24/06/2013

Mais de cem mil protestam em Roma contra o desemprego

Notícia tirada do Esquerda.net (aqui).


Pela primeira vez em dez anos, as centrais sindicais CGIL, CISL e UIL juntaram-se numa manifestação de trabalhadores. A taxa recorde de desemprego em Itália e as promessas nunca concretizadas dos governantes foram os principais alvos dos manifestantes.


A líder da CGIL discursa aos manifestantes este sábado em Roma. Foto CGIL

Sob o lema "Trabalho e Democracia", mais de cem mil pessoas quiseram deixar um aviso ao primeiro-ministro Enrico Letta nesta primeira manifestação desde o início do seu mandato. Os discursos dos líderes sindicais acentuaram a necessidade de parar a queda vertiginosa da economia italiana e pôr em prática medidas para recuperar o consumo, redistribuir a riqueza e aumentar o investimento. E todos criticaram a governação marcada apenas por promessas e anúncios sem concretização à vista no curto prazo.

"Não podemos aceitar estas promessas sucessivas que depois não se traduzem em decisões para uma mudança de rumo", afirmou no seu discurso a secretária-geral da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), Susanna Camusso, que defendeu também que "a prioridade deve ser um restituição fiscal aos trabalhadores e aos reformados". Uma ideia sublinhada também por Luigi Angeletti, o lider da União Italiana do Trabalho (UIL), citado pela Europa Press: "Num país em que a principal preocupação é saber quanto tempo durará o governo, não há tempo para promessas e anúncios, declarou o sindicalista.

A praça romana de San Giovanni encheu-se de gente para protestar contra a subida do desemprego, que com uma taxa oficial de 12% - muito abaixo da realidade - é já um recorde para a Itália, combinada com um desemprego jovem que já ultrapassa os 40% e uma economia na maior recessão do pós-guerra, com o PIB a encolher desde meados de 2011. O protesto seguiu-se ao anúncio do despedimento de mais 1400 trabalhadores do gigante italiano dos eletrodomésticos, a Indesit. Para a líder da CGIL, "a Indesit não está em crise, apenas quer usar os seus lucros para investir na Turquia e na Polónia".
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