20/02/2014

Chomsky: “Austeridade funciona muito bem para os bancos”

Noam Chomsky. Artigo tirado do Esquerda.net (aqui).


Noam Chomsky defende que, mediante a imposição de políticas de austeridade, “os países mais fracos da União Europeia nunca conseguirão saldar a dívida” e “afundam-se cada vez mais na miséria".
"É difícil pensar numa razão para isto, para além de uma guerra de classes. O efeito das políticas é enfraquecer as medidas de proteção social e reduzir o poder dos trabalhadores. Isso é a guerra de classes. Funciona muito bem para os bancos, para as instituições financeiras mas, para a população, é terrível", adianta Noam Chomsky, numa das entrevistas incluídas no livro Mudar o Mundo, que chegou às livrarias portuguesas no final da semana passada.
O renomado intelectual afirma que é "bastante difícil" explicar o que o Banco Central Europeu está a fazer, salientando que a austeridade é a "pior política possível" durante uma recessão.
"O efeito é que, sob estas políticas, os países mais fracos da União Europeia nunca conseguirão saldar a dívida. Na verdade, os níveis de dívida estão a piorar. À medida que se reduz o crescimento, reduzem-se as possibilidades de pagamento da dívida. Assim, essas nações afundam-se cada vez mais na miséria", critica Noam Chomsky, aludindo aos países do sul da Europa.
A importância do associativismo
O ativista político reforça ainda a ideia da importância do associativismo e, particularmente, do sindicalismo em sociedades dominadas pela propaganda e "geridas" por empresas que controlam os cidadãos através de bens de comsumo e que "prendem" os consumidores "através de técnicas antigas" como as dívidas e os pagamentos a crédito.
"Os sistemas de propaganda mais relevantes que enfrentamos hoje em dia, na maioria provenientes da indústria gigantesca de relações públicas, foram desenvolvidos, de forma bastante propositada, há cerca de um século, nos países mais livres do mundo, devido a um reconhecimento muito claro e articulado de que as pessoas haviam ganhado tantos direitos que seria difícil suprimi-los pela força", explica Chomsky.
"Táticas" do movimento Occupy são "extremamente bem-sucedidas"
O académico norte americano critica a "doutrina" liberal que, nos Estados Unidos, "não está muito longe do totalitarismo", e constata que a democracia é odiada por alguns setores da sociedade deste país.
Noam Chomsky adianta ainda que as "táticas" do movimento Occupy, são "extremamente bem-sucedidas", na medida em que alimentam comunidades e redes de contacto numa sociedade individualista.
O livro Mudar o Mundo, editado pela Bertrand, e que chegou às livrarias portuguesas no passado dia 14 de fevereiro, “reúne as conversas entre Noam Chomsky e David Barsamian sobre as grandes questões que se impõem no despontar do século XXI, ao nível político, social e do indivíduo como parte da sociedade, explorando as preocupações mais urgentes e imediatas: o futuro da democracia no mundo árabe, as implicações do desastre nuclear de Fukushima, a ‘luta de classes’ entre os interesses económicos dos EUA e os trabalhadores e classes menos favorecidas, o desmoronamento das instituições políticas mais populares e o aumento de poder da extrema-direita”.
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