Agora que o "resgate" é iminente é um bom momento para voltar vermos o documentário Catastroika.
revolta irmandinha
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09/06/2012
Catastroika
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Callinicos: Grécia fora do euro pode criar novos rumos
Rodrigo Otávio. Em palestra realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alex Callinicos, professor de Economia do King's College, da Inglaterra, defendeu que uma saída da Grécia da zona do euro, algo impensável há pouco tempo, pode levar a alternativas muito mais abrangentes. "E se ela sair? Os resultados serão uma desvalorização que aumentará a crise na Grécia? Quais serão os programas políticos que manterão a sobrevivência econômica e social?”, questionou. Fonte: Carta Maior (aqui).
Rio de Janeiro - O professor de economia do King`s College da Inglaterra, Alex Callinicos, defendeu na quarta-feira (6), em palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a saída da Grécia da zona do euro como uma atitude soberana que abreviará o receituário de políticas neoliberais em outros países europeus e, em maior escopo, aprofundará a posição de xeque em que o capitalismo se encontra.
“Será que é possível a Grécia sair da zona do euro? Algo que era impensável há dois anos agora está na agenda do dia no país. Essa questão pode levar para alternativas muito mais abrangentes. E se ela sair? Os resultados serão uma desvalorização que aumentará a crise na Grécia? Quais serão os programas políticos que manterão a sobrevivência econômica e social?”, afirmou ele durante a palestra Alternativas ao Capitalismo: o Futuro que Queremos, que abriu o XVII Encontro Nacional de Economia Política. Apesar da greve das instituições federais de ensino superior em todo o país, o encontro segue até sexta-feira (8) com o tema Desenvolvimento e Meio Ambiente: a Crítica da Economia Política.
Nesse receituário local, Alex citou em primeira mão a nacionalização dos bancos. “Eles são os pensionistas do setor público, eles deveriam ser de utilidade pública para programas de investimentos, trabalhos estatais, fomento de declínio do desemprego e controle de capital para reduzir o poder do mercado financeiro. É o tipo de medida que eu acho que seria necessária para contrabalançar o efeito da crise”, disse ele.
Até porque, nas palavras do professor inglês, “é importante ressaltar que a crise da zona do euro não tem nada a ver com a ganância de alguns ou a preguiça dos gregos. É uma manifestação da crise bancária, porque o que vemos é um acúmulo de bolhas na parte sul da Europa que foi sustentado pelos empréstimos de bancos do norte do continente”. Segundo Callinicos, então é necessário se “inventar” uma série de crise de dívidas, em geral particulares, porque uma grande parte do sistema bancário do norte está ameaçado. Assim, os países são colocados como receptores de políticas de austeridade, mas os resgates vão para os credores, sendo a palavra resgate apenas uma ‘etiqueta’, sem nenhum horizonte.
Callinicos defende esse receituário local como nada menos que o antídoto para o veneno criado pelos próprios estados. “Na era neoliberal o estado encoraja o desenvolvimento de bolhas financeiras. E elas surgem de uma forma que as torna funcionais para manter o crescimento econômico. E as políticas acabam estimulando elas. Depois os colapsos delas, e após a bolha imobiliária dos Estados Unidos nós sabemos, tornam o cenário econômico catastrófico”, disse.
Com a lógica da austeridade aprofundando as crises econômicas, o acadêmico defende esse novo caminho grego, e europeu. “Tudo é questão de contexto, de como elas são introduzidas e quem levará adiante elas. Acho que em certas partes da Europa há a possibilidade de o movimento de esquerda trabalhista levar adiante elas, como o começo de um verdadeiro rompimento com o neoliberalismo, e assim pode acontecer o desenvolvimento que então crie o conjunto de possibilidades que leve não só para além do neoliberalismo como para além do próprio capitalismo”.
26/07/2011
Marxismo 2010: arranxando un sistema roto
Alex Callinicos
* Publicado en The Guardian o 1 de xullo de 2010 e traducido polo mozo irmandiño Gael Verao para A Revolta entre a Mocidade.
* Publicado en The Guardian o 1 de xullo de 2010 e traducido polo mozo irmandiño Gael Verao para A Revolta entre a Mocidade.
No espertar da crise financieira o marxismo florece, e en Londres os nomes importantes están considerando converter as ideas en acción.
A morte de Ken Coates a semana pasada silenciou outra poderosa e distinguida voz da esquerda radical. O ano pasado levounos algúns dos máis destacados intelecutais marxistas da xeración de 1968 – Giovanni Arrighi, Jerry Cohen, Peter Gowan, e, especialmente dooroso para min, Chirs Harman e Daniel Bensaïd. No suposto mundo libre de ideoloxía da coalición CON-Lib, sería tentador concluír que a desaparición destas persoas representa unha amplo deterioro do marxismo como unha tradición intelectual e politica.
Nada podería estar máis afastado da realidade. Mesmo os miopes mercados financeiros están comezando a espertar ao feito de que o capitalismo está considerabelmente roto. O economista keynesiano Paul Krugman escribiu hai uns días: “Témome que estamos no estado inicial dunha terceira depresión”, seguindo aquelas de finais do século XIX e a dos anos trinta. Marx describiu o seu proxecto intelectual como unha crítica da economía política: o marxismo polo tanto vive e morre da súa abilidade para entender as dinámicas do capitalismo e ofrecer unha saída do mesmo.
E os economistas políticos marxistas estiveron, na fronte, analizando as causas e eleborando a traxectoria da crise global. Ao longo do ano pasado libros como Zombie Capitalism de Chris Harman´s, The Enimga of Capital de David Harvey e o meu Bonfire of Illusions amosaron unha visión da mesma. Costas Lapavitsas e o Research on Money and Finance, grupo de xoves intelectuais situado na escola de Oriental and African studies en Londres lideraron o camiño para explicar a crise na eurozona e ofrecer políticas radicais alternativas para países como Grecia.
Esta investigación estivo acompañada por unha renovación do interese no marxismo entre a xuventude, que agora é moi visíbel nos círculos anglofalantes. Cando David Harvey visitou Londres en abril para promocionar o seu novo libro, realizou media ducia de conferencias, con arredor duns centos de persoas. Unha delas foi na miña propia universidade, King´s College London, dificilmente un centro tradicional de revolución. A reunión estivo co-patrocinada polo florecente King´s group reading Marx´s Capital, que ademais axudou, o pasado novembro, a organizar o debate sobre o futuro do capitalismo entre Martin Wolf, do Financial Times, e eu.
O xornal Historical Materialism, fundado por un xove grupo de intelectuais a mediados dos noventa, foi unha das principais canles do resucitar académico do marxismo. A súa conferencia anual en Londres de novembro atrae a máis de 500 persoas e xa se extendeu a América do Norte con citas homólogas en Toronto e Nova Iorque.
O marxismo, por suposto, sempre fixo o esforzo non só para desenvolver mellores teorías senón para tamén relacionalas con prácticas políticas emancipatorias, como as vidas de intelectuais coma Coates, Harman, e Bensaïd amosan. O Marxism 2010 festival, que dura 5 días e ten lugar en Londres, comeza hoxe.
Organizado polo Socialist Workers party, este foro para idas socialistas ten lugar todos os anos dende 1977 e espera ter máis de 4000 participantes este ano. Esperanse unha gran cantidade de fogos artificiais intelectuais – Tariq Ali en Islamophobia, Slavoj Žižek, John Holloway e eu mesmo para o comunismo, Hester Eisenstein, Judith Orr, e Nina Power sobre sexismo, xunto cunha galería do talento da esquerda – Tony Benn, Eamonn McCann, gareth Peirce, Steven Rose, Michael Rosen, Sheila Rowbotham, e Gary Youngue de The Guardian.
Pero xunto a estas activades tamén haberá un interese práctico. Mentres a austeridade se extende a través de Europa e a coalición Con-Lib agora parece intentar reinventar o sado-monetarismo dos 1980s nunha escala inimaxinable incluso para Margaret Thatcher, o marxismo de esquerdas está florecendo intelecutalmente. O verdadeiro test que enfronta é político: pode axudar a desenvolver unha resitencia efectiva á coalición de plans que buscan acabar co sector público e os pobres? Os acontecementos en Grecia amosan como a terapia de choque neoliberalista pode desencadear a rebelión social. O futuro real do marxismo depende na escala que estas revolucións se desenvolvan e a dirección polítca que tomen.
23/06/2011
Marx por partida dupla
Ekkehard Knörer, escritor e crítico alemão. A tradução do artigo é de nosso e é tirado de aqui.
Žižek was here
Mudança de palco. Não cabe nem uma agulha no Astra Kulturhaus, no bairro de Friedrichshain de Berlim, junto às vias do S-Bahn. Centos de pessoas sentadas, no chão, nos corredores, só que aqui não há por nenhuma parte retransmissão ao vivo. No Astra Kulturhaus soa a música habitual. Bandas de indie como Eels e Death Cab For Cutie passarão por aqui neste mês. No caluroso sábado passado pela tarde a sala de actuações estava no entanto repleta de cadeiras. No pódio, a esquerda e a direita, uma bandeira vermelha com a inscrição "A Esquerda" (DIE LINKE) no centro. Ao fundo, um punho fechado sobre fundo negro, o cartaz da conferência e a sua engenhosa legenda: Marx is Muss. [1]
Na mesa de debate sentam-se Janine Wissler, política de Die Linke, quem suou tinta, jovial, repetindo as frases habituais que se requerem para este tipo de actos. Junto a ela Dietmar Dath, o declarado escritor de esquerdas radical fixe, que em uma ocasião trabalhou no sector da cultura como chefe de redacção de Spex e redactor de cultura do Frankfurter Allgemeine Zeitung. [2] Depois veio Alex Callinicos, trotskista ortodoxo e, como tal, muito apreciado nos círculos correspondentes. Todos eles no entanto mal eram a razão para o translado vespertino do público da conferência da Alte Feuerwache em Kreuzberg à maior e mais hip Astra Kulturhaus. Não, do telefonema às massas era outro o responsável: Slavoj Žižek.
O esloveno está considerado como a maior estrela da Teoria da nossa época, citado largamente nas universidades e fora delas. O filósofo como stand-up comedian e artista de um pensamento com o que se inflama a si mesmo uma e outra vez. Um fogo fátuo, todo punchlines e erros gramaticais e gesticulação selvagem, alguém que considera todo um sério lucro teórico se pode o reformular em forma de brincadeira obscena. Žižek não é somente a estrela da Teoria na sua qualidade de pensador magistral e performer de alto rendimento; é também quem, junto do seu compinche Alain Badiou, tentou trazer de volta o comunismo à linguagem filosófica.
No pódio todos estavam de acordo sobre a desejabilidade e possibilidade de atingir um comunismo democrático. As revoluções no mundo árabe ou as manifestações em Espanha tomam-se com todas as preocupações como sinais positivos. No entanto, Žižek não se esteve de afirmar que o catálogo de reivindicações da juventude espanhola poderia o assinar de facto qualquer fascista. Em fim, ainda mais necessário, se concluiu, é oferecer teorias maduras como vanguarda de um pensamento que, eventualmente, encontre nas ruas às massas críticas.
O Marx de Lafontaine
A conferência Marx is Muss foi, em muitos sentidos, o complemento e a concorrência de Re-thinking Marx. Aqui no entanto também se procurava um plano para a acção. Tinha-a organizado afinal de contas o agrupamento Marx21, que em uma ocasião se chamou Linksruck e hoje quer agrupar o comunismo, a crítica ao sistema e a oposição radical no partido Die Linke, ao que se incorporou no 2007. Não amagam o seu raivoso anti-sionismo -segunda Flotilha de Gaza, ahoi!- e nas redes e em em o próximo número da revista Marx21 -mulhida, cultural- escreve-se amistosamente sobre Ken Loach ou Stéphane Hessel, brinda-se a oportunidade de escrever a figuras com um amplo capital cultural como Dath ou Žižek ao lado de veteranos como Elmar Altvater ou Arno Klönne junto a Sahra Wagenknecht e Hans Modrow.
A gente de Marx21 são, não menos que Jaeggy & Co no seu campo, virtuosos da criação de redes. Na actual luta programática intrapartidária miraram com Marx is Muss um golpe certeiro. Para a sua conferência inaugural convidaram a Oskar Lafontaine, quem enviou no seu discurso de abertura um claro sinal aos camaradas: por uma oposição radical e contra toda esquerda germano-oriental partidária das alianças de governo. Marx21 reuniu para secundar esta linha de actuação à sua própria tropa e com Slajov Žižek animaram o cotarro. Ao final pesou mais a política partidária que a teoria.
Seja como for, está fora de dúvida: Marx segue sendo, cabeça abaixo ou sobre os seus pés, de novo uma estrela.
Notas do t.: [1] Jogo de palavras de impossível tradução entre Marxismus (marxismo) e Marx is muss ("Marx é um must" ou "Marx é imprescindível"). [2] Spex é uma conhecida revista de música contemporânea independente bimensual. O Frankfurter Allgemeine Zeitung é o maior e mais conhecido diário económico da Alemanha, de orientação conservadora.
A quem pertence o pensador que goza de um maior interesse na actualidade? Em duas conferências simultâneas em Berlim reclamaram-no para si tanto filósofos como o partido Die Linke. Ekkerhard Knörer escreveu esta crónica mordaz para o semanário alemão Freitag.
Não cabe nem uma agulha no Audimax da Universidade Humboldt de Berlim. Centos de pessoas sentadas, nos corredores e, como o sítio já não dá mais de si, habilitou-se uma habitação em que se retransmite ao vivo a conferência. Jovens penteados à moda conversam em línguas estrangeiras e geolectos alemães, fotografam e escrevem-se mensagens com os seus telemóveis. Entre eles também senhoras e senhores maiores e muito maiores, de aparência indómita, explicando velhas batalhinhas. O interesse acordado pela conferência Re-thinking Marx era enorme desde faz duas semanas. O porquê, um não acerta a lhe-lo explicar visto o visto.
Já a introdução da organizadora da conferência, Rahel Jaeggi, resultou terrivelmente soporífera. Em extremo académica, tediosa, às vezes subtil e às vezes subtilmente um pouco mais tediosa que dantes. Um ato sem telefonemas à revolução, sem discurso. Impacto zero. Um pouco de teatro pós-dramático como ornamento vespertino. O desequilíbrio entre o tom dos sábios oficiais da Academia e o impulso da maioria do público resultava ligeiramente grotesco. Até o último da bicha acabou por dar-se conta de que a estrela não se encontrava no atril senão no título da conferência.
Marx + o meu tema favorito
Marx atrai às massas. Se sempre as atraiu ou agora as volta a atrair, tanto dá: Audimax cheio até os topos. Com isso, aquele auditório como local de reunião para Re-thinking Marx acabo quase por representar a tese central da conferência. Para Jaeggi e os seus convidados tratou-se mais exactamente de pôr cabeça abaixo a onzenava tese de Feuerbacht, ou segundo quem o veja, sobre os seus pés: "Os homens tentaram mudar o mundo com Marx; do que se trata é de interpretar de outro modo!". Em outras palavras: o objectivo era desandar a transformação de Marx e ir do político e revolucionário ao pensador e filósofo (social).
Elegeu-se como forma de reunião a conferência académica recarregada de tintas, com grandes mesas de debate e minúsculos seminários paralelos. Foi decepcionante ouvir como a maioria dos ponhentes se dedicou a tentar caçar a Marx com as redes da Teoria contemporânea em mãos, desde a teoria de género ao pós-colonialismo, ou ao empregar somente como nota a rodapé do seu tema favorito. A maneira totalmente atrapalhada em que alguém como Terry Pinkard tentou converter a Marx de maneira póstuma novamente ao hegelianismo foi uma saída de tom, sim, mas em nenhum caso a excepção. De Étienne Balibar ao menos veio uma referência aos acontecimentos actuais no seu gesto de aprovação amistosa da revolução espanhola. Pelo demais, business as usual. No dia de clausura-a as lâmpadas alumiaram muito bem a todos os participantes. Mas, e Marx? Um pouco pálido, lá, na ponta do nariz, ao longe...
A conferência foi acima de todo isso: um evento politicamente institucional de algum interesse, consciente dos seus efeitos ao pôr-se embaixo do faro académico. Rahel Jaeggi foi recentemente nomeada para uma das cátedras de filosofia mais vistosas da República federal. Na Humboldt-Universität é a sucessora do muito publicitado, e em nenhum caso de esquerdas, Volker Gerhardt, quem garaveta sobre novas construções teóricas e pensa em grandes e profundos temas. A substituição é uma palma universitária para a jovem geração da Teoria Crítica, na que deve se situar a Jaeggi. Que ninguém se assuste: não há que temer em nenhum caso uma revolução. Pois afinal de contas a que no seu momento tão radical Teoria Crítica é, na sua versão actual pós-Habermas, uma filosofia social com frequência perseguida no terreno do debate, mas na disciplina académica muito aceitada em ramos como a estética e a teoria política.
Em obras sólidas, trabalhadas e fiáveis circula o pensamento dos seus actuais representantes sobre conceitos e constelações como o reconhecimento (Axel Honneth), a normatividade e a liberdade (Christoph Menke) ou a apropriação e alienação (Rahel Jaeggi). A velha Escola de Frankfurt encontra assim novos amigos na França, a maioria deles convidados à conferência, embora persiste até verdadeiro ponto a resistência das universidades alemãs ao pensamento francês. A todopoderosa comunidade investigadora alemã põe os seus fundos -veja-se Re-thinking Marx- ao serviço e a prazer destes últimos. Por outra parte, a esta sorte de moderados radicais da filosofia social falta-lhes o carisma e o poder de atracção extra-académicos. De ter algum, vem-lhes de prestado pelo título de uma palestra em que figura o nome de Marx, a quem repensam baixo uma audiência selecta que, em qualquer caso, vai minguando à medida que avança o ato.
Não cabe nem uma agulha no Audimax da Universidade Humboldt de Berlim. Centos de pessoas sentadas, nos corredores e, como o sítio já não dá mais de si, habilitou-se uma habitação em que se retransmite ao vivo a conferência. Jovens penteados à moda conversam em línguas estrangeiras e geolectos alemães, fotografam e escrevem-se mensagens com os seus telemóveis. Entre eles também senhoras e senhores maiores e muito maiores, de aparência indómita, explicando velhas batalhinhas. O interesse acordado pela conferência Re-thinking Marx era enorme desde faz duas semanas. O porquê, um não acerta a lhe-lo explicar visto o visto.
Já a introdução da organizadora da conferência, Rahel Jaeggi, resultou terrivelmente soporífera. Em extremo académica, tediosa, às vezes subtil e às vezes subtilmente um pouco mais tediosa que dantes. Um ato sem telefonemas à revolução, sem discurso. Impacto zero. Um pouco de teatro pós-dramático como ornamento vespertino. O desequilíbrio entre o tom dos sábios oficiais da Academia e o impulso da maioria do público resultava ligeiramente grotesco. Até o último da bicha acabou por dar-se conta de que a estrela não se encontrava no atril senão no título da conferência.
Marx + o meu tema favorito
Marx atrai às massas. Se sempre as atraiu ou agora as volta a atrair, tanto dá: Audimax cheio até os topos. Com isso, aquele auditório como local de reunião para Re-thinking Marx acabo quase por representar a tese central da conferência. Para Jaeggi e os seus convidados tratou-se mais exactamente de pôr cabeça abaixo a onzenava tese de Feuerbacht, ou segundo quem o veja, sobre os seus pés: "Os homens tentaram mudar o mundo com Marx; do que se trata é de interpretar de outro modo!". Em outras palavras: o objectivo era desandar a transformação de Marx e ir do político e revolucionário ao pensador e filósofo (social).
Elegeu-se como forma de reunião a conferência académica recarregada de tintas, com grandes mesas de debate e minúsculos seminários paralelos. Foi decepcionante ouvir como a maioria dos ponhentes se dedicou a tentar caçar a Marx com as redes da Teoria contemporânea em mãos, desde a teoria de género ao pós-colonialismo, ou ao empregar somente como nota a rodapé do seu tema favorito. A maneira totalmente atrapalhada em que alguém como Terry Pinkard tentou converter a Marx de maneira póstuma novamente ao hegelianismo foi uma saída de tom, sim, mas em nenhum caso a excepção. De Étienne Balibar ao menos veio uma referência aos acontecimentos actuais no seu gesto de aprovação amistosa da revolução espanhola. Pelo demais, business as usual. No dia de clausura-a as lâmpadas alumiaram muito bem a todos os participantes. Mas, e Marx? Um pouco pálido, lá, na ponta do nariz, ao longe...
A conferência foi acima de todo isso: um evento politicamente institucional de algum interesse, consciente dos seus efeitos ao pôr-se embaixo do faro académico. Rahel Jaeggi foi recentemente nomeada para uma das cátedras de filosofia mais vistosas da República federal. Na Humboldt-Universität é a sucessora do muito publicitado, e em nenhum caso de esquerdas, Volker Gerhardt, quem garaveta sobre novas construções teóricas e pensa em grandes e profundos temas. A substituição é uma palma universitária para a jovem geração da Teoria Crítica, na que deve se situar a Jaeggi. Que ninguém se assuste: não há que temer em nenhum caso uma revolução. Pois afinal de contas a que no seu momento tão radical Teoria Crítica é, na sua versão actual pós-Habermas, uma filosofia social com frequência perseguida no terreno do debate, mas na disciplina académica muito aceitada em ramos como a estética e a teoria política.
Em obras sólidas, trabalhadas e fiáveis circula o pensamento dos seus actuais representantes sobre conceitos e constelações como o reconhecimento (Axel Honneth), a normatividade e a liberdade (Christoph Menke) ou a apropriação e alienação (Rahel Jaeggi). A velha Escola de Frankfurt encontra assim novos amigos na França, a maioria deles convidados à conferência, embora persiste até verdadeiro ponto a resistência das universidades alemãs ao pensamento francês. A todopoderosa comunidade investigadora alemã põe os seus fundos -veja-se Re-thinking Marx- ao serviço e a prazer destes últimos. Por outra parte, a esta sorte de moderados radicais da filosofia social falta-lhes o carisma e o poder de atracção extra-académicos. De ter algum, vem-lhes de prestado pelo título de uma palestra em que figura o nome de Marx, a quem repensam baixo uma audiência selecta que, em qualquer caso, vai minguando à medida que avança o ato.
Žižek was here
Mudança de palco. Não cabe nem uma agulha no Astra Kulturhaus, no bairro de Friedrichshain de Berlim, junto às vias do S-Bahn. Centos de pessoas sentadas, no chão, nos corredores, só que aqui não há por nenhuma parte retransmissão ao vivo. No Astra Kulturhaus soa a música habitual. Bandas de indie como Eels e Death Cab For Cutie passarão por aqui neste mês. No caluroso sábado passado pela tarde a sala de actuações estava no entanto repleta de cadeiras. No pódio, a esquerda e a direita, uma bandeira vermelha com a inscrição "A Esquerda" (DIE LINKE) no centro. Ao fundo, um punho fechado sobre fundo negro, o cartaz da conferência e a sua engenhosa legenda: Marx is Muss. [1]
Na mesa de debate sentam-se Janine Wissler, política de Die Linke, quem suou tinta, jovial, repetindo as frases habituais que se requerem para este tipo de actos. Junto a ela Dietmar Dath, o declarado escritor de esquerdas radical fixe, que em uma ocasião trabalhou no sector da cultura como chefe de redacção de Spex e redactor de cultura do Frankfurter Allgemeine Zeitung. [2] Depois veio Alex Callinicos, trotskista ortodoxo e, como tal, muito apreciado nos círculos correspondentes. Todos eles no entanto mal eram a razão para o translado vespertino do público da conferência da Alte Feuerwache em Kreuzberg à maior e mais hip Astra Kulturhaus. Não, do telefonema às massas era outro o responsável: Slavoj Žižek.
O esloveno está considerado como a maior estrela da Teoria da nossa época, citado largamente nas universidades e fora delas. O filósofo como stand-up comedian e artista de um pensamento com o que se inflama a si mesmo uma e outra vez. Um fogo fátuo, todo punchlines e erros gramaticais e gesticulação selvagem, alguém que considera todo um sério lucro teórico se pode o reformular em forma de brincadeira obscena. Žižek não é somente a estrela da Teoria na sua qualidade de pensador magistral e performer de alto rendimento; é também quem, junto do seu compinche Alain Badiou, tentou trazer de volta o comunismo à linguagem filosófica.
No pódio todos estavam de acordo sobre a desejabilidade e possibilidade de atingir um comunismo democrático. As revoluções no mundo árabe ou as manifestações em Espanha tomam-se com todas as preocupações como sinais positivos. No entanto, Žižek não se esteve de afirmar que o catálogo de reivindicações da juventude espanhola poderia o assinar de facto qualquer fascista. Em fim, ainda mais necessário, se concluiu, é oferecer teorias maduras como vanguarda de um pensamento que, eventualmente, encontre nas ruas às massas críticas.
O Marx de Lafontaine
A conferência Marx is Muss foi, em muitos sentidos, o complemento e a concorrência de Re-thinking Marx. Aqui no entanto também se procurava um plano para a acção. Tinha-a organizado afinal de contas o agrupamento Marx21, que em uma ocasião se chamou Linksruck e hoje quer agrupar o comunismo, a crítica ao sistema e a oposição radical no partido Die Linke, ao que se incorporou no 2007. Não amagam o seu raivoso anti-sionismo -segunda Flotilha de Gaza, ahoi!- e nas redes e em em o próximo número da revista Marx21 -mulhida, cultural- escreve-se amistosamente sobre Ken Loach ou Stéphane Hessel, brinda-se a oportunidade de escrever a figuras com um amplo capital cultural como Dath ou Žižek ao lado de veteranos como Elmar Altvater ou Arno Klönne junto a Sahra Wagenknecht e Hans Modrow.
A gente de Marx21 são, não menos que Jaeggy & Co no seu campo, virtuosos da criação de redes. Na actual luta programática intrapartidária miraram com Marx is Muss um golpe certeiro. Para a sua conferência inaugural convidaram a Oskar Lafontaine, quem enviou no seu discurso de abertura um claro sinal aos camaradas: por uma oposição radical e contra toda esquerda germano-oriental partidária das alianças de governo. Marx21 reuniu para secundar esta linha de actuação à sua própria tropa e com Slajov Žižek animaram o cotarro. Ao final pesou mais a política partidária que a teoria.
Seja como for, está fora de dúvida: Marx segue sendo, cabeça abaixo ou sobre os seus pés, de novo uma estrela.
Notas do t.: [1] Jogo de palavras de impossível tradução entre Marxismus (marxismo) e Marx is muss ("Marx é um must" ou "Marx é imprescindível"). [2] Spex é uma conhecida revista de música contemporânea independente bimensual. O Frankfurter Allgemeine Zeitung é o maior e mais conhecido diário económico da Alemanha, de orientação conservadora.
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26/09/2010
"No Iraque e no Afeganistám a esquerda secular desacreditou-se a si própria"
Alex Callinicos. Artigo tirado de aqui. A traduçom para galego-português é de nosso. O filósofo, nascido em Zimbawue, Alex Callinicos, conta com umha traduçom para o galego do seu livro Contra o Post-Modernismo, publicado em Laiovento. A traduçom original foi extraida por Kaos en la Red de El Aromo Nº56, www.razonyrevolucion.org/ryr/.
Callinicos fala sobre o imperialismo hoje, a contextualizaçom da teoria de Lenine e a sua aplicaçom no Iraque e no Afeganistám, assim como o papel da esquerda nestes estados.
Considera válido o argumento de Lenine de que o imperialismo é a fase mais elevada do capitalismo? Pensa que existe um troco qualitativo na dinámica do capital por mor da criaçom de estados imperialistas, como dixo Lenine?
O título original de Lenin é O Imperialismo, a derradeira fase do capitalismo, que tem conotaçons assaz diferentes ao título mais serôdio e familair. Penso que ele - e outros grandes marxistas de finais do século XIX e começos do XX- estavam no correto ao identificarem umha mudança qualitativa operada no capitalismo durante a sua época. A maneira em que eu resumiria isto desde a retrospetiva de começos do século XXI é que o imperialismo é o momento em que a competência económica entre capitais e a rivalidade geopolítica entre estados se interceptam para formarem, como David Harvey tem enfatizado corretamente, umha unidade contraditória e inestável (1). Esta é umha ideia que desenvolvo em detalhe no meu recente livro Imperialismo e Economica Política Global (2009).
A teoria do imperialismo de Lenine argumentava que as atividades extra-económica das potências mundiais som a causa da falha de desenvolvemento das burguesias locais nos estados dependentes. Você acredita que esta énfase nas relaçons políticas é umha boa explicaçom do subdesenvolvimento ou poderia um explicar dita trajetória com a lei do valor e a competência mundial?
A teoria do imperialismo de Lenine argumentava que as atividades extra-económica das potências mundiais som a causa da falha de desenvolvemento das burguesias locais nos estados dependentes. Você acredita que esta énfase nas relaçons políticas é umha boa explicaçom do subdesenvolvimento ou poderia um explicar dita trajetória com a lei do valor e a competência mundial?
Nom tenho certeza de que esta seja umha boa leitura de Lenine. Na sua crítica à teoria do ultra-imperialismo de Kautsky, sublinha a importáncia do desenvolvimento desigual - nom é apenas que haja desigualdades económicas entre estados e regions, mas que estas também som inerentes ao capitalismo e que a distribuiçom das desigualdades muda constantemente, de maneira que as alianças estáveis entre os poderes dominantes tornam-se impossíveis. "Fai cinquênta anos Alemanha era um país miserável e insignificante", escrevia - mas já na sua época convertera-se numha das principais potências imperialistas (2). Isto implica que outras novas potências poderiam emergir no futuro mercede o caráter desigual do processo global de acumulaçom. Lenine certamente nom é um teórico da dependência e, a pesar dos seus erros (o mais notável seria a teoria da aristocracia operária), eu acredito que estaria de acordo em que as relaçons entre estados e regions som reguladas pola "lei do valor e a competência mundial".
Poderia a crise de hoje desembocar numha nova guerra entre potências imperialistas como a Primeira e a Segunda Grande Guerra?
Duvido que isto suceda a curto prazo, já que os potenciais 'pares competidores' dos EUA som demasiado débeis (Rússia), estám divididos (UE), ou som demasiado cautelosos (China) para confrontar-se, e nengum está o suficientemente desesperado como para contemplar tal confronto. Porém as tensons entre os EUA e a China som serias - mais imediatamente respeito a taxas de cámbio e comércio- e é provável que medrem nas próximas décadas. A possibilidades dum confronto séria entre elas no futuro é real.
Em décadas recentes, os EUA convertêrom-se num dos estados mais endividados. Que é o que significa este fenómeno para o nosso entendimento do imperialismo?
Duvido que isto suceda a curto prazo, já que os potenciais 'pares competidores' dos EUA som demasiado débeis (Rússia), estám divididos (UE), ou som demasiado cautelosos (China) para confrontar-se, e nengum está o suficientemente desesperado como para contemplar tal confronto. Porém as tensons entre os EUA e a China som serias - mais imediatamente respeito a taxas de cámbio e comércio- e é provável que medrem nas próximas décadas. A possibilidades dum confronto séria entre elas no futuro é real.
Em décadas recentes, os EUA convertêrom-se num dos estados mais endividados. Que é o que significa este fenómeno para o nosso entendimento do imperialismo?
Esta é umha questom muito controvertida. Alguns especialistas académicos radicais, por exemplo o defunto Giovanni Arrighi, argumentavam que a dívida externa dos EUA é um sintoma do deterioro do imperialismo norte-americano, replicando o que lhe tinha acontecido a Grande Bretanha no período de entreguerras. Porém num livro recente, Subprime Nation (Naçom Subprime - o termo “subprime” refere-se a empréstimos a entidades que som incapazes de pagá-los), Herman Schwartz argumenta que desde começos da década de 90 um circuito de fluxos financeiros desenvolveu-se e nele um número de países - nom apenas estados do Leste Asiático, mas também do continente europeu e os territórios petrolíferos sob controlo dos xeques árabes- mercam valores norte-americanos tanto públicos como privados, permitindo assim que as inversons estrangeiras diretas das corporaçons dos EUA obtenham muitos mais ganhos. Segundo Schwartz, este circuito, mediado polo sistema financeiro imobiliário norte-americano, permitiu aos EUA manter um crescimento mais alto que o de outros estados capitalistas avançados e deste jeito reproduzir a sua posiçom hegemónica.
A análise de Schwartz apoia-se numha considerável evidência estatística. Penso que de todas maneiras subestima a inestabilidade dumha situaçom em que os EUA dependam cada vez mais dos empréstimos da China, que nom é apenas o mais importante potencial retador da hegemonia estadounidense, mas ainda um dos estados mais pobres do mundo- esta foi a relaçom entre a Grande Bretanha e os EUA no século XIX ou dos EUA e Europa Ocidental e Japom a finais da década de 40. Porém agora umha ascendente potência capitalista ajuda a financiar à potência hegemónica. De todas maneiras, um dos traços interessantes da análise de Schwartz é que o atual conjunto de flujos funciona a benefício dos interesses das classes dominantes dos estados acredores. Desta maneira, afirma que na China os filhos da elite do partido, que se constituírom como umha nova elite económica, tenhem um interesse no modelo de baixos ordenados e altas exportaçons que sustentou o flujo de capital aos EUA (3). Ou de novo, os bancos e os fundos de aposentadorias dos que Schwartz chama os 'Ricos reprimidos' - Japom, Alemanha, e Europa continental- devem ser capazes de comprar vastas quantidades de valores que som gerados polo sistema financeiro dos EUA e que os seus próprios e mais ajustadamente regulados sistemas som incapazes de prover.
No entanto, a situaçom é estremadamente contraditória. Tal como durante a década de 30, o conflito entre estados acredores e dividores é um fator crescentemente prominente na crise económica global presente. Isto nom é apenas certo a respeito das relaçons entre os EUA e a China. Umha dimensom chave da crise da zona do euro é o conflito entre Alemanha e as economias periféricas do sul da Europa, que pedírom emprestado em excesso dos bancos franceses e alemáns, mais que nada para importar desde Alemanha.
Considera que a ideia de capital monopolista é ajeitada para definir o corrente ciclo de acumulaçom do capital? Qual é o lugar da lei do valor e a competência internacional nesta explicaçom?
A análise de Schwartz apoia-se numha considerável evidência estatística. Penso que de todas maneiras subestima a inestabilidade dumha situaçom em que os EUA dependam cada vez mais dos empréstimos da China, que nom é apenas o mais importante potencial retador da hegemonia estadounidense, mas ainda um dos estados mais pobres do mundo- esta foi a relaçom entre a Grande Bretanha e os EUA no século XIX ou dos EUA e Europa Ocidental e Japom a finais da década de 40. Porém agora umha ascendente potência capitalista ajuda a financiar à potência hegemónica. De todas maneiras, um dos traços interessantes da análise de Schwartz é que o atual conjunto de flujos funciona a benefício dos interesses das classes dominantes dos estados acredores. Desta maneira, afirma que na China os filhos da elite do partido, que se constituírom como umha nova elite económica, tenhem um interesse no modelo de baixos ordenados e altas exportaçons que sustentou o flujo de capital aos EUA (3). Ou de novo, os bancos e os fundos de aposentadorias dos que Schwartz chama os 'Ricos reprimidos' - Japom, Alemanha, e Europa continental- devem ser capazes de comprar vastas quantidades de valores que som gerados polo sistema financeiro dos EUA e que os seus próprios e mais ajustadamente regulados sistemas som incapazes de prover.
No entanto, a situaçom é estremadamente contraditória. Tal como durante a década de 30, o conflito entre estados acredores e dividores é um fator crescentemente prominente na crise económica global presente. Isto nom é apenas certo a respeito das relaçons entre os EUA e a China. Umha dimensom chave da crise da zona do euro é o conflito entre Alemanha e as economias periféricas do sul da Europa, que pedírom emprestado em excesso dos bancos franceses e alemáns, mais que nada para importar desde Alemanha.
Considera que a ideia de capital monopolista é ajeitada para definir o corrente ciclo de acumulaçom do capital? Qual é o lugar da lei do valor e a competência internacional nesta explicaçom?
Nom, nom topo o conceito de capital monopolista particularmente útil. Literalmente isto implica que, em setores individuais, umha companhia é dominante. Mas isto é empiricamente falso. Até na cima da era do 'capitalismo organizado' de mediados do século XX, quando umha companhia podia ter dominado um setor nacional particular, usualmente com apoio estatal, estas companhias estavam sujeitas à competência de rivais locais ou estrangeiros. Porém as últiams décadas vírom este tipo de arranjos privilegiados demoronarem-se ou quando menos fôrom severamente saboteiados. Incluso companhias muito grandes e de base firme encarárom umha severa presom de competidores estrangeiros - cf. a decadência de General Motors ou o ascenso de Toyota tanto nos mercados de automóviles globais como nos dos EUA.
A lei do valor é exercida pola competência de 'muitos capitais'. Devido a que o conceito de capital monopolista implica o fim da competência - nom simplesmente num setor (do que Marx dá conta através dumha redistribuiçom do mais-valor de companhias que nom som monopólicas às que sim o som), mas através dumha economia - implica também a fim da lei do valor. Neste sendito, Baran e Sweezy estavam sendo completamente conseqüêntes quando rachárom com a teoria do valor de Marx em O Capital Monopolista. Porém a premisa do seu argumento é falsa: o capital monopolista nom existe através da economia. O que temos em muitos casos é competência oligopólica. Guglielmo Carchedi, quem tem umha boa análise de como integrar esta forma de competência na teoria do valor, resum bem esta posiçom:
A lei do valor é exercida pola competência de 'muitos capitais'. Devido a que o conceito de capital monopolista implica o fim da competência - nom simplesmente num setor (do que Marx dá conta através dumha redistribuiçom do mais-valor de companhias que nom som monopólicas às que sim o som), mas através dumha economia - implica também a fim da lei do valor. Neste sendito, Baran e Sweezy estavam sendo completamente conseqüêntes quando rachárom com a teoria do valor de Marx em O Capital Monopolista. Porém a premisa do seu argumento é falsa: o capital monopolista nom existe através da economia. O que temos em muitos casos é competência oligopólica. Guglielmo Carchedi, quem tem umha boa análise de como integrar esta forma de competência na teoria do valor, resum bem esta posiçom:
“Enquanto os monopólios (no sentido estrito) sim existem, a realidade de hoje em dia é dominada por oligopólios, por unidades de capital grandes e tecnologicamente avançadas que ganhárom umha grande parte do mercado por aplicarem tecnologias avançadas de grande escala. É a aplicaçom destas tecnologias avançadas a grande escala (a que é possível graças à escala do capital invertido) que resulta numha competitividade e posiçom no mercado superior para estes capitais. Os oligopólios nom apagam a competência mas (...) estabelecem tanto novas como velhas formas de competência entre eles enquanto som capazes de restringir a competência de capitais mais pequenos e débiles" (4).
A teoria do imperialismo supom o pré-domínio de monopólios, o qual implica a negaçom da competência, e, em última instáncia, da lei do valor. Assim, alguns autores sustentam que os ganhos capitalistas deixariam de depender unicamente da extraçom de mais-valor e que o incremento do mais-valor deixaria de ser umha preocupaçom para o capital. Está vostede de acordo com esse ponto de vista? De ser assim, que implicáncia teria isto para a luita de classes?
Como já assinalei, rechaço essa visom. Sem dúvida, Lenine chama imperialismo à "fase monopolista do capital". Porém ado que ele também o considera como impulsado pola competência entre os principais estados capitalistas a sua teoria parece inconsistente. As tensons som evidentes em passagens como a seguinte: "os monopólios, que se desenvolvêrom a partir da livre compentência, nom apagam esta última, a contrário existem por e sobre esta e a par desta, e, portanto, ocasionam um grande número de antagonismos agudos e intensos, friçons e conflitos" (5). Eu acho que o fundamental de grande parte da análise de Lenine é mais consistente com a ideia da competência oligopolística. Bukharin, como um teórico económico mais rigoroso (mas também menos flexível, como o assinalou Lenine quando o criticou pola sua falta de dialéctica), extrai as conseqüências da ideia de capitalismo monopolista. Para ele, o imperialismo culmina em capitalismo de estado, onde as tendências das crises económicas (as quais ele identifica com desproporcionalidades entre o consumo e a produçom e entre as diferentes ramas de produçom) podem ser apagadas mediante o controlo politico. Ele considera que a irracionalidade do capitalismo persiste, nom obstante, na forma de competência político-militar. Esta análise levou a Bukharin, em véspera da crise de Wall Street em 1929, a descartar a possibilidade dumha maior crise económica. Como detalho no meu livro, umha das maiores debilidades da teoria marxista clássica de imperialismo é a sua falha de integraçom com um ajeitado entendemento da teoria do valor e crise de Marx.
Do mesmo jeito que certos autores consideram que a burguesia em naçons centrais é diferentes à dos estados dependentes, eles também acreditam que há diferenças entre as classes trabalhadoras nessas duas categorias de países. Qual é a sua opiniom?
Claramente há diferenças em ambas classes, capitalistas e trabalhadoras, que surgem da sua posiçom relativa na hierarquia global de poder e riqueza. Porém se você se refere a teorias tais como a concepçom de Lenine da aristocracia operária ou a ideia da troca desigual, o qual implica que os trabalhadores no Norte participam da exploraçom dos trabalhadores no Sul, rejeito estas teorias. Elas nom tenhem umha fundamentaçom certa na teoria do valor de Marx e som também discutíveis empiricamente. A teoria da aristocracia operária contradi-se polo facto de que, em toda a Europa, fôrom os operário metalúrgicos, organizados e com bons ordenados, os que liderárom a revolta dos trabalhadores na primeira grande guerra e se unírom para a Internacional Comunista. O sindicato burócrata - a capa especial de dirigentes de tempo completo que média ente os operários e o capital- é um fenómeno sócio-político importante, mas nom é o mesmo que a aristocracia operária de Lenine de trabalhadores especializados que vivem de ganhos coloniais. Foi Rosa Luxemburgo quem promoveu a análise marxista da burocracia sindical e nom, temo-me, Lenine.
Os teóricos da troca desigual nom podem explicar por que os principais flujos de capital nom som de Norte a Sul, que é o que a ideia que os baixos ordenados no Sul som a principal fonte de mais-valor mundial implicaria. Entre 1992 e 2006 os estados desenvolvidos recebêrom mais de dous terços dos flujos das Inversons Estrangeiras Diretas (IED). Polo geral, som os EUA e a Grande Bretanha os principais receptores de IED, nom China e a Índia. Estas estatísticas vem-se distorsionadas polas aquisiçons e fusons em Wall Street e no centro financeiro de Londres, mas também reflectem umha profunda realidade. Na teoria do valor de Marx o grau de exploraçom é determiado nom apenas polo nível dos ordenados reais, mas também de forma crucial pola produtividade dos trabalhadores. Os níveis de produtividade som mais elevados nos estados capitalistas avançados e, por conseguinte, continua sendo rendível para as empresas seguir investindo aí.
Os teóricos da troca desigual nom podem explicar por que os principais flujos de capital nom som de Norte a Sul, que é o que a ideia que os baixos ordenados no Sul som a principal fonte de mais-valor mundial implicaria. Entre 1992 e 2006 os estados desenvolvidos recebêrom mais de dous terços dos flujos das Inversons Estrangeiras Diretas (IED). Polo geral, som os EUA e a Grande Bretanha os principais receptores de IED, nom China e a Índia. Estas estatísticas vem-se distorsionadas polas aquisiçons e fusons em Wall Street e no centro financeiro de Londres, mas também reflectem umha profunda realidade. Na teoria do valor de Marx o grau de exploraçom é determiado nom apenas polo nível dos ordenados reais, mas também de forma crucial pola produtividade dos trabalhadores. Os níveis de produtividade som mais elevados nos estados capitalistas avançados e, por conseguinte, continua sendo rendível para as empresas seguir investindo aí.
Por suposto, os trabalhadores no Sul tenhem um nível de vida muito mais baixo do que no Norte. Nom tenhem desenvolvidos estados de bem-estar como na Europa ocidental e coexistem com amiúdo formaçons muito complexas de sub-proletários e pequenos comerciantes que a ciências social dominante tende a classificar como "sector informal". Estas som realidades sociais e políticas muito importantes que continuam marcando a diferença entre o Norte e o Sul. Porém estas diferenças nom estám contempladas ao dizer que os trabalhadores do Norte exploram seus irmaos do Sul.
Como deveria um definir umha relaçom colonia ou semi-colonia? Qual é a diferença entre os impérios e as suas colónicas nos séculos XVII e XVIII versus aqueles nos estados-naçom do século XX?
Percebe-se melhor umha relaçom colonial como umha relaçom de subordinaçom política direta - por exemplo, a que tivo a Grande Bretanha e a Índia entre 1750 e 1940. Lenine define semi-colónias como "as diversas formas dos países dependentes que, desde o ponto de vista político som formalmente independentes, mas, na verdade, estám imersos na rede de dependência diplomática e financeira" (6). Os exemplos podem-se ver no "império informal" da Grande Bretanha na China e na América Latina antes de 1914. Porém um deve ser cuidadoso aqui porque, como assinalou Lenine, a mera posessom de soberania estatal tende a dar-lhe à classe dominante da 'semi-colónia' mais lugar para manobrar que no caso de que foram súbditos coloniais do outro estado. Isto pode ver-se, por exemplo, com Argentina na década de 1930 e 1940, que tratou de usar a rivalidade inter-imperialista entre a Grande Bretanha e Alemanha para o sue próprio benefício.
A forma de estado nom é meramente formal: marca umha diferença. É importante entendê-lo porque há agora vários estados capitalistas na assim chamada 'semi-periféria' - China, a Índia, Coreia do Sul, o Brasil, África do Sul- que seria ridículo descrevê-los como 'semi-colónias' porque eles usárom a sua soberania e oportunidades oferecidas polo sistema interestatal para converterem-se em centros de acumulaçom de capital relativamente independentes. A tua pergunta é muito ampla para contestá-la no espaço disponível. Porém permite-me remarcar umha diferença relevante entre o imperialismo británico e norte-americano. Como assinalou Perry Anderson, um risco distintivo do capitalismo británico é que este surgiu da competência com entidades pré-capitalistas - impérios tributários do Leste e monarquias absolutas na Europa. Na Índia, a Grande Bretanha herdou os mecanismos de extraçom do Império de Mughal (embora a Índia estava cada vez mais integrada nos circuítos especificamente capitalistas). Incluso durante o auge da hegemonia británica em meados do século XIX, podemos encontrar a Lord Palmerston manejando relaçons com grandes impérios de terras tais como a Áustria, Prússia e Rússia. É o surgimento de rivais capitalistas a fins do XIX - os EUA e Alemanha- o que levou o imperialismo británico ao seu descenso.
Em contraposiçom, os EUA surgírom para deslocar a Grande Bretanha como o poder hegemónico precisamente neste contexto de rivalidade entre estados capitalistas. Um elemento chave na dominaçom de Washington é a sua habilidade para institucionalizar a cooperaçom sob o seu liderato entre os estados capitalistas avançados. Esta é a importáncia da construçom da institucionalidade da segunda parte da década de 1940 - as instituiçons de Bretton Woods, NATO, ONU, etc. O que as sucessivas administraçons americanas tentárom desde a fim da guerra fria é tanto manter como espalhar (por exemplo a expansom da NATO e a UE) este sistema de cooperaçom institucionalizada, mas liderada polos EUA.
Em contraposiçom, os EUA surgírom para deslocar a Grande Bretanha como o poder hegemónico precisamente neste contexto de rivalidade entre estados capitalistas. Um elemento chave na dominaçom de Washington é a sua habilidade para institucionalizar a cooperaçom sob o seu liderato entre os estados capitalistas avançados. Esta é a importáncia da construçom da institucionalidade da segunda parte da década de 1940 - as instituiçons de Bretton Woods, NATO, ONU, etc. O que as sucessivas administraçons americanas tentárom desde a fim da guerra fria é tanto manter como espalhar (por exemplo a expansom da NATO e a UE) este sistema de cooperaçom institucionalizada, mas liderada polos EUA.
Um traço interessante desta situaçom atual é o efeito potencialmente desestabilizador do surgimento das assim chamadas "economias de mercados emergentes" - China, Índia, Brasil, África do Sul, Turquia, etc.- que estiveram marginadas ou fora destas estruturas. O efetivo remplazo do G8 polo G20 como o principal foro económico interestatal - que foi impulsado por George W. Bush mas espalhado por Obama- poderia ver-se como umha tentativa por parte de Washintong de incorporar totalmente a estes estados no espaço capitalista liberal dirigido polos EUA por meio da extensom do sistema de cooperaçom institucionalizada. Escuitei a Robert Wade suster que o G20 permite que os EUA enfrente o BRIC com a UE, mas estas duas interpretaçons som perfeitamente consistentes entre si.
Como deveria um interpretar a instalaçom de bases em América Latina, no Meio Oriente, mas também na Europa?
Desde a análise pionera de William Appleman Williams em The Tragedy of American Diplomacy (1959) tem sido muito comum olhar para os EEUU como um “imperialismo nom territorial”. Por outras palavras, mais que formalmente colónias anexadas, o capitalismo americano procurou o jeito de criar um mercado mundial aberto que pudesse dominar devido a sua relativa fortaleza económica. Acho que esta interpretaçom é em linhas gerais correta - especialmente porque os EUA tentavam dominar um mundo de estados capitalistas. A estratégia alternativa experimentou-se na Alemanha de Hitler - a construçom dum império continental por meio da conquista armada. Até se nom falira devido à derrota militar, provavelmente tampouco fora sustentável indefinidamente: o estado Nazi nom daria manejado a grande maioria das sociedades capitalistas avançadas dessa época apenas por meio da coerçom e o terror.
Assim que a estratégia americana de dominaçom nom territorial resultou ser mais viável (em grande mediada porque o capitalismo estadounidense era muito mais forte que qualquer dos seus rivais). Porém o que os EUA descobrírom, primeiro durante a Segunda Grande Guerra e depois novamene durante a Guerra Fria, era que esta estratégia requeria da projeçom da força militar a grande escala. Tanto entre 1939-41 e imediatamente depois de 1945, os EUA aguardavam que a Grande Bretanha pudesse levar a principal carga militar na Europa. Mas a Grande Bretanha era muito débil para isso, e os EUA tivérom que despregar as suas próprias forças primeiro para vencer a Alemanha e depois, especialmente no começo da Guerra de Coreia, para conter a URSS. Isto requiria o desenvolvimento dumha rede global de bases aéreas e navais, um processo que começou na II Grande Guerra: Roosevelt e os chefes do estado pressionárom duramente para capturar várias ilhas do Pacífico com este alvo em mente.
Dalgum modo, isto é umha extensom do que a Grande Bretanha fixo nos séculos XVIII e XIX: aquirir umha série de bases que lhe permitiram à Royal Navy - a sua principal forma de projeçom de poder- operar de forma global. Merece a pena pôr em destaque este elemento de continuidade histórica porque o Pentágono ainda prefere confiar na força naval e aérea mais que nas tropas de infanteria. Os EUA tenhem o exército mais poderoso do mundo, mas tenhem um registo pobre de sucessos. A única grande guerra em terra que ganhárom desde 1945 foi contra o Irque em 1990-91, quando tinha praticamente o mundo enteiro do seu lado. Coreia resultou um ponto morto, em Vietname foi derrotado, no Iraque sofreu umha semi-derrota cujo resultado é ainda incerto, e no Afeganistám nom se vê muito bem.
Dalgum modo, isto é umha extensom do que a Grande Bretanha fixo nos séculos XVIII e XIX: aquirir umha série de bases que lhe permitiram à Royal Navy - a sua principal forma de projeçom de poder- operar de forma global. Merece a pena pôr em destaque este elemento de continuidade histórica porque o Pentágono ainda prefere confiar na força naval e aérea mais que nas tropas de infanteria. Os EUA tenhem o exército mais poderoso do mundo, mas tenhem um registo pobre de sucessos. A única grande guerra em terra que ganhárom desde 1945 foi contra o Irque em 1990-91, quando tinha praticamente o mundo enteiro do seu lado. Coreia resultou um ponto morto, em Vietname foi derrotado, no Iraque sofreu umha semi-derrota cujo resultado é ainda incerto, e no Afeganistám nom se vê muito bem.
Qual seria o rol político da esquerda revolucionária em lugares afetados por invasons militares (Iraque, Afeganistám)? É a intervençom puramente “estrangeira”?
Para contestar à segunda pergunta primeiro, a intervençom é frequêntemente nom puramente estrangeira. Tanto no Iraque como no Afegansitám implicou-se um elemento considerável de guerra civil. De facto, no Iraque, umha vez que surgiu a insurgência, os EUA apenas pudêrom manter-se manipulando tensons entre sunies e chiitas, a um preço humano atroz. Porém a realidade preponderante é dumha ocupaçom estrangeira [lembre-se também o povo curdo no Iraque a 'Aliança do Norte' no Afeganistám; N.B.]. Em princípio, o rol dos marxista revolucionários em ditas situaçons deveria vencelhar a resistência à ocupaçom com a luita de classes, tentando abrir um panorama de libertaçom tanto nacional como social. A experiência dos movimentos de resistência na Europa ocupada polos Nazis ilustra as possibilidades, assim como também os riscos, desta perspetiva.
Lamentavelmente, no Iraque e no Afeganistám encontramo-nos numha situaçom onde a esquerda secular. historicamente forte em ambas sociedades, desacreditou-se a si própria - um chisco devido a sua associaçom com forças imperialistas (URSS no caso do Afeganistám, os EUA no caso do Partido Comunista Iraquiano que apoiou a invasom de 2003). O resultado é que a luita contra as ocupaçons está dominada por forças políticas islámicas. Isto nom afeta a nossa tarefa fora do Iraque e do Afeganistám: enquanto que o movimento contra a guerra deve concentrar-se em fazer campanha para pôr fim às ocupaçons, as e os revolucionários devem dar-lhe a bem-vinda a derrota dos EUA e os seus aliados por parte das insurgências predominantemente islámicas. A tarefa dos revolucionários dentro destes estados é muito difícil: establecer as bases, em condiçons polo geral extremadamente desfavoráveis, para umha nova esquerda, genuinamente anti-capitalista e anti-imperialista.
Para contestar à segunda pergunta primeiro, a intervençom é frequêntemente nom puramente estrangeira. Tanto no Iraque como no Afegansitám implicou-se um elemento considerável de guerra civil. De facto, no Iraque, umha vez que surgiu a insurgência, os EUA apenas pudêrom manter-se manipulando tensons entre sunies e chiitas, a um preço humano atroz. Porém a realidade preponderante é dumha ocupaçom estrangeira [lembre-se também o povo curdo no Iraque a 'Aliança do Norte' no Afeganistám; N.B.]. Em princípio, o rol dos marxista revolucionários em ditas situaçons deveria vencelhar a resistência à ocupaçom com a luita de classes, tentando abrir um panorama de libertaçom tanto nacional como social. A experiência dos movimentos de resistência na Europa ocupada polos Nazis ilustra as possibilidades, assim como também os riscos, desta perspetiva.
Lamentavelmente, no Iraque e no Afeganistám encontramo-nos numha situaçom onde a esquerda secular. historicamente forte em ambas sociedades, desacreditou-se a si própria - um chisco devido a sua associaçom com forças imperialistas (URSS no caso do Afeganistám, os EUA no caso do Partido Comunista Iraquiano que apoiou a invasom de 2003). O resultado é que a luita contra as ocupaçons está dominada por forças políticas islámicas. Isto nom afeta a nossa tarefa fora do Iraque e do Afeganistám: enquanto que o movimento contra a guerra deve concentrar-se em fazer campanha para pôr fim às ocupaçons, as e os revolucionários devem dar-lhe a bem-vinda a derrota dos EUA e os seus aliados por parte das insurgências predominantemente islámicas. A tarefa dos revolucionários dentro destes estados é muito difícil: establecer as bases, em condiçons polo geral extremadamente desfavoráveis, para umha nova esquerda, genuinamente anti-capitalista e anti-imperialista.
Notas do texto original
1. Harvey, David: The New Imperialism, Oxford, London, 2003.
2. Lenin, Vladimir: O Imperialismo, fase superior do capitalismo, em Obras completas, tomo XXII, Moscovo, 1964, p. 295.
3. Schwartz, H. M.: Subprime Nation: American Capital, Global Capital, and the Housing Bubble, Ithaca, 2009, p. 168.
4. Carchedi, Guglielmo: Frontiers of Political Economy (Fronteiras de Economia Política) (London, 1991), p. 232.
5. Lenin, op. cit., p. 266.
6. Lenin, op. cit., p. 263.
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