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13/12/2011

Os banqueiros são os ditadores do Ocidente

Robert Fisk. A tradução do artigo para Outras Palavras (aqui) é de Vila Vudu.

Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichês por palmo quadrado em todo o mundo – o Oriente Médio –, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial.

Mas… que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Oriente Médio algum dia superará a acanalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos ‘especialistas’ de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade.

Comecemos pela Primavera Árabe – expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio – e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do Ocidente que “colheram uma folha” do livro da “Primavera Árabe”; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram “inspirados” pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e – só em parte – na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense.

A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais “democráticos”, desesperados para separar as coisas, dedicados a sugerir que o Ocidente estaria apenas colhendo um último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra.

O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi uma demanda por dignidade: a recusa em aceitar os ditadores e famílias e claques de ditadores que, de fato, viviam como se fossem donos de seus respectivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que seus países pertencem a eles, ao povo.

E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business – causa perfeitamente justificada – e contra “governos”.

O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.

Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países.

As eleições no Ocidente – que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante a colusão de governos eleitos – tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para ‘eleger’ os proprietários deles mesmos, de sua riqueza, de seu futuro.

Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo ‘bônus’ e ‘prêmios’ aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível.

Não precisei – embora tenha ajudado – de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos… e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes ‘do risco’ (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje – graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados – matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de ‘rebaixar’ os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA.

Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje que Rommel [1] em 1940?

Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e – ah, santo deus, também a Al Jazeera – tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam – Inside Job já abriu o caminho! – desses escandalosos corretores duplos?

Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Oriente Médio, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no “processo de paz” norte-americano para o conflito Israelo-Palestino, porque os ‘mocinhos’ são os ‘moderados’ e todos os demais são os ‘bandidos terroristas’.

Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente, com nossos governos eleitos, criamos nossos ditadores. Mas, diferente dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores – intocáveis.

O chefe da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo essa semana que seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres?

Notas

[1] Erwin Johannes Eugen Rommel (Heidenheim, 15 de Novembro de 1891 – Herrlingen, 14 de Outubro de 1944), conhecido popularmente como A Raposa do Deserto, foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um dos maiores responsáveis pela conquista da França pelo exército nazista em 1940.

15/11/2011

O "Inside Job" europeo: a conexión Draghi-Papademos-Monti

Virginia Pérez Alonso. Tirado de 20 minutos (aquí) e traducido por nós.

En Europa a democracia non se leva. A política, no sentido grego do termo, tampouco. En apenas dúas semanas caeron dous gobernos democráticos, saídos no seu día das urnas, e foron substituídos por senllos gobernos de "transición tecnocrática" aos que obviamente non elixiron os cidadáns, senón os mercados. Mentres, o Banco Central Europeo (BCE) estreou novo presidente que deberá guiar os pasos da Eurozona... esporeado por Merkel e Sarkozy.

Pero vexamos quen son ese tres personaxes en cuxas entrelazadas mans está o futuro máis inmediato das nosas economías.

Lucas Papademos é desde o pasado venres o primeiro ministro grego en substitución de Yorgos Papandreu, que pasará á historia por case colapsar os mercados europeos ao propor un referendo para que os gregos decidisen o seu futuro económico.

É economista e foi vicepresidente do BCE entre 2002 e 2008 ás ordes de Jean-Claude Trichet. Antes fora gobernador do Banco de Grecia, de 1994 a 2002, posición desde a que traballou activamente para deixar presentábel ("maquillar", din algúns; "estabilizar", din outros) a economía grega de forma que esta puidese unirse á eurozona, fito que logrou precisamente en 2002.

A súa frase estrela deses anos é, sen dúbida, esta: "Os beneficios macroeconómicos e microeconómicos para Europa e Grecia da incorporación do euro son enormes". Rexeita as críticas vertidas contra el por non facer públicas as "carencias" dos orzamentos gregos durante a carreira para unirse á zona euro.

Mario Monti é o economista que substituirá a Silvio Berlusconi como primeiro ministro de Italia para "levar polo bo camiño" as reformas propostas pola UE encamiñadas a que este país reduza a súa débeda, equivalente ao 120% do seu PIB, e sobre todo, a que os mercados alivien a presión sobre a súa débeda e polo tanto sobre a doutros países europeos; léase o Reino de España, por exemplo.

O currículo de Monti é enormemente entretido, digno do Inside Job que merecemos os europeos. Entre 1994 e 1999 foi comisario europeo de mercado interior e desde entón até 2004, comisario de Competencia, posición desde a que se opuxo á fusión entre General Electric e Honeywell. Goldman Sachs -si, o banco de investimento responsábel en parte da actual crise financeira-, fichouno como asesor en 2005 [Monti pertence tamén ao consello asesor de Coca-Cola].

Antes de "nosa" crise e tamén antes de que Monti chegase a Goldman Sachs, este banco de investimento deseñou o plan de enxeñaría financeira que permitiu a Grecia entrar no euro en 2002 camuflando as súas contas públicas e as súas cifras reais de déficit a base, entre outras cousas, de vender produtos financeiros gregos aos EUA sen alertar dos riscos e de realizar operacións de cambios de divisas (swaps).

E saben quen era un dos responsables de Goldman Sachs por entón? O recentemente nomeado presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, que traballou como directivo do devandito banco de investimento entre 2002 e 2006. O pasado xuño, Draghi tivo que responder o Parlamento europeo acerca do seu coñecemento e responsabilidade na actuación de Goldman Sachs en Grecia. Dixo que eses acordos foron previos á súa chegada ao banco e que non tivo nada que ver coa venda de produtos financeiros a outros gobernos. Meses despois, é o máximo responsábel da política monetaria en Europa.

Non acaba aquí a conexión entre este tres líderes europeos de novo cuño. Mario Monti é o director europeo da Comisión Trilateral, un think tank de corte ultraliberal fundado en 1973 por Rockefeller, ao que tamén pertence como membro o primeiro ministro grego, Papademos. Este lobby xa advertiu no seu día do que se aveciñaba: un ?perigoso? ?exceso de democracia? [merece a pena ler este texto de Noam Chomsky sobre esta aseveración, do seu libro Prioridades radicais].

Sobran os comentarios.

13/07/2011

A ortodoxia ultraliberal conduze ao Reino de Espanha ao abismo

Antom Fente Parada. O quadro do começo é de Antoine Wiertz (1806-1865), pintor e escultor romântico belga que anúncio o simbolismo e o surrealismo tão influentes na arte belga, e intitula-se "O suicídio" sendo de 1854. O autor do texto é um dos gestores deste blogue e membro do Conselho Editorial de Altermundo.



Não é a primeira vez que infelizmente temos que falar aqui do FMI e demais instituições de gobernança global que conduzem para um comareiro preto e afiado a Eurolândia. Faz aproximadamente um mês que no nosso trabalho fim de máster chamávamos a atenção sobre a possibilidade de que Itália e Bélgica fossem também alvos dos "mercados". Ontem no tocante a Itália a nossa diagnose tornou-se certeira e a aplicação de "austeridade" só fará constringir  o crescimento económico e com isso a possibilidade de pago da dívida o que só fará retro-alimentar essa maravilhosa "austeridade" que nos empurrou para um dividocracia.

A progressão dos CDS leva-nos a pensar, como alguns afirmamos quando a entrada do FMI em Portugal, que o "resgate" ao Estado espanhol se produzirá antes do prazo dum ano com novas pressões sobre Itália (logo iriam Bélgica e França pelo que parece). Como um banqueiro norte-americano advertia pouco antes da quinta-feria preta de 1929 ou se fazem soluções económicas conjuntas ou cada estado "apodrecerá por separado".
Gráfica 1. Spread bono-bund a 10 anos e CDS bono a 5 anos. Fonte: http://jcbcarc.dyndns.org/grafico_spreads_cron.png

  Na gráfica 1 vemos como os CDS, ou Credit Default Swaps, são seguros de impago que garantem pretensamente o cobro do capital assegurado em caso de queda do emissor da dívida e movem um volume que supera nos EUA desde há anos o do mercado imobiliário e a própria bolsa (aqui e aqui). Como afirmavam Domènech, Raventós e Búster em   "La sabiduría asombrada y la contrarreforma del mercado laboral ":
Uno de los instrumentos principales de ataque especulativo contra las deudas soberanas son los tristemente célebres credit default swaps (CDS) o derivados financieros de incumplimiento crediticio. Esos instrumentos financieros funcionan como una especie de ―seguro contra impagos, pero, precisamente, no son ―seguros: nacieron precisamente en los 90 (a raíz de la catástrofe ecológica provocada por los vertidos petroleros del Exxon Valdez, cuyas dimensiones desbordaron a las compañías aseguradoras tradicionales) como vehículos de inversión al margen del sector oficial de los seguros, porque ese sector estaba públicamente regulado. Los CDS, en cambio, son completamente opacos y están totalmente desregulados; funcionan como apuestas a que algo va a ir mal (los valores de una compañía, los títulos de deuda soberana, ¡las propias inversiones en otro sector!), y la única condición que se exige para poder poner los ―ahorrillos en ellos es disponer de un monto mínimo de inversión de 10 millones de dólares. Se trata de un verdadero mercado en la sombra, completamente desregulado y, como cabría esperar, dominado por la aristocracia financiera mundial. Como muestra el siguiente gráfico del New York Times (17 de febrero de 2008), su crecimiento desde el año 2000 ha sido asombroso: su valor era ya en 2008 (45,5 billones de dólares) mucho más grande que el del mercado de valores (21,9 billones), que el del mercado hipotecario (7,1  billones de dólares) y que el del mercado de deuda pública (4,4 billones de dólares) estadounidenses.

   Quando mais ascendem maior risco de queda para os "mercados" e portanto maiores tipos de juros exigidos num rodopio infernal que submete sob a austeridade aos cidadãos de Eurolândia e que acrescenta mais e mais pobreza. Bancos como Deutche Bank ou o BSCH compram bonos do Estado espanhol ou doutros ao tempo que adquirem CDS para especular contra o impago desses mesmos bonos  pelo que obtêm lucros espectaculares sim ou sim. Por se for pouco, o Bundesbank nega-se a que nos "resgates" participe o sector privado, alegando que poderia incrementar o risco de contágio.

O spread do bono espanhol (gráfico 1) a dez anos respeito o alemão (ou risco-país) é uma outra forma de medir o risco de impago e reflecte em pontos básicos (pb, ou o'01% de juros) a diferença em juros que temos que pagar ao comprador de bonos respeito ao bono de referência, que é o bono alemão por ser uma economia solvente, que medra sustentadamente (e pode fazer assim frente às dívidas), etc. Considera-se Defcon 5 (sem alerta) se a meia aritmética dos CDS e o spread do bono estão por baixo de 60, Defcon 4 se está entre 60 e 119'99, Defcon 3 entre 120 e 199'99, Defcon 1 (risco iminente ou queda) por cima de 300 cifra alcançada ontem pela manhá. Hoje (13-7-2011) pela manhá o diferencial era de 320'37.

A armadilha dos credit default swaps

Como indicamos acima, o seu funcionamento dista muito de ser um seguro (tal e como se entendem estes no bo senso). Os CDS operam em mercados OTC e a sua prima cotiza pelo que permite a especulação e não é necessário ter o activo subjacente. A quantidade a pagar pelos CDS e as interconexões existentes ameaçam a estabilidade global, como se demonstrou após a queda do Lehman Brohters e da AIG e a sua contaminação imediata a Islândia (veja-se o documentário Inside Job, aqui, aqui e aqui). Por outras palavras, são armas de destruição maciça para a economia real e a última volta de porca a financiaração dum sistema-mundo instalado no caos sistémico, que Arrighi descreve em Caos e ordem no sistema-mundo moderno e em Adam Smith em Pequim.

De facto, não cabe dúvida  de que a economia real de Eurolândia está sofrendo cada vez mais, especialmente no que atinge aos autónomos e pequenos empresários arruinando as possibilidades de recuperação do emprego e do consumo e inçando o afogo por falha de crédito e sentando as bases para uma prolongada e muito longa depressão. Um exemplo é a caída do comércio minorista em maio em Eurolândia (e na UE em geral), sendo Portugal, Grécia e o Reino de Espanha onde mais se nota a caída (um preocupante 7'7% no caso do Estado espanhol e 16% com respeito a 2005).

El comercio minorista cae en mayo en la UE y en la zona euro, siendo Portugal, España y presumiblemente Grecia (cuyos datos aún no se conocen) los farolillos rojos. En España cae un impresionante 7.7% mientras quedamos a la espera de que el Gobierno anuncie en fechas próximas que el consumo de las familias aumenta, y por lo tanto el PIB. 

No caso grego a compra-venda de credit default swaps provocou a ameaça duma reestruturação da dívida que se quer solventar com mais 180.000 milhões de euros que servirão unicamente para dotar de maior liquidez aos especuladores e exigir novas medidas draconianas, que atafeguem a economia real no altar do pago aos acredores, ao tempo que se investe na falência dos estados italiano e espanhol (o bono deste último como assinalamos está Defcon1 (risco eminente de queda, ao superar os 300 pontos básicos). Então, por dizê-lo abreviadamente os "resgates" não fazem nada pela melhora da situação económica e da saída da crise, a contrário afortalezam-na e unicamente servem para proteger os próprios bancos das perdas que sofreriam por mor dos CDS. O BCE advertia nao há muito que Grécia não poderia cair porque provocaria um novo Lehman Brothers, pois vede o que se passa.

Aqui a estafa fica manifesta. O fascismo financeiro merca "seguros" para evitar "problemas", mas estes seguros são em rigor inexecutáveis, porque os pagos seriam demasiados grandes e causariam problemas noutras entidades apodrecendo todo o sistema. Portanto, a finalidade real não é a cobertura de riscos, senão especular contra algo lucrativo como os estados e, já que logo, contra os cidadãos da União Europeia. Assim, num cenário bom ganha-se muito e força-se que subam os juros dos bonos e num cenário adverso o risco é sistémico e tão elevado que ninguém pode pagar ("demasiado grande para falir"). 

Gráfica 2. Tirada de aqui: http://www.cotizalia.com/perlas-kike-vazquez/2011/sirven-ademas-resultar-riesgo-sistemico-20110712-5795.html
    Assim de simples. Se tudo vai bem cobra-se. E se vai mal o volume é tão grande que os governos entregues à ortodoxia não vão deixar cair, nem muito menos pôr nomes e apelidos aos "mercados" e exigir responsabilidades penais. Em China, que alguns põem falsamente como exemplo de trunfo do ultraliberalismo, isto seria impossível já que se exigiria para cobrir-se ter o subjacente correspondente.

Na gráfica 3 expomos a evolução dos bonos a dez anos (em 11-07-2011) do Estado italiano (arriba esquerda), do Estado espanhol (arriba à direita), do Estado alemão (abaixo à esquerda) e enfim do Estado francês:
Gráfica 3. Tirada de aqui: http://www.colectivoburbuja.org/?p=479. Última consulta 14/07/2011

Não faz falha muito para interpretar a gráfica 3 e como a evolução do bono alemao e francês é inversamente proporcional (especialmente no primeiro caso, ao ser o bono de referência e onde os inversores se refugiam) ao italiano e espanhol. 

CODA

 Eis o panorama para este verão. As declarações do ministro de finanças italiano lembram ao enxuto Zapatero após a reunião do Ecofine que deu passo aos recortes do seu governo, dos que Rubalcaba e Salgado são os máximos responsáveis.  Haja ou não eleições antecipadas e ganhem os sócio-liberais do PSOE ou os ultraliberais do PP com apoio de CiU serão inevitáveis novos e mais profundos recortes seguindo a senda de Grécia e jogando ao poço dum corralito ao Estado espanhol, enquanto o FMI rematará por entrar com ainda novas e mais fundas medidas de ajuste. Não há saída que poda vir desde a ortodoxia e as supostas medidas de consenso (ultraliberal, dogmático e reaccionário) europeias. O ultraliberalismo revelou-se já sem ambiguidades como o reino da teologia da bancocracia, a santa inquisição da dividocracia, o império do fascismo financeiro e do darwinismo social, o recrudescimento sem comparação da luta de classes, enquanto Europa abraça cada vez mais saídas mais reaccionárias e de extrema direita.

Os PIG's estão a percorrer o caminho que conduziu aos estados de América do Sul  à miséria e a uma Nova Ordem Mundial que lembra mais o primeiro quartel do século XX do que o suposto progresso e fim da história que pregoavam os pós-modernos para o século XXI.





18/05/2011

Desemprego xuvenil, protestos sociais e austeridade fiscal ultraliberal no Reino de España. Entrevista

Antoni Doménech. Artigo tirado de aquí e traducido por nós para o galego desde o orixinal en castélán.

Ao cumprirse un ano do radical xiro ultraliberal da política económica do goberno Zapatero, e no contexto dos aterradores dados sobre desemprego xuvenil no Estado español (43%) e de respostas sociais como a convocatoria de manifestacións en todas as cidades españolas este 15 de maio por parte da mocidade de Democracia Real Ya, o xornalista da Axencia Colpisa Ander Carazo entrevistou a Antoni Domènech para unha reportaxe sobre a situación económica española e o fenómeno do desemprego xuvenil. Reproducimos a continuación as respostas de Domènech ás preguntas de Carazo.

A que se debe que a taxa de desemprego xuvenil no Estado español sexa a máis alta de toda a OCDE? Que se fixo mal durante os anos de "bonanza" para ter actualmente unha taxa de desemprego de 40%?



As causas desa enorme taxa de desemprego xuvenil son varias, claro, e arraigan fondo no tipo de economía que terminou configurando no Reino de España a "transición democrática".

Cando, para contrastar coa situación actual, fálase de "anos de bonanza", hai que recordar inmediatamente que eses anos nos que se rexistraron taxas de crecemento do PIB por riba da media europea fundáronse en boa medida no asombroso crecemento da bolla inmobiliaria e no non menos asombrosos crecemento do endebedamento privado (das familias e das empresas). Coas consecuencias que agora se ven, mais que anticiparan tantos e tantos aos que ninguén fixo caso no seu momento. Por mencionar algunhas, quizabes as máis importantes:

1) Os ordenados reais non aumentaron en todo o que levamos de século XXI: en troques, a demanda efectiva foi alimentada polo endebedamento das familias españolas con crédito barato, un endebedamento con crédito barato ofrecido pola banca e as caixas españolas, que por súa vez se endebedaban coa banca estranxeira (singularmente alemá).

2) Non só os salarios reais non aumentaron, senón que a participación da masa salarial na riqueza nacional non fixo máis que retroceder nas últimas décadas, mentres aumentaban a participación nela dos beneficios empresariais e, sobre todo, a das ganancias rentistas e especulativas (inmobiliarias, financeiras, de aseguradoras e oligopólicas).

3) Ao tempo que a "ilusión de riqueza" xerada pola inflación de activos (sobre todo, vivenda) estimulaba artificialmente a demanda efectiva e desbarataba a loita sindical (para que librar batallas salariais, se se podía conseguir crédito barato para financiar activos - como a vivenda- que non farían senón subir e subir, ofrecendo así novas oportunidades para ulteriores créditos?), socavaba tamén a competitividade internacional da economía produtiva española ao aumentar o custe básico da vida para a poboación traballadora (o incríbel prezo que a vivenda chegou a alcanzar no Reino de España é un compoñente fundamental do custe da vida, e ese custe é, para a competitividade, moito máis importante e decisivo que o "custe do factor traballo" no que tan interesada como ignaramente insisten cada día os economistas ultraliberais).

E para facelo breve e reducirnos ao máis importante no contexto da súa pregunta: 4) o masivo endebedamento privado dos últimos lustros permitiu unhas contas públicas "saneadas" en que fundar políticas públicas máis ou menos (menos que máis, hai que dicilo) sociais. É un problema puramente contábel: a igualdade de condicións na balanza comercial, o endebedamento privado vai da man do superávit público, e ao revés, só o déficit público enxuga o endebedamento privado: así actúan os estabilizadores automático da economía. Ao estalar a bolla inmobiliaria e ficar ao descoberto o enorme volume do endebedamento privado español, os estabilizadores automáticos levadon ao endebedamento público. As ideas de austeridade fiscal impostas agora ao Estado español e outros estados periféricos pola UE van totalmente a contrapelo diso, que nin sequera é unha verdade da teoría económica, senón unha verdade simplemente contábel, máis elemental. Levamos agora un ano dese tipo de políticas procíclicas suicidas, incapaces de recoñecer a raíz última do problema. E o resultado está xa á vista: esborrállase a demanda efectiva, os ataques especulativos á débeda soberana española non cesan (tamén porque ao persistir o esborralle da actividade económica, a recadación fiscal baixa, o que agrava os problemas da débeda pública), as familias e as empresas produtivas españolas teñen problemas para desapalancar a súa débeda, crecen a morosidade, os concursos de acredores e os desafiuzamentos? E seguen crecendo a precariedade laboral e o paro, cada vez con menor cobertura pública. Particularmente, o paro xuvenil: xa ve vostede que a tan cacareada "xeración de españois máis preparados da historia" empeza a buscarse a vida en Alemaña, como tiveron que facer os seus sufridos avós baixo o franquismo.


Todo o mundo fala de mobilización ou protesta, pero a cidadanía española segue estática. Cre posible algún tipo de rebelión social?


A ilusión de riqueza dos "anos de bonanza" é en boa medida responsábel diso. Como xa observei na cuestión anterior, a resposta tradicional ao estancamento dos salarios reais eran as loitas obreiras e sindicais. Ao que asistimos nestas últimas décadas, e non só en España, é ao ensaio doutra vía, a vía que, se vostede quere, pode chamarse "ultraliberal": e é a vía do endebedamento privado con crédito barato creado da nada por entidades financeiras privadas e apoiado polos gobernos con políticas económicas de tipos baixos e inflación de activos (o que na prensa coñécese como "economía da burbulla"): iso substituía aos aumentos dos salarios reais como dinamizadores da demanda efectiva, e ao propio tempo, desactivaba a loita sindical e desbarataba a autoconsciencia e a cultura solidaria da poboación traballadora.

É unha desgraza que os sindicatos europeos e norteamericanos non acabasen de entender cabalmente ese proceso, e que se deixasen arrastrar - e sigan facéndoo- queiras que non a unha táctica, tan regresiva como suicida, do mal menor. Pero o resultado está á vista: en 20 anos, a taxa de afiliación sindical caeu máis ou menos nun 50% nos países da OCDE, sinaladamente no sector privado. E agora atopámonos no final dese proceso: aínda á conta de afundir a economía con políticas de austeridade fiscal disparatadamente procíclicas, diríase que as clases reitoras buscan aproveitar a terríbel crise dun tardocapitalismo financiarizado toleado -basta ver Inside jobs- para dar a puntilla final aos restos da grande conquista do antifascismo que foi o Estado Democrático e Social de Dereito.


As xentes do común, como mostran todas as enquisas, danse perfecta conta diso: saben que a democracia foi secuestrada por unha aristocracia financeira internacional capaz de impor sen demasiados recatos a súa política a gobernos democraticamente elixidos, da cor que sexa. Por moitos motivos que non podemos discutir aquí (entre eles: as enormes portas xiratorias que se abriron nas últimas décadas entre o mundo da política e o mundo dos negocios: pense en Aznar, en Felipe González, en Pedro Solbes, en Joschka Fischer, etc.), a chamada "clase política" acomodouse a iso, e está en vías dun desprestixio popular que non se lembraba en Europa desde os anos 20 e 30 do século pasado.


Reacción social, tarde ou cedo, haberaa: diso non lle caiba a menor dúbida. A dúbida razoábel é máis ben en que consistirá: nunha firme resposta maioritaria popular democrática, ilustrada, de tendencia anticapitalista, ou nun desnortado estalido de rabia e odio cegos, antirracionalistas, e polo mesmo, manipulábeis polas extremas dereitas minoritarias xenófobas e nacionalistas. Neste último caso, augúrolle transformacións estupefacientes na vida intelectual -xa empezamos a velas-: volveriamos constatar o que Walter Benjamin deixou escrito para a Europa dos anos 30, e é a saber: que o fascista non é senón un liberal disposto a chegar até as últimas consecuencias do liberalismo (no sentido europeo do termo).


Moitos autores falan de que hai unha crise de civilización que provocará un cambio de era, veo posíbel?


Non só posíbel: é farto probábel, e até, se me apura, ineluctábel. Vexa a diferenza coa Grande Depresión dos anos 30: entón tratábase dunha das maiores crises coñecidas polo capitalismo, unha crise económica. Agora temos unha crise económica capitalista (unha do tres maiores da súa historia), pero temos tamén unha crise enerxética (estamos nunha fase de transición cara a unha vida económica non fundada nos combustíbeis fósiles, que se esgotan) e unha crise ambiental sen precedentes, cuxa punta máis visíbel -pero desde logo non a única- é o catastrófico cambio climático en cernes. Os próximos 20 ou 30 anos van ser cruciais tanto para a crise enerxética (estamos obrigados a cambiar de base) como para a crise ambiental (nuns poucos anos, por seguir co exemplo, as consecuencias do cambio climático serán de todo punto irreversíbeis). Comparada con esas enormidades ás que nos levaron as forzas dexeneradas do tardocapitalismo, a súa crise económica actual é até unha nadería. Todo contado, as forzas dinámicas capitalistas, e a cultura material e intelectual por elas modelada, foron unha aberración civilizatoria. Unha aberración que se fixo, ademais, socialmente obsoleta, como o proba o feito de que boa parte das políticas menos insensatas dos gobernos procapitalistas actuais pasan por obrigar aos capitalistas a facer de capitalistas e a investir en procesos produtivos! Marx, ao que ignorantemente acúsase tantas veces de "determinismo histórico", falou dun posíbel unhappy end con "común afundimento das clases en loita". Ninguén sabe como terminará isto, pero o posíbel final infeliz sería peor aínda que o imaxinado polo vello. A disxuntiva é clara e perentoria: máis capitalismo e barbarie descivilizatoria ou máis democracia e socialismo recivilizador.


26/04/2011

O Obama que visitou o Brasil é o do “Trabalho Interno” (filme 'Inside Job').



Artigo tirado do site brasileiro Conversa Afiada (Por Paulo Henrique Amorim).



O Mino Carta já tinha chamado a atenção para o papel desmoralizador do documentário “Trabalho Interno”.

Desmoraliza jornalistas brasileiros, que praticam o pior jornalismo do Grupo dos 20 (fora a China e Rússia, duas ditaduras).

E vem Charles Ferguson e faz uma investigação impecável, irrefutável sobre a bandalheira que resultou no tsunami de 2008 (aquele que a urubóloga disse que ia afundar o Governo do Nunca Dantes).

O filme descreve como a indústria dos bancos desmontou a regulação criada por Roosevelt, na crise de 29.

A leniência dos governos republicanos – Reagan e Bush, pai – e, especialmente do Bill Clinton, aquele que desmoralizou o Farol de Alexandria em público e ele não se defendeu nem o Brasil.

Clinton, governador do Arkansas, foi almoçar no restaurante Club 21, em Nova York, com Roberto Rubin (*), do Citibank e seus pares.

Os banqueiros propuseram a Clinton: derruba a regulação do Roosevelt e nós te faremos presidente.

Fair deal.

Clinton revogou Roosevelt e instalou o livre-mercado no sistema financeiro mundial.

Transformou-o num aquário de tubarões.

Teve alguns cúmplices.

Um deles, o mais despudorado, Alan Greenspan, que afogou o “conflito de interesse” na ortodoxia neoliberal.

Ganhava dinheiro das empresas de caderneta de poupança quebradas, dizia que eram umas maravilhas, enquanto se “elegia” eterno presidente do Banco Central, como legítimo representante do “mercado”.

Ele impediu a regulação, sempre em nome da ideologia neoliberal: o mercado de derivativos é de uma indústria tecnicamente sofisticada que saberá, para se preservar, evitar uma crise sistêmica.

Ou seja, mercado livre se auto-regula.

Não precisa do Roosevelt.

Greenspan teve o apoio de Larry Summers, que, depois de Rubin, foi ser Secretário da Fazenda de Clinton.

Greenspan e Summers fulminaram todos os que alertavam para a iminência de uma catástrofe.

Jogaram o radar no lixo.

No Governo do Bush filho, Summers enriqueceu quando era reitor de Harvar (é isso mesmo, revisor, Harvar): dava expediente no conselho de administração de instituições financeiras mundialmente desreguladas.

O desastre caiu no colo do anão do neoliberalismo, Bush, filho.

Aquele que, de todos os antecessores, mais se aproximou do neo-Fascismo.

(Convém assistir também a “Jogo do Poder”, sobre o papel sórdido do Governo Bush, filho, na campanha das armas de destruição de massa do Iraque.)

Bush filho montou um plano neoliberalmente perfeito para sair da crise:

Salvar os bancos, os banqueiros e o povo que se lixe.

E encheu Wall Street de dinheiro – para os banqueiros e os bancos.

Os maestros dessa operação sem precedentes foram o Secretário do Tesouro de Bush, Paulson, que pode saber ganhar dinheiro, mas, ao falar, lembra um primata; e Timothy Garthner, que está no Brasil, na delegação de Obama.

Garthner era o presidente do Banco Central, seção Nova York, e fez vários Proeres – para salvar o “mercado”: entregou bancos em crise a bancos menos em crise.

Por um punhado de dólares.

Garthner é o Secretário o Tesouro do Obama.

Garthner levou para o Governo Obama todos os amigos que trabalharam com ele na administração do “Trabalho Interno”.

Estão todos lá.

Outro que Obama levou para o Governo foi quem ?

Quem, amigo navegante ?

O Summers.

Para ser uma espécie de Grã-Vizir da Economia.

O que Obama mudou no Plano Bush para Salvar Bancos e Banqueiros ?

Nada.

Nadinha.

Os banqueiros continuaram – DEPOIS DA CRISE – a receber os bônus na casa das centenas de milhões de dólares.

Regulação ?

Regu – o quê ?

Que regulação, qual nada !

Obama mandou o Ministério da Justiça processar criminalmente algum banqueiro ?

Como ?

Pro – o quê ?

Estão todos soltos e dão gargalhadas quando olham para a fila de desempregados à base 10% da força de trabalho.

Os Estados Unidos têm a maior concentração de renda dos países ricos.

O aumento da renda dos últimos anos se concentrou no 1% mais rico da população.

O neoliberalismo realizou a sua obra: transformou uma República numa Oligarquia.

Os EUA têm o mercado financeiro menos regulado do Grupo dos 7 – é o paraíso dos neoliberais.

Obama mudou alguma coisa ?

Como, amigo navegante ?

Mudar o quê ?

Aí entram os economistas no “Trabalho Interno”.

(A tradução é um desastre. Mata o sentido pejorativo, criminoso do titulo do americano. Melhor seria se fosse “A História da Crise”, ou os “Os Gangsters de Wall Street”.)

O filme conclui que a Economia – como diz um entrevistado – é inútil.

Já os economistas são muito útei$$$ !

Eles criaram a ideologia da desregulamentação.

Eles deram à roubalheira a justificação ideológica, quase teológica.

Rouba, mas faz !

O livre mercado é Deus !

Isso dito naquela linguagem bizantina, anglofilizada, inalcançável.

Eles disseram que a Islândia era uma maravilha – e a economia da Islândia se espatifou.

Eles deram cobertura teórica e matemática – como se sabe, na mão de um economista, a matemática serve para tudo, como o Óleo de Fígado de Bacalhau – aos produtos que a neoliberalidade concebeu e a desregulamentação permitiu.

CDOs, swaps, colateralização, derivativos, sub-prime, securitização, junk bonds, empréstimo predatório. AAA …

São todos a mesma coisa: tomar dinheiro dos trouxas e embolsar a grana.

A melhor coisa do mundo é “o dinheiro dos outros” – “other’s people money”.

(Depois, claro, de pagar a prostituta com dinheiro da firma, no expense account, como se faz muito para agradar os clientes de um “Trabalho Interno”.)

E os economistas lá: firmes.

Isso é uma maravilha !

É a modernidade !

É o “avanço”, como costuma dizer o Farol de Alexandria !

E bota a grana no bolso.

Harvar (é isso mesmo, revisor, Harvar) e Columbia se sobressaem nesse papel recompensador: justificar o assalto e botar uma parte no bolso.

Os economistas – sem falar nas agências de risco, mas isso é a corrupção óbvia, visível a olho nu – são aquelas testemunhas do Poderoso Chefão que vêem da Sicília depor na CPI sobre a máfia e se calam.

É uma pequena variação.

Os economistas dizem o que os bancos precisam que eles digam.

São os “especialistas” do PiG(**).

São os colonistas (***) do PiG.

E o Obama ?

O Obama, amigo navegante ?

Bom, o Obama, segundo um entrevistado do filme, acha que a crise é passageira.

Quando passar, tudo volta ao que era.

Tomar dinheiro dos trouxas e botar no bolso.

E os economistas, lá, firmes: isso é a liberdade, o mercado, Adam Smith, a inovação financeira, o avanço …


Paulo Henrique Amorim


(*) Num dos gestos de impostura intelectual – clique aqui para ler “FHC não desiste, ele quer entregar o pré-sal à Hillary, de qualquer jeito” -, assim que veio a crise do banco Lehman, Fernando Henrique escreveu um daqueles artigos untuosos no Estadão. Disse que sabia que a crise vinha, porque esteve com o “Bob’, numa reunião no Citibank e o “Bob” contou tudo. “Bob” era o Robert Rubin. Este ansioso blogueiro propôs que, ou o Fernando Henrique não entendeu o inglês do “Bob”, ou o “Bob” contou ao Fernando Henrique, escondido, no corredor, e não avisou ao Citibank. Porque, na crise, o Citibank faliu. (Mas não se preocupe, amigo navegante: o Obama o salvou.)

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.