02/09/2013

Colômbia: Paralisação nacional dura há 13 dias


 Uma paralisação nacional decorre na Colômbia desde o dia 19 de agosto. Nela participam as principais organizações camponesas, mineiros, trabalhadores da saúde e da educação e tem o apoio das centrais sindicais. As reivindicações têm um ponto comum: a recusa da política neoliberal do governo e a rejeição do tratado de livre comércio com os EUA. O presidente Juan Manuel Santos responde com repressão, com a militarização de Bogotá, enquanto anuncia um futuro “pacto nacional agrário”.



Colômbia: Marcha patriótica (29 de agosto) foto disponível no flickr

 Os setores participantes na paralisação nacional na Colômbia têm apresentado as suas reivindicações ao governo e às autoridades das diversas regiões, decorrendo negociações. No movimento destaca-se a Marcha Patriótica, que tem o site marchapatriotica.org, página no facebook facebook.com/pages/Marcha-Patri%C3%B3tica/217744568286744 e presença no flickr: flickr.com/photos/marcha-patriotica

 Segundo o jornal colombiano La República, o denominador comum das reivindicações é “a recusa à política neoliberal consagrada no Plano de Desenvolvimento e, em particular, o Tratado de Livre Comércio com os EUA [em vigor desde 15 de maio de 2012], que provoca a importação massiva de alimentos e a deterioração da produção agrária”.

 Na paralisação destacam-se a participação de camponeses, nomeadamente dos produtores de café (com o seu movimento Dignidad Cafetera), de arroz, cana de açúcar, cacau, leite, algodão e gado. Na Colômbia há 14 milhões de camponeses e mais de um milhão de famílias de camponeses sem terra. Destaque também para o protesto dos setores da educação e da saúde em luta contra a privatização.
A paralisação tem sido composta por diferentes manifestações em diversas cidades do país, por marchas, concentrações e bloqueios de estradas.

 O governo do presidente Juan Manuel Santos tem respondido com repressão violenta ao poderoso protesto. A repressão policial levou a diversos confrontos e já provocou, pelo menos, nove mortos, cerca de 800 pessoas feridas e 512 detidas. Segundo a Telesur, o presidente ordenou a militarização de Bogotá e em várias cidades foi imposto o recolher obrigatório, nomeadamente em Suba (norte), Engativá (noroeste), Ciudad Bolívar e Bosa, no sudoeste.

 Em várias regiões foram assinados acordos mínimos entre os governos locais e os setores sociais que protestam, em 14 departamentos regionais continuam as paralisações por tempo indeterminado.
Após uma reunião com governadores e presidentes de câmara das principais cidades, o presidente Santos anunciou nesta sexta-feira um “pacto nacional para o setor agrário”e disse que a 12 de setembro será realizada a primeira reunião para concretizar esse pacto.

 De momento, no entanto, a preocupação principal do presidente é acabar com o movimento, tendo mobilizado 50 mil efetivos do exército para apoiar a polícia e o esquadrão anti-motim.

 O movimento de paralisação anunciou nesta sexta-feira o fim do bloqueio em mais de 50 estradas, mas salientou que a greve prosseguirá.

 Segundo o site da Adital, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) está a divulgar uma carta aberta ao presidente na qual denuncia que mais de 20 jornalistas também foram atacados ou ameaçados durante a cobertura da Paralisação por parte da força policial. O secretário geral da RSF, Christophe Deloire, afirma que as forças de segurança da Colômbia devem "emitir as ordens necessárias para que os homens sob seu comando respeitem o trabalho dos média e, assim, o direito dos colombianos saberem o que acontece no seu país será garantido.”

 A Marcha Patriótica emitiu um comunicado nesta sexta-feira onde pede a solidariedade e a “ação urgente” da comunidade nacional e internacional em “defesa da integridade física e psicológica” dos integrantes da marcha, considerando que se encontram em “iminente risco”, após o discurso do presidente Santos nesta sexta-feira, em que ameaçou diretamente os integrantes da Marcha e anunciou a militarização de Bogotá e a mobilização de 50 mil efetivos do exército, para ajudarem a polícia a reprimir o movimento de protesto.

 A Marcha Patriótica apela também à libertação de Hubert de Jesús Ballesteros, referindo que ele foi preso de forma arbitrária e como represália pela paralisação. Ballesteros é membro do comité executivo da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), vice presidente da federação nacional sindical unitária agropecuária (Fensuagro), porta-voz da mesa de interlocução e acordo (MIA) e um dos principais dirigentes da Marcha Patriótica.
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