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03/09/2012

O imenso buraco negro da economia global

Por Sarah Jaffe, no Alternet | Reproduzido por Carta Maior, com tradução de Libório JúniorArtigo tirado de Outras Palavras (aqui). Á revolta entre a mocidade é um projeto aberto a colaborações e desenvolvido completamente com achegas de militantes ligado com o Encontro Irmandinho e com Anova Irmandade Nacionalista.  Encorajamos-vos a colaborar para podermos continuar vertendo ao galego as vozes críticas do planeta. 

Novo relatório disseca “mundo offshore” — rede planetária de instituições financeiras onde os 0,1% mais ricos escondem (e manipulam) algo como PIBs dos EUA e China combinados
“Vinte e e um trilhões - com “t” - de dólares. Eis o que as pessoas mais ricas do mundo escondem em paraísos fiscais internacionais. Embora a quantidade real possa ser maior, chegando aos 32 trilhões, uma vez que, claro, é quase impossível conhecê-la com exatidão. Ao mesmo tempo em que os governos cortam o gasto público e demitem os trabalhadores, em prol de uma maior “austeridade” obrigada pela desaceleração da economia, os super-ricos - menos de 10 milhões de pessoas - esconderam longe do alcance do arrecadador de impostos uma quantidade igual às economias japonesa e estadunidense juntas.Os dados são de um novo relatórioda Tax Justice Network (Rede para a justiça tributária) [1] cujas conclusões são impactantes. As receitas fiscais perdidas graças aos refúgios fiscais extraterritoriais – offshore -, afirma o relatório, “são suficientemente grandes para marcar uma diferença significativa em todas nossas medidas convencionais da desigualdade. Dado que a maior parte da riqueza financeira desaparecida pertence a uma pequena elite, o efeito é assustador”.James S. Henry, ex-economista chefe em McKinsey & Co, autor do livro The Blood Bankers (Os banqueiros ensanguentados) assim como de artigos em publicações como o The Nation e o The New York Times, procurou suas informações no Banco de Compensações Internacionais,no Fundo Monetário Internacional, no Banco Mundial, nas Nações Unidas, nos bancos centrais e analistas do setor privado, e descobriu os contornos da gigantesca reserva de dinheiro que flutua nesse lugar nebuloso conhecido como offshore. (E isso que só se ocupou do dinheiro em espécie: o relatório deixa de lado coisas como bens de raízes, iates, obras de arte e outras formas de riqueza que os super-ricos escondem, livres de impostos, nos paraísos fiscais extraterritoriais.)Henry refere-se a eles como um “buraco negro” na economia mundial e afirma que, “apesar de ter muito cuidado em ser cauteloso, por prudência, os resultados são assustadores.”

Há uma grade quantidade de informação para analisar neste relatório, pelo que nos limitamos aqui a seis coisas que devemos saber sobre o dinheiro que os mais ricos do mundo escondem de nós.
1. APRESENTAMOS-LHES O TOP 0,001%
“Segundo nossas estimativas, pelo menos um terço de toda a riqueza financeira privada, e quase a metade de toda a riqueza offshore, é agora propriedade das 91.000 pessoas mais ricas do mundo: só 0,001% da população mundial”, diz o relatório. Esses 91.000 que formam o vértice da pirâmide têm cerca de 9,8 trilhões de dólares do total estimado neste estudo, e menos de dez milhões de pessoas detêm todo o volume de dinheiro em espécie.Quem são essas pessoas? Sabemos que são os mais ricos, mas o que mais sabemos deles? O relatório menciona “especuladores imobiliários chineses e magnatas do software de Vale do Silício, com idades em torno de trinta anos”, e em seguida estão aqueles cuja riqueza provém do petróleo e do tráfico de drogas. Não menciona, mas poderia, os candidatos presidenciais dos Estados Unidos. Por exemplo, Mitt Romney que recebeu fortes críticas por ter dinheiro guardado em uma conta bancária na Suíça e em investimentos nas Ilhas Cayman, segundo o site Politifact [2].Os narcotraficantes têm necessidade, é claro, de ocultar seus lucros ilícitos, mas muitos dos outros super-ricos pretendem simplesmente evitar o pagamento de impostos, para o qual constroem complicadas redes de empresas e investimentos só para deduzir um pouco mais da fatura fiscal que pagam em seu país de origem. Tudo ajuda.

2. ONDE ESTÁ O DINHEIRO? É DIFÍCIL SABER

Offshore, segundo Henry, não é já um lugar físico, embora existam vários lugares, como Singapura e Suíça, que ainda se especializam em proporcionar “residências físicas seguras e fiscalmente interessantes” aos ricos do mundo.Mas nestes tempos que correm, a riqueza offshore é virtual. Henry a descreve como algo nominal, hiperportátil, multijurisdicional, seguidamente lugar temporário de redes de entidades e acordos legais ou quase legais. Uma empresa pode estar situada em uma jurisdição, ser propriedade de um testa de ferro localizado em outro lugar e ser administrada por testas de ferro de um terceiro lugar. “Em última instancia, portanto, o termooffshorese refere a um conjunto de capacidades” e não tanto a um ou vários lugares.Também é importante, afirma o relatório, distinguir entre os “paraísos intermediários” - lugares nos quais pensam a maioria das pessoas quando se fala de paraísos fiscais, como as Ilhas Cayman de Mitt Romney, as Bermudas ou a Suíça - e os “paraísos de destino“, que incluem os EUA, o Reino Unido e inclusive a Alemanha. Esses destinos são desejáveis já que proporcionam “mercados de valores relativamente eficientes e regulados, bancos respaldados por grandes populações de contribuintes, e companhias de seguro. Além de códigos jurídicos desenvolvidos, advogados competentes, poder judicial independente e Estado de direito.”Assim, pois, os mesmos que escapam do pagamento de impostos distribuindo seu dinheiro por diferentes lugares, se aproveitam dos serviços financiados pelos contribuintes para fazê-lo. E nos EUA, alguns estados começaram, desde a década de 1990, a oferecer entidades jurídicas a baixo custo “cujos níveis de confidencialidade, proteção frente aos credores e vantagens fiscais rivalizam com os dos tradicionais paraísos fiscais secretos do mundo.” Adicione a isso a porcentagem cada vez menor dos impostos que os ricos e as empresas estadunidenses pagam e verão que estamos começando a ter um aspecto muito atrativo para aqueles que tratam de camuflar seu dinheiro.
3. GRANDES BANCOS RESGATADOS DIRIGEM ESSE NEGÓCIO
Mas quem facilita esse processo? Alguns nomes familiares saem rapidamente à superfície quando se vasculha os dados: Goldman Sachs, UBS e Credit Suisse são os três primeiros, e o Bank of America, Wells Fargo e JP Morgan Chase estão no Top-10. Segundo afirma o relatório, “agora podemos acrescentar algo a mais a sua lista de distinções: são os atores principais dos refúgios fiscais de todo o mundo e ferramentas chave do injusto sistema tributário global”. No final de 2010, os maiores cinquenta bancos privados administravam cerca de 12,1 trilhões de dólares em “ativos trans fronteiriços” investidos por seus clientes. É mais do que o dobro da cifra de 2005, e representa taxa média de crescimento anual superior a 16%.”Desde bancos a empresas contábeis e advogados corporativos, algumas das maiores empresas do mundo são parte da trama de evasão fiscal global”, escreve no The Guardian a investigadora financeira (e ex-trader de Goldman Sachs) Lydia Prieg. “Essas empresas não são pessoas jurídicas as quais possamos chamar a atenção para que paguem sua parte justa; sua razão de ser consiste em maximizar seus lucros e os de seus clientes.”"Até finais da década de 2000″, afirma Henry, “a sabedoria convencional entre os capitalistas evasores era: ‘O que existe de mais seguro que os bancos suíços, estadunidenses ou britânicos etiquetados como grandes demais para falir? ’” Sem os resgates que acompanharam a crise financeira de 2008 – acrescenta - muitos dos bancos que estão escondendo dinheiro em espécie para os ultrarricos já não existiriam. “Dar por certo o apoio dos governos é precisamente a razão principal pela qual os super-ricos fazem seus negócios com os bancos de maior tamanho.”

4. A DESIGUALDADE É PIOR DO QUE ACREDITAMOS

Com toda esta riqueza oculta em todo o mundo, impossível de contar e de tributar – afirma a Tax Justice Network -, não resta dúvida de que estamos subestimando a desigualdade de ingressos e riqueza realmente existente. Stewart Lansley, autor de The Cost of Inequality(O custo da desigualdade), assegurou a Heather Stewart, do The Guardian: “Não há absolutamente nenhuma dúvida de que as estatísticas sobre a renda e a riqueza dos de cima diminuem a magnitude do problema“.

Ao calcular o coeficiente GINI, que mede a desigualdade em uma sociedade, disse, “Não se recolhem os dados dos multimilionários, e inclusive quando se faz, não é adequadamente“.
Esse é um assunto tão importante que a Tax Justice Network incluiu um segundo relatório, ao mesmo tempo em que o de Henry, titulado“Inequality: You don’t know the half of it” [3] (Desigualdade: você não conhece nem a metade). O estudo detalha todos os problemas da forma em que agora calculamos a desigualdade; seguidamente parecem ser, em essência, que não temos uma medida exata da verdadeira riqueza dos super-ricos. Os dados sobre ingressos fiscais estão disponíveis, mas se na realidade há trilhões escondidos por todo o mundo nos paraísos fiscais, como calcular os ingressos reais dos mais ricos do mundo?
A desigualdade disparou em todo o mundo, segundo os cálculos frequentemente utilizados. Se o 1% superior da população dos EUA não só é dono de 35,6% da riqueza, por exemplo, mas que também tem um volume de dinheiro muito maior escondido em algum lugar, que significado tem isto para nós?
Não esqueçamos, afirma o relatório, que “a desigualdade é uma opção política. Ou seja, nós decidimos o que fazer como sociedade baseando-nos no montante de desigualdade que consideramos tolerável ou justo. Se esse montante é muito maior do que pensamos, de que forma desvaloriza nossas prioridades? Muitos estadunidenses já estão mal informados acerca de seu nível de desigualdade, mas este estudo confirma que inclusive os supostos especialistas estão subestimando em muito o problema”.
5. OS PAÍSES “ENDIVIDADOS” NÃO DEVEM, NA REALIDADE, NADA
O relatório de Henry destaca um subgrupo de 139 países, de ingressos baixos ou médios, e destaca que, segundo a maioria dos cálculos, os ditos 139 países tinham, em conjunto, dívida superior a quatro trilhões de dólares no final de 2010. Mas ao se tomar em conta todo o dinheiro que se acumula offshore, os países, na verdade, teriam uma dívida negativa de 10 trilhões de dólares, ou como Henry escreve:” Uma vez tomados em consideração esses ativos ocultos e os ingressos que geram, muitos antigos países “devedores” seriam, de fato, países ricos. Mas o problema é que sua riqueza está depositada offshore, em mãos de suas próprias elites e seus banqueiros privados”.Henry afirma também que os países em desenvolvimento em seu conjunto terminam sendo credores do mundo desenvolvido, em lugar de devedores, e o foram durante mais de uma década. “Isso significa que se trata realmente de um problema de justiça tributária, não simplesmente de ‘dívida’”.Mas essas dívidas, como afirmamos, recaem nos ombros dos trabalhadores desses países, que não podem desfrutar das vantagens dos sofisticados paraísos fiscais.E isso, é claro, não é só um problema do mundo em desenvolvimento. Hoje em dia, afirma Henry, o mundo desenvolvido tem sua própria crise da dívida (vejam-se os problemas atuais da zona do euro). O economista francês Thomas Piketty afirma, “a riqueza depositada em paraísos fiscais é provavelmente de um montante suficiente para converter a Europa em um credor muito grande com respeito ao resto do mundo”.
6. QUANTO ESTAMOS PERDENDO?
Aqui está o centro da questão, não? É impossível saber a exatamente, é claro, devido a que as cifras são só estimativas, mas Henry calcula que se esses 21 trilhões de dólares não declarados obtivessem taxa de rendimento de 3% e os ingressos se gravaram em 30%, por si só gerariam receitas fiscais de cerca de 190 bilhões de dólares. Se a quantidade total de dinheiro colocada em paraísos fiscais fosse próxima à estimativa mais alta, ou seja, 32 trilhões de dólares, se obteriam cerca de 280 bilhões, o que é aproximadamente o dobro do montante que os países da OCDE gastam em ajuda ao desenvolvimento. Em outras palavras, uma enorme quantidade de dinheiro. E isso levando em conta que um rendimento de 3% é um cálculo muito prudente. Estamos falando unicamente de impostos sobre a renda: os impostos sobre os lucros, impostos à herança e outros renderiam ainda mais.Por isso Henry afirma que, no final das contas, poderíamos tomar este assunto como uma boa notícia. “O mundo acaba de localizar uma quantidade enorme de riqueza financeira que poderia ser utilizada para contribuir à solução dos problemas mundiais mais urgentes”.”Temos a oportunidade de pensar não só acerca de como prevenir alguns dos abusos que conduziram a esta situação, mas também de pensar na melhor maneira de fazer uso dos ingressos atualmente não tributáveis que gera.”

NOTAS
Leia também:

16/04/2012

Carta dun investigador a el-rei Xoán Carlos

Alberto Sicilia. Artigo tirado de Principia Marsupia (aquí) e traducido por Revolta Irmandiña para o galego.



Querido Xoán Carlos,

Chámome Alberto Sicilia, e son investigador de física teórica na Universidade Complutense de Madrid. Até o ano pasado, ensinaba na Universidade de Cambridge. Decidín regresar ao Reino de España porque quería contribuír para o avance científico do noso país.

Ás poucas semanas de chegar, leveime a primeira alegría: Francisco Camps obtiña un doutoramento cum laude apenas 6 meses despois de dimitir como presidente da Generalitat. Escribín dúas cartas para felicitalo, mais non me respondeu. Paco debe estar moi ocupado. Quizais o contratou Amancio Ortega para que deseñe a colección de traxes primavera-verán.

Abrín a segunda botella de champaña ao coñecer os Orzamentos Xerais recentemente presentados. O investimento en ciencia recórtase en 600 millóns de euros. Imaxínate que se nos ocorre apostar pola investigación e acabamos gañando un Nobel: crebariamos a orde xeopolítica mundial. Até agora, os Nobel científicos son para británicos, alemáns, franceses ou americanos. Nós levámonos os Tours, os Rolland Garros e as Champions League. Se empezásemos a gañar tamén en ciencia, que consolo quedaría para David, Angela, Nicolas e Barack?

Sufrín a terceira e definitiva conmoción ao saber do teu safari. Din os xornais que custou 37.000 euros, dous anos do meu salario. Os que nos dedicamos á ciencia non o facemos por diñeiro. Ao terminar as nosas teses doutorais en física teórica, algúns compañeiros fóronse traballar para Goldman Sachs, JP Morgan ou Google. Quen continuamos investigando fixémolo por paixón. A ciencia é unha das aventuras máis fermosas nas que se embarcou a especie humana. Ao regresar a España, entendín que atravesabamos unha situación económica complicada. Por iso aceptei traballar con moitos menos recursos dos que ofrecía Cambridge e un soldo inferior ao que gañaba cando era estudante de primeiro ano de doutoramento en París.

Xoancar, teño que darche as grazas. A túa aventura en Botsuana fíxome comprender, definitivamente, como é o país ao que regresei.

Regresei a un país onde o Xefe do Estado vaise a cazar elefantes mentres cinco millóns de persoas non teñen emprego. Regresei a un país onde o Xefe do Estado opérase de prótese de cadeira nunha clínica privada, mentres miles de compatriotas esperan meses para a mesma intervención. Regresei a un país onde o Xefe do Estado vaise de vacacións en jet privado mentres se fulminan as axudas ás persoas dependentes.

Que eu me marche a outro lugar para seguir as miñas investigacións non será unha grande perda para España. Non son o Einstein da miña xeración. Porén desespérame pensar nalgúns físicos da miña idade que son xa referentes mundiais nas mellores universidades. Moitos deles soñaban con regresar un día a España. Tiñamos a oportunidade de cambiar, ao fin, a escuálida tradición científica do noso país. Nunca volverán.

Convertemos España nun grande coto de caza. Pero aquí non se perseguen elefantes nin paspallás, senón investigadores. Deica pouco poderemos solicitar subvencións a WWF por ser especie en extinción.

Permíteme terminar con outra cuestión que me turba. En África hai centos de mozos españois traballando como cooperantes en ONGs. Mozos e mozas que viven lonxe das súas familias porque queren aliviar o sufrimento humano e construír un mundo máis decente. Se tiñas tantas ganas de viaxar a África, porqué non fuches a abrazar a eses raparigos e a lembrarlles o fachendosos que estamos deles?

Xoancar, no teu último discurso de Nadal afirmaches que "todos, sobre todo as persoas con responsabilidades públicas, temos o deber de observar un comportamento adecuado, un comportamento exemplar". E digo eu, se uns meses despois tiñas planeado ir cazar elefantes, por qué no te callas?

Dr. Alberto Sicilia.

Krugman contra Minsky: en quen deberíamos acreditar en cuestións bancarias?

Randall Wray. Artigo tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por Revolta IrmandiñaRandall Wray é un dos analistas económicos máis respectados de Estados Unidos. Colabora co proxecto newdeal 2.0 e escribe regularmente en New Economic Perspectives. Profesor de economía na University of Missouri-Kansas City e investigador no Center for Full Employment and Price Stability. Foi presidente da Association for Institutionalist Thought (AFIT) e formou parte do comité de dirección da Association for Evolutionary Economics (AFEE). Randall Wray traballou durante moito tempo na análise de problemas de política monetaria, macroeconomía e políticas de pleno emprego. É autor de Understanding Modern Money: The Key to Full Employment and Price Stability (Elgar, 1998) e Money and Credit in Capitalist Economies (Elgar 1990). 

"Sempre houbo outra tradición, a cal se remonta á Escola Bancaria de principios do século dezanove, que pasa por Marx e Keynes, por Schumpeter, Gurley e Shaw, Minsky, N. Kaldor, B. Moore, e finalmente, o seu seguro servidor nos 80. Chámase o enfoque do "diñeiro endóxeno", e insiste en que os bancos centrais non poden controlar a creación de diñeiro privado polos bancos mediante o control das reservas."



Os próximos 15 e 16 de abril celebrarase en Berlín un importante Simposium científico, que reunirá a unha boa parte dos máis destacados economistas críticos ou heterodoxos do mundo. Steve Keen publicou hai pouco máis dunha semana na súa bitácora un pequeno resumo do seu relatorio berlinés. Esa publicación foi replicada por Krugman na súa bitácora (Debtwatch), e esa réplica desencadeou nuns poucos días unha copiosa e interesante polémica teórica con múltiplos participantes, que en certo xeito vén revivir a vella polémica -Cambridge contra Cambridge, Mass.- que fai preto de 50 anos enfrontou aos discípulos directos de Keynes en Cambridge, Reino Unido, co "keynesianismo bastardo" (Joan Robinson) da "síntese neoclásica" de Samuelson e os seus alumnos norteamericanos de Cambridge, Mass. O que entón non pasou dunha polémica que os ortodoxos, aínda perdéndoa, conseguiron confinar nas publicacións e os recintos puramente académicos, é agora unha polémica pública, que se desenvolve en blogues de acceso aberto aos leigos e que versa, non sobre un tema teórico-abstracto -o concepto de "capital"-, senón sobre un asunto de máxima e perentoria actualidade política e práctica, cal é o do papel que a teoría económica concede á moeda, á actividade bancaria, e en xeral, ás institucións financeiras. Reproducimos nesta entrega a réplica de Seteve Keen á primeira crítica de Krugman, así como o artigo que segue, de grande eficacia didáctica, escrito por Randall Wray sobre o alcance da polémica e as limitacións neoclásicas de Krugman como fonte da súa incomprensión dos problemas monetarios e financeiros.

A semana pasada destaquei a relevancia de Minsky, explicando as súas principais contribucións. Pódense ler en: http://www.economonitor.com/lrwray/2012/03/27/why-minsky-matters-part-one/#idc-container

Isto deu, en parte, como resposta ao blogue de Paul Krugman no que se desestimaba a importancia de tentar descifrar "o que Minsky en verdade quería dicir". Ver: http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/03/27/minksy-and-methodology-wonkish/

Con todo, máis importante aínda, significou unha resposta á súa defensa dun modelo simplista da dinámica de deflación de débeda que presentaba aos bancos coma se estivesen fose de escena. Segundo Krugman, os bancos non son relevantes xa que o único que fan é intermediar entre quen aforra e quen inviste, recibindo ingresos e converténdoos en préstamos.

No meu blogue, a semana pasada, prometín profundar no enfoque bancario de Minsky. Xusto a tempo, Krugman estendeuse nas súas opinións, as cales poden lerse no seguinte post: http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/03/27/banking-mysticism/

Agora sei que a especialidade de Krugman non son os sistemas monetarios nin os bancarios, así que non se lle pode esixir unha comprensión profunda dos detalles técnicos. No entanto, é un destacado columnista e escritor de libros de texto, así que se pretende explaiarse sobre "que fan os bancos", debería polo menos comprender as ideas básicas correctamente.

Por desgraza non ocorre así. De feito, o seu enfoque pertence ao século pasado, se non máis atrás. Pode alguén imaxinarse a un científico que escriba no NY Times e presente a física newtoniana como estado da arte?

En caso de existir un "misticismo" bancario, estaría máis ao lado do que Krugman presenta, que do do que argüen os seguidores de Minsky. É certo, necesitamos a Minsky, cuxo enfoque, incluso o dos anos 1950, revélase máis válido no mundo bancario actual que o de Krugman.

Non pretendo faltar a ninguén o respecto. Como o resto dos seguidores de Krugman, creo que é un dos mellores columnistas do NY Times, e cobre un amplo espectro de temas con grande profundidade. Con todo, un non pode fiarse del en temas monetarios, pois simplemente non os comprende. O que nos presenta é unha estraña combinación das teorías de principios do século vinte cunha visión moi particular que se remonta ao século dezanove, baseada nunha historia sobre un ourive aínda máis antiga. Explicareime.

A partir dos anos 20 do século pasado, propagouse un peculiar malentendido segundo o cal a cantidade de reservas bancarias emitidas pola Fed poderían dalgún modo controlar os préstamos bancarios e a creación de depósitos. Isto chamouse enfoque do "diñeiro exógeno" (o diñeiro fornecido contrólao de forma "exógena" o banco central mediante a restrición da cantidade de reservas fornecidas). Converteuse no punto de partida do monetarismo de Milton Friedman (que finalmente acabou no desastroso Grande Experimento do Monetarismo de principios dos 80 nos EUA e Reino Unido, no cal os bancos centrais tentaron unha focalización formal do crecemento da inxección de diñeiro).

Non funcionou, e todos os bancos centrais nacionais abandonaron a focalización do diñeiro inmediatamente nos 90.

Sempre houbo outra tradición, a cal se remonta á Escola Bancaria de principios do século dezanove, que pasa por Marx e Keynes, por Schumpeter, Gurley e Shaw, Minsky, N. Kaldor, B. Moore, e finalmente, o seu seguro servidor nos 80. Chámase o enfoque do "diñeiro endóxeno", e insiste en que os bancos centrais non poden controlar a creación de diñeiro privado polos bancos mediante o control das reservas.

Todo isto parece demasiado retorto para un blogue como este; mais a idea, de forma simple e breve, reza así: os bancos centrais modernos son responsábeis de manter un sistema de pagos que opere sen complicacións, o cal, entre outras cousas, require responsabilidades bancarias claras desde o principio (que un depósito dun dólar en Chase se valore o mesmo que un depósito dun dólar no Banco de America). A Fed asegúrase de que os depositantes poidan utilizar os caixeiros automáticos. Isto significa que os bancos deben ter tantas reservas como se requira. Por tanto, o control da Fed baséase no "prezo" e non na "cantidade": pode fixar a taxa de xuro á cal preste reservas aos bancos, mais non determinar a cantidade.

Máis aló da teoría, os requirimentos de reserva bancaria (os coeficientes obrigatorios) calcúlanse en base aos depósitos creados até seis semanas antes. Así, a cantidade de reservas que se require aos bancos para manter sistemas como o que utilizamos nos EUA. (coa proporción de reserva obrigatoria) é sempre unha función dos depósitos históricos. De novo, o control do banco central recae sobre o prezo, non sobre a cantidade. Finalmente, os bancos centrais modernos traballan con obxectivos de taxa de xuro (a Fed estipula os seus obxectivos de taxa de fondos fed), o cal de novo significa que a Fed pode fixar o "prezo" e despois inxectar as reservas necesarias para alcanzar os obxectivos de taxas de fondos fed.

Aínda así, custou moito tempo que os libros de texto estadounidenses se puxeran ao día, e Krugman non é o único escritor deste tipo de libros que aínda non o comprende (nótese que sigo amentando aos escritores de libros de texto estadounidenses, pois aqueles fóra dos EUA fixeron un traballo moito mellor; por exemplo, Charles Goodhart no Reino Unido escribiu hai tempo un libro de texto no que se comprendía perfectamente estas ideas).

No entanto, no seu blogue, os erros de Krugman van máis aló do típico erro de libro de texto. Argüe que os bancos en verdade non crean diñeiro "da nada" ou "do aire", senón que recibirían depósitos e canalizaríanos en préstamos. Este é un erro que mesmo os peores libros de texto xa non cometen.

Citarei só tres pasaxes relevantes de Krugman para resumir o seu enfoque:
 "os autoproclamados verdadeiros Minskystas ven os bancos como institucións que dalgunha maneira sáense das regras que se aplican ao resto da economía, que teñen poderes únicos sobre o ben e o mal...
Primeiro de nada, calquera banco individual ten que, de feito, prestar o diñeiro que recibe en depósitos. Os oficiais de préstamos bancarios non poden emitir cheques se non os sacan dalgún sitio; como empregados de calquera intermediario financeiro, deben comprar activos cos fondos que teñen en man. Espero que isto non resulte polémico, a pesar de que, sabendo o que ocorre sempre que discutimos sobre bancos, xa asumo que esta mera proposición provocará un escándalo...
Si, un préstamo xeralmente é depositado noutro banco, mais o destinatario do préstamo pode, e ás veces faio rapidamente, retirar os seus fondos, non en forma de cheque, pero si de divisas. Ademais a subministración de divisas está limitado, e o límite márcano as decisións da Fed. Así que non existe un proceso automático polo cal un incremento dos préstamos bancarios produza o suficiente aumento de depósitos para apoiar os devanditos préstamos, e o factor limitador clave do volume do estado financeiro dos bancos é a cantidade de base monetaria que crea a Fed, mesmo aínda que os bancos non posúan reservas...".

Veremos máis adiante o especiais que o propio Minsky consideraba aos bancos. De momento, centrémonos no enfoque de Krugman: os bancos poden emitir cheques "sacados do aire" mais deben, mellor, utilizar "os fondos que teñen en man". Ademais, os bancos están limitados polas divisas que se "fornecen de forma limitada", límite fixado polas "decisións da Fed".

Krugman dá marcha atrás á teoría monetaria até polo menos un século.

Scott Fullwiler fixo unha análise moi bela sobre Krugman: http://neweconomicperspectives.org/2012/04/krugmans-flashing-neon-sign.html. Nel analiza o estado financeiro e rebate a Krugman punto por punto. Non hai motivo para repetir unha refutación tan detallada.

Prefiro ofrecer, en troques, unha visión xeral do enfoque de Minsky sobre a natureza do sistema bancario. Que é o que fan os bancos? Os lectores deberán primeiro de nada entender este punto básico, despois ler o artigo de Scott para entrar en detalle e, finalmente, decidir se optan por confiar en Minsky ou en Krugman na cuestión dos bancos.

Porén antes de proceder, mirémolo deste xeito: un depósito bancario é o pagarei do banco, que demostra o grao de confiabilidade do estado financeiro do banco. Os bancos teñen billóns e billóns de dólares destes pagarés nos seus estados financeiros (nos EUA temos dous bancos cada un dos cales por si só emitiu 2 billóns de dólares en pagarés, e outros tantos que non son moito menores). Os pagarés son "pasivos continxentes" no sentido de que os acredores dos bancos poden insistir en "pago" ou "conversión a efectivo" ben sobre demanda ("depósito á vista"), ben tras un período de espera ("depósito temporal") ou ben tras algún evento especificado.

O erro de Krugman está en pensar que os bancos operan como "prestamistas de diñeiro" que esperan nas esquinas das rúas de Chicago, tomando depósitos de moeda e prestándoos logo a taxas de xuro máis altas (usureiras). Supostamente os bancos gardan algo do diñeiro como reservas para cubrir a retirada de depósitos. Con todo, como a Fed limita a cantidade de diñeiro, os préstamos bancarios están limitados.

Pero como ía ocorrer así? En primeiro lugar, as matemáticas non cadran. A cantidade total de efectivo existente é menor dun billón de dólares, e estímase que polo menos a metade está fóra dos EUA, utilizado principalmente para financiar actividades ilegais en mercados negros, tráfico de armas e de drogas (o cal é tamén principalmente para o que se usa o efectivo dentro dos EUA). Así que só unha pequena porción do efectivo total está dispoñíbel para que os bancos o recíban en depósitos e poidan conceder préstamos. A pesar de todo, teñen billóns e billóns de depósitos no seu estado financeiro e emitiron unha cantidade equivalente en pagarés.

Pense na última vez que foi ao banco... seica levou unha carretilla repleta de diñeiro para depositar, coa intención de que o seu estimado banqueiro puidese conceder uns cantos préstamos hipotecarios?

Sinceramente, só lembro unha vez no últimos cinco anos en que fixese un ingreso abundante en efectivo. Recibira uns 4000 dólares en reembolso de diñeiro de viaxe en Colombia (nunha oficina de intercambio de divisas escura e dalgunha forma horríbel) e vaguei polas rúas de Bogotá cun enorme e sospeitoso vulto de estampillas de Ben Franklin no meu peto. Por sorte cheguei a casa san e salvo e inmediatamente depositeino na sucursal máis próxima.

A parte desta, todas as miñas transaccións monetarias ocorreron ao revés (extraccións no caixeiro automático). Se un pensa niso, poucas veces se ve a alguén facendo depósitos de grandes cantidades nos bancos. A non ser que se teña un negocio que manexe efectivo a grande escala (tráfico de drogas ou recollida de lixo), un non recibe o diñeiro suficiente para manter ao seu banco abastecido de papel verde.

O que hoxe en día vexo é que case todo o mundo que vai ao banco saca diñeiro! Os bancos provén diñeiro, non o reciben para poder conceder préstamos. Entón, como poden funcionar? Pois cada vez que os bancos necesitan efectivo para cubrir as demandas de retiro, non acoden aos depositantes senón á Fed. A Fed envía diñeiro aos bancos para almacenar nos caixeiros automáticos. A cambio, carga a débito reservas bancarias obtidas da propia Fed (estas non son máis que as "contas correntes" do sistema de banca privada da Fed).

Que pasa entón, se un banco ten poucas reservas? Negarase a Fed a enviar efectivo? Non. A Fed presta reservas para cubrir as necesidades de efectivo. En caso contrario, o banco tería que fechar, rexeitando cubrir as demandas de efectivo, o cal aterraría aos depositantes, quen fuxirían inmediatamente dos bancos. Así que, a non ser en casos excepcionais, un non atopa nunca os caixeiros automáticos fóra de servizo ou as portas dos bancos fechadas debido á falta de efectivo. De feito, a maioría de textos que coñezo sobre bancos ou diñeiro insisten en que o público non bancario determina a subministración de efectivo; xa que os bancos prometen unha subministración sobre demanda, a Fed proporciona aos bancos todo o que necesitan para cubrir as extraccións de diñeiro.

É a Fed a que trae as carretillas repletas de diñeiro aos bancos, NON os depositantes. Ademais a Fed non proporciona o efectivo para que os bancos poidan conceder préstamos, senón máis ben para cubrir as extraccións de depósitos.

Entón de onde saca a Fed as reservas que abona nas "contas correntes" dos bancos na Fed? De golpes de tecla "no ar". De onde saca a Fed os billetes verdes que envía aos caixeiros automáticos? De golpes de tecla no ar que dan a orde de imprimir máis.

Hai algún patron apreciábel? O diñeiro sempre se crea "do ar".

Así que parece que Krugman non entendeu do todo o negocio bancario. Calquera depósito que se ingrese nos bancos convértese case completamente en depósitos de pagarés bancarios. É todo diñeiro dos bancos. De onde saíu? Pois dos bancos. De onde o sacaron? Pois creárono. Como? Sacárono do ar.

Poñámolo doutro xeito. Un pode escribir un pagarei ao seu veciño: "déboche cinco pesos". É a túa responsabilidade financeira e o activo financeiro do veciño. De onde sae? Do ar.

Houbo que sacar efectivo primeiro para poder escribir o pagarei? Non. Hai que ter cinco dólares en efectivo para escribir o pagarei? Non.

Agora, hai que cancelar a débeda nalgún momento. Se o veciño presenta o pagarei para cancelar, haberá que proporcionarlle o diñeiro, escribir un cheque a conta do depósito bancario ou proporcionarlle algo que teña un valor mutuamente aceptado como equiparábel. Cando xa se cancelou a débeda, o veciño devolve o pagarei e escáchese en anaquiños.

Neste proceso "creouse  diñeiro" sacado do "ar"; o "diñeiro" era o pagarei denominado en dólares. (O diñeiro creado destrúese unha vez se pagou a débeda).

Pódese obxectar: pero como pode iso ser diñeiro? Se tan só era a miña débeda co meu veciño! Se nin sequera circulou! Se o meu veciño non puido comprar nada con el! Si, todo iso é certo.

Doutra banda, é concebíbel que un sexa ben coñecido e toda a veciñanza confíe nun. En tal caso, o veciño que recibiu o pagarei podería certamente transferilo como pago ao seu propio pagarei con outro veciño (un "terceiro"). Nese caso, este outro veciño podería presentarllo a un para cancelalo. Ou o veciño podería contratar a un mozo para cortar o céspede e que o mozo o presente para cancelar. Así, polo menos en teoría, o pagarei podería circular para pagar débedas ou contratar servizos.

Como sempre dixo Minsky: calquera pode crear diñeiro; o problema é que este diñeiro se acepte.

Ao que imos é ao grao de "monetización". Non pretendo dicir que este pagarei sexa tan válido como o dun banco; claramente non é o caso. Os bancos son especiais. A parte das divisas propias do goberno, nada cumpre mellor a función do diñeiro que os depósitos bancarios de pagarés.

Con todo, as liñas divisorias sempre foron difusas e hoxe en día sono aínda máis debido á batería de innovacións por parte dos bancos e outras institucións financeiras (o que agora chamamos "bancos na sombra"). Por exemplo, excepto en época de crise, os fondos de investimento do mercado monetario (emitidos polos bancos na sombra) son case equivalentes aos depósitos bancarios. En crise, de calquera forma, os rescates proporcionados polo goberno aos bancos en forma de seguros FDIC e as promesas de préstamos da Fed como último recurso fixeron dos pagarés bancarios apostas moito máis seguras que os pagarés dos bancos sombra.

Por tanto, a non ser que teñamos ao Tío Sam velando por nós, os pagarés serán "menos líquidos" e por tanto un diñeiro "inferior" en comparación cos depósitos bancarios. (Para dicilo todo, hai outros motivos polos cales os bancos son especiais, os cales inclúen a súa especialización en avaliacións, como determinar o valor dos créditos, a pesar de que está claro que os bancos máis consolidados esquecéronse de como facelo. Porén iso é outra historia).

Todo isto é un preámbulo a Minsky. A miña primeira lección sobre bancos e diñeiro obtívena de John Ranlett, quen utilizou o seu propio libro de texto (segue sendo unha boa fonte, en caso de poder atoparse). Ademais, por pura coincidencia, a miña compañeira Stephanie Kelton tamén estudou sistemas bancarios e monetarios con Ranlett. Cando Ranlett me ensinaba o "multiplicador de depósitos", entendíao como unha relación entre reservas e depósitos, non como que os bancos aceptaban literalmente depósitos e os canalizaban en préstamos. Máis aínda, sendo o único entre os libros de texto máis recentes, o seu mostraba que os gastos públicos incrementaban as reservas bancarias (non un tema para hoxe, pero si recoñecido pola Teoría Monetaria Moderna) as cales, tamén, créanse do "ar".

Só co feito de que Krugman estudase a Ranlett, nunca cometería un erro tan grave.

Afortunadamente, entón continuei estudando a Minsky, o cal probabelmente entendía o sistema bancario mellor que calquera economista académico.

Nalgún momento de 1983 pasoume un artigo escrito por Basil Moore sobre "contabilidade de reservas contemporánea" (máis adiante publicada na revista Journal of Post Keynesian Economics) e pediume que o lese e lle dese a miña opinión. O artigo versaba sobre os intentos da Fed por focalizar o crecemento de subministración monetaria a través do control de reservas, e argumentaba que mesmo cambiando os procedementos empregados para calcular as reservas obrigatorias (discutidos anteriormente) non terían éxito. Basil defendía que a Fed debía acomodarse á demanda de reservas dos bancos, e continuaba dicindo que deberiamos pensar na subministración de reservas como "horizontal" no obxectivo de taxa de xuro. Máis tarde, en 1998, publicou un libro co título Horizontalists and Verticalists. Baixo a dirección de Minsky, escribín unha tesiña e un libro (Money and Credit in Capitalist Economies) cun enfoque un pouco distinto do mesmo tema.

Non é necesario entrar en detalles. No entanto, si é importante dicir que hai toda unha literatura desenvolvida segundo os enfoques de persoas como John Ranlett, de forma que entre os economistas de hoxe, así como entre os lexisladores, o enfoque dominante é o do "diñeiro endóxeno". Resulta fácil atopar citas de economistas da Fed, o BIS, e outras axencias financeiras internacionais que apoien estes argumentos.

O que Krugman nos apresenta é equivalente á física do século XIX, tan pasada de moda, que non só é errónea, senón que, encima, resulta incómoda. Os seus enfoques sobre o control de préstamos bancarios por parte do banco central a través de restricións cuantitativas sobre as reservas foron rexeitados no tres últimas décadas por practicamente toda persoa competente neste campo. A súa visión dos bancos ingresando efectivo para despois conceder préstamos foi ademais desbotada xa nalgún momento do século XIX.

(Por último, segundo Krugman, "ao final, os bancos non cambian a noción básica das taxas de xuro determinadas pola súa preferencia de liquidez e os fondos prestábeis; si, os dous, porque a mensaxe de IS-LM [modelo Investimento/Aforro-Preferncia de Liquidez, polas súas siglas en inglés] é que ambos os enfoques, correctamente entendidos, son válidos". Aínda así o modelo do ISLM de síntese da teoría de preferencia de liquidez e fondos prestábeis mostrouse como unha confusión lóxica por parte de Keynes en 1937. En 1975 Duncan Foley demostrou que as relaciones fluxo-existencias do modelo son sospeitosas. Mesmo John Hicks, o creador do modelo, abandonouno por confuso e sensentido nos 1980. Ademais a corrente principal da macro finalmente refugou a curva LM tras o "Novo Consenso Monetario" desenvolvido a partir de 1990. Tamén niso resulta extemporáneo. Ben, mais todo isto é demasiado complicado para un blogue.)

Resumamos o enfoque de Minsky sobre bancos e diñeiro. En moitos dos seus escritos destacou seis puntos principais:

1. unha economía capitalista é un sistema financeiro;

2. a economía neoclásica non é útil, xa que nega a importancia do sistema financeiro;

3. a estrutura financeira volveuse moito máis débil;

4. esta fraxilidade fai probábel a posibilidade dun estancamento ou mesmo unha grande depresión;

5. unha economía capitalista estancada non fomentará o desenvolvemento do capital;

6. de calquera forma, isto pódese evitar cunha reforma apropiada da estrutura financeira en conxunción cun uso apropiado dos poderes fiscais do goberno.

Resulta capital no seu argumento entender o concepto de bancos desenvolvido por el mesmo. Centrareime no enfoque xeral de Minsky sobre as institucións e políticas financeiras; non farei ningunha recomendación específica sobre reformas de políticas.

Segundo Minsky, "Unha economía capitalista pode describirse como un conxunto de estados financeiros e de ingresos interrelacionados". Os activos nun estado financeiro son, ou ben financeiros ou ben reais, fixados para producir ingresos ou para ser vendidos ou cedidos en aval. As responsabilidades representan un compromiso prioritario para realizar pagos sobre demanda, nunha data especificada ou cando ocorre algunha continxencia. Os activos e as responsabilidades fíxanse denominados no diñeiro da conta e o excedente do valor dos activos sobre o valor das responsabilidades cóntase como valor neto nominal.

De feito, todas as unidades económicas (familias, empresas, institucións financeiras, gobernos) poden analizarse como "bancos", xa que todos toman unha posición nos activos ao emitir pasivos, mantendo marxes de seguridade para a súa protección. Unha marxe de seguridade é o exceso de ingresos que se espera xerar por propiedade de activos sobre as obrigacións de pago entrañadas polos pasivos. Outro é o valor neto (para un fluxo esperado de ingresos dado, canto maior é o valor dos activos relativo aos pasivos, maior é a marxe de seguridade). Outro máis é a liquidez da posición: se os activos poden venderse rapidamente ou garantirse como avais nun préstamo, a marxe de seguridade é maior.

Se o tempo de duración dos activos excede o dos pasivos en calquera unidade, entón as posicións deben ser refinanciadas contínuamente. Isto require "o funcionamento normal de varios mercados", incluíndo os mercados seguros no caso de que as canles normais de refinanciamento creben ou se volvan demasiado "caras".

Se ocorre un desaxuste, as unidades económicas que requiren un acceso continuo ao refinanciamento tentarán "tomar posicións" "vendendo posicións" (vendendo activos para cubrir as obrigacións de efectivo). Posto que os activos financeiros e os pasivos iguálanse a cero, a dinámica dunha venda xeneralizada consiste en conducir os prezos dos activos cara a cero, o que Irving Fisher chamou un proceso de deflación de débeda.

As institucións especialistas en finanzas poden tentar protexer os mercados estando preparadas para comprar ou prestar contra os activos, previndo así que os prezos caian. De calquera xeito, estarán atafegados por contaxio, e entón fecharán o garito e negaranse a proporcionar financiamento. Por este motivo, requírense as intervencións do banco central para protexer polo menos a algunhas institucións financeiras proporcionándolles temporalmente financiamento mediante facilidades de préstamo de último recurso. Como creador de diñeiro de alto poder, só o Estado (banco central máis facenda) pode comprar ou prestar en contra dos activos sen límite, proporcionando unha inxección infinitamente elástica de diñeiro de alto poder.

Estes son os argumentos xerais que se poden aplicar a calquera tipo de unidade económica. É ao que Minsky se refería cando dixo que calquera unidade pode ser analizada coma se fose un "banco", tomando posicións mediante a emisión de débeda.

Aínda así, as institucións financeiras son "especiais", porque operan con taxas de alto apalancamento: por cada dólar de activos, poden emitir 95 céntimos de pasivos; as súas posicións nos activos son realmente posicións "financiadas". Aínda máis, algúns tipos de institucións financeiras especialízanse en tomar posicións en activos financeiros de máis longo prazo á vez que emiten responsabilidades de curto prazo (isto é, colócanse intencionadamente na posición de requirir contínuamente refinanciamento).

Un exemplo extremo sería unha caixa de aforros de principios dos 80, que posuía hipotecas a 30 anos con taxas fixas á vez que emitía depósitos á vista. Tal institución require un acceso continuo ao refinanciamento en termos favorábeis, posto que a taxa de xuro que gaña é fixa e porque non pode vender activos facilmente. Isto pode describirse como unha posición carente de liquidez que require acceso a unha fonte de liquidez (bancos Federal Home Loan ou a Fed).

Aínda así hai outro tipo de institucións finacieras (bancos de investimento) que se especializan en preparar financiamentos mediante o posicionamento de accións ou débeda en carteiras utilizando os mercados. Baséanse máis tipicamente en cargos por ingresos que en xuros. En circunstancias normais, non tomarían estes activos directamente, mais se os mercados se desestabilizan, poderían ficar con activos despois difíciles de vender (aos prezos que prometeron), e por tanto, necesitarían acceso a un financiamento dos seus inventarios de accións e bonos. Algúns poden negociar activos por conta propia, xerando ingresos e gaños de capital, ou poden facelo para os seus clientes.

Por tanto, hai moitos tipos de institucións financeiras. Minsky distinguía entre bancas comerciais tradicionais, bancas de investimento, bancas universais e modelos de sociedades controlantes públicas.

Unha banca comercial tradicional concede unicamente préstamos a curto prazo que se avalan con bens de produción e distribución. Os préstamos convértense en bens axiña que se venden (este é o modelo da vella doutrina que Real Bills tiña en mente. As posicións da banca fináncianse mediante a emisión de responsabilidades a curto prazo, tales como depósitos á vista e de aforros, ou, no século XIX, cheques bancarios). As conexións dentro do banco, a "subministración de diñeiro" e a produción real aseméllanse (o tipo de relación que a teoría cuantitativa do diñeiro dá por sentada).

Esencialmente, a empresa adquire un préstamo para pagar os soldos e materias primas, e o banco avanza depósitos á vista recibidos dos traballadores e subministradores. Cando os produtos se venden, as empresas poden cancelar os préstamos. Os bancos cargan os préstamos con xuros máis altos que os depósitos que pagan (de forma que a marxe de xuro neto proporciona beneficios ao banco).

Cabe mencionar que os bancos non esperan de brazos cruzados a recibir depósitos para poder prestar. Máis ben o proceso ocorre ao revés: os bancos aceptan o pagarei da empresa que necesita pagar os seus ordenados e materias primas e despois crean o depósito (ou, antigamente, un cheque bancario) que a empresa utiliza para as súas compras. Como din os partidarios do diñeiro endóxeno: "os préstamos crean depósitos" (non nun sentido metafísico, senón no de que o banco "compra" o pagarei da empresa emitindo o seu propio depósito de pagarés. Así "financia" a súa posición no pagarei da empresa emitindo o seu propio depósito de pagarés).

Unha vez a empresa conclúe a produción e vende o produto final, recibe depósitos e utilízaos para cancelar o préstamo a curto prazo. Seguindo o que discutimos anteriormente, a empresa "redímese" devolvendo ao banco o propio pagarei do banco; o repago do préstamo "destrúe" os depósitos do banco (os préstamos e os depósitos no estado financeiro do banco cárganse de forma simultánea).

Agora, é probábel que moitas das vendas que realiza a empresa estexan destinadas a consumidores que utilizan outros bancos, de forma que a empresa reciba cheques bancarios emitidos noutros bancos (e os cancele no seu propio banco). Con todo, estes cheques cancélanse (ben a través da Fed, ou nun sistema interbancario privado) no seu valor nominal. Así que non é necesario que a empresa devolva ao seu banco o seu propio pagarei (os de calquera banco son válidos).

Se os depósitos pretenden manter a súa paridade (con outros bancos e con efectivo), as perdas nos activos deberán ser moi pequenas, posto que as accións da banca comercial deben absorver calquera redución de valor dos activos. É o deber do banqueiro comercial permanecer escéptico; como gostaba de dicir a Minsky, o clixé dun banqueiro é: "nunca vin unha Pro forma que non me gustase" (os prestamistas sempre presentan unha análise favorábel das súas perspectivas). Por iso é tan necesario avaliar con sumo coidado.

Mentres que resulta certo que os préstamos poden facerse contra avais (por exemplo, bens no proceso de produción e distribución), un banco exitoso apenas se verá forzado a aceptar o aval. Un banco non debería operar como unha casa de empeño. Como di Martin Mayer, a banca sempre foi un negocio en que o beneficios chegan co tempo, cando os prestatarios pagan os xuros. Alude á moralidade do prestamista, cuxo éxito depende do éxito do prestatario. Non di que apostar sobre o fracaso de quen nos concede o préstamo significa para un banco comercial atentar aos seus deberes. (Goldman Sachs debería prestar atención a isto).

O banqueiro ten a chave (é o "éforo do capitalismo", tal e como o chamaba o director orixinal da tesiña de Minsky, Josef Schumpeter), posto que os empresarios non só deben ser o suficientemente optimistas para investir, senón que ademais deben atopar un banqueiro que estea disposto a avanzarlles o custo dos soldos para poder obter resultados do investimento.

Ao financiar o custo dos soldos dos traballadores no sector de bens de investimento, os bancos comerciais fomentan o desenvolvemento do capital na economía aínda que non proporcionen financiamiento real para a toma de posicións en bens de investimento. Por tanto, podemos diferenciar entre producir bens de produción e telos en propiedade.

Para Schumpeter, e para Minsky tamén, o "éforo do capitalismo" rompe o ciclo básico de produción e consumo de bens salariais (no cal os bancos simplemente financian a produción de bens de consumo polos traballadores, cuxo consumo esgota exactamente o custo dos soldos requirido para producilos). Noutros termos, o éforo permite a xeración de beneficios mediante o gasto en financiamento por parte daqueles que non están directamente involucrados en producir bens de consumo.

Entrar en detalle conduciríanos a unha materia demasiado complicada. O seguinte paso sería discutir o papel da banca de investimento, cuxo banqueiro financia posicións a longo prazo en activos de capital. Esta é unha actividade moi distinta, que permite aos depositantes optar entre activos líquidos (financeiros) ou posicións en activos reais (ben directamente, posuíndo unha empresa, ou indirectamente, mediante a propiedade de accións). Glass Steagall mantivo a separación das funcións da banca de investimento e a comercial. As liñas non estaban moi claras cando ao principio permitíuse ás sociedades controlantes posuír ambos os tipos de bancas, e despois esnaquizou e revogou a Glass Steagall. Para aqueles interesados no enfoque de Minsky acerca destes temas, vexan a miña publicación no Levy Institute: http://www.levyinstitute.org/publications/?docid=1301

Recapitulemos:
1.-A banca non debe describirse como un proceso no que se aceptan depósitos para conceder préstamos.

2.- Máis ben, os bancos aceptan os pagarés dos prestatarios e despois crean depósitos de pagarés que os prestatarios poden gastar.

3.- De feito, é frecuente que o banco simplemente acepte o pagarei dun prestatario e logo cre o pago para devandito prestatario (asinando un cheque para o concesionario, por exemplo).

4.- Como todas as unidades da economía, os bancos financian posicións nos seus activos (incluíndo pagarés de prestatarios) mediante a emisión das súas propios pagarés (incluíndo depósitos á vista).

5.- Os bancos utilizan as reservas para compensar con outros bancos (e co goberno, un tema que non tratamos aquí). Os bancos tamén utilizan as reservas para cubrir as retiradas de efectivo dos clientes. As reservas bancarias no banco central cárganse a débito cando necesitan efectivo para as dicir retiradas.

6.- Nalgúns sistemas, incluíndo o dos EUA, o banco central fixa un coeficiente obrigatorio de reserva. No entanto, isto non proporciona ao banco central un control cuantitativo de préstamos e depósitos. Máis ben, o banco central fornece reservas sobre demanda, mais fixa o prezo ao cal fornece ditas reservas cando o seu obxectivo é a taxa de xuro do día seguinte. Nos EUA o obxectivo principal é a taxa dos fondos da Fed. O control da Fed sobre os bancos baséase nos prezos, non na cantidade de reservas.

Isto devólvenos ao enfoque bancario do século XX. Krugman podería obter un grande beneficio subíndose aos ombreiros dun xigante como Minsky.

12/04/2012

BRICS: a possível virada em Délhi

 Prem Shankar Jha.  Tirado de Outras Palavras (aqui). Tradução: Tadeu Breda.  Prem Shankar Jha é analista e jornalista indiano nascido em 1938. Já trabalhou para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), além de vários veículos de comunicação da Índia. Foi também consultor do Banco Mundial, membro da comissão indiana da Unesco e professor-visitante da universidades de Harvard, Virginia e Richmond, nos Estados Unidos



A Índia hospeda uma série de conferências internacionais todos os anos, e 90% delas não consegue nem mesmo ser citada pela imprensa internacional. Mas a cúpula dos BRICS, concluída em 29 de março, rompeu com essa tradição. Em apenas dois dias, a conferência virou notícia em pelo menos 624 jornais de grande circulação e canais de tevê em todo o mundo. O que possibilitou tamanha repercussão? A resposta mais curta é que, talvez, a mídia internacional tenha sentido que a bicentenária hegemonia do Ocidente está sendo desafiada por um mundo novo e cada vez mais interdependente.

Esse desafio ao poderio ocidental (e norte-americano, em particular) foi construído ao longo do tempo: está refletido na crescente determinação da China em manter os mares ao sul de seu território livres da presença militar e da influência econômica estrangeiras; é visível já há alguns anos na atuação do grupo islâmico radical Al Qaeda; foi demonstrado pelos vetos russo e chinês às resoluções do Conselho de Segurança que buscavam legitimar a queda do regime de Bassar Assad na Síria. Nesse contexto, o encontro dos BRICS — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — em Nova Délhi adquire especial relevância.

Apenas três dias antes da cúpula, um colunista do International Herald Tribune classificou os BRICS como “um bloco artificial construído em cima de um slogan”. Diferente da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e de outras agrupações, afirmou o articulista, não existe justificação regional ou comercial para os BRICS. Pelo contrário, todos os seus membros possuem relações econômicas prioritárias com o Ocidente. Além disso, a sigla que dá nome ao grupo foi inventado por um executivo da Goldman Sachs, cujo objetivo era aconselhar corporações transnacionais sobre a melhor forma de expandir suas atividades nas regiões que estavam em rápido crescimento após o início da globalização e da gradual desindustrialização do Ocidente.

Mais que uma sigla

Hoje, porém, os BRICS se transformaram em algo que vai muito além de sua sigla. A declaração de Délhi contém não apenas a mais abrangente crítica que jamais foi feita aos fracassos do Ocidente desde o final da Guerra Fria, como também traz esboços de um projeto alternativo para gerenciar um mundo cada vez mais interdependente — ou seja, o nosso.

A tarefa de elaborar esse plano B foi imposta aos BRICS pelas falhas do Ocidente. Tanto a crise financeira de 2008 como a recessão mundial iniciada em 2009 foram produtos da ganância e do desgoverno capitalista, que reinaram soberanos enquanto sucessivos países se esforçavam para desregulamentar todos os mercados, nacionais e internacionais, em nome da liberdade econômica e da produtividade. Só o que conseguiram foi transformar o mercado num terreno de caça para predadores econômicos.

Não devemos surpreender-nos, portanto, com as primeiras exigências dos BRICS, feitas lá atrás, em junho de 2009: todas se relacionavam à reforma das instituições financeiras internacionais, à uma reestruturação do sistema financeiro, à segurança energética, à mudança climática e ao comércio. E o tom era de cooperação: o objetivo dos BRICS — seus presidentes apressaram-se em dizer — era “expandir o consenso estratégico, consolidar a confiança mútua, coordenar-se entre si para enfrentar a crise” e traçar um plano para o desenvolvimento futuro do sistema econômico internacional.

Mas, na medida em que o caos financeiro se aprofundou e se espalhou para a política, os BRICS foram forçados a ampliar sua agenda e afinar o tom de suas declarações. A atuação do grupo deixou de ser exclusivamente econômica durante a terceira cúpula de chefes de Estado, realizada em Hainan, China, em abril de 2011, quando os BRICS expressaram “profunda preocupação com a turbulência no Oriente Médio” e prometeram “continuar com a cooperação na Líbia dentro do Conselho de Segurança.

Mas a OTAN não quis aprender as lições da Líbia e ignorou um fato importante: a remoção forçada de um regime autoritário não é um caminho indolor rumo à liberdade, democracia e paz, mas conduz a um vazio de poder que, inevitavelmente, acaba sendo preenchido pelos elementos mais brutais e preconceituosos da sociedade. A OTAN saiu da Líbia com a crença de que finalmente havia descoberto uma “nova forma de guerra”, que cumpriiu o objetivo de mudar o governo de um país de forma barata e acessível — mesmo para potências economicamente falidas. Assim, a Líbia foi seguida pela Síria, e Síria está em perigo de ser seguida pelo Irã.

É essa perspectiva profundamente perturbadora do caos e da guerra em franca expansão que deu ao BRICS a possibilidade de desafiar a hegemonia do Ocidente de uma maneira tão madura como a que foi revelada em Délhi.

Uma crítica

A declaração Délhi expressa este desafio mais claramente em seis de seus 50 parágrafos. O primeiro é uma crítica à má gestão monetária da Europa — e, por consequência, dos Estados Unidos —, que produziu dívidas nacionais irresgatáveis, criou um excesso de liquidez internacional e agravou a recessão global. O segundo oferece uma crítica igualmente dura à inabilidade política do Ocidente em relação ao Oriente Médio. Um terceiro parágrafo lembra aos EUA e à União Europeia que a paz no Oriente Médio não poderá ser obtida sem uma “solução ampla e duradoura do conflito árabe-israelense”, e afirma que os BRICS estão muito interessados em ajudá-los na empreitada.

Um quarto parágrafo reafirma de forma inequívoca a necessidade de respeitar a soberania, a independência e a integridade territorial de todos os Estados, mas faz uma referência específica à Síria. Os BRICS expressam “profunda preocupação [com o ataque à soberania da] Síria”, conclamam a “um cessar-fogo imediato” e apoiam o plano de seis pontos proposto pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan: fim das hostilidades e a instauração de “um processo político inclusivo e liderado pelos sírios” para criar “um novo ambiente para a paz”.

A declaração de Déhli reserva sua observação mais incisiva para o final: “A situação no Irã”, diz o texto, “não deve degenerar-se em conflito. Reconhecemos o direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear, em consonância com as suas obrigações internacionais, e apoiamos a resolução das divergências por meio de instrumentos políticos e diplomáticos e do diálogo entre as partes, incluindo entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o Irã, e em conformidade com as disposições das determinações do Conselho de Segurança”. Tais observações ficam apenas um pouco aquém de um aviso mal disfarçado.

Os parágrafos sobre a Síria e o Irã constitui a rejeição mais inequívoca já feita à doutrina da “paz através do ataque preventivo” formulada pelo governo George W. Bush na sequência do 11 de Setembro. Desde então, sua aplicação repetitiva tem sido justificada não só pelo combate ao terrorismo, mas também pela defesa dos direitos humanos, a promoção da democracia e o exercício do “dever de proteger”. A verdade é que, desde a libertação do Kosovo, em 1999, até a destruição da Líbia, em 2011, temos assistido a uma sistemática violação do artigo 2º, a mais fundamental cláusula da Carta das Nações Unidas. A declaração Délhi é uma reafirmação de que os princípios consagrados pela ONU continuam vigentes e, portanto, é também um alerta ao Ocidente contra o uso da ONU e suas instituições — nomeadamente o Conselho de Segurança — para destruir a própria ONU.

Mesmo as duas iniciativas concretas delineadas pelos BRICS (o desenvolvimento de um sistema de pagamentos internacionais que dispense o uso do dólar e a criação de um banco internacional alternativo) não apenas possuem um objetivo econômico imediato, que é proteger suas economias da instabilidade monetária, mas tem também a finalidade política de libertar-se de um sistema bancário internacional que se tornou ferramenta do Ocidente para impor sanções, sequestrar fundos e, assim, estrangular e submeter países menores.

Resposta muda

Até agora, a resposta ocidental à declaração de Délhi permanece muda. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, e renomados economistas, como Nicholas Stern, Matthia Romani e Joseph Stiglitz, saudaram a ideia de um banco dos BRICS, observando sarcasticamente que tal instituição “poderia desempenhar um forte papel no reequilíbrio da economia mundial, canalizando o dinheiro duramente economizado pelos mercados emergentes e países em desenvolvimento para finalidades mais produtivas do que as bolhas de financiamento do mercado imobiliário dos países ricos”.

Porém, uma reação conservadora virá e, caso seja destacada pela mídia, poderia facilmente transformar em ameaça aos EUA e à OTAN o que hoje em dia não passa de um puxão de orelha nas potências hegemônicas do Ocidente. É imperativo aos BRICS garantir — e ao mundo, perceber — que a declaração de Délhi não é o começo de uma nova Guerra Fria.

A desorganização dos sistemas econômicos nacionais e internacionais causada pela globalização espalhou-se, hoje, para o sistema político mundial. Os BRICS encontraram sua raison d’etre na tentativa de deter que os malefícios se propaguem ainda mais. Não tem nada a ver com fazer tudo sozinho. Para citar Diena, um jornal letão, “seria exagero dizer que esta aliança mais ou menos informal é dirigida contra os Estados Unidos. Mas todos os países que formam os BRICS estão convencidos de que querem viver um mundo policêntrico, e não num planeta unipolar dominado pelos Estados Unidos.” A Letônia é membro da União Europeia.

11/04/2012

A ignorancia histórica da chanceler Merkel e a súa selectividade moral

Vicenç Navarro. Artigo tirado de Público (aquí) e traducido por Revolta Irmandiña.



Unha das motivacións que definiron as políticas de austeridade impostas polo goberno alemán da chanceler Angela Merkel a Grecia foi a de penalizar a este país polo seu comportamento, considerado por tal chanceler como irresponsábel, ao vivir por encima das súas posibilidades, cun Estado supostamente derrochador, atributos dunha sociedade enferma e inmoral. A mentalidade que hai que "castigar a Grecia" foi dominante no establishment financeiro, económico e político alemán, reproducido a través dos seus medios de información de maior difusión, que conteñen, todos eles, artigos, reportaxes e páxinas de opinión claramente anti-Grecia, reproducindo estereotipos insultantes para a maioría das clases populares daquel país. O grego "vago" e "dependente do Estado" financiado pola axuda alemá través de fondos públicos alemáns, converteuse nunha imaxe moi común dos medios alemáns con maior capacidade de persuasión entre a súa poboación. Convido o lector que non se crea o que estou a dicir a que pegue unha vista de ollos os diarios alemáns de maior tiraxe e busque artigos que fagan referencia a Grecia, e verán que raramente aparecen imaxes ou narrativas que sexan minimamente obxectivas ou equilibradas na súa reportaxe. A grande maioría de artigos son condenatorios do Estado grego e da súa poboación.

Nesta actitude alemá cara a Grecia hai varios problemas graves, resultado dunha enorme ignorancia por parte da chanceler Merkel e do establishment alemán, non só da propia historia de Alemaña, senón tamén da de Europa. Vaiamos por partes. A primeira ignorancia é descoñecer as terríbeis consecuencias de querer penalizar a todo un país polo seu comportamento supostamente inmoral. Alemaña é un exemplo diso. O Tratado de Versalles, asinado o 28 de Xuño de 1919, era o Tratado de Paz que terminaba coa Primeira Guerra Mundial. Os vencedores daquel conflito, Francia, Gran Bretaña e EUA, impuxeron un castigo a Alemaña, perdedora daquela guerra, castigo que tiña como obxectivo penalizar ao pobo alemán pola súa responsabilidade en causar a I Guerra Mundial. Con aquela penalización tentábase previr que Alemaña causase no futuro outra guerra. Como dixo o Primeiro Ministro francés Georges Clemenceau, o obxectivo central das enormes sancións impostas ao pobo alemán era previr unha II Guerra Mundial. A historia, con todo, mostrou o enorme erro daquelas políticas de sancións encamiñadas a penalizar o comportamento considerado inmoral dun país. A Segunda Guerra Mundial seguiu á Primeira, e en certa maneira, a II Guerra Mundial era unha resposta á política de sancións asinada en Versalles en 1919. En realidade, o economista Keynes, de Gran Bretaña, que dimitira da delegación británica en Versalles polo seu desacordo con aquelas políticas sancionadoras que ían aprobarse no chamado Tratado de Paz, tiña xa alertado que aquelas sancións empeorarían aínda máis a situación alemá, creando as condicións para que aparecese un movemento de protesta, canalizado polo nazismo, tal com oocurreu. O que Keynes aconsellou ao Primeiro Ministro británico Lloyd George, foi o que se fixo despois da II Guerra Mundial (e que se tiña que facer despois da I Guerra Mundial): perdoarlle a Alemaña máis da metade da débeda pública, débeda que Alemaña, debía aos vencedores (que eran os mesmos que gañaron a Primeira Guerra Mundial), a fin de axudar á reconstrución daquel país. Detrás de tales medidas había o acertado suposto de que non se podía condenar a todo un pobo polos erros e malas prácticas políticas e económicas das seus establishments.

Penalizando a Grecia polo seu comportamento inmoral?

Este suposto poderíase aplicar tamén a Grecia, país que estivo gobernado por uns establishments de ultradereita pola maioría do tempo desde o final da II Guerra mundial. As políticas corruptas, responsábeis duns Estados altamente represivos e con escasa sensibilidade social, foron realizadas polas súas clases dirixentes gregas apoiadas precisamente polas clases dirixentes alemás. O enorme endebedamento do Estado grego, baseado en parte na escaseza de recursos (xerada por unha enorme fraude fiscal por parte dos compoñentes da súa clase dirixente) e nunhas políticas fiscais enormemente regresivas, cuns gastos militares (aproximadamente o 30% do seu orzamento público) totalmente hiperbólico, realizouse co apoio do capital financeiro alemán e estadounidense. É máis, a banca Goldman Sachs xogou un papel importante na creación da débeda pública, a súa ocultación e, máis tarde, a súa especulación. O establishment alemán estaba involucrado nas políticas levadas a cabo en Grecia, que conduciron directamente ao mal chamado "problema da débeda pública grega". E a banca alemá foi a que financiou a expansión do gasto militar en Grecia (ver o meu artigo "O que non se di sobre Grecia", publicado no meu blog www.vnavarro.org o 28.03.12). Onde está a crítica da suposta moralista Angela Merkel dos banqueiros do seu país, que se beneficiaron enormemente do comportamento irresponsábel e inmoral da clase dirixente grega). E, como é que a prensa do establishment alemán está tan silenciosa sobre o papel central que o capital financeiro, incluído o alemán, xogou en crear "a crise da débeda pública grega"? O pobo grego non se beneficiou daquelas políticas. Foi a burguesía financeira alemá a que se beneficiou.

Non é, pois, Alemaña versus Grecia o maior conflito actual. Nin Alemaña axuda a Grecia, nin Grecia é corrupta e inmoral. Debe coñecerse que dentro de cada país hai clases sociais con intereses distintos, e mesmo contrapostos. O que se chamaba antes a burguesía financeira alemá xogou un papel crave na creación do problema da débeda pública grega, o cal fixo coa activa colaboración da burguesía grega, corrupta, reaccionaria e represiva, prexudicando así tanto ás clases populares gregas como ás clases populares alemás, pois o dominio da burguesía financeira sobre o Estado alemán foi responsable das políticas de baixos salarios e escasa demanda, exportando o capital en lugar de investilo no propio país, Alemaña, e así aumentar a súa demanda doméstica, o cal estimulase a economía alemá e á europea á vez. Disto con todo, apenas se fala nos medios de maior difusión alemáns e españois.

20/02/2012

Quem são os grandes operadores financeiros

Por Ana Martín García – Attac Madrid. Tirado do Esquerda.net (aqui). Documento publicado na revista “Temas para el debate” nº 206 e disponível em ATTAC EspanhaTradução de Carlos Santos para esquerda.net No quadro que se descreve, e de acordo com os volumes de investimento que gerem, os fundos de investimento, os fundos de pensões, os fundos soberanos e os fundos de alto risco (hedge funds) constituem na atualidade os grandes operadores financeiros.
 
Goldman Sachs é um dos atores mais influentes nos mercados financeiros com uma importante capacidade de modificar e distorcer os preços dos ativos financeiros em seu próprio benefício
Goldman Sachs é um dos atores mais influentes nos mercados financeiros com uma importante capacidade de modificar e distorcer os preços dos ativos financeiros em seu próprio benefício
 
Está longe o ano de 1992 durante o qual a ação de um agente financeiro, concretamente G. Soros, pôs fora do sistema monetário europeu a libra esterlina, um símbolo das finanças. Esta ação mostrou, uma vez mais, que os agentes financeiros atuando no seu próprio interesse geram externalidades negativas que podem pôr em risco a estabilidade financeira tanto dos Estados nação, como foi o caso britânico, como de organizações supranacionais como é o vigente caso da área monetária europeia mediante sucessivos ataques aos países da área considerados mais débeis nos mercados de capitais.

A constelação de agentes financeiros apoiados na desregulamentação normativa, nas possibilidades das novas tecnologias e num âmbito de atuação globalizado não têm deixado de crescer em número e em potência. Desde o lançamento dos primeiros derivados financeiros nos anos 70, a criação de novos produtos financeiros não deixou de crescer tanto em volume como em complexidade, favorecendo a ampliação do campo de ação dos distintos agentes económicos. Estes grandes operadores mundiais têm tido na última década uma grande influência nas mudanças da economia mundial e conseguiram que os investimentos, em grande parte meramente especulativos, dessem lugar a uma nova indústria denominada “Indústria financeira” que, na maioria dos casos ao contrário das indústrias convencionais, não produz nenhum bem ou serviço para o mercado mas simplesmente o enriquecimento dos seus gestores-investidores.

Em geral os investidores, participando diretamente no mercado, isto é, os investidores individuais ou através de investimentos coletivos que se denominam investidores institucionais, procuram nas suas atuações a obtenção de uma maior rentabilidade combinada com o menor risco e a liquidez adequada. Mas esse objetivo comum do qual participam tanto pequenos como grandes investidores não influi de igual forma na marcha dos mercados financeiros, uma vez que os grandes investidores podem condicionar a estabilidade dos mercados devido aos grandes volumes que movimentam e em função das suas preferências na relação da interdependência existente entre liquidez, risco e rentabilidade.

Por outro lado, a globalização económica e a tecnologia atual permitem manter um contacto instantâneo entre os diferentes agentes que operam nos mercados financeiros em todo o mundo que estão atentos a qualquer informação, recebida e por vezes influindo nela mediante transmissões interessadas, pelo que estabelecem estratégias de investimento que podem influir na formação dos preços dos ativos financeiros.

No quadro descrito, e de acordo com os volumes de investimento que gerem, os fundos de investimento, os fundos de pensões, os fundos soberanos e os fundos de alto risco (hedge funds) constituem na atualidade os grandes operadores financeiros.

Fundos de investimento
Os fundos de investimento ou Instituições de Investimento Coletivo, segundo a Asociación de Inversión Colectiva y Fondos de Pensiones (INVERCO), atingia em finais de 2010 um património de 18 biliões (18.000.000.000.000) de euros, isto é dezoito vezes o PIB da Espanha, face aos 1,7 biliões de euros que tinham como património em 1990, o que dá uma ideia do enorme crescimento que tiveram nos últimos anos. Um olhar pela nacionalidade dos fundos alerta-nos que cerca de 48% do património correspondia a instituições dos Estados Unidos, que conta com os maiores gestores do mundo entre os quais se destacam Blackrock ou Pimco.

Por sua vez, os fundos europeus alcançavam um volume de 5,9 biliões de euros, cerca de 33% do volume total, face aos 0,4 biliões de 1990. Destaca-se o alto volume dos fundos radicados no Luxemburgo (1,2 biliões representando cerca de 10% do total mundial) o que está associado às vantagens de radicação que têm naquele território. No caso espanhol o património alcançava 170 mil milhões face aos 9 mil milhões de euros em 1995, ainda que a sua proporção face ao PIB se mantenha na ordem dos 16% em ambos os anos.

Fundos de pensões
Por sua vez e segundo a mesma fonte, em finais de 2010 o património estimado a nível mundial dos Fundos de Pensões situou-se em 13,7 biliões, cifra que pressupõe um crescimento de 11% em 2010. Do total do património estimado, 54,7% corresponde aos Estados Unidos o que significa 74,5% do PIB dos EUA; 9,5% correspondem ao Reino Unido (88,5% em relação ao seu PIB). O caso da Holanda é especial já que detém 5,8% do total do património dos fundos de pensões representando 167,4% do seu PIB; por sua vez 0,6% corresponde a fundos de pensões espanhóis o que significa 8,1% em relação ao PIB. Estas diferenças de peso estão ligadas com os diferentes sistemas de pensões, ao facto de serem públicos de repartição ou sistemas privados de capitalização.

Fundos soberanos
Um fundo de investimento soberano é um fundo de propriedade de um país cujos fundos procedem dos seus superavits orçamentais ligados à sua capacidade exportadora, especialmente ao petróleo.

A maior parte dos fundos soberanos mais ativos estão radicados no Médio Oriente e na Ásia. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que estes organismos controlam cerca 3 biliões de dólares em ativos e alguns analistas assinalam que serão possuidores de um terço dos ativos da bolsa de Londres.

Têm uma política de investimento a longo prazo e destinam o seu dinheiro tanto à dívida (pública e provada) como a rendimento variável. Os 15 maiores fundos soberanos gerem ativos avaliados em 2,5 biliões de euros. Os principais fundos correspondem a Abu Dabi, Noruega, Arábia Saudita, China, Kuwait, Singapura, Rússia e Qatar.

Hedge funds
Também chamados Fundos de alto risco, Fundos de cobertura ou Fundos de investimento livres, são carteiras de investimentos privados pouco regulamentados, geridos agressivamente, procurando rendimentos positivos em oportunidades especulativas independentemente da direção do mercado, com uma base de alavancagem1 importante.

Os Hedge Funds operam utilizando técnicas que não estão permitidas aos fundos tradicionais, como venda a descoberto, operação que consiste em vender a prazo valores que não se detêm na perspetiva de poderem comprá-los num momento mais próximo a um preço inferior; derivados financeiros, produtos financeiros cujo valor se baseia no preço de outro ativo (credit default swaps – CDS) ou seguros contra o risco de incumprimento; permutas financeiras ou swap; contratos de futuros; opções financeiras...); ou compra de valores mediante alavancagem agressiva.

Com o desaparecimento de Bear Stearns, Lehman Brothers e a absorção de Morgan Stanley e Merrill Lynch, podemos dizer que Goldman Sachs é um dos atores mais influentes nos mercados financeiros com uma importante capacidade de modificar e distorcer os preços dos ativos financeiros em seu próprio benefício.

A elevada capacidade que os grandes operadores têm de provocar impactos em determinados mercados convertem-nos na mais nítida expressão de um capitalismo financeiro atroz. Assim, no caso da dívida espanhola, estes operadores realizam compras massivas de seguros contra o risco de incumprimento sobre a dívida espanhola (credit default swap, CDS, na terminologia inglesa), apesar de não serem proprietários de títulos da dívida pública espanhola e não terem nenhum risco para cobrir. A compra massiva desses CDS faz subir uma e outra vez o seu preço e dá a falsa impressão de que o país corre o risco crescente de suspensão de pagamento. E, como consequência disso, a taxa de juro que o mercado reclama para a dívida pública espanhola sobe também e o denominado prémio de risco sobre os títulos de dívida alemães também aumenta2.

Quando todos estes grandes investidores põem em mira um objetivo especulativo determinado (quer seja a moeda ou a dívida de um país, o ouro e matérias primas, alimentos, etc.) podem pôr em cheque governos, levar empresas à bancarrota e até países ou provocar a fome subindo o preço dos alimentos básicos. “O mercado dos alimentos converteu-se num casino”, declarou Joerg Mayer da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) ao The Guardian. E por uma única razão: fazer com que Wall Street ganhe sempre mais dinheiro.

Como nota final, assinala-se que a potência dos grandes agentes investidores e a sua influência nos desequilíbrios financeiros nacionais e supranacionais impulsionou uma crescente exigência para que se regule os mercados financeiros e muito em concreto que se proíba a opacidade com que atuam e certamente a imposição de um imposto sobre as transações financeiras (taxa Tobin) para controlar minimamente este casino financeiro.


1 Alavancagem financeira é a relação entre capital próprio e crédito investido numa operação financeira.