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15/04/2011

A lección das mulleres tunecinas para a Galiza de Habichuela I

Paula Verao

Se sobre as revoltas do norte de África só nos informaramos a través dos media convencionais, tradutores da mentalidade colonial hexemónica nas nosas sociedades, valoraríamolas con moita cautela a respeito de cómo quedarán os dereitos das mulleres nas novas constitucións. Cuestión de tal calado quedou ás veces reducida, especialmente nas tertulias televisivas, a presupostos tais coma que, máis ou menos, "os árabes son machistas por natureza" ou "o Islam non permite que se desenvolvan os dereitos acadados polas mulleres occidentais".

Obviando o profundo descoñecemento histórico do soberbio "mundo libre" acerca da civilización islámica e da propia dinámica histórica europea - pois parecemos esquecer que a Revolución Francesa rebañou, literalmente, o pescozo da incipiente cuestión dos "Dereitos da Muller e da Cidadá" -, a mensaxe dirixida polo pensamento único á esqueda parecía clara: non vos emocionedes coas transformacións no norte africano, que as mulleres seguirán oprimidas. A intención de desacreditar as revoltas árabes neste sentido quedou en suspenso ao coñecermos que nas eleccións á Asemblea Constituínte da Tunisia só serán legais as listas paritarias a xeito de gramalleira - sen esquecer que nestas eleccións se lles prohíbe a participación política aos cargos da dictadura derrocada e que o sistema electoral favorecerá ás minorías -. Non quere isto dicir que poidamos obviar a situación da muller na maioría dos "países musulmáns" - con toda a súa heteroxeneidade -, en inferioridade xurídica con respecto aos homes, sufrindo maior analfabetismo e precariedade laboral e con escaso acceso á participación política, ou deixar de ser cautelosos coa situación da muller na futura Tunisia, como reclaman as feministas tunecinas. Aínda así, o pensamento crítico da esquerda debe evitar caer en argumentos-trampa, como identificar Cultura con tradicións que apuntalan intereses das elites económico-relixiosas, ou atribuír só ao Islam a subordinación feminina [1], e esquecer as desigualdades de xénero do propio Occidente, sen deixar de analizar que moitos dos países co menor Índice de Potenciación de Xénero [2] son neo-colonias do Norte (datos: ano 2009, aquí): países do centro e sul de África, Afganistán - supostamente democratizado polos exércitos da liberdade -, etc.
As mulleres tiveron un protagonismo central nas revoltas de Túnez e Exipto, e non están dispostas a retroceder nos seus dereitos que veñen conquistando, con dificultades e matices, dende hai tempo.

Namentras as tunecinas tentan cambiar o seu futuro e o do seu país, na Galiza vivimos un retroceso nos dereitos das mulleres, coa Lei de Familia que vai aprobar o PP no Parlamento Galego e que sancionará o papel tradicional da muller como esposa e nai abnegada, analizada aquí pola Rede Feminista Galega. Ao tempo, as mulleres galegas son quenes máis sofren a crise e quenes máis van sofrer a recente reforma das pensións do PSOEspañol, especialmente as labregas, das cales 35.000 seguen sen ser titulares da explotación na que traballan en pé de igualdade cos homes, e segue a ser difícil facer listas paritarias en moitos concellos para as vindeiras eleccións municipais.

A lección das mulleres tunecinas para a esquerda europea, e para a galega en particular, - e debemos acostumarnos a tomar leccións do Sul - debe ser que os movimentos emancipatorios van unidos: non hai descolonización sen des-patriarcalización, nin ecoloxismo sen socialismo, nin socialismo sen feminismo... Non hai revolución sen as mulleres nin se vence ao machismo sen a revolución.

NOTAS

1. "O que se descoñece, e é unha ignorancia case xeneralizada, é que o Islam no contexto histórico e social no que xurdiu, otorgou e recoñeceu á muller dereitos dos que esta carecía na etapa preislámica, pois permitiu, prohibiu e estableceu determinadas cuestións que en calquera caso elevaron a condición feminina: o Islam permitiu a poligamia e o repudio, ambos con limitacións; o Islam prohibiu o infanticidio cando algunhas sociedades limítrofes enterraban vivas ás nenas recén nadas; tamén prohibiu considerar á muller un ben máis que se transmitía como herdanza; o Islam concedeu á muller o dereito a herdar, á propiedade privada, á educación, ao traballo e á liberdade de expresión (Corán LVIII, 1). De: PÉREZ ÁLVAREZ, Mª ÁNGELES e REBOLLOS ÁVALOS, Mª JOSÉ. "El Islam en la vida de la mujer a través de los tiempos". Accesíbel aquí.

2. O Índice de Potenciación de Xénero é un indicador social que mide o nivel de oportunidades das mulleres en base á proporción de mulleres sobre homes na participación política, en postos lexislativos, funcionarios, lexislativos ou profesionais e nos ingresos.

23/03/2011

Agora que ninguém olha para o Egito

Óscar de Lis. Tirado de aqui. O autor é membro do Movimento Galego ao Socialismo (MSG), formaçom integrada no BNG e umha referência para a blogosfera da esquerda galega.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjg4gZ_kBJeiX1OkcZMwDv2Q1r8pGcCMeV7uHdkf8GcFH1xZixuX_ezm92WcdPUsJ1m3dmJb1TixJ83QaJ7fqY51zVK3bZm67rr1kI25kUjWTEgKblf8s8W1Jj82zNUQvev18ZdoUX-Lec/s640/Egito.jpg
A Líbia (#Libya) está por toda a parte. Poucas pessoas há já que pensem ainda no Egito e na Tunísia. Com a velocidade a que devoramos tudo, o que lá aconteceu parece tema passado, caducado e de novo intranscendente. Não é, porém, tanto assim: o Egito e a Tunísia aparecem no caixão do desbotado para nós – consumidores de dramas e tragédias – mas a realidade porfia e, nestes dias em que todas as olhadas se deitam sobre a intervenção militar da OTAN, os seus problemas operativos e as discrepâncias nos intestinos do seu comando, essa mesma realidade e a constatação de que o tempo avança mesmo que não estejamos diretamente a consumi-lo, impõem-nos uma pergunta incómoda: que há do Egito e da Tunísia?

No roteiro marcado polos meios de comunicação principais, que servem aos interesses económicos principais, está o elogio à transição política no Egito após a queda de Mubarak. Há apenas umas horas, o presidente Ban Ki-moon da ONU elogiou essa transição, comandada por Omar Suleiman, a pessoa que Mubarak deixou à frente do país enquanto ele se despedia de caminho à Arábia Saudita. Suleiman é agora o homem forte do Poder no Egito, talvez o país com mais agentes da CIA por metro quadrado, e a propaganda dos grandes impérios mediáticos está empenhada em apresentá-lo como parte fundamental da solução. É por isso que, seguindo o manual de bom fazer para estes casos, Suleiman aparece transformado num democrata convencido e no promotor da solução, que passa –dizem-nos– por assumir a democracia como modelo. Há só uns dias o povo egípcio votou favoravelmente a nova constituição e haverá eleições antecipadas. Para esses meios e para o modo de espremer o mundo que defendem, a existência de eleições define e verifica por si mesma a existência de democracia. De modo que antes o Egito era um aliado, depois se converteu numa ditadura e agora é já um país democrático – tudo no prazo de dous meses.

É claro que as democracias que vaia haver no Egito e na Tunísia, se é que imos poder chamá-las assim, não vão ser democráticas: todo o mais, serão como essas democracias operativas que há por toda a parte e nas que as pessoas, com independência dos seus interesses e necessidades próprias, sempre colocarão à sua cabeça um homem (um macho) chamado a velar polos interesses do capital, das empresas e do consumo – que são também (não por acaso) os interesses dos que estão a hoje a invadir a Líbia e antes invadiram o Iraque e o Afeganistão. Os novos governos que vaiam aparecer agora deverão ser ferramentas de estabilidade interna e promoção de investimentos estrangeiros – que é a folha de rota de qualquer governo bom, e devem também canalizar o descontento social para um beco sem saída com o fim de que tudo continue na mesma. Ben Ali e Mubarak serviram antes desse mesmo modo, até que a crise alimentar e energética afundiu a sua credibilidade e deu azos à oposição popular. Ora, desconfiemos deste surto de dignidade repentino, porque, como bem sabemos, com azos ou sem eles, uma revolução não se produz espontaneamente nem sem dirigentes.

Consideremos ademais algumas questões adicionais: 1) A “revolução” egípcia foi tão pacífica que, por força, a pressão contra Mubarak teve que vir de mais lugares que a própria praça Tahrir. 2) No interior, o único líder visível, El Baradei, foi levado ex professo ali para servir como referência às pessoas que se mantinham na praça Tahrir, mas não para comandar qualquer revolta; o mais longe que chegou o próprio El Baradei foi ao status de negociador. 3) A presença de El Baradei serviu para cortar a possibilidade de que a oposição politicamente organizada de partidos e sindicatos chegasse a convergir em qualquer tipo de entente cordiale com compromissos claros (mesmo que de mínimos) e uma liderança identificável que pudesse ser vista como alternativa a Mubarak. 4) A ausência de alternativa fez com que a revolta ficasse organizada arredor da exigência apenas da demissão de Mubarak, sem propor uma substituição clara, de modo que Suleiman pudesse aparecer como mudança e possível solução. 5) A transição está a ser comandada, com efeito, por Omar Suleiman, um dirigente dos serviços secretos egípcios, que mantêm uma ligação estreita com a CIA desde a queda da monarquia em 1956 e mais ainda desde que Mubarak pôs os cárceres do país ao dispor dos EUA para a luta contra Al Qaeda. 6) Finalmente, o interesse mediático apenas se centra naqueles países que já representavam mais instabilidade antes das revoltas, e não toca outros países árabes como a Arábia Saudita ou Marrocos, considerados ditaduras e onde o controlo e a força continuam a manter uma área estável para os negócios do capital especulativo.

É difícil sabermos em que medida estas revoltas foram diretamente encorajadas pola CIA ou simplesmente utilizadas e fortalecidas neste momento para evitar mais tarde uma explosão incontrolável na zona. Contudo, considerando o dito e a experiência que temos já no que diz a respeito de ataques puramente imperialistas, acreditarmos que a CIA e quem sabe que outras agências doutros países não tiveram nada a ver com esses acontecimentos é o mesmo que não querer ver.

02/03/2011

Seis focos da revolução árabe hoje

Juan Cole. Tirado de aqui. Tradução: Bruno Cava.




1. Jordânia. Cerca de 6.000 manifestantes marcharam na sexta. Protestaram pela transformação da monarquia jordaniana numa monarquia constitucional aos moldes europeus e o retorno à constituição de 1952 sem alterações.

2. Tunísia. Cerca de 100.000 tunisianos saíram às ruas de Túnis na sexta para exigir a renúncia do primeiro-ministro interino Mohamed Ghannouchi. O governo de transição marcou eleições para meados de julho, uma demanda chave dos manifestantes. Também dissolveu o antigo partido no poder [do ditador Zine Ben Ali], a União pela Democracia Constitucional, negando-a vantagens que usufruía no processo eleitoral. Não acreditam em Ghannouchi, alguém orgânico do regime do presidente deposto, para supervisionar as eleições. Ghannouchi tenta ganhar popularidade prendendo elementos do núcleo duro corrupto de Ben Ali, mas até agora isso não foi suficiente para abalar sua reputação como cupincha do ditador.

Atualização (13:32 BR): O primeiro-ministro da Tunísia, Mohamed Ghannouchi cedeu às pressões e anunciou a renúncia na tarde de hoje, na capital Túnis.

3. Egito. Dezenas de milhares de manifestantes ocuparam a Praça Tahir no centro do Cairo, na sexta, exigindo o cancelamento das leis de exceção que suspenderam os direitos civis no Egito nos últimos 30 anos. Também querem que o primeiro-ministro Ahmad Shafiq, indicado pelo presidente deposto Hosni Mubarak, renuncie, de modo que possa haver uma ruptura clara com o antigo regime. O exército egípcio preveniu a multidão de marchar até a residência do primeiro-ministro, e reprimiu, em geral, os dissidentes.

4. Bahrein. Cerca de 200.000 manifestantes marcharam através de Manama, a capital, na sexta. Querem que a monarquia se torne um regime constitucional, com garantia dos direitos civis. Também querem a exoneração do primeiro-ministro. O rei despediu três outros ministros.

5. Iêmen. Manifestantes em Aden, a capital, exigiram que o presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos, renuncie. Pelo menos quatro pessoas foram mortas e duas dezenas feridas pelas forças de segurança, que se excederam na repressão dos protestos.

6. Líbia. As forças de segurança do ditador Muammar Gaddafi abandonaram o distrito de Tajoura, habitado pela classe trabalhadora, no sábado, depois de vários dias em que tentavam alvejar os manifestantes para acabar com os protestos. A repressão falhou. Se Gaddafi está perdendo posições significativas em Trípoli, sua sentença já está escrita pelos muros do país.

Os protestos no Egito e Tunísia tiveram sucesso somente parcial, removendo um homem forte, mas ainda imaginando onde foi parar a reforma genuína que desejavam. Líbios ainda não removeram o ditador Gadddafi. E, no Bahrein, Iêmen e Jordânia, exigências populares por reformas políticas e econômicas genuínas têm caído em ouvidos moucos.

21/02/2011

O que non se coñece sobre Exipto

Vicenç Navarro. Artigo tirado de aquí e traducido por nós.


http://internacionalpsol.files.wordpress.com/2011/02/egito-41.jpg?w=420&h=263

Este artigo critica a cobertura da chamada revolución exipcia por parte dos maiores medios de información que se centraron na mobilización de mozas -a maioría profesionais e licenciados universitarios- e a súa utilización das novas tecnoloxías da comunicación, ignorando as mobilizacións obreiras ao longo do territorio exipcio que foron as que, en realidade, foron determinantes na dimisión do ditador. O artigo detalla a natureza de tales mobilizacións que representan a maior ameaza á sobrevivencia da ditadura exipcia, o cal explica que unha das primeiras medidas tomadas pola Xunta Militar fose a prohibición taxativa de greves e reunións de traballadores sindicalistas.

A caída do ditador Mubarak como resultado da mobilización popular é un motivo de alegría para toda persoa con sensibilidade democrática. Pero esta mesma sensibilidade democrática debese concienciarnos de que a versión do ocorrido que apareceu nos medios de información de maior difusión internacional (desde Al Yazira a The New York Times e CNN) é incompleta ou ceifada, pois responde aos intereses que os financian. Así, a imaxe xeral promovida por aqueles medios é que tal evento se debe á mobilización dos mozos, senlleiramente estudantes e profesionais das clases medias, que utilizaron moi *exitosamente as novas técnicas de comunicación (Facebook e Twitter, entre outros) para organizarse e liderar tal proceso, iniciado, por certo, pola indignación popular en contra da morte en prisión, consecuencia das torturas sufridas, dun destes mozos.

Esta explicación é enormemente incompleta. En realidade, a suposta revolución non se iniciou fai tres semanas e non foi iniciada por estudantes e mozos profesionais. O pasado recente de Exipto caracterízase por loitas obreiras brutalmente reprimidas que se incrementaron estes últimos anos. Segundo o Egypt's Center of Economic and Labor Studies, só en 2009 existiron 478 folgas claramente políticas, non autorizadas, que causaron o despedimento de 126.000 traballadores, 58 dos cales se suicidaron. Como tamén ocorreu en España durante a ditadura, a resistencia obreira democrática infiltrouse nos sindicatos oficiais (cuxos dirixentes eran nomeados polo partido gobernante, que sorprendentemente fora aceptado no seo da Internacional Socialista), xogando un papel chave naquelas mobilizacións. Miles e miles de traballadores deixaron de traballar, incluídos os da poderosa industria do armamento, propiedade do Exército. Engadíronse tamén os traballadores da Canle de Suez (6.000 traballadores) e, por fin, os empregados da Administración pública, incluíndo médicos e enfermeiras (que desfilaron cos seus uniformes brancos) e os avogados do Estado (que desfilaron coas súas togas mouras). Un dos sectores que tivo maior impacto na mobilización foi o dos traballadores de comunicacións e correos, e do transporte público.

Os centros industriais de Asyut e Sohag, centros da industria farmacéutica, enerxía e gas, tamén deixaron de traballar. As empresas en Sharm O-Sheikh, O-Mahalla Ao Kubra, Dumyat e Damanhour, centros da industria téxtil, mobles e madeira e alimentación tamén pararon a súa produción. O punto álxido da mobilización obreira foi cando a dirección clandestina do movemento obreiro convocou unha greve xeral. Os medios de información internacionais centráronse no que ocorría na praza Tahrir do Cairo, ignorando que tal concentración era a cúspide dun témpano esparexido por todo o país e centrado nos lugares de traballo -chaves para a continuación da actividade económica- e nas rúas das maiores cidades de Exipto. O Exército, que era, e é, o Exército de Mubarak, non as tiña todas consigo. En realidade, ademais da paralización da economía, tiñan temor a unha rebelión interna, pois a maioría de soldados procedían de familias moi pobres de barrios obreiros cuxos veciños estaban na rúa. Mandos intermedios do Exército simpatizaban tamén coa mobilización popular, e a cúpula do Exército (próxima a Mubarak) sentiu a necesidade de separarse del para salvarse a eles mesmos. É máis, a Administración Obama, que ao principio estivera en contra da dimisión de Mubarak, cambiou e presionou para que este fósese. O Goberno federal subvencionou cunha cantidade de 1.300 millóns de dólares por ano ao Exército daquel país e este non podía desatender o que o secretario de Defensa de EEUU, Robert Gates, estaba a esixir. Por iso é polo que o director da CIA anunciase que Mubarak dimitiría e, aínda que se atrasou unhas horas, Mubarak dimitiu.

Nin que dicir ten que os mozos profesionais que fixeron uso das novas técnicas de comunicación (só un 22% da poboación ten acceso a internet) xogaron un papel importante, pero é un erro presentar aquelas mobilizacións como consecuencia dun determinismo tecnolóxico que considera a utilización de tecnoloxía como o factor determinante. En realidade, a desaparición de ditaduras nun período de tempo relativamente curto, como resultado das mobilizacións populares, ocorreu constantemente. Irán (coa caída do xa), o Muro de Berlín, a caída das ditaduras do Leste de Europa, entre outros casos, caeron, unha detrás doutra, por mobilizacións populares sen que existise internet. E o mesmo ocorreu en Tunes, onde, por certo, a resistencia da clase traballadora tamén xogou un papel fundamental na caída do ditador, cuxo partido foi tamén sorprendentemente admitido na Internacional Socialista.

O futuro, con todo, comeza agora. É improbábel que o Exército permita unha transición democrática. Permitirá estabelecer un sistema multipartidista, moi limitado e supervisado polo Exército, para o cal o inimigo número un non é o fundamentalismo islámico (aínda que así o presenta, a fin de conseguir o apoio do Goberno federal de EEUU e da Unión Europea), senón a clase traballadora e as esquerdas, que son as únicas que eliminarían os seus privilexios. Non esquezamos que as clases dominantes de Irán, Iraq e Afganistán apoiaron o radicalismo musulmán (co apoio do Goberno federal de EEUU e de Arabia Saudita) como unha maneira de parar ás esquerdas. Unha das primeiras medidas que tomou a Xunta Militar foi prohibir as greves e as reunións dos sindicalistas. Con todo, esta mobilización obreira apenas apareceu nos maiores medios de información.

03/02/2011

O noso fillo de puta

http://perspective.usherbrooke.ca/bilan/contributions/1aaf69120080528150002356.jpg
Na imagem Anastásio Somoza qualificado por Roosevelt como "o nosso filho de puta".
Ignacio Escolar. Tirado de aqui.

A Internacional Socialista acaba de expulsar ao PND, o partido de Hosni Mubarak, porque ?"ncumpre os valores da socialdemocracia". Déronse conta xusto onte. Hai dúas semanas, tamén descubriron que o partido de Ben Ali en Tunes, o RCD, tampouco reflectía "os principios que definen a esta organización". Expulsárono tres días despois de que Ben Ali fuxise do país co seu botín.

Non quero cargar todo o morto á socialdemocracia; sería moi inxusto. O tunisiano RCD, por exemplo, tamén tiña un acordo de cooperación co Partido Popular Europeo, e o gran aliado destes réximes en Europa foi o conservador Sarkozy. Todo Occidente "a esquerda e a dereita" parece que acaba de descubrir que neste local xógase, que as repúblicas hereditarias (ese oxímoron) que Estados Unidos e Europa amparan desde hai anos no norte de África e Oriente Medio levántanse sobre a tortura, a censura, o asasinato e a corrupción. Usei ben o verbo: "amparan", en presente. Ou se non, como explicar as declaracións de Trinidad Jiménez eloxiando a "apertura democrática" da ditadura marroquí?

A simetría histórica con Latinoamérica, coa vella política da CIA no "patio traseiro" de EEUU, é case perfecta. As ditaduras bananeras son ás tiranías árabes como o comunismo ao islamismo. O medo ao suposto mal maior serve de escusa para tolerar os abusos do fillo de puta, de "o noso fillo de puta" -como bautizou Roosevelt a Somoza-. De fondo, asúmese como inevitable esa teoría tan racista: que eses países "non están preparados para a democracia". É unha espiral sen fin: xamais estarán preparados mentres siga no poder un ditador. É o mesmo desprezo que tamén nos aplicaron aos españois con aquel fillo de puta que nos gobernou.

02/02/2011

Por que temer o espírito revolucionário árabe?

Slavoj Zizek. Artigo tirado de aqui.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg07Hp52aVmIvXbTcyoUcM9hCM0iypTtPc78zR5rBzrAmwECYsFXCpsROc_oH133Vy-N_JxJP211CTow6TdgfWv-0vEpvasKBIBQZhhSpp5qWayEqixbpTCPbt8GKj4Q51NAC_K8XHLATGJ/s400/MAPA+DE+ISRAEL+Y+SUS+VECINOS.bmp
O que não pode deixar de impressionar os olhos nas revoltas na Tunísia e Egito é a ausência conspícua de fundamentalismo muçulmano.

Na melhor tradição democrática secular, as pessoas simplesmente se revoltaram contra um regime opressivo, a corrupção e a pobreza, e exigiram a liberdade e a esperança econômica. A sabedoria cínica dos liberais ocidentais, segundo a qual, nos países árabes, o sentido democrático genuíno está limitada a um grupo de elites liberais, embora a grande maioria só possa ser mobilizadas por meio de fundamentalismo religioso ou de nacionalismo, tem se provado errada. A grande questão é: o que vai acontecer? Quem sairá como vencedor político?

Quando um novo governo provisório foi nomeado em Túnis, ele excluiu os islâmicos e a esquerda mais radical. A reação dos liberais presunçosos foi: bom, eles são basicamente o mesmo; dois extremos totalitários – mas são coisas tão simples como isto? É o verdadeiro antagonismo a longo prazo não precisamente entre islâmicos e a esquerda? Mesmo que estejam momentaneamente unidos contra o regime, uma vez que se aproximam da vitória, a sua unidade se divide, eles se engajam em uma luta mortal, muitas vezes mais cruel do que contra o inimigo comum.

Será que nós não testemunhamos precisamente uma luta como essa após as últimas eleições no Irã? O que as centenas de milhares de apoiadores de Mousavi representavam era o sonho popular que sustentou a revolução de Khomeini: liberdade e justiça. Mesmo que este sonho utópico, que levou a uma explosão de tirar o fôlego de criatividade política e social, experiências de organização e os debates entre estudantes e pessoas comuns. Esta abertura genuína que desencadeou as inéditas forças para a transformação social, num momento em que tudo parecia possível, foi então gradualmente sufocada através da aquisição do controle político pelo establishment islâmico.

Mesmo no caso dos movimentos claramente fundamentalistas, é preciso cuidado para não perder o componente social. O Talibã é regularmente apresentado como um grupo islâmico fundamentalista que impõe as suas regras com terror. No entanto, quando, na primavera de 2009, assumiu o vale de Swat, no Paquistão, The New York Times relatou que de engendraram "uma revolta de classe que explora fissuras profundas entre um pequeno grupo de ricos latifundiários e os seus arrendatários sem terra". Se, pela "vantagem" dos agricultores da situação, os talibãs estão criando, nas palavras do New York Times "alarme sobre os riscos para o Paquistão, que permanece em grande parte feudal", o que impediu que os democratas liberais no Paquistão e os EUA da mesma forma "tirarem vantagem" da situação e tentarem ajudar os agricultores sem-terra? Será que as forças feudais no Paquistão são os aliados naturais da democracia liberal?

A conclusão inevitável a ser tirada é que a ascensão do islamismo radical sempre esteve do outro lado do desaparecimento da esquerda secular nos países muçulmanos. Quando o Afeganistão é retratado como o maior país fundamentalista islâmico, que ainda lembra que, há 40 anos, era um país com forte tradição secular, incluindo um poderoso partido comunista que tomou o poder ali de forma independente da União Soviética? Onde é que esta tradição secular foi?

E isso é fundamental para ler os acontecimentos em curso na Tunísia e no Egito (e Iêmen e ... talvez, com sorte, até a Arábia Saudita) neste contexto. Se a situação for eventualmente estabilizada de modo que o antigo regime sobreviva, mas com alguma cirurgia cosmética liberal, isto irá gerar uma reação fundamentalista intransponível. Para que o legado liberal-chave sobreviva, os liberais precisam da ajuda fraterna da esquerda radical. Voltar para o Egito a reação oportunista mais vergonhosa e perigosa foi a de Tony Blair como relatado pela CNN: a mudança é necessária, mas deve ser uma mudança estável. Mudança estável no Egito hoje só pode significar um compromisso com as forças Mubarak por meio de uma ligeira ampliação do círculo dirigente. É por isso que falar sobre transição pacífica agora é uma obscenidade: por esmagar a oposição, Mubarak fez-se impossível. Depois que Mubarak enviou o exército contra os manifestantes, a escolha tornou-se clara: quer uma mudança cosmética em que algo mude para que tudo permaneça o mesmo, ou uma verdadeira ruptura.

Aqui, então, é o momento da verdade: não se pode afirmar, como no caso da Argélia uma década atrás, que permitindo eleições verdadeiramente livres seja igual a entregar o poder aos fundamentalistas muçulmanos. Outra preocupação liberal é que não há poder político organizado para assumir caso Mubarak se vá. É claro que não há; Mubarak teve o cuidado de que, ao reduzir toda a oposição a ornamentos marginais, de modo que o resultado é como o título do famoso romance de Agatha Christie, And Then There Were None. O argumento para Mubarak – é ele ou o caos – é um argumento contra ele.

A hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles apoiaram publicamente a democracia, e agora que o povo se revoltou contra os tiranos em nome da liberdade e da justiça secular, e não em nome da religião, todos eles estão profundamente preocupados. Por preocupação, porque não a alegria que à liberdade é dada uma oportunidade? Hoje, mais do que nunca, o lema do velho Mao Tsé-tung é pertinente: "Há um grande caos debaixo do céu – a situação é excelente."

Onde, então, Mubarak deve ir? Aqui, a resposta é clara: para a Haia. Se há um líder que merece sentar-se lá, é ele.

01/02/2011

Sobre as revoltas de Tunísia e Egipto. Entrevista

Hossam el-Hamalawy. Num post anterior remetiamos-vos a esta entrevista na sua versom em castelhano em Sin Permiso, de onde nós a tiramos para verquê-la ao galego. El-Hamalawy é jornalista e blogueiro.
http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSeCOtmWWxMHndUT1Sxt_-sokCkW0klGuhuQsbEFW6glBVbj3Io

Por que foi necessária uma revolução em Tunes para sacar aos egípcios às ruas em quantidades sem precedentes?

Em Egipto dizemos que Tunes foi mais um catalizador que um instigador, porque as condições objectivas para um levantamento existiam em Egipto e durante os últimos anos a revolta estava no ar. Por verdadeiro, já conseguimos ter dois mini-intifadas ou "mini-Tunes" em 2008. A primeira foi um levantamento em abril de 2008 em Mahalla, seguida por outro em Borollos, no norte do país.

As revoluções não surgem da nada. Não temos mecanicamente uma manhã em Egipto porque ontem teve uma em Tunes. Não é possível isolar estes protestos dos quatro últimos anos de greves de trabalhadores em Egipto ou de eventos internacionais como a intifada a o-Aqsa e a invasão do Iraque por EE.UU. O estallido da intifada a o-Aqsa foi especialmente importante porque nos anos oitenta e noventa o activismo nas ruas tinha sido efectivamente impedido pelo governo como parte da luta contra insurgentes islamistas. Só seguiu existindo nos campus universitários ou as centrais dos partidos. Mas quando estalló a intifada do ano 2000 e Al-Jazeera começou a transmitir imagens dela, inspirou a nossa juventude a tomar as ruas, da mesma maneira que hoje nos inspira Tunes.

Como se desenvolvem os protestos?

É demasiado cedo para dizer como desenvolver-se-ão. É um milagre que continuassem ontem após meia-noite apesar do medo e a repressão. Mas tenho-o dito, a situação chegou a um nível em que todos estão fartos, seriamente fartos. E inclusive se as forças de segurança conseguem aplastar hoje os protestos não poderão aplastar as que sucedam na próxima semana, ou no próximo mês ou mais adiante durante este ano. Definitivamente há uma mudança no grau de valentia da gente. Ao Estado ajudou-lhe a desculpa de combater o terrorismo nos anos noventa para acabar com todo tipo de disenso no país, um truque utilizado por todos os governos, incluído EE.UU. Mas uma vez que a oposição formal a um regime passa das armas a protestos em massa, é muito difícil enfrentar um disenso semelhante. Pode-se planificar a liquidação de um grupo de terroristas que combate nos canhaverais, mas que vão fazer ante milhares de manifestantes nas ruas? Não podem os matar a todos. Nem sequer podem garantir que os soldados o façam, que disparem contra os pobres.

Qual é a relação entre eventos regionais e locais neste país?

Há que compreender que o regional é local neste país. No ano 2000 os protestos não começaram como protestos contra o regime senão mais bem contra Israel e em apoio dos palestinos. O mesmo ocorreu com a invasão estadounidense de Iraq três anos depois. Mas uma vez que sais às ruas e te enfrentas à violência do regime um começa a fazer perguntas: Por que envia soldados Mubarak para enfrentar a manifestantes em lugar de enfrentar a Israel? Por que exporta cemento a Israel para que o utilize para construir assentamentos em lugar de ajudar aos palestinos? Por que a polícia é tão brutal conosco quando só tratamos de expressar nossa solidariedade com os palestinos de maneira pacífica? E assim os problemas regionais como Israel e Iraq uepassaram a ser temas locais. E em poucos instantes, os mesmos manifestantes que coreaban consignas pró-palestinas começaram ao fazer contra Mubarak. O momento decisivo específico em termos de protestos foi 2004, quando o disenso se voltou interior.

Em Tunísia os sindicatos jogaram um papel crucial na revolução, já que sua ampla e disciplinada militáncia assegurou que os protestos não pudessem aplastar-se facilmente e confiriu-lhes uma organização. Qual é o papel do movimento dos trabalhadores em Egipto no actual levantamento?

O movimento sindical egípcio foi bastante atacado nos anos oitenta e noventa pela polícia, que utilizou munição de guerra contra grevistas pacíficos em 1989 durante greves nas plantas siderúrgicas e em 1994 nas greves das fábricas têxtiles. Mas desde dezembro de 2006 nosso país vive continuamente as maiores e mais sustentadas ondas de acções grevistas desde 1946, detonadas por greves na indústria têxtil na cidade de Mahalla no Delta do Nilo, centro da maior força trabalhista em Médio Oriente com mais de 28.000 trabalhadores. Começou por temas trabalhistas mas estendeu-se a todos os sectores da sociedade com a excepção da polícia e as forças armadas.

Como resultado dessas greves conseguimos obter 2 sindicatos independentes, os primeiros de sua classe desde 1957, o dos cobradores de contribuições de bens raízes, que inclui a mais de 40.000 empregados públicos e o dos técnicos da saúde, mais de 30.000 dos quais lançaram um sindicato no passado mês fora dos sindicatos controlados pelo Estado.

Mas é verdade que há uma diferença importante entre nós e Tunes, e é que ainda que era uma ditadura, Tunes tinha uma federação sindical semiindependiente. Inclusive se a dirigencia colaborava com o regime, os membros eram sindicalistas militantes. De maneira que quando chegou a hora de greves gerais, os sindicatos puderam somar-se. Mas aqui em Egipto temos um vazio que esperamos encher cedo. Aos sindicalistas independentes já os submeteram a caças de bruxas desde que trataram de se estabelecer; já há processos iniciados contra eles pelos sindicatos estatais e respaldados pelo Estado, mas se seguem fortalecendo apesar das contínuas tentativas dos silenciar.

Por verdadeiro, nos últimos dias a repressão dirigiu-se contra os manifestantes nas ruas, os quais não são necessariamente sindicalistas. Estes protestos reuniram a um amplo espectro de egípcios, incluídos filhos e filhas da elite. De maneira que temos uma combinação de pobres e jovens das cidades junto com a classe média e os filhos e filhas da elite. Penso que Mubarak conseguiu agrupar a todos os sectores da sociedade com a excepção de seu círculo íntimo de cúmplices.

A revolução tunecina descreveu-se como muito encabeçada pela "juventude" e dependente para seu sucesso da tecnologia das redes sociais como Facebook e Twitter. E agora a gente se concentra na juventude em Egipto como um catalizador importante. Trata-se de uma "intifada juvenil" e poderia ter lugar sem Facebook e outras novas tecnologias mediáticas?

Sim, é uma intifada juvenil na rua. Internet só joga um papel na difusión da palavra e das imagens do que sucede no terreno. Não utilizamos Internet para nos organizar. Utilizamo-lo para dar a conhecer o que estamos a fazer sobre o terreno com a esperança de animar a outros para que participem na acção.

Como terá ouvido, em EE.UU., o presentador de programas de entrevistas Glenn Beck atacou a uma académica já maior, Frances Fox Piven, por um artigo que ela escreveu chamando aos desocupados a realizar protestos em massa pelos postos de trabalho. Inclusive recebeu ameaças de morte, algumas de gente sem trabalho que parece mais feliz fantaseando sobre disparar -lhe com uma de suas numerosas armas que por lutar realmente por seus direitos. É surpreendente pensar no papel crucial dos sindicatos no mundo árabe actual, tendo em conta as mais de duas décadas de regimes ultraliberais em toda a região cujo objectivo primordial é destruir a solidariedade da classe trabalhadora. Por que seguiram sendo tão importantes os sindicatos?

Os sindicatos sempre são o remédio mágico contra qualquer ditadura. Olhe a Polónia, Coréia do Sur, América Latina ou Tunísia. Os sindicatos sempre foram úteis para a mobilização das massas. Faz falta uma greve geral para derrocar uma ditadura, e não há nada melhor que um sindicato independente para o fazer.

Há um programa ideológico mais amplo depois dos protestos, ou só se livrar de Mubarak?

A cada qual tem suas razões para sair às ruas, mas eu suponho que se o nosso levantamento tem sucesso e derrocamos a Mubarak aparecerão divisões. Os pobres quererão impulsionar à revolução a uma posição bem mais radical, impulsionar a redistribução radical da riqueza e combater a corrupção, enquanto os denominados reformistas querem pôr travões, pressionar mais ou menos pelas mudanças "desde acima" e limitar um pouco os poderes mas manter alguma essência de Estado.

Qual é o papel da Irmandade Muçulmana e como impacta na situação o facto que permaneça distante dos actuais protestos?

A Irmandade sofreu divisões desde o estourido da intifada al-Aqsa. A sua participação no Movimento de Solidariedade com Palestina quando se enfrentou com o regime foi desastrosa. Basicamente, a cada vez que  os seus dirigentes chegam a um compromisso com o regime, especialmente os acólitos do actual guia supremo, desmoralizan a seus quadros de base. Conheço pessoalmente a numerosos jovens irmãos que abandonaram o grupo, alguns deles uniram-se a outros grupos ou seguem independentes. À medida que cresce o actual movimento de rua e a dirigencia inferior participa, terá mais divisões porque a dirigência superior não pode justificar por que não faz parte do novo levantamento.

Qual é o papel de EE.UU. neste conflito? Como vê a gente na rua suas posições?

Mubarak é o segundo beneficiario da ajuda exterior de EE.UU., após Israel. Conhece-se-lhe como o matón de EE.UU. na região; é um dos instrumentos da política exterior estadounidense, que implementa o seu programa de segurança para Israel e o fluxo sem problemas do petróleo enquanto mantém a raia aos palestinos. De maneira que não é nenhum segredo que esta ditadura gozou do respaldo de governos de EE.UU. desde o primeiro dia, inclusive durante a enganosa retórica pró-democracia de Bush. Portanto não há que se surpreender ante as risíbeis declarações de Clinton que mais ou menos defendiam o regime de Mubarak, já que um dos piares da política exterior de EE.UU. é manter regimes estáveis a costa da liberdade e os direitos cívicos.

Não esperamos nada de Obama, a quem consideramos como um grande hipócrita. Mas esperamos que o povo estadounidense -sindicatos, associações de professores, uniões estudiantiles, grupos de activistas,- se pronunciem em nosso apoio. O que queremos é que o governo de EE.UU. se mantenha completamente fora do assunto. Não queremos nenhum tipo de apoio, simplesmente que corte de imediato a ajuda a Mubarak e retire o apoio, que se retire de todas as bases em Médio Oriente e deixe de apoiar ao Estado de Israel.

Em última instância, Mubarak fará todo o que tenha que fazer para proteger-se. De repente adoptará a retórica mais anti-estadounidense se pensa que lhe pode ajudar a salvar a pele. Afinal de contas está comprometido com seus próprios interesses e se pensa que EE.UU. não apoiá-lo-á, voltar-se-á em outra direcção. A realidade é que qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região chegará a um conflito aberto com EE.UU. porque chamará a uma redistribución racional da riqueza e a terminar com o apoio a Israel e a outras ditaduras. De maneira que não esperamos nenhuma ajuda de EE.UU. Só que nos deixem em paz.

17/01/2011

FMI dizia que Tunísia era exemplo

Artigo tirado de aqui.

Dominique Strauss-Kahn, presidente do Fundo, considerava que política económica de Ben Ali era um bom exemplo a seguir para muitos países, e foi mesmo condecorado pelo ditador.
Ben Ali condecorou Dominique Strauss-Kahn

O ditador Ben Ali, derrubado por uma revolta do povo tunisino que durou um mês, era elogiado pelo FMI nos termos mais enfáticos. E retribuiu os elogios, condecorando Strauss-Kahn, presidente do Fundo Monetário Internacional, com o grau de Grande Oficial da Ordem da República, quando este visitou a Tunísia em Novembro de 2008.
Na altura, Dominique Strauss-Kahn afirmou que “A economia tunisina vai bem, apesar da crise (….) a política económica aplicada é sã, e penso que é um bom exemplo a seguir para muitos países (...)O julgamento que tem o FMI sobre política tunisina é muito positivo (…), as coisas continuarão a funcionar correctamente.”