19/02/2014

Perante o referendo de Anova

Antom Fente Parada
 
 
Há agora exatamente um mês publicamos neste blogue um artigo intitulado "Quê se joga a esquerda nas eleições europeias?" em que se exprimia a nossa visão do que devia(m) ser a(s) frente(s) ampla(s) que precisa Europa.

Este domingo a militância de Anova-Irmandade Nacionalista está chamada, após um longo processo participativo e de debate que contou com uma Conferência Nacional em que se aprovou o programa para as europeias, a escolher em referendo a fórmula para apresentar-nos às eleições europeias. Nas quase quarenta mesas, repartidas por todo a nação, a militância terá que decidir entre as seguintes opções:

1.- Que Anova participe integrada na candidatura de Izquierda Unida a nível estatal com um posto reservado entre os postos de saída.

2.- Que Anova conforme uma coligação com forças políticas da esquerda nacionalista das nações sem estado e plataformas cívico-políticas de esquerda e rupturistas. Esta opção é coincidente com o que expriamos no já citado artigo "Que se joga a esquerda nas eleições europeias?".

3.- Que Anova não concorra no processo eleitoral.

Aliás, de aprovar-se a opção 2, que permite configurar uma frente ampla e dar campo à política de alianças dinâmica, uma vez concretada a frente ampla precisaria ser submetida novamente a decisão de toda a militância de Anova num novo referendo num processo de participação exemplar. Desta arte, a militância também deverá decidir se ratifica o programa de Anova para as eleições europeias aprovado na Conferência Nacional: programa de Anova para Europa.

Como já se deixamos ver, nesta achega pedimos o voto para a opção 2, por ser a opção mais compatível com a frente ampla não excluinte e o ensaio de quebra democrática do que reiteradamente falamos em Anova-Irmandade Nacionalista. A frente ampla que deve exercer num duplo âmbito: como poder eleitoral e como poder social em ação, ou seja, junguindo as forças da esquerda política e social.

Se a não participação é perder uma oportunidade e uma irresponsabilidade manifesta, a escolha de irmos integrados na candidatura de IU é, em nossa opinião, a opção mais afastada dos nossos princípios, e ainda do nosso projeto estratégico, e impediria a consolidação de Anova como organização da esquerda nacionalista do século XXI tal e como proclamamos na nossa Assembleia Constituinte.

Nem que dizer tem que acumular forças para a rutura democrática exige praticar a inclusão entre o maior número de partidos e plataformas cívico-políticas, longe de cingir-nos a uma única força. Igualmente é falso falar de AGE neste contexto pois Equo já anunciou a sua posição e esta coligação técnica eleitoral foi criada para o parlamento da Galiza. Aliás, achamos vital para o respeito ao direito a decidir constituir uma frente com o epicentro na esquerda soberanista das nações sem estado.

A segunda opção permite falarmos com todas as organizações sociais e com todas as forças políticas para criarmos uma frente ampla consituida por diversos atores que aguardemos sejam os máximos possíveis para racharmos com a hegemonia dos partidos dinásticos da II Restauração bourbónica.

O domingo Anova joga-se muito, o seu futuro e a sua consolidação como movimento político organizado para a emancipação nacional e social da Galiza. 

#anovaeuropa.


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