modificar. Os "mercados" financeiros non van a titubear en baixar o grao de calificación sobre a débeda española, o que incrementará o custo do refinanciamiento. O goberno deu sinais de querer incrementar o imposto ao valor agregado, ademais de manter firmes os seus recortes salariais e golpes ás pensións, o que representa un novo azoute á xa débil demanda dos consumidores.

Unha segunda consecuencia da contracción é a diminución na capacidade de pago das débedas que xa cargan os fogares españois. Isto xa se observa no aumento da carteira vencida de préstamos, en especial de hipotecas, e iso supón que nalgún momento o goberno español terá que intervir para rescatar aos bancos.

A semana pasada as axencias calificadoras mostraron o que saben facer, denunciar con alarma as posibilidades de falta de pagamento para escorrentar o espectro dunha restructuración de débedas (aínda que en Grecia saíulles o tiro pola culata). Standard & Poor's reduciu a cualificación sobre a débeda soberana de curto e longo prazo do Reino de España. A axencia explicou a medida pola deterioración na traxectoria do déficit para o período 2011-2015, así como pola probabilidade de que o goberno interveña para axudar a un sector bancario en dificultades. Algúns analistas colocan o monto da "axuda" que necesitará o sector bancario nun 120 mil millóns de euros para este ano.

Agora preséntase o problema da recapitalización dos bancos e iso representa un serio problema para o goberno. A diferenza de 2008, hoxe o goberno atópase nunha situación complicada. Unha forma de reunir recursos é colocando débeda no mercado internacional, mais iso será custoso e implica unha maior deterioración na posición crediticia do goberno, agravando a crise da débeda soberana e afectando negativamente os estados financeiros dos bancos que obteñan os novos bonos.

Hai que aceptar que a flexibilización da política monetaria do Banco Central Europeo a través do programa de refinanciamiento de longo prazo (LTRO) é insuficiente fronte á onda de austeridade que a torpeza e covardía da clase política impuxo en toda Europa. O mecanismo LTRO foi posto en marcha en decembro 2011 e o seu obxectivo é inxectar liquidez no sistema bancario. Os bancos poden agora tomar recursos do ECB durante tres anos a unha ridícula taxa (1 por cento) para reinvestilos como mellor lles praza. Deben dar unha garantía ao BCE que pode consistir en bonos de débeda soberana, o que se traduce nunha especie de intervención indirecta nese mercado soberano por parte do Banco Central Europeo. Desta forma, o BCE garda incólume as súas dogmas neoliberais e pensa que pode axudar a reducir a inestabilidade no mercado de bonos soberanos.

As cousas non saíron do todo ben. É posíbel, como sinala Paul de Grauwe, un dos analistas financeiros máis lúcidos nesta crise, que a inxección de liquidez fose moito maior á que se requiriu a través dunha intervención directa. De todos os xeitos, a inestabilidade nos bonos soberanos non se eliminou. Doutra banda, a austeridade está a empuxar ás economías europeas a unha recesión máis profunda e nesas condicións, nin os fogares, nin as empresas, queren tomar novos créditos. A crise na fronte de bonos soberanos regresará e con vinganza.

Quizais o máis importante aquí é que a flexibilidade da política monetaria na versión do BCE non permite asegurar a recapitalización dos bancos. As utilidades que poden obter os bancos a través das operacións cos recursos do LTRO no mercado de bonos soberanos non son suficientes. Esas ganancias asociadas ao chamado "carry trade" teñen os seus custos e o resultado neto non é suficiente como demostra un cálculo de Atsushi Ito de UBS (pode consultarse en www.bidus.eu). Así que non só non hai reactivación económica, senón que tampouco hai recapitalización dos bancos. Este será o fracaso da política monetaria e a profundización da crise.

Europa enfróntase a un dobre efecto: por unha banda o potente freo da austeridade, e polo outro, o pseudo-motor da liquidez en aumento polas operacións do BCE. O resultado é evidente: a milagrosa receita de austeridade está lle gañando a partida á flexibilización monetaria.

15/04/2012

Metafísica contra maquinaria: Marx. Keynes, Minsky e a crise

Alejandro Nadal. Artigo tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por nós.



Unha versión moi popular sobre as orixes da crise sostén que a avaricia conduciu aos operadores do sector financeiro ao exceso que xerou o desastre. É unha interpretación da crise que atopa moitos adeptos porque permite atopar fallas nas debilidades e vicios dunhas cantas persoas. O sistema está ben, só que sempre hai unhas cantas mazás podrecidas que todo o botan a perder.

De entrada esta representación da crise ten un problema. Suponse que o mercado é un dispositivo que se nutre do egoísmo e da ambición individual. Como di Adam Smith, é precisamente porque os individuos son egoístas e perseguen o seu interese persoal que se logra unha situación de harmonía social en e polo mercado. De aí a súa metáfora: é coma se cada un fose guiado por unha "man invisíbel" e polo seu egoísmo terminase facendo o ben para todos os demais. Como é que agora a ambición desmedida provoca as crises?

Ben, tamén se di que a desregulación do sector bancario fixo posíbel o desastre. A ambición sería o motor, mais a eliminación de controis sobre o sector bancario e financeiro abriu o camiño para o despregamento desas paixóns, traendo consigo graves implicacións macroeconómicas.

Porén aquí hai algo interesante. Resulta que se son as paixóns desmedidas as que procrean a crise, entón o que se necesita para previla é estabelecer os límites adecuados a tal frenesí. No caso actual, a crise teríase evitado se se puxesen límites á ambición desmedida. En síntese, o sistema económico está ben, mais ás veces algúns seres humanos descarrílano pola súa conduta malévola ou torta.

Claro, a retórica que utiliza a teoría económica busca expurgar calquera referencia á moral e prefírese usar a palabra "expectativas" en lugar de "paixóns": os axentes económicos teñen expectativas que se forman de maneira máis ou menos racional. E así, desde Keynes até Lucas, pasando por Minsky, os planos de investimento e consumo dos axentes que integran unha economía fórxanse a través dos esforzos para enfrontar a incerteza (Keynes) ou para frustrar as intervencións do goberno (Lucas).

A análise de Minsky é máis sofisticada, mais descansa na mesma idea. Do mesmo xeito que outros autores post-Keynesianos, Minsky ofrece un modelo máis serio sobre o funcionamento dunha economía monetaria capitalista que o que propón a teoría convencional. Na súa explicación sobre a dinámica dunha economía capitalista, o endebedamento e os bancos teñen un papel importante. (Aínda que os lectores sorprenderanse, nos modelos da teoría convencional, a que é utilizada para facer a apología do ultraliberalismo, os bancos non aparecen por ningún lado. Si, así como o len: nos modelos dos economistas do sistema, nin os bancos, nin o endebedamento teñen o lugar que merecen. Porén estoume  desviando do tema).

Aquí o importante é destacar que no modelo de Minsky sobre as crises financeiras o papel das expectativas é crucial. Nas fases de tranquilidade nunha economía capitalista, os axentes económicos, empresarios na economía real ou prestamistas no sector financeiro atopan que as súas expectativas sobre a evolución favorábel da economía están a confirmarse. Proceden a corrixilas á alza e iso conduce á apreciación dos seus activos, o que lles permite maior apalancamento e endebedamento. E iso conduce novamente a novas correccións na súa conduta como tomadores de risco e así sucesivamente. No entanto, aos poucos o proceso esgótase e arrinca un proceso de deflación. É a crise e no seu desenvolvemento, o compoñente subxectivo (a formación de expectativas) desempeña un papel fundamental.

Existe outra visión sobre as desfeitas que sofren as economías capitalistas. Nela o sistema económico conduce á crise independentemente da formación de expectativas ou das motivacións da conduta dos axentes. Nesta percepción o sistema económico é como unha maquinaria cuxas contradicións internas imprimen o dinamismo que conduce ás crises. Non se trata aquí de saber que pasa cando os axentes abrazan prognósticos máis ou menos optimistas sobre o futuro da economía, ou cando se equivocan nas súas anticipacións. A economía funciona de tal maneira que a crise é inevitábel, calquera que sexa o proceso e o resultado da formación de expectativas.

É ao que conduce a análise de Marx. As contradicións do capitalismo, e en especial a loita de clases, son a incubadora da(s) crise, independentemente das motivacións e expectativas dos axentes. Nin o sub-consumo, nin a sobre produción son suficientes para deter permanentemente o proceso de acumulación capitalista. En cambio, a lei tendencial sobre a caída da taxa de gaño erixe unha barreira para a expansión do capital que soamente pode resolverse en e a través da crise. Esa lei maniféstase sen implicar unha referencia ás anticipacións dos axentes.

É certo que hai paralelismos entre a análise de Keynes-Minsky e de Marx. Sen dúbida as súas análises son complementares e desembocan claramente na mesma conclusión: unha economía capitalista é inherentemente inestábel. Keynes diría que, ademais, é capaz de manter niveis socialmente inaceptábeis de desemprego durante moito tempo. Por iso é necesaria a acción do goberno e ábrese o debate sobre os diferentes méritos da política fiscal versus a monetaria, etc. Porén a diferenza profunda entre Marx e Keynes-Minsky é que no primeiro non hai maneira de evitar a crise. O capitalismo non é só "inherentemente inestábel", senón que é sinónimo de desigualdade e crise. A saída non é unha regulación adecuada ou unha intervención eficaz, senón a transición a un sistema socialmente desexábel.

19/01/2012

Economía verde, novo disfraz do ultraliberalismo

Alejandro Nadal. Artigo tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por nós.
Cadro de Kurt Schwitters (1887-1948), poeta, artista plástico, escultor, precursor da nova tipografía e pintor alemán ligado ao dadaísmo de Hannover, o máis "apolítico" e achegado ao collage frente ao de Berlín. Schwitters comenzou pintando, no entanto, dentro dun estilo expresionista, mais en 1919 empezou a realizar collages, incorporando aos seus trabajos elementos efémeros como billetes de tren e autocarro, así como recortes de xornais. A partir de 1922, acusa a influencia do grupo holandés De Stijl. Schwitters realizó tamén, primero en Alemaña, despois en Noruega e finalmente en Inglaterra, onde murreu, tres versións memorábeis dos seus Merzbau ou aglomeracións xigantescas de obxectos inútiles.

No medio da máis grave crise da economía capitalista a escala mundial, a deterioración ambiental foi relegada a un plano secundario. É certo que algo se fala sobre a perda de biodiversidade ou o cambio climático. Pero nos feitos o medio ambiente non é prioridade.

Os termos do debate sobre a crise impúxoos a dereita e na súa pantalla de radar o problema ambiental sempre ocupou un lugar subsidiario. Por iso non sorprende que agora que os centros de poder castigan con austeridade fiscal e promoven a destrución de calquera vestixio do estado de benestar, o medio ambiente brille pola súa ausencia. E cando se lle pretende tratar como tema prioritario, a realidade é que só é para manter o proxecto ultraliberal a escala global.

O Programa de Nacións Unidas sobre Medio Ambiente (PNUMA) promove desde fai xa tres anos unha serie de proxectos que se encadran dentro do que bautizou como a Iniciativa de Economía Verde (IEV). Este proxecto define a unha economía verde como o resultado de melloras no benestar humano e equidade social, ao mesmo tempo que se reducen os riscos ambientais e a escaseza ecolóxica. O PNUMA sostén que o manexo eficiente dos recursos ambientais ofrece oportunidades económicas importantes. Finalmente, afirma que unha economía verde debe ser baixa no uso de combustíbeis fósiles e socialmente incluíente.

Esa retórica pode dar unha boa impresión. Pero a realidade é que a iniciativa do PNUMA adoece de grandes defectos que, ao final de contas, anulan o que podería aparecer como bos desexos. O que queda é un disfrace mal armado para darlle unha cara amábel ao ultraliberalismo desde o punto de vista ambiental.

O primeiro grande problema da IEV é a incapacidade para examinar as causas da destrución ambiental. Ningunha das forzas económicas que provocan a deterioración ambiental é obxecto dunha análise coidadosa. Nin a concentración do poder económico en centros corporativos, nin os procesos de acaparamiento de terras en grandes rexións de África e América Latina, nin o efecto da especulación financeira sobre produtos básicos, nin o peso enorme da débeda dos países máis pobres do mundo son temas importantes para o PNUMA. En contraste, abunda a retórica sobre instrumentos de política baseados no mecanismo de mercado e a necesidade de alentar o investimento privado.

O PNUMA tamén ignora as causas da feroz desigualdade, que é trazo dominante na economía mundial. Tal parecese que esa desigualdade caeu do ceo, coma se tratásese dun fenómeno meteorolóxico. Así, a IEV fala da necesidade de aliviar e mesmo de eliminar a pobreza. Pero sempre que o fai é en referencia ao potencial que ofrece o bo manexo dos recursos. Nunca se menciona a necesidade de corrixir o marcado rumbo en contra dos salarios reais. Dabondo sábese que en case todo o mundo os salarios reais experimentaron unha declinación importante a partir dos anos setenta. Entre as causas máis visíbeis dese resultado está a represión salarial imposta para controlar a demanda agregada e, dese modo, levar adiante a loita contra a inflación (o principal inimigo do capital financeiro). A pesar da importancia desta variábel da distribución, a palabra salarios non ten cabida no dicionario da IEV.

A desigualdade tamén está fortemente ancorada nunha política fiscal regresiva. Con todo, cando se trata de recomendacións en materia de política fiscal, o documento do PNUMA suxire que o mellor marco fiscal para o crecemento debe descansar nos impostos indirectos e en baixas taxas impositivas para o sector corporativo. Isto debe ir acompañado de maior eficiencia no gasto público, o que na xerga ultraliberal tradúcese en maiores axustes e xeración dun superávit primario para pagar cargas financeiras. Claro, as referencias do PNUMA son a OCDE, o Banco Mundial e a consultora PriceWaterhouseCoopers. Iso si, alértase sobre os riscos de impor gravames ao capital financeiro.

Aínda que a iniciativa do PNUMA baséase na idea de que a crise ofrece a oportunidade para reencaminar a economía mundial polo carreiro do desenvolvemento sustentábel, ningún documento do organismo contén unha análise seria sobre as orixes e natureza da crise. Os lectores poden corroborar o anterior na páxina da IEV (www.unep.org/greeneconomy). Por extraordinario que pareza, unha análise seria sobre a crise e as súas ramificacións non é relevante para falar da transición cara a unha economía verde.

A iniciativa do PNUMA tenta estender a vida do modelo ultraliberal. É tamén un bo exemplo da sentenza de Keynes: non só fracasamos no intento de comprender a orde económica en que vivimos, senón que a temos mal interpretado até o grao de adoptar medidas que operan duramente no noso detrimento.

09/11/2011

Dádeme unha alavanca e afundirei o mundo

Alejandro Nadal. Artigo tirado de aquí e traducido por nós para o galego.

Nos dramas de Eurípides e Sófocles as figuras heroicas frecuentemente suicídanse para liberarse de situacións nas que se saben perdidos de antemán. Para o heroe non hai saída e camiña inexorabelmente cara á súa propia destrución. Os profetas na traxedia grega posúen información e utilízana para canalizar ao heroe cara á súa destrución, presentándoa a través de adiviñas indescifrábeis ou herméticos enigmas.

A tradición mantense viva en Europa, pois hai uns días, no cume de líderes europeos para dar a solución definitiva á crise do euro, fíxose alarde dos mesmos impulsos suicidas e sentaron as bases da destrución inexorábel da moeda común.

O cume anunciou unha seitura de 50 por cento sobre o principal da débeda grega. Dise que é un recorte voluntario para non desencadear un evento crediticio. Mais que é un evento crediticio? Ese eufemismo alude veladamente ao cataclismo financeiro que se produciría se se cumpren as condicións dos seguros de débeda que os bancos europeos contrataron coas súas contrapartes estadounidenses para cubrirse en caso de falta de pagamento por parte dalgún goberno da eurozona. Para que os bancos acepten, presionóuselles, chantaxeado e corrompido cun paquete de incentivos de 30 mil millóns de euros.

Logo veu o prato forte: o anuncio da ampliación do Fondo Europeo de Estabilidade Financeira (FEEF) até un billón de euros. E se vostede pregúntase de onde sacaron ese diñeiro, a resposta é que non o teñen. O anuncio é un engano: o Fondo non foi dotado dun céntimo de recursos frescos.

Isto demanda unha explicación. Poderíase utilizar ao Banco Central Europeo para imprimir un 700 mil millóns para aumentar o poder do Fondo. Pero os alemáns están en contra. Así que se espera que o sector privado en Europa poida proporcionar unha parte de deste monto. No entanto, coas perspectivas á baixa, esa achega non pasaría uns cuantos millóns de euros. Entón, de onde pensan os líderes europeos sacar o resto?

A resposta: de China. Si, agora tócalle a esa peza mitológica chamada mercados emerxentes rescatar á vella Europa. Claro, o comunicado tamén fala de Brasil e India, pero non hai que enganarse
. Eses dous non poderían entrarlle a unha aventura de deste calibre. Por iso o primeiro que fixo Sarkozy saíndo da reunión foi chamar a Hu Jintao para darlle a boa nova. O presidente chinés recibiu a mensaxe con frialdade.

O plano é absurdo. A maioría dos países europeos (salvo Alemaña e Irlanda) mantén un déficit comercial importante con Pequín. Así que pedirlle recursos a China para apontoar o FEEF equivale a pedirlle diñeiro prestado para seguir comprando as súas exportacións. As relacións comerciais e financeiras entre China e Estados Unidos estiveron baseadas no mesmo principio, o que conduciu aos desequilibrios globais que marcaron a economía mundial nas últimas décadas.

Os chineses esixirían condicións para entrar nun arranxo deste tipo. Demandarían un mellor acceso aos mercados europeos, o que axudaría a deteriorar aínda máis a balanza comercial e o emprego en Europa. Logo viría o tema delicado da paridade cambiaria. Xa un membro do comité de política monetaria do banco central chinés declarou que a cambio de investir no FEEF, Pequín apremaría aos europeos para que non se queixen da manipulación cambiaria que mantén o renminbi subvaluado.

China teñen os seus problemas: unha xigantesca burbulla inmobiliaria, bancos con estados financeiros de dubidosa transparencia e unha forte sobre-investimento en varias industrias fundamentais. Tería que enfrontalos antes de comezar a xogar ao mangallón do bairro que arranxa problemas alleos.

Este enredo esconde unha profunda distorsión do Fondo europeo de estabilidade financeira: agora o apalancamento converteuse nunha das súas características esenciais. Apalancar significa utilizar unha pequena cantidade de diñeiro para conseguir máis recursos e poder investir (e especular). E iso é precisamente o que Sarkozy e a Merkel pretenden que se faga co FEEF. O anuncio do cume europeo até ofreceu a creación dun vehículo especial para atraer inversionistas, non moi diferente dos CDO (collaterized debt obligations) que desempeñaron un papel nefasto como detonantes da crise financeira. Resulta paradoxal que o apalancamento, práctica tan apetecida dos especuladores, inseriuse no corazón do instrumento que se supuña podía dominar os excesos da especulación financeira. Arquímedes observaría que con esta alavanca non se necesita un punto de apoio para afundir a economía mundial.

Do mesmo xeito que os personaxes tráxicos, os líderes europeos mostran total incapacidade para aprender e ler os sinais. Crendo dominalas, abrazan con gusto as forzas da súa propia destrución. Keynes, quen coñecía ben aos clásicos, diríalles que o futuro é incerto.

15/09/2011

O espectro da moratória percorre a Europa

Alejandro Nadal. Artigo tirado do Esquerda.net (aqui).
Os planos resgate acabaram por afundar a economia grega - Manifestação em Salónica, 10 de Setembro de 2011 - Foto de Stelios Matsagos

Muito simplesmente, o plano de resgate para a Grécia não funcionou. Era lógico: os pacotes de resgate de tipo ultraliberal conduziram a uma contracção brutal da economia: o PIB reduziu-se 7,3% no segundo trimestre deste ano. Com estas receitas de austeridade é normal que as metas definidas não tenham sido alcançadas. Em resumo, os planos de resgate acabaram por afundar a economia deste país.

Por outro lado, o programa de reestruturação da dívida grega também não correu bem. Esse plano requer que 90% dos possuidores de títulos de dívida gregos aceitem o novo calendário de prazos, mas até agora só 68% dos credores aceitaram as novas condições.

Os números são claros: ainda que se suponha que seja possível levar a cabo esta primeira reestruturação, a Grécia deverá pagar ou refinanciar cerca de 137 mil milhões de euros em 2020. Para poder fazer frente a este encargo, o país teria que realizar sacrifícios que ninguém em seu perfeito juízo imporia a uma nação.

Para começar, teria que manter um superavit primário (receitas e despesas líquidos dos encargos financeiros) superior a 5% do PIB só para manter a sua dívida ao nível actual de 180% do PIB. E, para ir reduzindo este fardo, teria que alcançar durante os próximos 20 anos um superavit primário de cerca de 10%, para gerar os recursos que permitam reduzir o peso da dívida a 90% do PIB.

Simplesmente não há maneira de que a Grécia possa conseguir fazer frente à sua dívida sem uma reestruturação bem pensada e executada.

Como a liderança política para avançar por este caminho não está à vista, parece que a moratória é a única saída. Talvez seja por isso que a senhora Merkel fez ontem referência à necessidade de evitar uma moratória desordenada.

Talvez já seja demasiado tarde para evitar o pesadelo de Merkel. A realidade é que a perspectiva de uma moratória grega afecta já negativamente todos os recantos do espaço bancário e financeiro da Europa.

Os bancos europeus com maior exposição viram os seus activos cair a pique e, em caso de incumprimento, haverá que injectar-lhes fortes quantidades de recursos. O custo de financiamento de países como a Espanha e a Itália terá que aumentar e aí é muito difícil que a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) ou do Fundo Europeu de Estabilização Financeira possa sortir efeito.

O mercado de títulos soberanos da Grécia pode ser afectado pela acção do BCE com o seu programa de compra de títulos, mas o gigantesco mercado desses países ultrapassa os 2 biliões de euros.

A verdade é que tanto a Grécia como a Europa do euro enfrentam alternativas dolorosas. Por um lado, pode-se optar entre a moratória e uma eventual saída do euro, regressando ao dracma e recuperando a sua política monetária e cambial. A economia grega sofreria um custo muito elevado em várias frentes (para começar, o seu sistema bancário provavelmente colapsaria porque o BCE já não lhe injectaria recursos).

O outro caminho é continuar pelo trilho das reestruturações, com o objectivo de tirar a Grécia do buraco. Os números mencionados acima indicam que esse caminho não é fácil. Para poder superar os obstáculos, a Europa do euro teria que aceitar que a fusão económica deve ir mais longe que a simples união monetária.

O BCE intensificou o seu programa de compra de títulos da dívida soberana e já adquiriu 143 mil milhões de euros de títulos de Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal.

A medida não teve os efeitos esperados: ontem a Itália teve que pagar as taxas mais elevadas, desde que adoptou o euro em 1999, para vender títulos a cinco anos. Além disso, o programa do BCE está rodeado por muita controvérsia. O último episódio foi a renúncia de Jürgen Stark, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu. A sua saída é uma forma extrema de protesto contra a viragem que o BCE teve que adoptar face à crise.

Por estes dias oferecem-se nos mercados financeiros swaps de dívida sobre títulos gregos de dívida a cinco anos, com taxas que implicam uma probabilidade de 100% de que haverá moratória.

Uma suspensão de pagamentos afectaria os principais bancos europeus e o efeito de contágio teria repercussões imprevisíveis. O BCE teria que intervir com quantidades sem precedentes de compras de títulos. Isso seria quase equivalente a introduzir na Europa a flexibilização monetária da FED (a famosa QE). De momento, a visão monetarista alemã opõe-se a este tipo de medidas.

 As autoridades económicas europeias poderão superar a crise? Para isso será necessário vencer o dogmatismo ultraliberal na Europa e ir por outro caminho.

16/08/2011

Estados Unidos, S&P e a crise

Alejandro Nadal. Artigo publicado em La Jornada e tirado por nós de Carta Maior (aqui).


Segundo Obama, os Estados Unidos sempre serão uma nação AAA. Soa um pouco ingênuo seu desplante, mas em certo sentido, tem razão. Nos dois dias que seguiram o anúncio da agência classificadora de risco Standard & Poor’s, os investidores do mundo inteiro parecem ter enlouquecido. Os índices de cotizações no mercado financeiro de todas as praças importantes despencaram.

Os investidores fugiram dos mercados acionários e se refugiaram no que tradicionalmente tem sido os investimentos mais seguros, entre eles os bônus do Tesouro estadunidense. É como se os investidores tivessem se posto de acordo para enviar uma mensagem clara a S&P: não nos importa sua classificação.


 A busca de abrigo seguro nos bônus do Tesouro parecia ser exatamente o comportamento oposto ao que se poderia esperar depois do rebaixamento da nota da dívida estadunidense. Se os investidores nos mercados financeiros estivessem preocupados com a capacidade dos EUA pagar sua dívida não teriam corrido para se colocar ao abrigo desses bônus do Tesouro, agora rebaixados de AAA para AA+.


 Ao contrário, seria de se esperar uma fuga em relação aos bônus e um deslocamento maior de investimentos para os mercados acionários, o que teria provocado uma alta no índice das cotações nas bolsas. Como explicar esta queda dos mercados acionários e a demanda por bônus do Tesouro dos EUA? Standard & Poor’s carrega atualmente um colossal desprestígio. É co-responsável pela gestação da crise porque nunca titubeou em outorgar a nota mais alta a títulos podres, sem investigar seu conteúdo.


 De fato, o mais provável é que se tivessem analisado o conteúdo dos veículos de investimento estruturados, não conseguiriam entender os complexos mecanismos dos derivativos neles envolvidos. Ou seja, a credibilidade da Standard & Poor’s saiu bastante danificada desta crise. O fato de ter cometido um erro de 2 bilhões de dólares em suas avaliações sobre o déficit fiscal estadunidense não a ajuda muito.

A má reputação da S&P cresceu quando veio a público a evidência testemunhal de que a agência informou de maneira seletiva a certas instituições sobre sua decisão ainda antes de anunciá-la ao público na semana passada. Um fundo de investimento realizou operações utilizando essa informação privilegiada. Confirmando-se isso, seria de se esperar uma investigação criminal por parte da Securities Exchange CommissionMas nem a falta de credibilidade, nem a má reputação das agências de classificação (não só a da S&P) são as razões pelas quais os mercados agiram no sentido oposto ao indicado pela nova classificação dos EUA feita pela S&P. A verdade das coisas é que os investidores sabem algo que a S&P deixa de lado.


Em tese, o grau de classificação é um indicador sobre a capacidade de um país para enfrentar seus compromissos de endividamento. Quando um país declara uma suspensão de pagamentos é porque não pode obter as divisas necessárias para cobrir o serviço de sua dívida. Mas no caso dos EUA, esse país não necessita obter outras divisas para pagar sua dívida. Qualificar o risco em AA+ ou em AAA para a dívida estadunidense é um exercício supérfluo e as agências classificadoras deveriam evitar entrar neste terreno.

Só razões poderosas puderam empurrar a S&P a aventurar-se nesta trajetória. Uma pode ser o desejo de marcar a insatisfação do setor financeiro com o acordo sobre o déficit e a dívida no Congresso dos EUA. Para justificar sua decisão, a S&P assinalou que a irresponsabilidade política durante o debate sobre a dívida afetou negativamente a capacidade do governo desse país para administrar suas finanças. Além disso, assinalou que o acordo no Congresso para reduzir o déficit está muito abaixo do que é preciso para frear a espiral de endividamento do governo estadunidense. A realidade é que o setor financeiro quer resultados mais rápidos e tangíveis no desmantelamento do estado de bem estar social. Seu projeto segue sendo a plena restauração do projeto ultraliberalAgora, a S&P terá que ser consequente e baixar a classificação de outros países (França e Itália) e de muitas outras instituições bancárias, seguradoras e de investimento. Grandes bancos europeus provavelmente saíram perdendo com esta redução, o que não ajudará a enfrentar a crise do euro.


A recuperação hoje está mais longe do que nunca e o governo estadunidense está com as mãos amarradas. A Europa enfrenta sua própria debacle e a China terá que resolver uma colossal bolha imobiliária. Nesta perspectiva, a vacilação que impera no mercado das bolsas contrasta com a certeza de que a recessão persistirá. Parece que os investidores fugiram do mercado acionário para refugiar-se no último reduto de confiança porque sabem que a austeridade fiscal e uma nova modalidade de armadilha de liquidez conduzem necessariamente ao aprofundamento da crise.


18/07/2011

Sonhos e pesadelos do imaginário reaccionário

Alejandro Nadal. Artigo tirado do Esquerda.net (aqui) e publicado originalmente em castelhano no jornal mexicano La Jornada (13-7-2011).

Hoje todos os indicadores importantes sobre o desempenho da economia mundial indicam que a crise se aprofunda. Dos Estados Unidos à Europa, passando pelo Japão e pela China, o barómetro anuncia uma tempestade que ameaça converter-se num furacão global.
 

“Para piorar a situação, os governos europeus escolheram a austeridade e a depressão prolongada. Os sonhos dos reaccionários serão o pesadelo dos cidadãos” - Foto de fila de desempregados em Espanha

Os sonhadores, os especuladores e os reaccionários acabaram por afundar o mundo na segunda Guerra Mundial. Essa é o grande ensinamento da controversa obra do historiador A. J. P. Taylor sobre As origens da Segunda guerra mundial (publicada em 1961). Só lhe faltou acrescentar como pano de fundo desse processo a Grande Depressão. Uma vez completado o quadro, as semelhanças com os acontecimentos dos nossos dias começam a delinear-se de maneira mais clara e alarmante.

Hoje todos os indicadores importantes sobre o desempenho da economia mundial indicam que a crise se aprofunda. Dos Estados Unidos à Europa, passando pelo Japão e pela China, o barómetro anuncia uma tempestade que ameaça converter-se num furacão global. Já levamos três anos de estagnação, regressão e desemprego agudo e os governos das economias capitalistas desenvolvidas têm sido incapazes de apresentar soluções para sair do buraco. O mais grave é que fizeram seu o sonho do sistema financeiro de agravar a crise e torná-la mais duradoura.

O ataque dos especuladores na Europa mostra que a crise não assusta o sector financeiro. Talvez tenha aprendido a viver com a instabilidade pois sabe aproveitar o descalabro no sistema de preços, ainda que isso leve economias inteiras à ruína. O certo é que os técnicos do Banco Central Europeu (BCE) e dos governos da Europa continuam rendidos aos pés dos agentes financeiros. Mas isso não resolve a crise, só a agrava.

O BCE acaba de subir as taxas de juro, afundando as perspectivas de uma saída mais ou menos airosa para a Espanha e a Itália. O BCE fez isso sabendo que a taxa Euribor subiria imediatamente e 90 por cento das hipotecas em Espanha estão ligadas a essa taxa. O impacto será brutal, aprofundando a recessão e o desemprego.

O diferencial entre os juros dos títulos de tesouro da Alemanha e de países como a Itália e a Espanha prenuncia como será difícil para estes países mediterrânicos enfrentar os seus compromissos de pagamentos em Agosto e Setembro [o Estado espanhol colocará bonos esta quarta-feira; N. do Blogger]. A Itália deve reciclar 70 mil milhões de euros nesses meses e o custo em juros adicionais será insuportável.

Com os casos de Grécia, Portugal e Irlanda poder-se-ia pensar que o sistema financeiro europeu poderia subsistir. Mas quando falamos de Itália e o Reino de Espanha as coisas mudam. O ajustamento ou reestruturação, ou como queiram chamar ao desastre da dívida nestes países, poderão arrastar toda a União Europeia para o abismo. Os reflexos sacudirão o planeta inteiro.

Para piorar a situação, os governos europeus escolheram a austeridade e a depressão prolongada. Sem o apoio da despesa pública, a procura continuará no fundo. O crescimento será mais medíocre e o desemprego aumentará. A receita reduzir-se-á, o peso da dívida elevar-se-á e os prémios de risco também. Os sonhos dos reaccionários serão o pesadelo dos cidadãos.

Nos Estados Unidos o retrocesso passa pela rendição incondicional de Barack Obama perante os sonhadores e reaccionários do partido republicano. Face à transferência de cifras astronómicas para os bancos e a Wall Street, os republicanos pedem cortes nos programas sociais Medicare e Medicaid e Obama aceita o repto. Até o sacrossanto seguro social, tão venerado pelos democratas, foi oferecido de bandeja aos falcões dos republicanos. Obama anuncia que é necessário reformar o seguro social para alcançar a estabilidade que a comunidade de negócios requer para poder investir e levar a economia norte-americana ao crescimento e à prosperidade. De onde tiraram este sonho? Os números de desemprego nos Estados Unidos anunciados na semana passada confirmam que o país está a viver um pesadelo e está longe de ter saído da crise.

Obama soçobra com o mesmo raciocínio que domina o ideário reaccionário: se dermos estabilidade e tranquilidade aos empresários, os investimentos fluirão por si sós e tudo se arranjará. É o que clamam os falcões no Congresso. Não lhes importa que o país vá para o buraco da segunda Grande Depressão.

Se há algo que os gigantescos pacotes de resgate para o sector financeiro demonstraram é que a crise actual não é uma crise de liquidez. Na realidade, a histérica exigência de austeridade na Europa e nos Estados Unidos traduz uma visão equivocada da crise. Quer-se negar que esta é uma perigosa crise estrutural de todo o modelo económico neoliberal.

Por não ser superada, a crise actual acabará por sair do campo financeiro-económico e conduzirá a distorções políticas e até a conflitos armados. A histeria da austeridade (e o afã de destruir o que resta do estado de bem-estar na Europa e nos Estados Unidos) é comparável ao que Taylor qualificou como a neblina moral e intelectual na qual se moveram os estadistas europeus no período 1925-1939. Já conhecemos o trágico resultado.

17/07/2011

Meia-noite na economia mundial

Alejandro Nadal. Artigo publicado no jornal mexicano La Jornada e tirado de Esquerda.net (aqui) por nós para À revolta entre a mocidade. Nadal é economista e professor em El Colegio de México.


Os principais pólos de crescimento da economia mundial estão em dificuldades e temos pela frente um longo processo de estagnação e de desigualdade crescente. Na Europa assistimos a uma obra-prima do engano e da manipulação. 

"Quero de volta o meu futuro". Foto de Guerrilla Futures | Jason Tester

Quando a crise explodiu no fim de 2007, o prognóstico não era nada bom. Mas a gravidade do assunto foi disfarçada por uma terminologia inofensiva: falou-se de recessão, o que imediatamente convidava a examinar como seria a recuperação. O debate enquadrou-se numa discussão sobre a forma da recuperação. Falou-se particularmente muito da possibilidade de uma recessão em forma de W, ou seja, com uma primeira queda seguida de recuperação e, posteriormente, de outra recaída. Hoje parece que esse prognóstico está prestes a cumprir-se. E é preciso não esquecer: as recaídas são piores.

Os principais pólos de crescimento da economia mundial estão em dificuldades e temos pela frente um longo processo de estagnação e de desigualdade crescente. A China está prestes a enfrentar a sua primeira crise capitalista severa. Convencionalmente foi apresentada como um modelo de sucesso, baseado num investimento pujante, mudanças tecnológicas e competitividade. Mas poucas vezes se reconhece que o seu sector bancário está a enfrentar graves problemas. O seu impressionante volume de crédito malparado é o resultado de uma política monetária e creditícia que propiciou o endividamento excessivo e a especulação imobiliária. Os empréstimos chegam quase aos 3 mil milhões de dólares e isso levou à especulação dos preços dos bens imóveis. O investimento em bens de raiz está saturado e existem apartamentos vazios com capacidade para 200 milhões de pessoas. A bolha imobiliária na China já atingiu proporções míticas e no dia que explodir os efeitos sentir-se-ão em todo o mundo.

A pressão sobre os custos laborais intensifica-se, ao mesmo tempo que o sobreinvestimento gerou um excesso espantoso de capacidade instalada. Hoje, os rendimentos que serviram para justificar os investimentos de ontem não estão ao nível exigido para cobrir os custos e os encargos financeiros. As expectativas favoráveis dos investidores de anos passados podem não chegar a cumprir-se. A China descobrirá que a essência do capitalismo tem dois pilares: por um lado o crescimento económico, impulsionado pela concorrência intercapitalista; por outro, a tendência para a instabilidade e para a estagnação. Em Pequim ficarão a saber que os motores do dinamismo e do crescimento são, ao mesmo tempo, os geradores da disfuncionalidade e da crise.

Na União Europeia, a política de austeridade condena à estagnação. Não servirá para reactivar a economia através de uma hipotética redução das taxas de juro. Também não será útil para fomentar a criação de empregos. Nem sequer servirá para resgatar as finanças públicas porque a cobrança cairá e o endividamento terá de continuar.

Na sua corrida desenfreada para maximizar lucros, o capitalismo europeu pretende eliminar qualquer vislumbre de solidariedade com a classe trabalhadora, reduzindo custos laborais e suprimindo direitos nos locais de trabalho. Esse foi o sonho dos donos do capital: a submissão do Estado através do endividamento. Para desmantelar o que resta do estado social, a submissão política à esfera financeira é ideal.

Na Europa assistimos a uma obra-prima do engano e da manipulação: o colapso financeiro transformou-se em crise da dívida soberana dos países europeus, o que ameaça mesmo a sobrevivência da moeda única. A derrocada financeira que se gerou no sector privado converteu-se em crise das finanças públicas porque o custo gigantesco da crise se socializou, enquanto os lucros permaneceram na esfera privada. É um processo de uma grande violência social.

Nos Estados Unidos, epicentro da crise, a política fiscal já foi dirigida para a austeridade. Dizer que os indicadores sobre emprego e evolução da indústria manufactureira são desanimadores é um eufemismo. Apesar disso, em Washington ninguém quer ouvir falar de incentivos fiscais para a economia, a começar pelo próprio Obama, demasiado ocupado com a recolha de fundos em Wall Street para a contenda eleitoral que se aproxima.

Em matéria de política monetária, o salva-vidas da flexibilidade quantitativa está prestes a desaparecer. A Reserva Federal não repetirá a injecção de liquidez adquirindo títulos do governo federal. De qualquer forma, até agora, os únicos que beneficiaram dessa política foram os bancos e as grandes corporações que viram a sua tesouraria afogada em liquidez.

Há muito tempo que, nas economias capitalistas, o Estado deixou de ser uma instância para resolver os conflitos sociais (incluindo o da distribuição). Mas agora o denominador comum é que o Estado se consolidou como agente do capital financeiro e como instrumento de dominação que rejeita as exigências da população. Cumpriram-se assim os mais caros anseios da classe capitalista e inicia-se uma nova etapa na história do capitalismo. Não será uma etapa longa e terá de ser solucionada no terreno da política.