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02/01/2014

Dívida portuguesa: Uma das mais rentáveis para os credores

Notícia tirada de aqui.

As dívidas da Grécia, da Irlanda, da Espanha e de Portugal foram as mais rentáveis para os credores, a nível mundial em 2013. Ao contrário, as dívidas de Alemanha, EUA e Grã-Bretanha tiveram rentabilidades negativas. A rentabilidade anual da dívida portuguesa foi de 9,62%.
Dívidas da Grécia, da Irlanda, da Espanha e de Portugal foram as mais rentáveis para os credores – Foto euros de aranjuez1404/flickr 
 
Segundo o índice da Bloomberg citado pelo site do jornal Expresso, a rentabilidade das obrigações do Tesouro de Portugal foi a quarta mais elevada entre as 34 dívidas soberanas de todo o mundo, que foram analisadas.

A mais rentável foi a dívida grega, com uma rentabilidade de 47,72% das obrigações do Tesouro da Grécia. A da Irlanda foi de 12,21%, enquanto a da Espanha atingiu os 11,41%.

As obrigações do Tesouro de Portugal tiveram em 2013 uma rentabilidade anual de 9,62%, refere o Expresso citando o Bloomberg Global Benchmark Sovereign Bond Index.

Ao contrário as dívidas da Alemanha, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Suíça tiveram uma rentabilidade negativa. As obrigações alemãs tiveram uma rentabilidade de -2,05%, as dos EUA de -3,37%, enquanto as obrigações britânicas e suíças tiveram perdas superiores a 4%.

Como o Bloco de Esquerda tem assinalado, o programa de austeridade tem provocado o aumento da dívida pública e dos juros. A alternativa, como a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, afirmou no debate do OE para 2014 passa pela exigência da “renegociação da dívida, com um programa para a diminuição do seu peso no PIB e indexação dos juros ao crescimento da economia e às exportações”.

Os dados da rentabilidade das dívidas soberanas tornam também bem claro que a política de austeridade favorece os países dominantes como EUA, Alemanha e Grã-Bretanha.

26/11/2013

EUA X Irã: como a paz tornou-se possível

Ignacio Ramonet. Artigo tirado de Outras Palavras (aqui). Tradução: Maurício Ayer

Mulheres iranianas diante de imagem anti-EUA. Como gesto de boa vontade, cartazes como este estão sendo retirados das ruas, pela prefeitura de Teerã
Mulheres iranianas diante de imagem anti-EUA. Como gesto de boa vontade, cartazes como este estão sendo retirados das ruas, pela prefeitura de Teerã


Os gestos de aproximação entre Teerã e Washington multiplicam-se rápido. Uma nova era parece começar. Agora, parece possível uma solução política, para pôr fim ao conflito a respeito da energia nuclear que opõe, há mais de trinta anos, o Irã e os Estados Unidos. De repente, gestos recíprocos de conciliação tomaram o lugar das ameaças e ofensas proferidas durante décadas. A ponto de a opinião pública se perguntar como passamos tão depressa de uma situação de enfrentamento constante à perspectiva, agora plausível, de um acordo.

Há apenas dois meses, no início de setembro passado, estávamos – uma vez mais – à beira da guerra no Oriente Médio. Os meios de comunicação de alcance global anunciavam em seus títulos o “ataque iminente” dos Estados Unidos contra a Síria, grande aliado do Irã, acusada de ter cometido, em 21 de agosto, um “massacre químico” na periferia de Damasco.

A França, por razões ainda enigmáticas, estava na linha de frente. Pronta a participar desse ataque, sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, sem solicitar a concordância de seu Parlamento e sem esperar o relatório dos especialistas das Nações UnidasDavid Cameron, primeiro-ministro britânico, estava igualmente empenhado nesta nova “coalizão internacional” decidida a “punir” Damasco como ela havia “punido” (com o apoio da OTAN), em 2011, a Líbia do coronel Kadhafi… Diversos Estados vizinhos – Arábia Saudita (grande rival regional do Irã), Catar, Turquia –, já muito engajados na guerra civil síria ao lado dos insurgentes, apoiavam o projeto dos “ataques aéreos”.


Tudo apontava para um novo conflito. No centro de uma “zona de todos os perigos”, ele arriscava transformar-se rapidamente em conflagração regional. Pois a Rússia (que dispõe de uma base naval geoestratégica em Tartus, na costa síria, e é fornecedor maciço de armas a Damasco) e a China (em nome da soberania dos Estados) tinham avisado que oporiam seus vetos a qualquer pedido, no Conselho de Segurança, em favor do ataque. De sua parte, Teerã denunciava o uso de armas químicas e temia a intervenção militar, receando que ela permitisse a Israel aproveitar para atacar o Irã e destruir suas bases nucleares… Era portanto o barril de pólvora do Oriente Médio (incluindo o Líbano, o Iraque, a Jordânia e a Turquia) que ameaçava explodir.

Mas de repente, sem transição, esse projeto de “ataque iminente” foi abandonado – para grande estupor de todos os partidários da guerra… Por quê? Por, pelo menos, quatro razões.

Em primeiro lugar, a recusa das opiniões públicas ocidentais, majoritariamente hostis a um novo conflito, cujos principais beneficiários locais seria certamente os grupos jihadistas ligados à Al Qaeda. Grupos estes, aliás, que os ocidentais combatem na Líbia, no Mali, na Somália, no Iraque, no Iêmen, entre outros países… Houve em seguida, no dia 29 de agosto, a humilhante derrota de David Cameron no Parlamento britânico, que tirou o Reino Unido do jogo. Depois, em 31 de agosto, veio a reviravolta de Barack Obama, que decidiu, para ganhar tempo, solicitar um sinal verde do Congresso estadunidense, do qual ele não tinha qualquer necessidade… Enfim, em 5 de setembro, durante a cúpula do G-20 em São Petersburgo, Vladimir Putin propôs formalmente colocar a operação sob controle da ONU e destruir o arsenal químico sírio.

Essa solução (uma indiscutível vitória diplomática de Moscou) servia bem tanto a Washington quanto a Paris, Damasco e Teerã. Paradoxalmente, ela significava, em contrapartida, uma derrota para… vários aliados dos Estados Unidos (inimigos do Irã), a saber: Arábia Saudita, Catar e Israel.

Evidentemente, uma saída como essa – inimaginável apenas dois meses atrás – deveria transformar a atmosfera diplomática geral e acelerar a aproximação entre Washington e Teerã.

Na realidade, tudo havia começado em 14 de junho, com a eleição de Hassan Rohani à presidência do Irã, sucedendo o controverso Mahmoud Ahmadinejad. Desde sua posse, em 4 de agosto, o novo presidente declarou que um momento distinto começava, e que ele procuraria, pelo “diálogo”, tirar seu país do isolamento diplomático e da confrontação com o Ocidente sobre a questão nuclear. Seu principal objetivo: afrouxar as sanções internacionais que estrangulam a economia.

Essas sanções estão entre as mais duras já impostas a um país em tempos de paz. A partir de 2006, o Conselho de Segurança, agindo amparado no capítulo VII da Carta das Nações Unidas 1, adotou quatro resoluções muito rígidas – 1.737 (2006), 1.747 (2007), 1.803 (2008) e 1.929 (2010) – em resposta aos riscos de proliferação que o programa nuclear iraniano supostamente implicaria.

Essas restrições foram reforçadas em 2012 por um embargo petroleiro e financeiro dos Estados Unidos e da União Europeia, que isolaram do mercado mundial o Irã, que está sentado sobre a quarta maior reserva mundial de petróleo e a segunda de gás 2.

Tudo isso degradou brutalmente as condições de vida. Aproximadamente 3,5 milhões de iranianos estão, desde então, desempregados (ou seja, 11,2% da população ativa ), uma cifra que poderia aumentar até 8,5 milhões segundo o ministro da Economia. O salário mínimo mensal é de apenas 6 milhões de rials (200 dólares), enquanto os preços ao consumidor mais que dobraram. E os produtos de base (arroz, azeite, frango) permanecem caros demais. Os medicamentos importados são inencontráveis. A taxa anual de inflação é de 39%. A moeda nacional perdeu 75% de seu valor em 18 meses.

Nesse contexto de mal-estar social agudo, o presidente Rohani multiplicou rapidamente os sinais de mudança. Libertou uma dezena de prisioneiros políticos, entre os quais Nasrin Sotoudeh, militante dos direitos humanos. Em 25 de agosto, houve, pela primeira vez em décadas, a visita a Teerã de um diplomata norte-americano – Jeffrey Feltman, secretário geral adjunto da ONU, enviado para examinar, com o novo chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif, a situação na Síria. Ninguém tem dúvida de que eles trataram também das relações Irã-Estados Unidos… Na sequência, produziu-se o insólito: Hassan Rohani e Barack Obama trocaram cartas nas quais se diziam prontos a conduzir as “discussões diretas” para tentar encontrar uma “solução diplomática” para a questão nuclear iraniana.

A partir daí, Hassan Rohani pôs-se a dizer frases que, há anos, os ocidentais queriam ouvir. Durante uma entrevista à CNN, diante de uma questão sobre o Holocausto, o presidente iraniano declarou: “Todo crime contra a humanidade, incluindo os cometidos pelos nazistas contra os judeus, é repreensível e condenável.” Ou seja, o contrário exato do que Mahmoud Ahmadinejad tinha martelado durante oito anos. Para a NBC, Rohani afirmou: “Nunca tentamos produzir uma bomba nuclear e não temos a intenção de fazê-lo”. Por fim, em artigo publicado no Washington Post, o presidente iraniano propunha procurar, pela negociação, soluções de tipo “ganha-ganha”.

Em resposta, Barack Obama, ao discursar na ONU, em 24 de setembro, citou 25 vezes o Irã, pronunciando igualmente as palavras que Teerã queria ouvir. Que os Estados Unidos “não querem mudar o regime” iraniano, e que Washington respeita “o direito do Irã de aceder à energia nuclear para fins pacíficos”. Sobretudo, pela primeira vez, ele não ameaçou o Irã e não repetiu a frase fatídica: “Todas as opções estão sobre a mesa”.

No dia seguinte, um secretário de Estado norte-americano (John Kerry) e um ministro das Relações Internacionais iraniano (Mohammad Javad Zarif) reuniram-se pela primeira vez, desde a ruptura de relações diplomáticas entre os dois países em 7 de abril de 1980 (em seguida à prisão de reféns na embaixada dos Estados Unidos, em 4/11/1979), para tratar da questão nuclear iraniana. E reencontraram-se em Genebra a partir de 15 de outubro, para a reunião do Grupo dos Seis (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, mais a Alemanha), com a incumbência de debater, no ambiente da ONU, a questão iraniana.

Por fim, um encontro “muito produtivo” entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ocorreu em Viena, em 30 de outubro. Estabeleceu, segundo afirmaram as duas partes em rara declaração comum, “avanços na questão do programa nuclear iraniano, permitindo vislumbrar as próximas negociações com um certo otimismo”. Acrescentaram, além disso, que “na sequência de discussões substanciais, foi decidido que uma nova reunião aconteceria em 11 de novembro, em Teerã3”. [Nota da Redação: o resultado positivo desse novo encontro está relatado aqui]. Essa atmosfera de frases distensionadoras e pequenos passos no caminho da reconciliação 4 converteu-se em cena espetacular no célebre contato telefônico de 27 de setembro, entre Barack Obama e Hassan Rohani.

No entanto, resta o nó do problema. Washington formula três exigências: 1) que Teerã pare de enriquecer urânio a mais de 20%, um percentual considerado relativamente próximo do nível militar; 2) que os iranianos permitam inspeções mais avançadas; 3) que o Irã conserve, sob seu controle, quantidades muito limitadas de urânio enriquecido. Por seu lado, Teerã reclama que lhe reconheçam seu direito a um programa atômico civil e quer obter um alívio das sanções internacionais que estrangulam sua economia.

De parte a parte, a desconfiança é grande. Quando, em 2006, o Conselho de Segurança da ONU infligiu a Teerã as primeira sanções por causa de seu programa nuclear, o Irã contava com apenas 200 centrífugas para enriquecer seu urânio. Esse número, desde então, multiplicou-se por cem: o país disporia atualmente de cerca de 20 mil centrífugas… Destas, metade teria sido instalada ao longo dos dois últimos anos. Entre os últimos aparelhos, mil seriam de nova geração, com capacidade de produção muito mais forte. Eles permitiriam ao Irã, se assim desejasse, elevar seu urânio enriquecido ao nível militar em prazos muito curtos.

O Irã estaria em condições, desde já, de obter urânio suficientemente enriquecido para fabricar uma bomba em alguns meses… Ignora-se, contudo, se dispõe de uma ogiva nuclear que possa ser eficazmente adaptada a seus mísseis. Quanto a isso, um relatório de 2011 da AIEA5 [5afirmou que a Agência dispunha de provas de que o Irã teria efetuado, ao longo dos anos precedentes, “pesquisas importantes com vistas a desenvolver uma ogiva nuclear”. Segundo esse mesmo relatório, Teerã teria igualmente avançado no sentido de produzir um reator nuclear de água pesada capaz de produzir plutônio para fabricar uma ogiva nuclear. De maneira que os iranianos disporiam de dois caminhos possíveis para construir um artefato atômico bélio: a do urânio e a do plutônio. Aos olhos das potências ocidentais, esses dois caminhos são linhas vermelhas que Teerã não deve ultrapassar.

O Irã sempre negou que seu programa nuclear tinha metas militares. Seu objetivo declarado é civil. Dominar o ciclo da energia atômica, para poder garantir sua autonomia energética depois do esgotamento das reservas de hidrocarbonetos.

Contudo, é inegável que Teerã deseja ter seu lugar na cena internacional. Um lugar que corresponda à sua posição de antigo Império Persa, à sua dimensão demográfica (80 milhões de habitantes) e à sua situação geopolítica (na encruzilhada entre o Afeganistão e o Paquistão, o Cáucaso, o Oriente Médio e a Turquia). Os dirigentes iranianos constatam, com melancolia, que seu país é posto para escanteio, enquanto outros Estados do Sul (Turquia, Índia, Brasil…) emergem e desempenham um papel cada vez mais importante no novo contexto internacional. Eles medem pelo desarranjo de sua economia o que lhes custou três décadas de hostilidade norte-americana.

Ao contrário do governo ultraconservador israelense, que tenta torpedear essa aproximação 6, outros aliados dos Estados Unidos não querem ser os últimos a subir no bonde da paz. Nem, sobretudo, perder suculentos contratos comerciais com um país de 80 milhões de consumidores… Por isso, o Reino Unido imediatamente anunciou que pretendia reabrir sua embaixada em Teerã e relançar suas relações diplomáticas. E, a partir de 24 de setembro, o presidente francês François Hollande apressou-se em ser o primeiro dirigente ocidental a se encontrar e publicamente apertar a mão de Hassan Rohani. É preciso dizer que a França tem importantes interesses econômicos a defender no Irã. Em particular, no setor automotivo, com duas empresas (Renault e Peugeot) presentes no país há décadas (mas que tiveram que parar a produção por conta das sanções). Faz alguns meses que tanto a Renault quanto a Peugeot assistem, com preocupação, à chegada com força dos construtores americanos, notadamente a General Motors.

Tudo indica que o degelo atual vai se intensificar. O Irã e os Estados Unidos, objetivamente, têm interesse nisso. O argumento da diferença abissal entre os sistemas políticos estadunidense e iraniano não se sustenta. Os “compromissos históricos” abundam. Que identidade política haveria, por exemplo, entre a China de Mao Tsé-Tung e os Estados Unidos capitalistas de Richard Nixon? A ausência não impediu esses dois países de normalizar suas relações desde 1972 e de empreender a espetacular aproximação econômica e comercial que se seguiu. Seria possível, igualmente, citar a aproximação insólita, a partir de novembro de 1933, entre os Estados Unidos de Roosevelt e União Soviética de Stalin. Dois sistemas que se opunham em tudo, mas que puderam, juntos, vencer a Alemanha hitlerista e ganhar a II Guerra Mundial.

No plano geoestratégico, o presidente Barack Obama procura desembaraçar-se do Oriente Médio para se voltar para a Ásia, “zona de futuro e de crescimento” do século XXI, segundo Washington. Sólida desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a implantação norte-americana na região justificava-se pela existência das principais fontes de hidrocarbonetos, indispensáveis para a máquina de produção norte-americana. Mas isso mudou com a descoberta, nos Estados Unidos, de importantes reservas de gás e de petróleo de xisto, que poderiam aportar-lhes, num prazo breve, uma quase autonomia energética.

Por outro lado, o estado das finanças americanas, depois da crise de 2008, não permite aos Estados Unidos assumir o custo considerável de seu envolvimento múltiplo nas guerras e conflitos do Oriente Médio. Negociar com o Irã, para que abandone seu projeto nuclear militar, é muito menos caro que uma guerra ruinosa. Além disso, a opinião pública dos EUA mantém-se hostil a um confronto contra o Estado persa. E aliados como a Alemanha e o Reino Unido, tendo em vista o que ocorreu no caso da Síria, certamente não participariam da aventura. Ao contrário, se um acordo for possível, O Irã poderia ajudar a estabilizar o conjunto da região, em especial o Afeganistão, Iraque, Síria e Líbano, o que aliviaria Washington.

Já Teerã tem necessidade absoluta de um acordo, para dissipar o peso das sanções e reduzir as agruras da vida quotidiana da população. Os dirigentes sabem que não estão livre de um grande levante social. Sobre a questão nuclear, o Irã parece ter compreendido que possuir uma bomba que não poderia utilizar, e se reduzir à situação da Coreia do Norte, não é uma opção. Poderia contentar-se, como o Japão, em dominar a técnica, mas manter-se à margem do nuclear militar – que permaneceria a seu alcance7… No momento, tudo o empurra a apostar, para sua defesa, em seus ativos militares tradicionais, que não são desprezíveis. Além disso, o status de potência regional, a que Teerã aspira desde sempre, passa por um acordo (ou mesmo uma aliança com os Estados Unidos, assim como Israel ou a Turquia. Enfim, dado relevante, o tempo corre contra os iranianos: o sucessor de Barack Obama pode ser mais intransigente.

Obstáculos não faltarão, num e noutro campo. O governo Obama, por exemplo, precisa obter o aval do Congresso, onde os amigos de Israel são, sabidamente, numerosos. E será preciso prever o lobby hostil da Arábia Saudita e de outras petro-monarquias do Golfo Pérsico.

Mas o governo Obama deseja, fortemente, obter um grande acordo diplomático com o Irã, semelhante ao que Nixon estabeleceu com a China, em 1972.

Em Teerã, os adversários de um acordo também são poderosos. Mas tudo indica que um novo ciclo foi aberto. A exemplo do que ocorreu na China, após a morte de Mao em 1976, e na União Soviética, à época de Mikhail Gorbachev, há nas profundezas do país um impulso reformador que pode produzir efeitos mesmo no núcleo ideológico da revolução islâmica – desde que preserve a estrutura de poder dos ayatolás.

A lógica da História empurra, portanto, Washington e Teerã – que compartilham uma fé comum no neoliberalismo econômico – rumo ao que poderíamos chamar de um “acordo heroico”
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1. Este capítulo trata da “ação em caso de ameças à paz, rupturas da paz ou atos de agressão”.
2. As exportações iranianas de petróleo caíram de 2,5 milhões de barris diários, em 2011, para menos de um milhão (segundo os dados mais recentes da Agência Internacional de Energia).
3. Les Echos, Paris, 30/11/2013.
4. Pode-se acrescentar à lista a recente decisão do município de Teerã, que retirou das ruas da capital os cartazes anti-norteamericanos..
5. Le Monde, 9/11/2011.
6. Não se sabe muito bem por quê, já que um acordo entre Washington e Teerã iliminaria o risco, para Israel, de um Irã nuclear; preservaria a supremacia atômica israelense no Oriente Médio (como o recente acordo sobre a Síria preserva a supremacia em armas químicas); e evitaria, para Telaviv, o risco de uma guerra cara e perigosa.
7. As questões técnicas envolvidas nas negociações dizem respeito principalmente ao programa iraniano de enriquecimento de urânio. Washington pede poderes mais amplos para inspecionar as instalações iranianas. Também não quer que o Irã enriqueça o combustível a 20% (um índice próximo do militar) e reivindica que Teerã envie a um país neutro, ou a uma organização internacional, o urânio já enriquecido, para garantir que ele não será destinado a uso militar. O objetivo é que o Irã não possua, em hipótese nenhuma, um estoque suficiente para montar uma bomba, caso seja de seu interesse.

18/05/2012

Pódese rectificar o terríbel erro de Europa. Lembremos 1931

 Simon Jenkins. Artigo tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por Revolta Irmandiña. Simon Jenkins, xornalista e actual colaborador de The Guardian, The Sunday Times e a BBC, foi director de The Times e The London Evening Standard

Os loitadores

Escribo desde Norteamérica, onde quen se preocupan por Europa só teñen unha pregunta: 1ue demos pasa? Que é esta "crise do euro" que non parece terminar nunca? Que lle sucedeu a Grecia, Portugal, Italia, España, Holanda e agora Francia? É que nos volvemos todos tolos?

O economista Paul Krugman ten unha resposta. Suxire que Europa está hoxe repetindo a década de 1930 "cunha fidelidade cada vez maior nos detalles". Os gobernos, afirma el, están "a cometer un suicidio económico". [1] Cando todos os principios económicos piden ao tesouro que recupera o crecemento, gaste, estimule, inche e reconstrúa a confianza, avogan por unha austeridade aínda maior e uns orzamentos equilibrados, empuxando á súa economía cara á recesión. Actúan así non porque crean que a austeridade vai xerar crecemento, actúan así porque son prisioneiros dun dogma fenecido, o apontoamento do euro.

Nada resulta máis horríbel que ler as crónicas da economía europea de entreguerras, especialmente o idealista ano de 1925, o do  "espírito de Locarno". Foi entón cando o chanceler de Exchequer [ministro de Economía británico], Winston Churchill, reintegrou a Grande Bretaña ao padrón ouro. Os salarios veríanse obrigados a baixar para poder competir con Norteamérica e recuperaríase a estabilidade económica da preguerra. Keynes alegou que isto era unha tolemia. A libra atopábase sobrevalorada nun 10% e o resultado consistiría en "o bloqueo das exportacións, desemprego e greves".

Churchill equivocouse e Keynes acertou. Seis anos despois, un goberno laborista en minoría topou co esborralle financeiro e caeu. No verán de 1931, co capital fuxindo do país e os banqueiros ximindo pola austeridade, formouse un goberno de coalición nacional e súbitamente veu abaixo o padrón ouro. A libra deslizouse de 4,85 dólares a 3.40. A pesar das previsións de catástrofe, o clásico histórico de Charles Mowat [2] sobre o período rexistra que apenas se moveu unha folla". Non houbo revolución nas rúas, e a desvalorización non suscitou maior interese "que un esbirro casual". En catro anos, a produción industrial británica aumentara un 25%, mentres que o desemprego caía de 3 a 2 millóns.

A historia de cando en cando repítese, mais as súas leccións, si. O Banco de Inglaterra e o Tesouro atópanse atrapados nunha ortodoxia similar á dos seus antecesores da preguerra. Sosteñen que a inflación é a maior maldición que pode afectar á economía británica, e isto mesmo mentres planifican o maior derrube da demanda que sufriu Grande Bretaña desde a guerra. Cando se aveñen a imprimir máis moeda a modo de expansión cuantitativa, non se atreven a deixar que se filtre ao consumo por medo á inflación. Non se engurran nin sequera cando fecha unha cuarta parte das tendas da rúa maior. Actúan como médicos que deixan aos enfermos na neve para ver quen sobrevive. Porén bótanlle diñeiro aos banqueiros amigos e ven como desaparece nas fauces de directores e especuladores de paraísos fiscais. E reparten millares de millóns para apontoar un euro do que nin sequera son membros.

Keynes tiña razón en 1925, e demostrou estar no certo en 1931. As taxas de cambio flexíbeis constitúen unha forma máis indolora de forzar á baixa os custos laborais e promover o comercio que a austeridade gobernamental. A inflación supón un modo mellor de aliviar a débeda. O remedio dunha demanda deprimida consiste nun aumento da demanda, é así de sinxelo. O risco de inflación en Grande Bretaña é actualmente trivial comparado co de deflación e recesión. E a moeda de Gran Bretaña pode flotar polo menos. Imaxinemos o que sería formar parte do euro e ter que comerciar afrontando unha libra cun valor probablemente un 20% máis alto que hoxe.

Apenas pasa un mes sen outra crise do euro e máis imposición de austeridade. É coma se Keynes non vivise nunca. Con todo, a auga resístese a correr monte arriba. Os países gravosamente endebedados necesitan desde logo reestruturar o seu sector público a longo prazo -e teñen planos plausíbeis para levalo a cabo- mais non poden pagar a débeda, a curto ou a longo prazo, cando están en recesión. Aumentar o desemprego e suprimir a demanda impide o crecemento e non lle resulta a ninguén útil.

Peor aínda, a austeridade prolongada está a minar a mesma autoridade que se require para pola en práctica. E cando caen os gobernos, non pode aplicarse ningún paquete. O mes pasado obrigouse a Grecia a unha suspensión de pagos de facto. Quen compraría hoxe bonos españois? Que valor ten un ministro de finanzas holandés? A que prezo a firma de Nicolas Sarkozy nun acordo de rescate? Mentres o euro manteña agrilloada a economía continental na austeridade, non conseguirá nunca estabilidade política ou un retorno ao crecemento.

O euro foi un soño de Locarno. Era o último do século XX, que contemplaba unha fermosa orde nova no que banqueiros e homes de negocios, traballadores e campesiños, camiñarían ombreiro con ombreiro, cantando a Oda á alegría. Todos os custos laborais equipararíanse. Produciríase unha integración fiscal e regulatoria en todo o continente. O euro abriría as portas a uns estados unidos de Europa. Irlanda e Grecia serían a Alemaña o que Nevada é a Nova York. O euro apertaría e ensancharía aos pobos de Europa ata que fosen un. 

Este concepto de unión debe contarse entre os grandes erros da historia. Como outras visións pancontinentais, demostrou non poder competir co fuste torcido da humanidade europea. Os seus acólitos non poden soportar o revisionismo ou tolerar a disidencia. Levaron a Grecia ao caos e a España a unha grave depresión, coa metade dos seus mozos no paro. Aos eurócratas non lles importa. Os seus ingresos están seguros. Non fan máis que danzar en torno ao euro e esixir o seu sacrificio en sangue. Farán de todo, salvo admitir que estaban equivocados.

A única salvación que se ve no horizonte é a democracia. A semana pasada, o electorado francés dixo que non a unha maior austeridade e o goberno holandés caeu polas mesmas razóns. España enfróntase a unha crise similar, e as rúas de Atenas albergan perigos sen conto. Até as sondaxes británicas deixan ver un electorado ao que non convence a lonxevidade do que con calquera baremo sería austeridade suave. Os pobos de Europa xa tiveron bastante. Resulta impensábel a perspectiva de impor ás súas nacións as disciplinas orzamentarias esixidas para máis rescates alemáns.

Europa necesita unha reordenación colectiva de débedas, de suspensión de pagos e moedas que sexa sinxela, da noite para a mañá, seguindo as liñas do acordo de Bretton Woods na postguerra. Eurolandia debe contraerse de forma drástica e hai que recuperar as moedas flotantes. Debemos deixar limpa a lousa. Cometeuse un terríbel erro, mais pode corrixirse, como en 1931. Como entón, os s
resabidos predecirán un desastre, pero eu apostaría o contrario. Tras o axuste, "non se moveu unha folla... non pasou dun esbirro". Volveriamos entón á cordura.

NOTAS:
[1]Paul Krugman, "Europe´s Economic Suicide", The New York Times, 15 de abril de 2012.
[2] Charles Loch Mowat, Britain Between the Wars, 1918-1940, Cambridge University Press, Cambridge, 1955.

26/04/2012

Brevísima historia das privatizacións no Reino Unido

Richard Seymour. Artigo tirado de SinPermiso (aquí) e traducido por Revolta IrmandiñaRichard Seymour é autor de The Liberal Defence of Murder (Verso, Londres, 2008) e The Meaning of David Cameron (Verso, Londres, 2010), e rexenta unha bitácora co título de Lenin´s Tomb (leninology.blogspot.com).




Royal Mail, o servizo de Correos, saíu a poxa, e non necesariamente ao mellor ofertante (mentres, os prezos dos selos seguen subindo). O corpo de bombeiros londiniense externalizou as chamadas de emerxencia ao 999 a unha empresa chamada Capita a instancias do untuoso presidente da autoridade de bombeiros da capital, Brian Coleman. E as multinacionais merodean con ganas ao redor dos hospitais do NHS [National Health Service, o Servizo Nacional de Saúde, a sanidade pública británica]. Os colexios están a empezar a buscar rendibilidade. Na nomenclatura tecnocrática do FMI, a isto chamaríaselle "programa de axuste estrutural", pero con iso non se capta realmente a escala radical da transformación. Podemos velo a través dunha historia abreviada da privatización no Reino Unido.

1979-81: Experimentación

Os tories levaban moito tempo comprometidos con certa política de desnacionalización. Como resposta á prolongada crise da década de 1970, na que os conservadores se debateron para manter o seu dominio parlamentario, o Informe Ridley, elaborado polo gabinete na sombra de Thatcher, recomendou unha política de despedazamento do sector público e desmembramento dos sindicatos. A privatización estaba en principio subordinada a outros temas políticos, sobre todo á supresión salarial para controlar a inflación. Pero a primeira administración Thatcher introduciu con éxito certo grao de privatización nalgunhas grandes compañías do sector público, especialmente British Aerospace e Cable & Wireless. Nesta etapa, no entanto, o enfoque consistía en centrarse en privatizar entidades aínda rendíbeis a fin de conseguir ingresos e reducir así os préstamos que necesitaba o sector público.

1982-86: Despegamento

No medio da recesión dos primeiros 80, os conservadores comezaran a propor a privatización como panacea potencial. O deputado conservador Geoffrey Howe encomiaba a "disciplina" do mercado. A doutrina emerxente consistía en que a privatización faría máis eficiente e produtivas as grandes empresas de servizos públicos e, por tanto, faría máis competitivo ao capitalismo británico en relación aos seus rivais continentais. Neste período, o goberno vendeu Jaguar, British Telecom, o que restaba de Cable & Wireless e British Aerospace, Britoil e British Gas. O centro desprazouse cara á privatización de empresas clave de servizos públicos.

Esta política non xurdiu da nada: estaba plenamente integrada nas ideas de Hayek que guiaran a Thatcher e a súa cohorte na oposición. Pero desenvolveuse en relación a obxectivos políticos concretos. Non era cuestión unicamente de estimular o investimento no sector privado senón tamén de librar unha guerra cultural destinada a redeseñar ao electorado seguindo as liñas do "capitalismo popular" pregoado por Thatcher, e anunciado na tristemente soada campaña publicitaria de "Tell Sid" ["Cóntallo a Sid"].[1]

1987-91: Saltos e brincos

Tras a terceira vitoria electoral dos conservadores, estes gozaban de confianza suficiente para lanzarse ao seu programa máis agresivo de privatización. British Steel, British Petroleum, Rolls Royce, British Airways, a auga e a electricidade atopábanse entre os servizos públicos á venda. Estas privatizacións provocaron unha forte oposición, seica suficiente para frenar calquera tendencia encamiñada á privatización respecto ao NHS. No entanto, continuaron impóndose medidas de orientación mercantil no sector público, do "mercado interno" no servizo sanitario á malhadada "carta cidadá" de John Major. [Citizen´s Charter, iniciativa do primeiro ministro en 1991 destinada a mellorar os servizos públicos].

1992-96: Fraqueza e retirada

A cuarta administración consecutiva dos conservadores era débil e dividiuse rapidamente respecto dunha serie de medidas políticas, sobre todo ao redor da unión monetaria europea. Porén as premisas neoliberais da política ancorada por Thatcher seguían intactas, e o goberno seguiu impulsando privatizacións naqueles campos nos que sentía capaz de levalas a cabo. Ao inflixir unha segunda derrota aos mineiros, o goberno procedeu á venda final de British Coal, [carbón] así como das empresas xeradoras de electricidade Powergen e National Power, e de British Rail [os ferrocarrís británicos]. Abandonouse, con todo, o intento de Michael Heseltine de privatizar Correos, debido á oposición pública e á resistencia dos deputados, medorentos de ser aniquilados electoralmente.

1997-2001: Compromiso do Novo Laborismo

O Novo Laborismo lograra sacar capital electoral da impopularidade dos tories por mor das privatizacións,  mais só se comprometeu a parar a venda do control do tráfico aéreo. E traizoou mesmo esta promesa de menor entidade. Pois, aínda que o thatcherismo non lograra impor a súa argumentación sobre os servizos públicos, demolera de forma tan totalizadora a esquerda militante e os sindicatos que non había nada que puidese impedir ao laborismo adaptarse ao neoliberalismo. A política de privatizacións de envergadura introducida neste período foi por tanto un torpe compromiso entre unha dirección xerencial e a base electoral laborista, coñecéndose como IPF (Iniciativa Financeira Privada - Private Finance Initiative), un apaño do que foi pioneiro en orixe Norman Lamont [ministro de Economía dos conservadores entre 1990 e 1993]. Introducidas no Metro de Londres, o NHS e as escolas, estas medidas políticas recadaron diñeiro a curto prazo sen necesidade de subir os impostos. Pero houbo tamén con iso un refacho de evangelización en favor do mercado. Tanto Peter Mandelson como o seu sucesor no Departamento de Comercio e Industria crían papel do goberno o promover a cultura empresarial.

2002-8: IFP agresiva

A segunda e terceira administracións do Novo Laborismo presionaron de forma agresiva en favor dunha maior privatización e redución do tamaño do Estado. Blair asentara a súa campaña de reelección de 2001 na IFP, extremadamente impopular. O cálculo baseábase en que aínda que a medida non fose popular, a súa vitoria demostraría que non había unha alternativa realista. Aínda que houbo poucas vendas de fuste, as medidas políticas do goberno respecto de Royal Mail e o NHS levaban, como conclusión lóxica, á privatización destes servizos. Até que non chegou o derrube crediticio e a consecuente crise non empezou a moverse o péndulo, só fóra temporalmente, en dirección contraria, cando Brown se viu obrigado a nacionalizar tardiamente unha ristra de bancos desfalecentes. Porén mesmo entón quedou claro que a intención consistía en devolver esas empresas á propiedade privada canto antes.

2009-: Thatcherismo, segunda parte?

Os conservadores chegaron ao poder sen mandato, mais non sen que lles faltase confianza. A súa axenda, que fora saíndo á luz desde 2008, consistía en representar a crise do sector público como unha crise do gasto do sector público. Tras privatizar xa o servizo de apostas deportivas e anunciar a venda de Northern Rock, [banco privado "nacionalizado" polos neo-laboristas en 2007 para evitar a súa completa desaparición ao comezo da crise] que iría seguida da doutros bancos nacionalizados, indicaron que venderán Royal Mail, xunto aos servizos de liberdade condicional, estradas, grandes sectores da educación e o NHS. Privatizaranse mesmo partes da policía, tradicional aliada da dereita. A externalización estenderase a todos os campos posíbeis.

Porén, do mesmo xeito que na década de 1980, o obxectivo non consiste primordialmente en reducir os préstamos do sector público. Os tories saben que a crise económica en curso non é só un problema fiscal ou financeiro. O sector privado atópase absolutamente estancado. Globalmente, hai billóns de libras en mans de corporacións que non ven condutos viábeis para un investimento rendíbel. As empresas norteamericanas contan con 1'7 billóns de dólares, as da eurozona, con 2 billóns de euros, e as empresas británicas dispoñen de 750.000 millóns de libras inmobilizadas. A acumulación-mediante-desposesión é unha forma de pór ese diñeiro en circulación como capital. E aínda que os conservadores non teñen ideológicamente tanta confianza como nos anos 80, a escala das privatizacións que propoñen suxire que esperan pasar calquera oposición.

Nun contexto histórico, a privatización parece responder a unha serie de dilemas no caso dos tories. Ao difundir os incentivos de mercado, erosiona a base do sector público para a política laborista. Ao abrir o sector público aos beneficios, pon unha grande cantidade de capital en circulación. E ao reducir o poder dos traballadores do sector público, suprime as presións salariais, facendo así en teoría o investimento máis atractivo. Sobre todo, seica, ao desprazar os principios democráticos de asignación a aqueles que se basean no mercado, favorece aos que son máis fortes no seu control do mercado, e a quen representan tamén a base social do conservadurismo.


Nota do t.: [1] Unha campaña publicitaria de 1986 animaba á xente a comprar accións de British Gas, privatizada hai 25 anos. 'Se ves a Sid, dillo' era a súa lema, atendido por preto de millón e medio de persoas, que compraron accións a un prezo de 135 libras cada unha, nunha oferta de 9.000 millóns de libras, a maior rexistrada até entón.



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25/04/2012

Economia da Inglaterra entra em recessão

Marcelo Justo. Artigo tirado de Carta Maior (aqui).



A economia britânica entrou tecnicamente em recessão. O informe preliminar do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) indicou que a economia contraiu-se 0,2% nos três primeiros meses do ano, após ter registrado uma queda de 0,3% entre outubro e dezembro de 2011. É a segunda recessão em três anos, algo que não ocorria desde 1975, mas, sobretudo, é um golpe para a estratégia de ajuste fiscal impulsionada pela coalizão conservadora-liberal democrata que governa o país.

Na Câmara dos Comuns, o primeiro ministro David Cameron mostrou-se decepcionado com os números, mas assinalou que seguirá com o programa de austeridade. “Não há complacência do governo, mas estamos em meio a uma situação muito difícil que se complicou ainda mais”, disse Cameron. O líder da oposição, o trabalhista Ed Miliband, qualificou os dados como “catastróficos” e assinalou que eles eram de inteira responsabilidade do governo. “Esta é uma recessão produto da política do primeiro ministro e de seu ministro da Economia”, disse Miliband.

A definição técnica de recessão é dois trimestres seguidos de crescimento negativo, mas o certo é que a economia britânica vem aos trancos e barrancos há mais de um ano. Segundo os dados preliminares da NOS, que medem a atividade de 40% da economia, a queda se estendeu ao setor manufatureiro (0,4%) e ao setor crucial da construção civil (3%), enquanto que os serviços, que constituem cerca de 70% da atividade econômica, cresceram um magro 0,1%, atribuído pelos economistas ao surto de consumo de gasolina em março provocado por um pânico de desabastecimento desatado pelo próprio governo. O cada vez mais questionado ministro da Economia, George Osborne, assinalou que não haverá mudança de rumo. “O que pioraria a situação agora é abandonar nosso plano econômico e somar mais empréstimos e mais dívida pública”, assinalou Osborne.

A estratégia da coalizão vem sendo dominada por um draconiano programa de austeridade que contempla cortes de gastos equivalentes a 130 bilhões de dólares em cinco anos, com uma perda de aproximadamente 700 mil empregos no setor público. Na terça-feira, a mesma ONS revelou que, em março, o governo havia pedido emprestado dois bilhões de libras mais do que previsto e que sua arrecadação havia caído 3,6%, incluindo uma queda de 1% do imposto sobre o consumo, o IVA.

Não é preciso ser John Maynard Keynes para detectar a razão dessa piora da situação fiscal. “O problema na estratégia de redução do déficit do governo é que, sem uma maior arrecadação, produto de um crescimento da economia, ele não conseguirá reduzir o déficit e sua dívida”, assinalou ao jornal Evening Standard o economista Daniel Soloman, do nada heterodoxo Centre for Economics and Business Research.

O panorama é sombrio para o futuro. Na semana passado, o Banco da Inglaterra (Banco Central) reconheceu que não podia descartar a possibilidade de que “o PIB caia três semestres consecutivos”, devido à debilidade do setor da construção e aos feriados que acompanharam o jubileu (de diamante) da Rainha em junho. O prestigiado Instituto de Estudos Fiscais calcula que, no momento, só foram executados 10% dos cortes fiscais anunciados pela coalizão. A economia terá que enfrentar ainda cerca de 90% de demissões no setor público.

Simon Wells, economista do banco HSBC, advertiu para o impacto que esta contínua onda de austeridade terá sobre o conjunto da economia. “O Reino Unido apenas começou seu esforço de consolidação fiscal. O setor governamental seguirá impactando negativamente sobre a possibilidade de crescimento do PIB nos próximos cinco anos”, indicou Wells.

Pior ainda, o governo encontra-se em um beco político sem saída. Desde a campanha eleitoral para as eleições de maio de 2010, os conservadores colocaram a redução do déficit fiscal e o ajuste no centro de sua estratégia econômica e de seus ataques ao trabalhismo. Dar marcha ré, os exporia politicamente e seria percebido como um sinal de debilidade pelos mercados. Enquanto isso, os trabalhistas se aproximam das eleições para a prefeitura de Londres, no dia 3 de maio, com uma vantagem nas pesquisas em nível nacional de oito pontos, apesar do escasso carisma de seu líder Ed Miliband.

23/04/2012

Á sombra do extremismo de centro. Entrevista política

Entrevista a Tariq Ali tirada de SinPermiso (aquí) e traducida por Revolta IrmandinhaTariq Ali é membro do consello editorial de SIN PERMISO. Un dos seus últimos libros publicados é The Duel: Pakistan on the Flight Path of American Power [hai tradución castelá en Alianza Editorial, Madrid,2008: Paquistán en el punto de mira de Estados Unidos: el duelo]. Tariq Ali é membro do consello editoriais da New Left Review e Sen Permiso, así como columnista habitual de The Guardian, Counterpunch e a London Review of Books. Adoita comparar a Marx co Prometeo da mitoloxía grega, que roubou o don celestial do lume a Zeus e entregouno aos mortais. E logo engade: "O que fagamos con ese lume é cousa nosa". Nesta entrevista, realizada en Delhi para a revista Outlook por Bharat Bhushan, fala dunha boa cantidade de asuntos de actualidade: da terríbel situación política en Paquistán, da esquerda no Reino Unido, das eleccións presidenciais francesas en curso e a grande revelación das mesmas, o candidato do Partido da Esquerda, Mélenchon, así como da primavera árabe e o movemento Ocupa Wall Street.



1 Paquistán

Cando mira á súa patria de orixe, Paquistán, que pensamentos veñen á súa mente?

"Unha congregación de dor", por citar os versos do grande poeta Faiz Ahmad Faiz. O país irá de mal a peor. Pensas que as cousas non poden empeorar e fano. Primeiro, coas consecuencias das ditaduras militares na vida política social no país e agora temos un goberno civil, que é probabelmente o goberno máis corrupto de toda a historia de Paquistán. O que me asombra é que Zardari sexa tan descarado. Non hai no seu rostro o menor sinal de remorso polo que fixo e continuará facendo mentres Estados Unidos o manteña no poder. Esa é a situación do país hoxe.

A miúdo di que Paquistán foi rexido case sempre por gobernos monicreques de Estados Unidos. Cando será Paquistán gobernado por e para os paquistanís?

Os mozos queren ter un goberno elixido polo pobo e para o pobo. Se Imran Khan pode conseguilo, non o sei. O seu programa é amábel, mais independente, e as relacións con Estados Unidos afástanse do papel de monicreque. Nas súas campañas di que ao redor do 70 por cento da poboación ve a EUA como o seu inimigo. Adoitaba ser a India, pero agora é Estados Unidos.

O seu apoio a Imran Khan desconcertou a moitos en Paquistán e outros países. Que quixo dicir ao escribir na London Review of Books que lamentaba que só houbese un Imran Khan en Paquistán?

O que quixen dicir foi que, en canto á política se refíre, non hai nada máis polo momento. Que este home, despois de traballar 15 anos da construción do seu partido, cando todo o mundo ría del, está a empezar a atraer un grande apoio, no seu maior parte de persoas que están afastados da política. Así que creo que hai que reaccionar de maneira positiva. Non quere para Paquistán o que eu desexo, o socialismo, mais polo menos está a loitar contra os problemas reais e a xente está farta de ser gobernada por dous grupos rivais de criminais, aínda que sexan criminais empresariais. Tanto os irmáns Sharif ou Zardari só están en política para facer diñeiro. Fan moi pouco máis.

Porén, que pensa do apoio de Imran Khan a Tehreek-i-Taliban en Paquistán e a todo tipo de oscurantistas?

Imran Khan negouno todo tallantemente nas entrevistas que lin. Dixo que non é partidario dos talibán ou de Tehreek-e Taliban. Cre que a guerra de EUA no Afganistán e os ataques con avións non tripulados en Paquistán contribuíron a aumentar o apoio aos talibán. E quere acabar con ese apoio. En esencia, é un musulmán ilustrado, probabelmente moito máis liberal que quen están no poder en Exipto e Tunes na actualidade.

Que pode dicir acerca da hexemonía do Punxab na política e no exercito en Paquistán? Como afecta o soño dun Paquistán federal?

Ese soño morreu coa creación de Bangladesh despois da desintegración de Paquistán en 1970-71. Ese foi o final do Paquistán federal. O que quedou foi un país fortemente dominado polo Punxab, aínda que só fose en virtude da súa poboación. É un feito e non hai nada que podamos facer respecto diso. O país agora está moi mesturado. Karachi é unha cidade que ten punjabíes e sindhis, pastunes e descendentes dos refuxiados que chegaron da India. A composición social das grandes cidades está a cambiar. O mesmo ocorre en Sindh e Baluchistán, onde moitas persoas non son étnicamente desas rexións. E isto sucede en todo o mundo. Non se pode manter a pureza étnica que algúns nacionalistas parecen querer

Cre que o control do exército sobre a política interior e exterior de Paquistán diminuirá nun futuro próximo?

Creo que hai moi poucas dúbidas de que a maioría da xente en Paquistán non quere a intervención do exército en política. Están fartos del. Saben perfectamente o que sucede na súa cúspide, que o proceso de corrupción que se iniciou hai décadas nas capas superiores das forzas armadas continuou e que cando chegan ao poder vólvense aínda máis corruptos. Obteñen comisións e mordidas nas licitacións para comprar armas e os funcionarios militares de alto rango reciben legalmente ademais enormes cantidades de diñeiro público do Estado. Convertéronse en parte da elite. Pero a xente non lle gusta que estean no poder. Creo que a maioría da xente preferiría gobernos electos, aínda que haxa momentos, como agora, que existe un goberno electo e algunhas persoas empezan a dicir de novo que talvez o exército sexa mellor. Porén a maioría quere que os gobernos sexan elixidos democraticamente.

Vostede di que a xente está farta do exército, mais está o exército farto da política?

O exército non está farto da política; isto é absolutamente certo polo papel que xogou. Vese a si mesmo como adoitaba verse antes o exército turco, que durante moito tempo non só se cría o salvador da patria en caso de ataque, senón "en última instancia" como a única forza organizada en Turquía e o suficientemente disciplinada para gobernar o país. Así é como a cúpula militar paquistaní se ve e porque gobernaron o país. Porén cada vez que o fixeron foi un desastre. A ditadura de Ayub levou á desintegración de Paquistán. A ditadura do xeneral Zia sumiu ao país no escurantismo, co surximiento de grupos yihadistas financiados e apoiados desde a cúpula militar e aínda estamos a tratar de lidar coa lea creada. E logo tivemos a Musharraf, que o prometeu todo inicialmente, mais acabou enfrontándose co poder xudicial e tivo que dimitir ignominiosamente cando fracasou no seu intento de acabar co Presidente do Tribunal Supremo.

2 Reino Unido

En relación con Gran Bretaña, onde vive, cal é a situación da esquerda no medio desta prolongada recesión e o recorte masivo dos servizos públicos? Que posibilidades hai de que xurda unha oposición que defenda aos menos favorecidos?

Creo que a política dominante, non só en Grande Bretaña senón na maioría dos países avanzados, discorre esencialmente sobre as diferentes formas de xestionar o sistema capitalista e como enriquecerse individualmente ou encher as arcas dos partidos como institucións. Obter contribucións electorais das empresas converteuse nunha arte en Estados Unidos e agora está a varrer Europa. En Gran Bretaña tanto os conservadores como os laboristas basicamente fan o mesmo. Tony Blair, destruíu o vello Partido Laborista para sempre, aínda que aínda haxa un puñado de bos deputados laboristas no Parlamento. Pero na miña opinión, a maioría dos parlamentarios laboristas podería facilmente ser parte da coalición que goberna Grande Bretaña.

En Escocia, o Partido Nacional Escocés, que é socialdemócrata, esta á esquerda do laborismo e están a gañar. E queren ter un referendo sobre a independencia en 2014 ou 2015. Non se cal será o resultado. Porén o que probabelmente van obter é a autonomía escocesa, con auto-goberno en todo excepto defensa e seguridade. Se o estado británico como o coñecemos rompe, todo cambiará, porque sen Escocia o Partido Laborista non ten a menor oportunidade de gañar unha maioría electoral en Inglaterra e Gales. Así que un pode ver isto positivamente, no sentido que algunhas forzas novas xorden e o vello réxime político tería que desaparecer. O tipo de goberno que temos neste momento non pode continuar indefinidamente. E sábeno, porque se nota na forma en que falan ás veces.

3 O fenómeno Mélenchon e as eleccións presidenciais francesas

Que opina das próximas eleccións presidenciais francesas? Por que Sarkozy parece estar en retirada e que pensa do apoio ao candidato do Front de Gauche Jean-Luc Mélenchon?

Sarkozy é odiado por grande parte do país. É un chulo afeccionado ao diñeiro, un vulgar chourizo que quería enriquecerse como for. Os franceses gostan de ser máis sofisticados nestas cousas. Chamouse a si mesmo "le americain", porque a prensa criticou o seu prol-americanismo e el estaba orgulloso diso. Así que ensinou as súas cartas e  vai máis e máis á dereita: ataques aos inmigrantes, tentando atraerse á extrema dereita francesa, todo o que sexa necesario para gañar as elecciónes. Foi un desastre a todos os niveis. O seu opoñente socialista, François Hollande, é brando, promete moi pouco e é pouco convincente, aínda que probabelmente vai gañar. E de súpeto aparece Jean-Luc Melenchon, antigo trotskista nos anos sesenta e setenta que posteriormente se afiliou ao Partido Socialista e foi ministro no goberno de Mitterand. Até que se fartou e dixo que ese Partido Socialista non servía para nada e escindiuse co seu grupo de seguidores para unirse aos comunistas e a esquerda independente e crear a Fronte de Esquerdas. As últimas enquisas outórganlle o 15 por cento de apoio e que é o candidato que esperta mais paixóns en Francia. Incluso a imprensa de dereitas ten que recoñecer que é un político moi eficaz, capaz de citar a Victor Hugo e outros autores da literatura francesa. A xente sorpréndese porque non viron un político así en moito tempo. Así que o seu efecto foi positivo e tanto Sarkozy como Hollande tiveron que responder indirectamente a moitas das cuestións que expuxo.

4 España, Italia, Portugal, Grecia, Reino Unido e a implosión da eurozona

Cales serían as posíbeis consecuencias da implosión de Grecia e dun probábel colapso de España e Portugal?

Se o proceso continúa e hai máis implosións e os banqueiros que gobernan Italia e Grecia non pode conseguir que estes países sigan funcionando cos fondos provenientes dos bancos alemáns, os principais dirixentes de Europa non terán outro recurso que recoñecer a existencia dunha Europa a dúas ou tres velocidades. Haberá un núcleo europeo, unha zona monetaria máis ampla e un circulo de aspirantes a entrar en Europa. Esa é a forma organizada de facelo.

Porén se a crise estala de golpe, entón creo que a Unión Europea chegará ao seu fin e haberá un novo debate sobre que facer. Iso significaría unha grande crise en Europa, porque implicaría o final dos euros, ao que a xente se afíxo aínda que xa non sirva, porque ser parte do euro significou un enorme aumento dos prezos, tanto dos bens inmóbeis como dos produtos básicos, que puido parecer positivo mais que agora é insustentábel. Así que creo que Grecia, España e Portugal teñen que considerar moi seriamente en volver ás súas propias moedas, o que tamén significa dores de cabeza, dificultade e sufrimentos, mais polo menos vano a controlar eles mesmos.

Vostede falou a miúdo dunha Europa social e dunha Europa dos banqueiros. Pode a Europa social ser rescatada da Europa dos banqueiros?

Creo que só se poderá salvar se os países están de acordo para actuar nese sentido. Os alemáns teñen polo momento unha orientación moi conservadora e é pouco probábel que actúen. Francia é sempre unha incógnita. Grande Bretaña está tan profundamente unida aos EUA, que me cuestiono seriamente que sentido ten que sexa parte de Europa. É unha parte do bloque do Atlántico, e ninguén en Grande Bretaña se ve a si mesmo como europeo, aínda que tecnicamente o sexan. A súa atención está envorcada no Atlántico. Gran Bretaña é en realidade un estado vasalo a moitos niveis: cultural, política, militar e economicamente. Nunca estará de acordo cunha Europa social, se os EUA se  opoñen a ela. Os alemáns, os franceses, os escandinavos, poderían moverse nesa dirección, mais non van facelo a menos até que se vexan obrigados a iso, xa sexa polo electorado ou polas revoltas.

5 O "extremo centro" e a morte da socialdemocracia

Cando di que a socialdemocracia está morta, conclúe que o "extremo centro" goberna na maioría dos países hoxe en día. Por que o chama o "extremo centro"?

Porque cando vostede ten un centro que abarca o centro -esquerda, o centro-dereita e os partidos do centro tradicional, e este centro a continuación fai a guerra, defende a ocupación de países, declara a guerra ao seu propio pobo en casa a través das políticas de austeridade, na miña opinión convértese en puro extremismo. Por iso chámolle o "extremo centro". Esta é a tendencia dominante na maior parte de Europa. Non importa quen gañe, o centro goberna. E está a crear un enorme baleiro de lexitimidade democrática. No ámbito das liberdades civís, tivemos o caso dunha muller nova que describe nun correo electrónico un soño a un amigo no que viu a uns terroristas levar a cabo unha operación: foi arrestada e acusada de soñar.

Moi orwelliano, non lle parece?

Completamente orwelliano. Na actualidade, poden acceder aos seus soños. Se non escribise o correo, estaría a salvo. E en Estados Unidos, o Presidente, por primeira vez nunha situación normal, non en tempos de guerra, ten a facultade de ordenar o asasinato dun cidadán de EUA sen ningún tipo de recurso á lei. Se esta é a dirección na que estes países se encamiñan non teñen dereito algún a dar leccións a ningunha outra parte do mundo. Deben pór a súa propia casa en orde. Como as chamadas leis antiterroristas, que permiten deter á xente preventivamente, só por sospeita, etc... é unha situación complicada. Se ao mesmo tempo, non se proporciona ningunha alternativa política e social aos electores, a democracia en si carece de sentido. Máis e máis xente deixará de votar a menos que xurdan novas alternativas.

6 Siria e a primavera árabe

Que cre que vai suceder en Siria?

Creo que a situación de Siria alcanzou a fase de equilibrio de forzas que se pode converter nun rueiro sen saída. Temos dúas forzas organizando un exército contra Assad. E non son forzas que inspiran unha grande confianza: por unha banda, os sauditas e polo outro, os qataríes, xentes ás que non se lles coñece ningún interese na democracia. Esencialmente o que sucedeu é que Siria se converteu nun peón na loita entre o fundamentalismo wahabí e o réxime iraniano. Os estadounidenses decidiron claramente que non van intervir. E unha das razóns para iso é que os israelís non queren aos Irmáns Musulmáns gobernando en Siria e estanlle dicindo aos estadounidenses que non hai que precipitarse. E unha vez que os estadounidenses se pairan, os europeos fan o mesmo.

A miña posición nisto é moi clara: o réxime do Baath da familia Assad é brutal, estúpido e corrupto  -goberna en base a unha minoría - e se houbese (Bashar Ao Assad) ou a xente ao redor del, a menor intelixencia, aceptarían o trato que lles ofreceu a oposición no primeiros seis meses da revolta. Déranlles garantías de que nada lles pasaría. "Non queremos un final como Gadafi para vostede, mais ten que compartir o poder". Calquera líder do Baath intelixente dixese "Si, imos sentarnos e falar". Ouvín falar dunha división nas súas filas, que Bashar ao Assad, quería, mais os xenerais, dixeron que non, porque entendían que era o fin do seu monopolio sobre as forzas armadas. En calquera caso, cometeron un grande erro e o réxime sostense só son represión, mais haberá novos levantamentos no interior do país. O que fixo que a situación sexa tan caótica é que os saudis, os qataríes e os turcos, ao crear un exército alternativo poden provocar unha guerra civil e unha situación moi fea, como vimos en Libia.

Cre que a primavera árabe ha axudado a eliminar aos gobernos represivos, mais laicos, do tipo do partido Baath, e a substituílos por gobernos sunitas e wahabís? Que significa isto para Asia Occidental?

Creo que os Irmáns Musulmáns exipcios non son wahabís, é moi importante ter isto en mente. Son musulmáns sunitas. Non son moi diferentes dos partidos demócratas cristiáns de Europa occidental. Son social e politicamente conservadores, mentres que economicamente o máis probábel é que acepten algún tipo de neo-liberalismo. Así que os estadounidenses tratasen con eles. E xa están ao facer, detrás do escenario, porque representan á maioría do país. Non é a miña idea da liberación, mais se isto é o que quere a xente e votaron a favor, non se pode culpar á xente porque non hai outras alternativas. Non van votar a favor de Mubarak e a súa cuadrilla. A esquerda é moi débil e moita xente está desacreditada por traballar co réxime. É moi difícil crear novos movementos. E os Irmáns Musulmáns, que unhas veces colaboraron co réxime e outras non, que foron tamén detidos, torturados e asasinados. A xente sábeo e, en recompensa, votáronlles. Porén se despois de chegar ao poder non fan nada, podería haber unha nova fase de protestas, porque o máis importante que a xente aprendeu é que se actúan colectivamente poden cambiar os gobernos. É unha lección perigosa, polo que concierne aos Irmáns Musulmáns.

7 Irán

Como ve o desenvolvemento político de Irán, o antiimperialismo ianqui dos mulás, pódese esperar algún movemento de oposición interno?

Bo, os iranianos, na miña opinión mostráronse dispostos - os mulás, quero dicir - a negociar un grande acordo con EUA hai moito tempo. Se se analiza con sangue frío, sen ningún tipo de demagoxia, a guerra e a ocupación en Iraq non poderían ter lugar sen que os iranianos desen luz verde a EUA. A guerra en Afganistán tivese lugar en calquera caso, mais foi unha axuda, sen dúbida, o que os iranianos dixesen 'adiante', porque considerasen a Sadam Husein o seu inimigo e tamén aos talibán, por aquilo de que o inimigo do meu inimigo é o meu amigo, aínda que sexa temporalmente. Esencialmente apoiaron esas dúas guerras estadounidenses. Esperaban a cambio que o presidente de Estados Unidos voaría a Teherán, como fixo Nixon a Beixing, e que farían un acordo e vivirían en paz. Non teñen grandes desexos de enfrontarse aos EUA. Se os americanos fosen intelixentes, como unha gran cantidade de politólogos defendían nos EUA, iso é o que debería ocorrer.

Porén o que o detivo foi o lobby israelí. A razón da súa enorme hostilidade a Irán é precisamente a cuestión nuclear. Queren de Irán garantías de que nunca construirán unha bomba atómica. Mais as garantías pódense romper e se teñen a capacidade de construír a bomba por que non van facelo? Algúns iranianos sosteñen que Paquistán a ten, que a India a ten, que China a ten, que buques nucleares estadounidenses navegan ao redor das súas augas e que os alemáns venden a Israel submarinos da clase Dolphin que poden lanzar mísiles con cabezas nucleares e deixar fóra de combate a Irán. Por tanto cren que a mellor forma de defensa é ter a bomba, non usala. A xente respectaraos máis así. Porén agora o que din é: "temos a capacidade, mais non imos facer a bomba". É a posición mais incómoda para todos. Pero creo que están desesperados por chegar a un trato cos EUA.

8 A crise da esquerda e o movemento Ocupa Wall Street

Cre que a ideoloxía de esquerda está morta ou ve brotes verdes de pensamento e acción radicais?

Creo que o colapso do comunismo na década do noventa foi un duro golpe para a xente da esquerda que quería buscar outras alternativas, mesmo para moitas persoas que non apoiaban á Unión Soviética. Porén creo que no últimos dez anos novos movementos comezaron a desenvolverse en América do Sur. Noutras partes do mundo as cousas están a empezar a suceder e a xente está a empezar a sentir que teñen que mobilizarse para lograr un cambio, que ninguén nolo vai a regalar. A primavera árabe xogou un papel moi importante no cambio de conciencia global. Así que son un pouco máis optimista do que era hai uns anos.

Porén desestimou o movemento Occupy Wall Street dicindo que non teñen obxectivos políticos e que non lograron nada.

Digo que se trata dun movemento virtual nalgúns aspectos: moi útil e importante, porque unha nova xeración está a dicir que non gosta do sistema. Porén o meu punto de vista foi, e díxeno con boas intencións, que non basta con rexeitar o sistema, porque o sistema pode atropelarche e destruírche moi, moi rapidamente - a menos que se poida construír algo que poida durar un pouco máis que os anos necesarios para estudar unha carreira universitaria. Imos ver que pasa. Porén non creo que até agora o movemento Occupy Wall Street poida dicirse que leva a ningunha parte. Podo estar equivocado e encantaríame equivocarme. Así o interpreto. Gostamos del, admirámolo, mais non se pode esperar moito del. -16 de abril 2012

30/03/2012

Falta de oportunidades para jovens originou motins de Londres

Tirado do Esquerda.net (aqui). O painel nomeado pelo Governo para estudar as causas dos motins de Londres aponta também outros fatores, como a desconfiança face à polícia, as falhas no sistema de justiça na reinserção, a falta de acompanhamento dos pais e o materialismo dos jovens londrinos. E conclui que é preciso dar-lhes mais "participação na sociedade" para que os motins não se repitam.



"Quando as pessoas não sentem que têm razões para evitar sarilhos, as consequências podem ser devastadoras para as comunidades", afirmou a presidente da comissão independente nomeada pelo Governo britânico, Darra Singh, citada pelo Guardian.

As reações políticas a este relatório não pouparam críticas à posição do primeiro-ministro, que já depois dos motins sempre encarou o assunto como um caso de "pura e simples criminalidade". Para a deputada trabalhista Diane Abbot, "as comunidades sentem-se assediadas pela polícia e marginalizadas nas suas perspetivas de emprego, e são bombardeadas com lembranças de vidas que muito provavelmente nunca terão".

O relatório diz que "a chave para evitar futuros motins é ter comunidades que funcionam" e propõe medidas como multas para as escolas que expulsam crianças sem as ensinar a ler corretamente, melhor e mais atempado apoio às famílias em dificuldades ou mais emprego para os jovens. E reconhece que "os serviços públicos apontam um grupo de aproximadamente meio milhão de 'famílias esquecidas'" no país. "Temos de dar a todos uma participação na sociedade", defendeu Darra Singh.

Mas o destaque dado à necessidade de trabalhar o papel da família para prevenir novos motins também mereceu críticas por parte da fundadora da ONG Kids Company, que acusou a comissão de seguir um "modelo classe média". "Eles ainda partem do princípio que a família destes jovens está intacta, quando 84% das crianças que nos chegam fugiram de suas casas. Na grande maioria, são crianças vítimas de maus-tratos por parte das suas famílias", acrescentou Camila Batmanghelidj, para quem não foram problemas de caráter que levaram muitos jovens a juntarem-se aos motins, mas sim o desemprego e as dificuldades.

O relatório também constata que metade das queixas registadas nos motins dizem respeito ao saque de lojas de produtos apetecíveis na sociedade de consumo. E pede ao Governo que proteja os jovens do marketing excessivo e que trabalhe para aumentar a resistência das crianças às mensagens publicitárias, abrindo um diálogo entre Governo e as grandes marcas.

A desconfiança face à polícia, que assassinou Mark Duggan e despoletou a onda de revolta em agosto passado que alastrou a outras cidades britânicas, é outro dos pontos focados neste relatório. Em dezembro, um estudo da London School of Economics em conjunto com o Guardian, com entrevistas a centenas de participantes nos motins, concluiu que foi a antipatia com o comportamento quotidiano da polícia em muitos bairros que levou muitos deles a sair à rua e a aproveitar o clima de impunidade para roubar artigos das lojas saqueadas.

21/03/2012

O Goberno británico baixa os impostos às grandes fortunas e empresas

Nova tirada de aquí e traducida por nós.



O primeiro ministro británico, David Cameron, justificó a medida e animou a grandes fortunas e corporacións a investir en Reino Unido.

A partir de abril de 2013, a taxa para as rendas superiores ás 150.000 libras anuais (180.000 euros) baixará do 50% ao 45%. A carga fiscal para ese tramo foi aumentada do 40% ao 50% en 2009 polo anterior Goberno laborista.

Segundo George Osborne, ministro do Tesouro, este incremento "está a danar a economía e apenas permite aumentar a recadación", xa que os afectados optan por deixar o país ou evadir impostos, expresión que o ministro Osborne trata de evitar e chámao "modificar a súa estratexia fiscal".

Ademais, o imposto de sociedades caerá do 26% ao 24% en abril, e nos dous anos posteriores baixará outros dous puntos, até situarse no 22% en 2014
. Osborne asegurou que esta redución sitúa a Reino Unido como un dos países "máis competitivos á hora de atraer empresas". Ademais, adiantou que o imposto de sociedades podería baixar no futuro até o 20%.

Como medida compensatoria, o Goberno di que equilibrará o descenso de ingresos que levan esas medidas aumentando os impostos que gravan a compravenda de residencias cun valor superior aos dous millóns de libras e elevará o imposto que grava os activos dos bancos que operan en Reino Unido.

20/03/2012

Comércio mundial de armas cresceu 24 % entre 2007 e 2011

Artigo tirado de Esquerda.net (aqui).

O comércio mundial de armas convencionais cresceu 24 por cento entre 2007 e 2011 em relação ao quinquénio anterior (2002-2006). Os Estados Unidos continuam a ser o maior vendedor, a grande distância da concorrência, a Índia passou a ser o maior comprador e a China tornou-se mais exportador do que comprador.



O comércio mundial de armas convencionais cresceu 24 por cento entre 2007 e 2011 em relação ao quinquénio anterior (2002-2006), de acordo com um relatório divulgado em Estocolmo pelo Instituto Internacional de Estudos para a Paz (Stockholm International Peace Research Institute – SIPRI). Os Estados Unidos continuam a ser o maior vendedor, a grande distância da concorrência, a Índia passou a ser o maior comprador e a China tornou-se mais exportador do que comprador. O maior negócio das últimas duas décadas foi o fornecimento de caças F-15SG pelos Estados Unidos à Arábia Saudita em 2011.

De acordo com o relatório, os cinco maiores exportadores mundiais de armamento – Estados Unidos, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido – concentraram 75 por cento das vendas durante o período em análise . A quota dos Estados Unidos é de cerca de um terço do total (30 por cento) e subiu 24 por cento entre 2007 e 2011 em comparação com o período anterior.

Todos os principais importadores são agora países asiáticos: Índia (10 por cento), Coreia do Sul (seis por cento), Paquistão (cinco por cento), China (cinco por cento) e a minúscula Singapura (quatro por cento). De 2002 a 2011 a China passou de maior importador para quarto e tornou-se o sexto maior exportador, com um aumento de 95 por cento, situando-se agora a curta distância do Reino Unido. Pequim tem como principal cliente o Paquistão.

Por regiões, a Ásia e Oceania importaram 44 por cento do total, a Europa 19 por cento, o Médio Oriente 17 por cento, a América 11 por cento e a África nove por cento.

O maior negócio dos últimos 20 anos foi a compra pela Arábia Saudita aos Estados Unidos de 84 caças F-15SG, que incluiu a modernização de 70 comprados anteriormente. O valor envolvido foi calculado na altura em 60 mil milões de dólares.

As "Primaveras Árabes" não alteraram o facto de os Estados Unidos serem os maiores fornecedores do Egipto e da Tunísia e a Rússia o da Síria – que se reforçou em 580 por cento.

A Rússia está com uma quota de mercado de 12 por cento e tem a Índia como melhor cliente, sendo também o principal fornecedor da Síria. A Alemanha subiu à terceira posição, ultrapassando a França, e tem a Grécia como principal destino das suas exportações. Atenas caiu do quarto posto como comprador em 2002-2006 para o 10º mundial em 2007-2001; no entanto, e apesar da crise, fez dois contratos de compra à Alemanha em 2011.

As importações de armas no continente americano cresceram 61 por cento no quinquénio em análise, com os Estados à cabeça, oitavo importador mundial. Na América do Sul os maiores importadores são o Chile e a Venezuela, mas o Brasil tem contratos em execução com a França e a Itália que o incluirão entre os mais compradores. As despesas da Venezuela com armas convencionais cresceram 555 por cento, tornando o país o 15º importador mundial quando era o 46º entre 2002 e 2006.

O relatório do SIPRI considera que se registaram "aumentos significativos" de compra de armamento em regiões como o Norte de África, Sudeste Asiático e o Sul do Cáucaso.

O continente africano gastou mais 110 por cento em armas do que no quinquénio anterior, em especial devido à subida da quota do Norte do continente de 33 para 59 por cento, com um aumento de despesas de 273 por cento. Argélia, África do Sul e Marrocos são os maiores compradores; os gastos deste país aumentaram 443 por cento no último quinquénio analisado.

09/01/2012

Ninguén entende a débeda

Paul Krugman. Artigo tirado de El País (aquí) e traducido por nós.

Costes do traballo en Eurolandia, fonte aquí.


En 2011, como en 2010, Estados Unidos experimentaba unha recuperación técnica, pero seguía sufrindo un desemprego desastrosamente alto. E ao longo da maior parte de 2011, como en 2010, case todas as conversacións en Washington viraban ao redor doutra cousa: o problema supostamente urxente de reducir o déficit público.

Este enfoque inapropiado di moito sobre a nosa cultura política, en concreto sobre o desconectado que está o Congreso do sufrimento dos estadounidenses do montón. Pero tamén revela algo máis: cando a xente en Washington fala de déficits e débeda, a inmensa maioría non ten nin idea do que está a falar, e a xente que máis fala é a que menos entende.

O máis evidente é quizá que os "expertos" económicos nos que confía grande parte do Congreso estiveron totalmente equivocados unha e outra vez sobre os efectos a curto prazo dos déficits públicos. A xente que obtén as súas análises económicas de institucións como a Fundación Heritage leva esperando desde que o presidente Obama asumiu o cargo a que o déficit público disparase os tipos de xuro. O día menos pensado.

E mentres estivo esperando, eses tipos descenderon até mínimos históricos. Poderíase pensar que isto levaría aos políticos a cuestionar a súa elección de expertos (é dicir, poderíase pensar iso se non soubésemos nada sobre a política posmoderna non baseada en feitos).

Pero Washington non se confunde só no que respecta ao curto prazo; tamén está confundido achega do longo prazo. Porque aínda que a débeda poida ser un problema, a forma en que os nosos políticos e lumbreras pensan na débeda é incorrecta e esaxera o tamaño do problema.

Os que se preocupan polo déficit retratan un futuro en que nos vemos empobrecidos pola necesidade de devolver o diñeiro que tomamos prestado. Ven a EUA como unha familia que pediu unha hipoteca demasiado alta e que se ve en apertos para pagar as cotas mensuais. Con todo, esta é unha analoxía realmente mala polo menos en dous sentidos.

En primeiro lugar, as familias teñen que devolver a súa débeda. Os Gobernos, non; todo o que teñen que facer é asegurarse de que a débeda aumenta máis lentamente que a súa base impoñíbel. A débeda da II Guerra Mundial nunca se devolveu; sinxelamente, foise volvendo cada vez máis irrelevante, a medida que a economía estadounidense crecía, e con ela, a renda sometida a tributación.

En segundo lugar, e isto é o que ninguén parece entender, unha familia excesivamente endebedada debe diñeiro a outra persoa; a débeda estadounidense é, en grande medida, diñeiro que nos debemos a nós mesmos.

Isto era claramente certo no caso da débeda en que incorremos para gañar a Segunda Guerra Mundial. Os contribuíntes asumiron a responsabilidade dunha débeda que era significativamente máis elevada, como porcentaxe do PIB, que a débeda actual; pero os titulares desa débeda tamén eran os contribuíntes, como a xente que compraba bonos de aforro. De modo que a débeda non fixo máis pobre aos Estados Unidos da posguerra. En concreto, a débeda non impediu que a xeración da posguerra experimentase o maior aumento da renda e o nivel de vida na historia da nosa nación.

Pero esta vez é diferente, non? Non tanto como cren.

É verdade que agora os estranxeiros posúen grandes intereses en EE UU, entre eles unha boa cantidade de débeda pública. Pero cada dólar de participacións estranxeiras en Estados Unidos vese igualado por 89 céntimos de participacións estadounidenses no estranxeiro. E como os estranxeiros tenden a facer os seus investimentos en Estados Unidos en activos seguros e de baixa rendibilidade, os EUA gaña na práctica máis polos seus activos no estranxeiro do que paga aos investidores estranxeiros. Se se fixeron a idea de que é un país profundamente endebedado cos chineses, informáronlles mal. E tampouco estamos a avanzar rapidamente nesa dirección.

Claro que o feito de que a débeda federal non implique nin moito menos que o futuro de Estados Unidos estea hipotecado non quere dicir que a débeda non sexa prexudicial. Para pagar os intereses hai que recadar impostos, e non hai que ser un ideólogo de dereitas para recoñecer que os impostos supoñen algún custo para a economía, aínda que só sexa porque apartan os recursos das actividades produtivas e desvíanos cara á elusión e a evasión de impostos. Pero estes custos son moito menos tráxicos do que a analogía da familia excesivamente endebedada podería dar a entender.

E esa é a razón pola que os países con Gobernos estábeis e responsábeis -ou sexa, Gobernos que están dispostos a elevar moderadamente os impostos cando a situación o esixe- foron por regra xeral capaces de vivir con niveis de débeda moito máis elevados do que a opinión convencional induciríanos a pensar. Gran Bretaña, en concreto, tivo unha débeda superior ao 100% do PIB durante 81 dos últimos 170 anos. Cando Keynes escribía sobre a necesidade de gastar para saír dunha depresión, Gran Bretaña estaba máis endebedada que calquera país desenvolvido hoxe en día, coa excepción de Xapón.

Naturalmente, os EUA, co seu movemento conservador furibundamente antiimpuestos, podería non ter un Goberno que sexa responsábel nese sentido. Pero nese caso, a culpa non é da débeda, senón nosa.

De modo que, si, a débeda é importante. Pero nestes momentos hai cousas máis importantes. Necesitamos máis, non menos, gasto público para sacarnos da trampa do desemprego. E a terca e desinformada obsesión coa débeda interponse no camiño.

04/01/2012

Desemprego atinge mais de um milhão de jovens na Inglaterra

Marcelo Justo. Tirado de Carta Maior (aqui). A crise econômica está golpeando com força os jovens. No Reino Unido, o desemprego juvenil superou a barreira do milhão de pessoas e ninguém parece ter esperança de que as coisas melhorem neste 2012. Uns porque nunca tiveram expectativa de outra coisa, outros porque as portas abertas estão fechando e não há maneira de abri-las: este ano a matrícula universitária custará uns 16 mil dólares e a ajuda estudantil secundária desapareceu. O artigo é de Marcelo Justo.

“Eu tive 20 anos e não permitirei que digam que é a idade mais linda da vida”. A famosa frase de Paul Nizan tem mais peso do que nunca na Europa atual e não por razões existenciais.

A crise econômica está golpeando com particular força os jovens. No Reino Unido, o desemprego juvenil superou a barreira psicológica do milhão de pessoas e ninguém parece ter esperança de que as coisas melhorem neste 2012. Uns porque nunca tiveram expectativa de outra coisa, outros porque as portas abertas estão fechando e não há maneira de abri-las: este ano a matrícula universitária custará uns 16 mil dólares e a ajuda estudantil secundária desapareceu. Neste cenário, não surpreende que os estudantes estejam engrossando as filas da prostituição para financiar uma carreira que melhore, sem oferecer garantias, sua perspectiva de trabalho.

Em uma tentativa de capturar e transmitir a gravidade da crise, a ONG Barbados, que defende os direitos dos menores, chamou os jovens de “futuros pobres”. Em alguns casos, o futuro não é mais que a continuação do passado: levam a pobreza inscrita desde o nascimento. Nos bairros londrinos de Tottenham, Lewisham, Hackney, nos bolsões pobres das grandes cidades, em Manchester e Liverpool, Birmingham e Newcastle, há muito que se abandonou toda esperança. Durante a onda de saques que sacudiram o Reino Unido em agosto, cerca de 80% dos saqueadores presos tinha menos de 25 anos.

Em sua mensagem de ano novo, anunciada neste domingo, a máxima autoridade da Igreja Anglicana, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, exortou os britânicos a não demonizar os jovens. Pediu aos britânicos que abandonem a hostilidade para com os jovens. “É uma tragédia que existam saques quando podemos ver o que se pode conseguir com esses jovens quando essa energia é canalizada positivamente em um contexto de segurança e amor”, assinalou o Arcebispo. Mas como advertiu David Lammy, deputado trabalhista por Tottenham, o bairro onde iniciaram os incidentes, não há uma consciência social ou política sobre a gravidade e urgência do tema. “Precisamos de políticos de todos os partidos que atendam estes problemas ou os saques podem voltar a acontecer”, vaticina Lammy.

E não há sinais de que o governo esteja escutando. A primeira reação aos distúrbios foi desclassificá-los como mero vandalismo juvenil de gangues descontroladas. O primeiro ministro David Cameron suavizou um pouco suas próprias palavras falando da desintegração moral da sociedade e prometendo uma investigação dos fatos, mas a política socioeconômica do governo não variou um centímetro.

Em seu comparecimento ante o Parlamento, em outubro, o ministro de Finanças, George Osborne, reafirmou o plano de austeridade do governo que contempla uma redução de 140 bilhões de dólares no orçamento do período 2011-2015. Os programas juvenis, dizimados pelos cortes, não receberam nenhuma nova fonte de financiamento. O bairro de Tottenham é um claro exemplo do abismo social que existe em um dos países mais ricos do planeta.

É a zona com maior desemprego de Londres e uma das 10 mais pobres do Reino Unido: os clubes da juventude desapareceram logo depois de o orçamento municipal ter sofrido um corte de 75%.

Economia sem rumo

A aposta da coalizão conservadora-liberal democrata é que o setor privado compensará o draconiano encolhimento do Estado. Até aqui, essa aposta não deu resultado. Entre julho e setembro de 2011, cerca de 67 mil pessoas perderam seu emprego estatal: o setor privado só criou 5 mil novos postos. Segundo o prestigiado Chartered Institute of Personnel and Development, essa situação piorará este ano com a demissão de cerca de 120 mil servidores públicos. Charlotte Foster, uma menina de 21 anos que terminou o ano passado a universidade, resumiu ao Daily Telegraph sua falta de expectativas. “No melhor dos casos passarei de um emprego temporal a outro. Com tantas demissões vai ser muito difícil. Há gente com 10 anos de experiência no mercado buscando trabalho”, declarou ao jornal.

Se a estratégia da coalizão para o conjunto da sociedade faz água, para os jovens ela naufragou em meio ao nada. Uma das medidas de austeridade da coalizão que mais os afetaram foi a triplicação do valor das matrículas universitárias, que entra em vigor este ano, e a eliminação da ajuda a estudantes secundário. As massivas manifestações entre outubro de 2010 e março do ano passado tiraram os jovens da situação de letargia política das últimas duas décadas, mas não conseguiram evitar a reforma da lei da educação.

Com custos subindo às nuvens e sem acesso a empregos temporários, muitos estudantes estão recorrendo a variadas formas de prostituição. “Com todos os cortes que ocorreram, muitas estudantes se prostituem para escapar da pobreza. Com esse tipo de trabalho, é possível, em uma noite, cobrir mais ou menos os gastos da semana”, assinala Sarah Walker, de um grupo de defesa dos trabalhadores do sexo, o English Colective of Prostitutes (ECPL).

Um estudo da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, revelou que cerca de 25% das “strippers” e “lap-dancers” da capital eram estudantes. Outra investigação da Universidade de Londres mostrou que 16% das universitárias estavam dispostas a se prostituir para pagar seus estudos e cerca de 11% contemplava a possibilidade de trabalhar em agências de acompanhantes. “A maioria são estudantes que acabam de iniciar a universidade ou estudantes adultos que querem um título. O governo sabe que o trabalho sexual é uma maneira de escapar dessa situação, mas isso não parece importar muito”, assinala Walker.

Em meio ao desalento, a União de Estudantes se comprometeu a continuar com os protestos para mudar a política universitária da coalizão. Em novembro, quase um ano depois de o parlamento aprovar a triplicação do valor das matrículas, milhares de estudantes se manifestaram por uma mudança de política. A maioria não estava diretamente afetada pela medida que só entrará em vigor para a camada que ingressa na universidade em setembro deste ano. 2012 promete ser um ano movimentado.